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Vuelvo al Sur

Não costumo compartilhar músicas no blog; só quando são especiais.

Esta tem tudo a ver.

Vuelvo al Sur
Como se vuelve siempre al amor
Vuelvo a vos
Con mi deseo, con mi temor

Llevo el Sur
Como un destino del corazón
Soy del Sur
Como los aires del bandoneón

Sueño el Sur
Inmensa luna, cielo al revés [genial]
Busco el Sur
El tiempo abierto, y su después

Quiero al Sur
Su buena gente, su dignidad
Siento el Sur
Como tu cuerpo en la intimidad

Vuelvo al Sur
Llevo el Sur
Te quiero, Sur
Te quiero, Sur…

Música: Astor Piazzolla
Letra: Fernando Pino Solanas
Fonte: http://www.planet-tango.com/lyrics/vuelvosu.htm

Aqui, lá e acolá pela Alemanha

Meu fevereiro na Alemanha foi bastante intensivo em trabalho, tempo com a família e viagens.

Na primeira quinzena, trabalhei num artigo sobre direito e política internacionais do investimento estrangeiro. Esse artigo precisa ainda receber os comentários e a aprovação dos meus orientadores – meu professor na NYU e minha supervisora no IISD – e então ser entregue ao Institute for International Law and Justice da NYU, do qual recebi bolsa para o estágio em Genebra. Terminada a primeira versão do artigo, comecei a trabalhar como consultor em dois projetos do IISD.

Essas atividades principais, desenvolvidas em dias de semana ao longo do mês, foram permeadas por momentos em família – com meus pais, irmã, cunha e os sobrinhos gêmeos Isabel e Felipe, nascidos em julho de 2010. As sessões de “babação do dindo Guri” foram numerosas e deliciosas. Os gêmeos retribuiram a atenção aprendendo em minha homenagem sua primeira palavra, um diminutivo do meu apelido: Gu.

Além disso, em alguns passeios de meio-turno e em todos os fins de semana de fevereiro viajei bastante pela Alemanha para resolver assuntos burocráticos e visitar amigos aqui, lá e acolá. Alguns amigos eu não via desde 2008, quando fiz o estágio no Secretariado das Nações Unidas para o Clima, em Bonn. Mas antes de contar sobre os passeios… dois acontecimentos inusitados.

* Inusitado I *

Na tarde do dia 14/02, estava eu trabalhando na sala da casa da minha irmã em Untershausen quando tive a experiência de meu primeiro terremoto! Foi um tremor de 4,4 graus na escala Richter, seguido de dois tremores secundários (algum tempo depois). Não houve danos, felizmente – foi só um susto emocionante!

* * Inusitado número II * *

Na noite de 15/02. estava eu de banho tomado, de pijama, sentado na sala do apartamento dos meus pais em Isselbach, trabalhando enquanto esperava por eles. Tocou a campainha. Achei que eram meus pais, mas era uma enfermeira, que não apenas chegou, mas chegou chegando: quando vi ela estava no meio da sala. Tinha vindo com urgência para atender minha esposa (?) doente.

No meu alemão limitado, tive que explicar a ela que só podia ser um engano e que ela tinha o endereço errado. Ela foi embora pedindo desculpas e eu fiquei por aí – para cuidar da minha esposa (!), o que eu só consegui fazer quando parei de rir, uns 15 minutos mais tarde.

Contei o acontecido num curto update no facebook e recebi vários comentários dando continuidade à história – minha irmã Lu desejando melhoras à cunhada; a amiga Jen fingindo ser minha esposa e reclamando de eu ter mandado a enfermeira embora; a amiga Évelyn sugerindo que eu levasse a minha esposa para um passeio de recuperação na Bavária… No dia seguinte, postei no facebook fotos da viagem com minha esposa ao Castelo de Neuschwanstein, na Bavária – mas resolvi parar, porque a coisa estava ficando fora de controle.

* * * Passeios * * *

Agora sim, aos passeios! A agenda foi intensa, então o relato vai ser resumido, com algumas fotos, só para dar um gostinho. Outras fotos selecionadas estão no meu álbum Deutschland Februar 2011.

Diez (02/02): Visitei com meus pais o Schloss Oranienstein, um castelo barroco construído pela princesa holandesa Albertine Agnes.


Schloss Oranienstein

Frankfurt (03-05/02): Fui ao Consulado Americano para fazer um reconhecimento de firma (burocracias para o NY bar!) e aproveitei para visitar um casal de amigos uruguayos – Magui e Diego.


Remando a Frankfurt


Almoço (Flammkuchen) com Magui

Heidelberg (06/02): Com meus pais, fui a um concerto da orquestra e do coro da Universidade de Heidelberg, em comemoração aos 625 anos da universidade: uma sinfonia de Schubert e uma missa de Bruckner.


Concerto na Stadthalle Heidelberg

Bonn (11/02): Recordando os bons tempos do meu estágio no Secretariado das Nações Unidas para a Mudança do Clima, fui a Bonn. Passeei pelo centro antigo, comprei coisinhas para meus sobrinhos na Bouvier (minha livraria preferida na cidade!), comprei também umas partituras de flauta para mim… e terminei com um almoço num restaurante grego, com Maria e Elsa, que trabalham no secretariado.


Beethovenstadt Bonn

Colônia (Köln) (11-12/02): Ainda na sexta-feira 11 à noite, encontrei-me com a Barbara, ex-colega de estágio no secretariado, e fomos a Colônia, onde ela mora. Depois da janta chegou o Tobias, namorado dela, e ficamos os três colocando os papos em dia por hoooras. No fim da noite, antes de pegar o trem de volta pra casa, fui para a outra margem do Reno para tirar fotos noturnas da cidade.


Catedral (Dom) e Hohenzollernbrücke


Cologne – vista da cidade antiga

Braunfels (17/02): Meus pais e eu passamos a manhã em Braunfels, onde há um grande número de casas em estilo enxaimel (em alemão, Fachwerk). Também fizemos uma visita guiada ao castelo, que, tal como Oranienstein, também pertence à nobreza holandesa.


Enxaimel em Braunfels


Schloss Braunfels

Colônia (Köln) revisitada (18/02): Fui de novo a Colônia para passar o dia com o amigo Lev, ex-colega da NYU. Entre outros passeios, subimos ao alto de uma das torres da catedral (157 m)! (Só pra lembrar: escadas, ok – na Idade Média não faziam torres com elevador.) Trata-se da maior catedral gótica do norte da Europa (a segunda maior é York Minster, que visitei em 2007). As torres são as segundas mais altas torres de igreja em todo o mundo, perdendo apenas para a da Catedral de Ulm (161 m), que eu subi com meu cunhado em 2001… antes que a era da fotografia digital começasse pra nós!

Depois do passeio com o Lev, encontrei Barbara e Tobias de novo para irmos juntos a um tradicional show de carnaval chamado Immisitzung. As piadas culturais e o pesadíssimo sotaque kölsch (ou seja, da região de Colônia) atrapalharam minha compreensão, mas no contexto até que entendi bastante! O tema da festa é a diversidade cultural de Colônia e, por isso, os convidados são incentivados a fantasiar-se de acordo. Por sugestão da Barbara, fui como teuto-brasileiro – mas não digo mais nada sobre minha fantasia. Fotos no álbum online.


Vista de Colônia do alto da catedral


Com o Lev na frente da catedral

Düsseldorf (19/02): Ir dormir às 3:30 da manhã depois da Immisitzung (!) não me impediu de acordar às 7:30 para pegar um trem a Düsseldorf, onde visitei o amigo Jens, que conheci na Argentina em 2008. Muita conversa para pôr em dia, claro, e muitos passeios pela bela cidade, que visitei pela primeira vez! Além de visitarmos um centro cultural japonês (Düsseldorf tem a maior colônia japonesa na Alemanha), fizemos uma caminhada sugerida pelo centro da cidade, procurando pistas para resolver uma charada… foi bem divertido!


Com o Jens no jardim japonês EKO-Haus (templo budista ao fundo)


Wallstraße – ou, como foi na semana da fusão das bolsas alemã e nova-iorquina, o título alternativo da foto é: “Dois nova-iorquinos observam o novo nome de Wall Street, em frente ao seu Starbucks preferido.”


Casa com relógio e sinos na Marktstraße

Koblenz (24/02): Para comemorar o aniversário da minha mãe, fomos comer sushi no nosso restaurante preferido aqui da área, em Koblenz.


Görresplatz, Koblenz

Descontando as idas e vindas entre Isselbach (onde moram meus pais) e Untershausen (onde moram irmã, cunha e sobrinhos), essas – ufa! – foram minhas superviagens pela Alemanha em fevereiro.

Para ter uma ideia aproximada da distância percorrida, coloquei os itinerários todos no Google Maps – de Isselbach a cada um dos destinos e de volta a Isselbach, somando… 1.226 km!

Ver ampliação

Claro que eu não podia terminar o post sem fazer menção ao meu meio de transporte mais usado (e preferido): InterCity Express (ICE) o trem de alta velocidade (até 300 km/h) da Deutsche Bahn, rede ferroviária alemã. Na volta de Düsseldorf, pouco depois que a tela do trem chegou a marcar 274 km/h, registrei na foto:


Voltando pra casa de ICE a 266 km/h!

Petites vacances

Dia 23 empacotei os queijos e chocolates que eu tinha comprado para a degustação (!) e fui de trem para a Alemanha, onde encontrei toda a familia próxima – pais, irmãs, cunhados, sobrinha e sobrinho! La, na bucólica zona rural alemã, é que tinha muita neve, como atestam as fotos.

Algumas viagens para ver amigos da família (Karlsruhe) e familiares do meu cunhado (Ehingen), mas no mais sem grandes aventuras. O Natal e o Ano Novo foram descontraídos, em família, curtindo os sobrinhos gêmeos e comendo de mais (típico de fim de ano).

Mas tudo bem: espero queimar os excessos em 1-2-3-4. Ano Novo no dia 1, de volta a Genebra no dia 2, de volta ao trabalho no dia 3, de volta à natação no dia 4.


Árvore de Natal, decorada por Lu, James e mim


Linha de produção na preparação da fondue natalina!


Muita neve em Karlsruhe


Karlsruhe


Karlsruhe


Gu e a direção invisível


Cortina de gelo, na frente da casa dos meus pais


Mais uma da árvore de Natal

De volta ao TPG

TPG é sigla de “Transports Publics Genevois”, mas podia muito bem ser de “tempo de postagem do Guri”. Meus últimos posts foram escritos durante minhas viagens de ônibus e bonde entre Genebra e Troinex. Por um tempinho acabei deixando de lado o TPG (a ambiguidade é intencional!). Agora, de volta ao TPG (de novo!), explico o que aconteceu nas ultimas duas semanas.

Sexta-feira 22 de outubro fui de trem à Alemanha. Mesmo trabalhando de lá durante a semana, passei bastante tempo com meus familiares (reunião de família a 77%) – e especialmente babei nos meus sobrinhos recém-nascidos, Isabel e Felipe.

Sábado 30 encontrei o Lev, um grande amigo de Nova Iorque que mora em Colônia. Ele veio ao meu encontro de trem e seguimos juntos, de carro, até Loreley, uma rocha à margem do Reno, no trecho mais estreito do rio entre a Suíça e o Mar do Norte. É um lugar bem folclórico, conhecido por causa da história da Loreley, uma sereia-moça que encantava os navegadores com sua voz e assim causava a morte deles (coisa típica de sereia).

Fato curioso é que a poucos quilômetros de Loreley fica Damscheid, onde nasceram meus antepassados maternos. A beleza fascinante de Loreley, sua voz encantadora, seus olhos verdes e seus cabelos loiros confirmam o que dizem na região e que na minha família sempre se soube: Loreley era Lolô de Damscheid, minha tataravó.

E que ninguém venha me criticar dizendo que estou aumentando a lenda, porque nem lenda é. Muitos (inclusive eu, até poucos dias atrás) acham, erroneamente, que a história da Loreley vem de uma lenda antiga. Na verdade, ela se originou de um poema de Clemens Brentano. Esse poema foi seguido de vários outros, sendo o mais famoso o poema de Heinrich Heine (1797-1856). Dizem que é tudo ficção, mas pode muito bem ser uma “história baseada em fatos reais”. Lolô de Damscheid viveu na mesma época em que Heinrich Heine. Pra mim, é evidente que foi sobre ela que ele escreveu.

Às 13h busquei o Lev na estação de trem de Montabaur e às 17h já o deixei na estação de Koblenz, porque ele tinha de voltar logo para Colônia. Em apenas quatro horas, almoçamos com tranquilidade, dirigimos mais de 100Km em terras desconhecidas (para ambos), conversamos como dois amigos que não se viam há meses (o que era verdade!), e ainda fizemos um lindo passeio turístico. Um rendimento inacreditável, mas não tão inacreditável quanto a beleza das paisagens outonais que vimos durante a viagem e do alto de Loreley.


Lev e eu, no alto de Loreley


Do alto de Loreley


Sankt Goar, do lado de lá do Reno


Sankt Goarshausen e Burg Katz, do lado de cá do Reno


Mais provas de que estivemos lá! Hehe!


Damscheid fica praqueles lados


Vista “sul”


Com a Loreley


Burg Rheinfels, no outro lado do Reno (Sankt Goar)


Mais Sankt Goar


Heinrich Heine, o autor do poema


Na volta pra casa, na Isselbacher Straße. Ainda bem que não tinha ninguém, porque eu tive que parar pra tirar uma foto!


De volta a Isselbach, onde meus pais moram (no térreo)

Domingo 31, Dia da Reforma (e não me venham com outros eventos para essa data), ironicamente deixei para trás o país da Reforma Luterana para voltar a Genebra, de onde foi propagada a Reforma Calvinista. Vim de carro com meus pais – dirigi todo o trecho dentro da Suíça, o que foi um quase prazer. Logo na chegada em Genebra, fiz com eles a caminhada típica de boas-vindas: da margem do lago até a Catedral de Saint Pierre. Por três dias eles passearam por aí, visitando vários museus que eu sugeri (inclusive alguns que nem eu vistei ainda), enquanto eu trabalhava, e à noite algum tempo juntos. Terça-feira, por exemplo, fizemos algo tipicamente suíço: jantamos fondue (para mim, segunda vez desde que moro em Genebra). Ontem eles seguiram viagem, para a Alemanha, via Berna.

E eu fiquei por aqui… tentando me acostumar à de novo à rotina. Nesses primeiros dias da semana, como meus pais estavam aí de carro, dirigimos até o meu trabalho todas as manhãs. (De lá, eles pegavam ônibus ou trem para fazer seus passeios sem se preocupar com estacionamento.) A nova experiência de direção em Genebra serviu para confirmar que fiz um excelente escolha ao decidir não ter carro aqui. O trânsito em hora de pico é lento e irritante. Ganho muito mais passando esse tempo no TPG e usando-o como TPG.

Encontros e despedidas

Com um tantinho de tristeza, devo dizer que este é o último post da série NYC 2009-2010. Agora que estou (geograficamente, pelo menos) distante da minha realidade nova-iorquina dos últimos 14 meses, tenho uma perspectiva mais ampla da minha mais recente saga – resolver minha vida em Nova Iorque e vir para a Europa em menos de uma semana. Neste post, convido o leitor a acompanhar a versão sem cortes dessa história, que é um dos mais belos exemplos do quanto Deus me tem abençoado por toda a minha vida. Escrevo este texto para os amigos que, de uma forma ou de outra (com ajuda prática ou em oração), fizeram parte desta saga, bem como para mim mesmo – minha memória já é fraca e algum dia eu acabaria esquecendo os detalhes se não os escrevesse.

Se tivesse que escolher uma data, eu diria que o complicado e doloroso processo de dizer adeus a Nova Iorque iniciou-se no final de semana de 18 e 19 de setembro. Passei o sábado com a sogra da minha irmã, que chegou do norte do estado de Nova Iorque para visitar o Zoológico do Bronx e também para ver Roosevelt Island, onde morei por mais ou menos cinco meses. No domingo, foi o aniversário da minha Confirmação – sempre me lembro da data, e este ano teve um quê a mais de significado, porque foi num domingo, como há 11 anos. Fui ao culto na City Grace Church, como fiz quase todo domingo por mais de um ano, mas sem dúvida foi diferente do típico domingo de 2009‒2010, não só por causa do aniversário. Os pastores anunciaram que eu estava indo embora para Genebra, contaram histórias sobre minha participação na comunidade no último ano, e oraram por mim. Ganhei um CD especial de fotos, um bolo de despedida e agradecimento, e uma quantidade atipicamente grande (mas de forma alguma inapropriada) de abraços. À noite, minhas duas boas amigas Dana e Natasha fizeram uma janta de despedida, à qual muitos outros amigos foram. Cada um deles compartilhou uma lembrança curta mas cheia de sentimento sobre mim, e eu dei um discurso de despedida (prolixo e sem inspiração).

Então fui pra casa e suspirei profundamente – por que eu tinha dito a todos que aquele era muito provavelmente o meu último domingo em Nova Iorque? Sim, meu estágio em Genebra deveria começar em duas semanas, e aquele domingo devia de fato ser meu último domingo em Nova Iorque antes de ir a Genebra via Frankfurt. Ainda assim, não conseguia me imaginar partindo. Embora minha ONG na Suíça tivesse solicitado meu visto com permissão de trabalho havia bastante tempo, ela ainda não tinha recebido a carta final de aprovação do governo suíço. Eu teria de levar essa carta ao Consulado-Geral da Suíça em Nova Iorque, onde carimbariam o visto em meu passaporte. Poderia levar ainda um mês para a carta chegar – ou poderia ser que a carta nem viesse. Isso trancava tudo. Como eu não tinha visto, não podia fazer planos. Não queria comprar passagens aéreas sem saber por certo quando (ou mesmo se) o visto chegaria, e portanto nenhuma motivação de fazer as malas (empacotar a vida). O que era ainda pior para um control freak como eu, não tinha nenhum jeito de tornar mais rápido o processo do visto, e era difícil até acompanhar esse processo.

Felizmente, aprendi algumas lições sobre vistos. Já tinha tido problemas com processos de solicitação de visto enervantemente demorados – em 2008, quando solicitei um visto alemão, e em julho de 2010, quando estava esperando pela extensão do meu visto americano de estudante. Primeira lição: surtar não ajuda nem um pouco. Embora isso seja bastante óbvio, infelizmente não é tão fácil evitar um surto. Segunda lição: se é que há qualquer coisa que ajude, só pode ser acompanhar de perto o processo de solicitação de visto junto à organização solicitante e, na medida do possível, junto ao governo estrangeiro ao qual se pede o visto.

Além disso, através de experiências relacionadas ou não à obtenção de vistos, aprendi muitas lições sobre o meu Deus. Uma lição importante é: Ele nunca me deixa na mão. Mesmo em situações quando inicialmente pensava que Ele o tinha feito (por exemplo, quando algo que eu queria muito e por que tinha orado não acontecia nunca), cedo ou tarde eu acabava percebendo que Ele não tinha me deixado na mão – em vez disso, Ele tinha me dado algo que eu nem tinha pensado que poderia ter e que era muito melhor que o originalmente almejado. De certa forma, acho que posso dizer que sou mimado de verdade por Ele.

Como qualquer control freak, preciso ter um plano, mas tentei ser uma criatura melhor, tornando essas três lições o núcleo do meu plano, assim:

  1. Não surtarei por causa desse processo de pedido de visto.
  2. Acompanharei insistentemente o processo junto à organização solicitante e ao consulado.
  3. Para atingir (1) e além de realizar (2), confiarei essa questão do visto a Deus.

(3) + (2) = Agostinho: “Ora como se tudo dependesse de Deus. (= 3) Trabalha como se tudo dependesse de ti. (= 2)”

Por favor, não pense que eu sou um herói. Sou bastante novo nessa determinação e ainda tenho que lutar contra minhas neuroses para poder pensar assim. Não é um superpoder inato.

De acordo com meu plano, fui ao Consulado-Geral da Suíça em Nova Iorque na segunda-feira, 20 de setembro (e viva o Rio Grande!). A ideia era perguntar como eu poderia acompanhar o processo do visto junto ao governo suíço, por que estava demorando tanto para minha organização solicitante receber a carta final de Berna, quais eram minhas opções se eu não recebesse a carta e o visto antes que vencesse meu visto americano (o que aconteceria logo, em outubro). Não vou entrar nos detalhes de quão mal eu fui tratado inicialmente; vou dizer apenas que, em algum momento durante um intrincado diálogo com a oficial consular, ela disse, “seu nome está em nosso sistema e estamos autorizados a dar-lhe o visto”. Fiquei surpreso. Não fazia nenhum sentido – eu não tinha que trazer a carta que a organização solicitante receberia de Berna? Era um milagre inesperado que meu nome estivesse no sistema deles. Fui ao consulado novamente na terça-feira para deixar meu passaporte e ainda uma vez na quarta-feira para buscá-lo – com um visto suíço!

A notícia de que eu teria meu visto na quarta-feira desencadeou intensos preparativos para partir imediatamente. Na terça-feira, encontrei uma passagem aérea com preço decente para ir de Nova Iorque a Frankfurt no sábado. Depois de terminar um trabalho de tradução cujo prazo terminava na quarta-feira à tarde, comecei a fazer as malas, uma tarefa que eu só concluiria na sexta-feira à tarde. Após vender, doar, enviar pelo correio, ou jogar fora muitas de minhas coisas, consegui encher duas malas para despachar. Cada uma delas pesava o máximo que a companhia aérea aceitaria levar, mesmo pagando excesso de bagagem (o que eu teria de fazer, inevitavelmente). Minha bagagem de mão tinha o dobro do peso permitido. Então olhei à minha volta… e para o meu pavor ainda tinha um monte de coisa pra levar! Decidi simplesmente jogar tudo dentro das duas malas grandes e torcer que a companhia aérea não fosse muito rigorosa.

No meio da loucura de fazer malas, ainda tive a oportunidade de dar adeus individualmente a muitos amigos, inclusive alguns que não tinham ido à festa de despedida. Na terça-feira, tive um almoço italiano com a Maurizia da NYU, sobremesa-tardia (e uma sobremesa maravilhosa) com a gourmet Christine da City Grace, e um jantar memorável em um restaurante chique (para o qual eu tinha ganhado um vale-presente de $100!) com as irmãs Leslie e Stephanie da City Grace. Na quarta-feira, almoço e sorvete e conversa maravilhosa (como sempre) com o Kyle da City Grace. Na quinta-feira, a Isabela da NYU me ofereceu hospitalidade e comida típicas da Bahia, e mais tarde encontrei novamente a Leslie e a Stephanie em um evento beneficente que a Leslie ajudou a organizar. Na sexta-feira à tarde, a Natasha veio de Nova Jersey me visitar, o que foi um grande incentivo para eu terminar de empacotar (incluindo café, de que eu realmente precisava àquelas alturas). Na sexta-feira à noite, minha última noite em Nova Iorque, fui à festa de inauguração do loft de Kyle, Lee e Ryan, onde vi ainda uma vez muitos dos bons amigos que acabo de mencionar, bem como muitos outros (que não vou citar aqui, porque seria uma longa lista). Foi a forma perfeita de terminar um ano maravilhoso em Nova Iorque.

Em todos os momentos, mas especialmente quando as coisas não pareciam ir muito bem nos meus preparativos, era evidente que eu permanecia sob o cuidado de Deus.

  • Nunca tinha tido problemas para chegar a Roosevelt Island com o metrô F – exceto, é claro, no meu penúltimo dia em Nova Iorque, quando perdi algumas horas por causa de atrasos, acidentes e mudanças de rota inesperadas. Mas nem a MTA (Metropolitan Transit Authority, empresa de transporte público de Nova Iorque) podia me deter: apesar da perda de tempo, ainda consegui me aprontar em tempo.
  • No sábado, o táxi que deveria me levar de Roosevelt Island até a parada do ônibus expresso entre Midtown e o aeroporto de Newark não consegui chegar bem até a parada, por causa de ruas interrompidas em Manhattan. Felizmente, Deus enviou-me um dos Seus anjos, meu amigo Naoki, que me ajudou a carregar as malas até a parada de ônibus.
  • Quando cheguei ao aeroporto de Newark, fiquei em choque quando o ônibus parou e me largou na área de desembarque, não de embarque. Tão frustrante! Tinha que dar um passo adiante com uma das malas, então voltar para pegar as outras duas malas e trazê-las junto à primeira – e assim por diante. Era humanamente impossível carregá-las todas ao mesmo tempo e não havia carrinhos por perto. Aí, do nada, um funcionário do aeroporto se aproximou e me trouxe um carrinho!
  • Então, fui ao balcão da companhia aérea, fazer check-in. Ambas as malas grandes passaram – miraculosamente, até, porque eu sabia que ambas pesavam mais que o máximo permitido. Além disso, não só a moça nem me pediu pra pesar minha mala de mão, mas também ofereceu para despachá-la sem custos adicionais. Inacreditável! Finalmente, ela me ofereceu um assento de corredor (meu tipo preferido) na fila de uma saída de emergência (o espaço para minhas pernas era tão enorme que eu podia dançar valsa ali). E nem precisei pedir.

Tudo parecia estar preparado pra mim. Só Deus poderia ter feito isso dessa maneira. Ele cuidou de detalhes em que eu nem pensei.

Quando desembarquei em Frankfurt, Alemanha, meus pais já estavam esperando por mim no portão. Contei a eles toda esta saga enquanto dirigíamos a Limburg, bem a tempo do culto na igreja evangélica de que minha irmã e meu cunhado participam. À medida que eu me acalmava, sentado na igreja, finalmente percebia que tinha chegado. No domingo anterior, meu aniversário de Confirmação, estava eu em Nova Iorque, dizendo adeus à minha comunidade e aos meus amigos, mas não tinha nem ideia de que receberia o visto e partiria tão rápido. Apenas uma semana depois, estava eu na Europa, com meus pais. Minha irmã e meu cunhado, que eu estava tão feliz de poder ver de novo depois de um ano, em breve chegaria com minha sobrinha e meu sobrinho, que eu estava tão feliz de poder ver pela primeiríssima vez! Eu me sentia realizado, embora exausto da viagem. Não tinha conseguido dormir nada no voo. Além disso, tinha que conciliar a euforia de encontros e desencontros com a tristeza de deixar para trás uma realidade que eu verdadeiramente amava – não estava mais morando em Nova Iorque, aquela igreja não era a City Grace Church, e nenhum dos meus amigos estava ali.

Meu nível de alemão é iniciante (não estou sendo modesto), definitivamente não suficiente para entender um culto inteiro em alemão. Pego umas palavras aqui e ali, infiro algumas a partir do contexto, e isso me permite chegar a um entendimento de uns 65% do que está sendo dito. E não faço ideia de daonde tirei esses 65%, porque é provavelmente bem menos que isso. Ainda assim, por alguma razão divina, eu entendi bem claramente quando o pastor disse que o versículo bíblico da semana era I João 5:4:

“…porque tudo o que é nascido de Deus vence o mundo. E esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé.”

Fiquei paralisado. Imediatamente interpretei o versículo à luz dos eventos recentes na minha vida – vencer desafios terrenos através da fé e da confiança em Deus. Mas isso era apenas a ponta de um iceberg de significado. Lágrimas começaram a correr dos meus olhos no momento em que ouvi o versículo. Só consegui me virar para o meu pai, que estava sentado ao meu lado – “Pai, tu te lembras? É o meu versículo de Confirmação!”

Eu já tinha derramado algumas lágrimas em três ocasiões no processo de partida de Nova Iorque e já tinha falhado na minha determinação de chorar somente quando estivesse no avião para a Europa. Primeira vez: quando voltei a Roosevelt Island depois da festa de inauguração do apartamento dos meus amigos, minha última noite em Nova Iorque. Segunda vez: quando entrava no túnel Holland, saindo de Manhattan a caminho de Newark. Terceira vez: durante o voo, especialmente quando li os cartões de despedida que o Naoki e a Stephanie escreveram (bem, o Naoki intencionalmente escreveu o seu como um “auxílio para chorar”, para o caso de eu ter me esquecido de levar uma cebola para cortar, como ele mesmo colocou, e a Stephanie disse que o dela era muito “emotional and crap” [difícil traduzir!], nas palavras dela mesma, então não é surpresa que eles me fizeram chorar). Mas aqueles momentos foram diferentes. Eu tinha a situação sob controle e não deixei ninguém ver. Desta vez, em Limburg, eu simplesmente não conseguia parar. Acho que só consegui quando lembrei que conheceria logo minha sobrinha e meu sobrinho de dois meses de idade, e quando percebi que eles teriam se comportado melhor durante o culto do que o seu tio de 25 anos.

Falando bem sério, não sei exatamente por que eu estava chorando – talvez porque estivesse tão aliviado de ter chegado com segurança depois da minha saga, ou porque estivesse triste por sair de Nova Iorque, ou porque estivesse feliz de estar na Europa e de ver minha família de novo, ou por causa de um mix de todas essas razões. Sempre se pode racionalizar e pensar que eu estava exausto e particularmente sensível e sei-lá-o-quê, mas outra possibilidade é que eu tivesse sido movido pelo Espírito. É difícil explicar ou descrever. Foi muito intenso. Minha ousadia em compartilhar essa história só se explica pela minha imensa gratidão a Deus.

Pra deixar o blog perfeitamente atualizado, não bastam estas 2.500 palavras; faltam ainda algumas. Escrevi o post (até o parágrafo anterior) originalmente em inglês, para dar notícias aos amigos em Nova Iorque, mas resolvi traduzir porque os amigos brazucas também merecem a atenção e um relatório completo. Aliás, ainda mais completo, escrito à medida que a história acontece. Do domingo 26 de setembro até hoje (sábado 2 de outubro), fiquei com minha família na região do Westerwald, na Alemanha, babando um pouco nos sobrinhos Isabel e Felipe.

Hoje, às 9h da manhã, tomei um trem rumo a Genebra via Frankfurt e Basileia. Chego em Genebra por volta das 18h. Na estação, vai me esperar o senhor em cuja casa vou alugar um quarto durante esse meu período aqui (até meados ou fins de janeiro do ano que vem). Fica em Troinex, a sudeste de Genebra.

Escrevo durante a viagem de trem. Escrevendo, contemplando, ouvindo música. Destaques da minha playlist de viagem:

  • Empire State of Mind, do Jay-Z (porque sair do “empire state of mind” é uma tarefa difícil)
  • Sonatas de violino de Beethoven (porque achei apropriado para o trecho alemão da viagem)
  • Songs In and For Curious Times (uma coletânea – presente de despedida do amigo Kyle)
  • Zooropa (porque U2 é U2, ora; não precisa de justificativas)
  • Encontros e Despedidas, com Maria Rita (porque achei apropriado para o contexto ferroviário)

Agora que estou no último trecho (Basileia–Genebra), já em território suíço, posso fazer alguns comentários sobre as primeiras impressões da chegada. E só algumas, porque quero parar de escrever logo pra curtir a paisagem! Na Alemanha estava chuvoso, mas desde que entramos na Suíça tem feito um dia lindo de sol, que só faz destacar a beleza natural do lugar. O trem faz curvas por entre os morros e entra em longos túneis e passa por pequenas cidades encantadoras. O que se vê ao redor são morros cobertos de florestas já com sinais de outono, o lago cercado de villas simpáticas e pontilhado de veleiros, as montanhas brancas dos Alpes à distância… é deslumbrante. Tô chegando…

Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim chegar e partir
São só dois lados da mesma viagem

(Encontros e Despedidas)

Dois dias em Boston

Dias 15 e 16 de setembro (e lá vou eu de novo, tentar colocar o blog do Guri em dia!), passei dois dias em Boston, Charlestown e Cambridge. Muito satisfeito com meu passeio na Filadélfia, resolvi comprar um guia turístico da mesma coleção, o Boston Day by Day, da Frommer’s. Fiquei hospedado na casa da prima do cunha James, em Malden, pouco ao norte de Boston.

Boston é uma cidade de muitos encantos, desde o clima mais agradável (o outono estava longe de Nova Iorque, mas em Boston já fazia 10 graus Celsius de manhã cedo) até a arquitetura antiga e as calçadas de tijolos vermelhos. Resumindo os melhores momentos do passeio:

  1. O observatório da Prudential Tower, que é o segundo edifício mais alto de Boston e do estado de Massachusetts, oferece vistas espetaculares da cidade, a 50 andares de altura;
  2. O passeio de DUKW (ou “duck” = pato), um veículo anfíbio da Segunda Guerra adaptado para turistas, pelas ruas de Boston e pelo Charles River;
  3. A caminhada de Back Bay (bairro onde fica a Prudential Tower), que antes fazia parte do leito do Charles River, até o Boston Common, passando pelo Public Garden (parques);
  4. Seguir o Freedom Trail (Rota da Liberdade), que passa por diversos marcos históricos de Boston e Charlestown;
  5. No segundo dia, a visita guiada pelo campus da Universidade Harvard, em Cambridge. Dica: a visita é grátis e guiada por estudantes do Harvard College, que contam sobre a história da universidade e a vida no campus;
  6. A caminhada pelo Back Bay Fens (ou The Fens), um parque projetado por Frederick Law Olmsted, mesmo criador do Central Park e do Prospect Park de Nova Iorque. Dica: vale a pena passar pelo jardim de rosas de The Fens;
  7. A caminhada ladeiras acima e abaixo em Beacon Hill, bairro de classe alta, com construções antigas de tijolos vermelhos.

A escultura “Quest Eternal”, de Donald De Lue, me fez lembrar direto do Rocket Thrower, do mesmo escultor, no Flushing Meadows-Corona Park. Em segundo plano, o Prudential Tower.

Boston vista do alto dos 50 andares do Prudential Tower

Copley Square, onde ficam a Biblioteca Pública e a Trinity Church

Church of Christ Scientist e Symphony Hall

Back Bey Fens

Campus do MIT, em Cambridge, do lado de lá do Charles River

Marlborough Street, uma rua residencial tranquila em Back Bay

Public Garden

Public Garden

Cheers, o bar que inspirou a série de TV de mesmo nome

Boston Common

Freedom Trail: Massachusetts State House

Freedom Trail: Old State House

Freedom Trail: Faneuil Hall

Freedom Trail: USS Constitution, em Charlestown

Boston skyline, vista de dentro do USS Constitution

Detalhe do USS Constitution

Freedom Trail: Monumento Bunker Hill, em Charlestown

Boston City Hall

Entardecer em Boston; vista de Cambridge

Dia 2: chegada no campus de Harvard, em Cambridge

Harvard Memorial Hall

Interior do Memorial Hall

Em frente ao Langell Hall, Faculdade de Direito de Harvard

Arquitetura típica da Brattle Street, em Cambridge

Outra casa em Brattle Street, Cambridge

Vista do Charles River em Cambridge

Museu de Belas Artes

Jardim de rosas nos Back Bay Fens

Louisburg Square, em Beacon Hill, bairro de classe alta

Upstate NY

No findi do Dia do Trabalho (nos EUA, é na primeira segunda-feira de setembro) em 2009 fui para a região de Albany, capital do estado de Nova Iorque (ver este post). Por uma barbeiragem dessas da vida, na hora de comprar as passagens de ônibus naquela ocasião, por engano marquei a volta para 3 de setembro de 2010 (em vez de 2009).

Quando me dei conta do engano, não tinha mais como voltar atrás. Fui no balcão da Greyhound, tanto aqui em Nova Iorque quanto em Albany, mas não teve jeito de trocar a passagem ou pedir reembolso. Acabei tendo que pagar de novo para voltar de Albany para Nova Iorque no ano passado. Guardei o bilhete que comprei por engano, mesmo sem saber, então, que acabaria ficando por aqui um tempo após o mestrado e tendo a chance de usá-lo! Assim é que fui à região de Albany na segunda-feira e voltei na sexta-feira, 3 de setembro de 2010, usando o bilhete comprado por engano.

O objetivo principal da viagem foi visitar meus “familiares” aqui do estado. É um quase-parentesco que às vezes fica difícil explicar. Sue e Tom são “os pais do meu cunhado James” ou “os pais do marido da minha irmã” ou “os sogros da minha irmã” e moram em Rexford. Até aí até que dá pra entender tranquilo, mas nem sempre é assim tão simples. Terça-feira, por exemplo, fui com a Sue a Auburn para conhecer a irmã do meu cunhado e as duas filhas da irmã do meu cunhado. No caminho de volta, paramos em Canastota para conhecer os avós paternos do meu cunhado, e ainda em Utica para visitar uma tia-avó paterna do meu cunhado. Por fim, sexta-feira fomos a Niskayuna e conheci o recém-nascido (bom, nem tão recém: já tem 2 meses!) filho do irmão do meu cunhado, ou seja, sobrinho da minha irmã.

O único passeio que não envolveu quase-parentescos complexos foi ao New York State Capitol, a sede do legislativo estadual. A construção foi concluída em 1899 e custou 25 milhões de dólares (quase meio bilhão de dólares correntes).


Senado do Estado de Nova Iorque

A “escadaria de um milhão de dólares” (foi o que custou!)

Câmara de Deputados do Estado de Nova Iorque

Salão do capitólio; tapete com o selo de Nova Iorque

Vista para o capitólio, do alto da Corning Tower (1973), o mais alto edifício de Albany; também o mais alto do estado de Nova Iorque fora da cidade de Nova Iorque. Tem 180 metros e 44 andares. A “calçada de Copacabana” a sudoeste do capitólio é um mistério a desvendar.

Dois dias na Filadélfia

Semana retrasada (a defasagem no blog está ficando incontrolável!) fui à Filadélfia a passeio. Saí bem cedo (peguei o ônibus às 7h) na sexta 27 e voltei bem tarde no sábado 28 (cheguei à meia-noite em NYC), pra aproveitar ao máximo a viagem. Também planejei com cuidado o passeio para dois dias meteorologicamente exemplares: dias de calor, mas nem tanto, e céu azul.

Altamente recomendado o guia que comprei no Dia Nacional do Waffle. É o Philadelphia Day by Day, da Frommer’s. Sugere atividades para um, dois, ou três dias, além de caminhadas pelos diferentes bairros da cidade e passeios ordenados por interesse (parques, artes, atividades outdoors, vida noturna etc.). Turistas hiperativos (como eu!) podem condensar os três dias de passeio em apenas dois e ainda fazer várias das caminhadas sugeridas.

Outra recomendação, especialmente válida para o turista com pouca grana (como eu!), é o Apple Hostel. Pra quem não se importa com as inconveniências dos albergues, a hospedagem é ideal. Localização é tudo: fica no centro antigo (Old Town) a uma quadra da Market Street, a rua central de Philly, que divide a cidade em norte e sul.

O que mais me impressionou na Filadélfia é a harmonia entre história americana e arte, presentes em todo canto da cidade. Foram dois dias intensos de caminhadas, museus e muita fotografia (umas 350 fotos!). Aqui no blog, mostro a seguir só uma seleçãozinha, contando alguns detalhes do passeio; a seleção (99 fotos) está no picasaweb do Guri.


Independence Hall: talvez um dos prédios mais históricos dos EUA. A construção foi finalizada em 1753 para servir de sede para o governo da Pensilvânia. No entanto, o prédio é mais conhecido por sediar o Segundo Congresso da Filadélfia (1775 a 1783) e a Convenção Constituinte em 1787. Tanto a Declaração de Independência quanto a Constituição dos EUA foram debatidas e assinadas no Independence Hall. Não dá pra perder a visita guiada, que é gratuita (só é preciso buscar ingressos no Visitor Center, a uma quadra dali).


Sala de reuniões do Senado, no Independence Hall


Franklin Court: prédios construídos por Benjamin Franklin na Market Street. Uma passagem (no centro da foto) leva ao local da antiga casa de Ben Franklin, que não existe mais, mas cujos contornos foram reconstruídos em uma estrutura metálica. Ali também há um museu sobre a vida de Ben Franklin, com entrada gratuita.


National Constitution Center: um museu moderno e interativo dedicado à Constituição dos EUA, atualmente a mais antiga constituição escrita em vigor. A entrada para o museu é paga. Comprei o City Pass, que é válido por dois dias e dá acesso a seis atrações: (1) 24h (a partir do primeiro uso) a bordo dos ônibus de dois andares e dos trolleys da Big Bus e da Trolley Works; (2) Adventure Aquarium; (3) Franklin Institute; (4) Philadelphia Zoo; (5) Eastern State Penitentiary OU Please Touch Museum; e (6) Academy of Natural Sciences OU National Constitution Center.


Liberty Bell: a mais visitada atração da Filadélfia. Este sino, originalmente colocado na torre do Independence Hall, veio a tornar-se um símbolo nacional da liberdade.


City Hall: sede do governo municipal. De 1901 (quando a construção foi concluída) até 1908, foi o edifício habitável (ou seja, excluindo monumentos) mais alto do mundo, com 167 m de altura. É hoje a segunda mais alta estrutura de alvenaria (sem aço) do mundo.


Masonic Temple: templo maçônico, em frente ao City Hall


Love Park: escultura moderna de Robert Indiana no Love Park


Cathedral-Basilica of Saints Peter and Paul: o Papa João Paulo II rezou missa ali em sua visita à Filadélfia em 1979.


Logan Circle

Hall de entrada do Franklin Institute


Estátua do Rocky, em frente ao Philadelphia Museum of Art


Philadelphia Museum of Art: um dos motivos para voltar à Filadélfia é que não cheguei a visitar o museu de arte! Foi construído sobre os muros de pedra de uma represa desativada. A foto é da famosa escadaria do filme Rocky.


Vista do alto da escadaria do Philadelphia Museum of Art


Water Works (uma antiga estação de bombeamento da água do Rio Delaware para o reservatório, sobre o qual atualmente está o Philadelphia Museum of Art); ao fundo, o museu e o skyline da cidade.


Boathouse Row: clubes de remo à beira do Rio Delaware


Obras de arte abertas ao público estão espalhadas por toda a cidade


Rodin Museum: outro motivo para voltar à Filadélfia é visitar o museu com obras do escultor francês Auguste Rodin. Aqui, em frente ao “Portão do Inferno” (a construção clássica ao fundo), uma dos originais de Le Penseur (O Pensador).


Benjamin Franklin Parkway: é a avenida que muitos chamam de “Champs-Elysées” da Filadélfia; uma diagonal que vai do City Hall até o Philadelphia Museum of Art. Em mastros ao longo da avenida há as bandeiras de todos os países. Aqui, a bandeira do Brasil e, do outro lado da rua, a da Suíça. Achei curioso. De onde somos e pra onde vamos!


Pôr-do-sol, perto do City Hall


Entardecer à beira do Rio Delaware; ao fundo, a Ponte Benjamin Franklin. A foto foi tirada do Penn’s Landing, uma antiga zona portuária que foi revitalizada para servir de centro de lazer e palco para shows.


Início do segundo dia do passeio. Elfreth’s Alley
: a mais antiga rua continuamente habitada dos Estados Unidos.


Christ Church, construída no século XVIII


Interior da Christ Church


Depois de visitar Elfreth’s Alley e Christ Church (ambas em Old Town e perto do albergue onde estava hospedado), fui no ônibus de dois andares até a Eastern State Penitentiary, a primeira penitenciária, inaugurada em 1829.


Interior da Eastern State Penitentiary


Na Eastern State Penitentiary, uma reconstituição (no local original) da cela uma vez ocupada por Al Capone. O famoso mafioso de Boston ficou preso na penitenciária por pouco menos de um ano, não por suas atividades na máfia, mas por porte ilegal de arma!


Da penitenciária, fui com o ônibus de passeio ao Philadelphia Zoo, o mais antigo zoológico dos EUA (1874).


Depois da visita ao zoológico, fui no tour de trolley até o Please Touch Museum, uma atração dedicada a crianças (como sugere o nome: Museu “Por Favor, Toque”). O prédio do museu, Memorial Hall, foi construído em 1876, para a primeira Expo Mundial nos EUA (comemorando os 100 anos da Declaração de Independência).


Casas em Society Hill, um dos bairros históricos ao sul de Market Street


South Street: um ponto de encontro de jovens, com muitas opções de restaurantes. E foi ali que eu encontrei uma sorveteria da Häagen Dazs e saboreei um inesquecível milk-shake de Baileys. Tudo de bom.


Pennsylvania Hospital: o mais antigo hospital dos EUA (1751)


Interior da Pine Street Presbyterian Church, em Society Hall


Carpenters’ Hall: sede do Primeiro Congresso da Filadélfia


Rittenhouse Square, no bairro Rittenhouse


Comcast Center: o arranha-céu mais alto da cidade, com 58 andares e 297 metros de altura. A aparência de drive USB não foi intencional!


Comcast Experience: telão de LED de alta definição no hall de entrada do Comcast Center, com 7,7 metros de altura e 25,7 metros de largura


Pennsylvania Railroad Suburban Station


Um dos 3.000 murais espalhados pela cidade


Clothespin, escultura de Claes Oldenburg (1976)


Your Move, de Daniel Martinez, Renee Petropoulis e Roger White (1996)


My Move: Guri fazendo arte com a arte alheia


Wanamaker Building: esse prédio espetacular, inaugurado em 1910, foi a sede de uma das mais antigas lojas de departamentos dos EUA, a Wanamaker’s. Hoje, o luxuoso edifício abriga uma Macy’s. Wanamaker, cidadão da Filadélfia, financiou a campanha pela criação do Dia das Mães, de 1908 a 1914.


Escultura relembrando as experiências de Ben Franklin com pipas


Guri na Ponte Ben Franklin


Pôr-do-sol e Philly skyline; vista da Ben Franklin Bridge


Uma última razão para voltar: a loja de doces Shane é a mais antiga dos EUA. Fica a uma quadra do hostel! Deixei para passar ali antes de ir embora e acabei encontrando a loja fechada… :/


Minutos antes de voltar a NYC, ainda tive a oportunidade de ver a Chinatown Friendship Gate à noite.

Meia-maratona na Broadway

Depois do passeio sem cabimento ao extremo sul do estado de Nova Iorque, surgiu a ideia de outro passeio sem cabimento: uma caminhada pela Broadway do extremo sul ao extremo norte da ilha de Manhattan.

Ver mapa

O Naoki (fotógrafo do último post) topou me acompanhar. Levamos cinco horas do Battery Park até Marble Hill (um pedacinho de Manhattan fora da ilha de Manhattan). Distância total percorrida: aproximadamente a de uma meia-maratona (mais de 21 Km). Muitas fotos. Aqui só vou postar algumas; a seleção completa está no picasaweb do Guri.

The Sphere, escultura que estava junto às torres gêmeas

O início da caminhada!

Broadway, número 1

O touro de Wall St fica na Broadway

Bleecker & Broadway

Flatiron Building de um ângulo menos típico

MetLife Tower, visto do cruzamento Broadway & 5th

Empire State, Broadway & 34th St

Times Sq

Momento “mãe, tô na Globo!”

Marco 100

125th St Station

Um McDonald’s com estacionamento. Nem parece NYC.

Nueva York hispánica. Amei a rima ridícula.

Más de Nueva York hispánica

Inwood, na ponta norte de Manhattan

215th Step-Street: a rua é a escada!

Broadway, número 5134

Já do outro lado do Harlem River: estação 225th St

Olhando de volta para Manhattan. Broadway bridge.

Entardecer sobre o Harlem River

George Washington Bridge vista do NYC Greenway

Voltando pra casa, na 181st St Station

O quinto borough

Dos cinco boroughs de Nova Iorque, faltava conhecer só um: Staten Island. Foi o que inventei de fazer ontem. Decidi na hora do almoço, assim de improviso, e o plano era de início meio maluco. Não sei como deu certo. Fui atualizando o twitter pelo celular, então acabei ficando com um registro bem preciso do horário em que estive em cada lugar.

13:46 Saída de Roosevelt Island.

14:32 Chegada ao Battery Park. Perdi o ferry por questão de alguns minutos… Aproveitei pra tirar umas fotos dos arredores e dar uma espiadinha pra ver se a Estátua da Liberdade ainda estava no mesmo lugar dos mesmos 124 anos. Estava.

Battery Park

Lady Liberty

15:19 No Staten Island Ferry, em algum ponto entre Whitehall (o terminal do ferry em Manhattan) e Saint George (terminal de Staten Island). O ferry é este lindo barquinho laranja que aparece nas fotos seguintes. O melhor dele, claro, é o custo: grátis. Claro que é um veículo de transporte público, mas também serve para fazer um belo passeio pela enseada de Nova Iorque, sem precisar pagar nada.

Staten Island Ferry, Brooklyn ao fundo

Deixando Manhattan (esq.) e o East River para trás.
As pontes: Brooklyn, Manhattan e Williamsburg.

Downtown Manhattan… e que as nuvens fiquem por aí

16:05 Caminhando em terra firme em Staten Island! Tirei fotos do alto do terminal do ferry. Do terminal, mudei os planos (improviso total) e peguei um ônibus para Fort Wadsworth.

Staten Island Borough Hall, vista do alto do terminal to ferry

16:37 Perdido em algum bairro perto de Fort Wadsworth… haha! Nessas horas eu sinto falta de acesso à Internet pelo celular! Errei a parada de ônibus… Bom, na verdade eu não tinha como acertar a parada de ônibus, porque não sabia exatamente aonde estava indo. Parte da aventura é não pedir informações e adaptar os planos conforme a necessidade. ;) Enquanto ainda estava meio perdido, visitei o simpático Parque Von Briesen. Saindo dali, logo me dei conta de que o tal parque era exatamente ao lado de onde eu queria chegar.

16:53 Passeio pelo parque Fort Wadsworth. A área abriga uma antiga fortificação (Battery Weed), criada para proteger a baía de Nova Iorque de invasões por mar. Ali também fica a ponte Verrazano-Narrows, que atravessa o estreito de Narrows, unindo o Brooklyn a Staten Island.

No Fort Wadsworth

Battery Weed; Jersey City, Manhattan e Brooklyn ao fundo

Battery Weed e a ponte Verrazano-Narrows

Um veleiro muito simpático resolveu passar por ali bem na hora em que eu estava tirando fotos da vista espetacular do alto do Fort Wadsworth.

O veleiro aponta para o Rio Hudson;
à esquerda, Jersey; à direita, Manhattan

Manhattan no centro

E nosso veleiro chegando à Ponte Verrazano-Narrows

Passando a Ponte Verrazano-Narrows

Ponte Verrazano-Narrows

Bem por acaso, espiando pra lá da ponte, encontro ao longe uma estrutura conhecida que me faz reconhecer um lugar onde já tinha estado: Coney Island! Bem no centro da foto seguinte está o Parachute Jump, uma das atrações falidas do parque de diversões de Coney Island. O relato sobre minha visita a Coney Island está naquele post de 4.000 palavras… Uma imagem vale mais que mil palavras, mas não mais que 4.000 palavras. Mesmo assim, em consideração ao leitor que não vai voltar praquele post agora, coloquei abaixo uma foto de Coney Island mostrando o Parachute Jump, só pra lembrar.

Coney Island

Coney Island: Boardwalk e Parachute Jump

17:57 No Staten Island Railway (SIR), rumo ao sul da ilha. O SIR é uma estrada de ferro de 150 anos que atravessa Staten Island. É operado pela MTA (a companhia de transporte público de NYC), os trens são versões modificadas (e bem mais velhas) dos metrôs… é praticamente uma linha de metrô na superfície. O MetroCard mensal ilimitado que eu tenho vale para toda a rede de metrôs e, portanto, também para o SIR. Só um detalhe: na maioria das estações não há catracas. Ninguém conferiu meu MetroCard em momento algum da viagem. Ataque de flashback: me senti em Bonn de novo.

18:35 Chegada a Tottenville, a última estação do SIR, no sudoeste de Staten Island. A estação fica à beira do Arthur Kill, o canal que separa Staten Island do estado de New Jersey, à oeste (no continente). Só pra tranquilizar o leitor: nenhum Arthur matou ou morreu por ali. “Kill”, aqui, é uma palavra derivada do holandês antigo; significa “canal”. Pois é, vai saber.

Arthur Kill

Vista para o lado oeste: cidade de Perth Amboy, NJ

A ponte Outerbridge Crossing e o Arthur Kill

18:53 Chegada ao Conference House Park, meu destino final (e determinado desde o início!). O parque fica no extremo sul, não só de Staten Island, não só da cidade de Nova Iorque, mas de todo o estado de Nova Iorque. Não sei se é porque eu estava tão perto do Brasil como podia estar sem sair do estado de Nova Iorque (!), mas vi cenas que me pareceram familiares: mesmo sendo uma baía no bom e velho Atlântico Norte, parecia a Lagoa dos Patos.

Conference House Park (ou São Lourenço do Sul?)

Conference House Park (ou São Lourenço do Sul?)

Levei um susto ao ver um caranguejo-ferradura, um artrópode (não um crustáceo). Nunca tinha visto um… mas ouvi dizer que eles estão por aí faz tempo!

19:35 Entardecer no extremo sul do estado. Se Nova Iorque tivesse um Chuí, digamos que só podia ser ali. Acontece que, antes de começar essa jornada sem cabimento, eu vi na Internet uma foto de um poste que indicaria o extremo sul do estado, com a palavra “South”. Pois bem. Andei por todo o parque (até sair dele pelo outro lado, na Brighton Street), mas não encontrei o tal do poste para tirar uma foto dele. Posso garantir que não está mais lá.

Tudo bem, pois tirei fotos que demonstram, de forma rudimentar, porém eficaz, que estive lá. Era fim da tarde; sol, portanto, a oeste. Aquela sombra comprida é a minha sombra, estendendo-se a leste. À direita da sombra fica o sul. Como se vê, Staten Island terminava por ali mesmo; nada mais ao sul. Meia-volta, volver: tirei a foto seguinte, contra o sol, demonstrando que nada mais havia ao sul (desta vez, à esquerda da foto) além daquele pouquinho de areia.

O ponto sul do estado de Nova Iorque!

Pôr do sol no ponto sul

20:07 Saída de Tottenville. Tomei o ferry das 21h e cheguei a Roosevelt Island pouco depois das 22h, certo de que não faço mais viagens dessas a Staten Island. Para esse tipo de aventura, uma vez basta. Da próxima (será que ainda consigo ir mais uma vez?), fico só no nordeste da ilha e visito os museus de Alice Austen (fotógrafa) e Garibaldi (o próprio).