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A arte de protelar

Compromisso é dívida: é neste post que conto como se resolveu o dilema – Direito ou Jornalismo? Direito, pelos fatos e fundamentos que passo a expor. (A minha necessidade de argumentar talvez seja o primeiro bom motivo para fazer Direito!)

Continuar morando em casa, na minha própria cidade, significava menos despesa e menos esforço. Comodismo, talvez; preguiça, não! Passei em dois vestibulares e persistia na vontade de dedicar-me aos estudos. Minhas irmãs, que se mudaram para Porto Alegre para estudar, não disseram que se arrependiam da decisão, mas me advertiram da complicação (talvez desnecessária) que isso significou na vida delas.

Além disso, depois de minhas experiências internacionais com mudança do clima, surgiu o interesse não só pelo Direito Ambiental, mas também pelo Direito Internacional e pela Diplomacia. O curso de Direito seria, naturalmente, o primeiro passo. Não que eu fosse um apaixonado pela advocacia, ou pelo Direito Civil, ou pelo Penal… não! Eu não queria me tornar um técnico jurídico – queria escrever!

Então fui cursar Direito, tendo em mente o que contou um bacharel que trabalhava com mudanças climáticas. Lembro-me das palavras dele: “Durante as aulas do curso de Direito, eu lia peças literárias por debaixo da classe” .

“Que espetáculo!” foi o que eu pensei. Sim, era isso o que eu queria: ser estudante de Direito, um curso que abre um vasto leque de possibilidades de trabalho e que serviria de trampolim para áreas que me interessam, mas não deixar de ler e escrever, não me deixar tornar um técnico jurídico. Ser estudante de Direito


A Faculdade de Direito da
Universidade Federal de Pelotas,
sob nova perspectiva (de dentro para fora!)

The time of my life (?)

No último post da história de outrora e sempre ficou a deixa: E agora, José – Direito ou Jornalismo?Passei nos dois vestibulares: Direito na UFPEL, Jornalismo na UFRGS. Era preciso tomar uma decisão muito difícil.

Ainda mais difícil foi chegar a ter a oportunidade de tomar essa decisão. Primeiro, eu nem esperava passar, sinceramente. Por causa de greve no CEFET-RS, escola onde fiz o ensino médio, ainda me faltava o conteúdo metade do terceiro ano. Passei no vestibular, mas havia outro problema: como fazer a matrícula na universidade sem o certificado do ensino médio? A universidade não flexibilizou, como em anos anteriores, para as vítimas das greves federais.

Restavam algumas saídas. Uma delas era pleitear na Justiça a matrícula na universidade, uma brincadeirinha jurídica antes mesmo de entrar no curso de Direito. Em outros anos o Judiciário havia concedido medida liminar para permitir o ingresso dos alunos. Mas havia sempre o risco de que outros classificados no vestibular, já formados no ensino médio, alegassem seu melhor direito à vaga.

Outra solução possível era fazer um supletivo, concluindo o ensino médio a tempo da matrícula. Era a opção de menor risco. Lá fui, com uns outros doze bixos avessos ao risco , para o supletivo. Afirmo o seguinte, cuidando para deixar claro que não pretendo desmerecer quem estuda em supletivo: foi a época mais inglória da minha vida. Já aprovado no vestibular, estava, com os colegas, enclausurado horas e horas por dia em uma sala abafada e úmida do escaldante verão pelotense, estudando e fazendo trabalhos e provas da matéria de um semestre condensado em um só mês. Quase um Sacrilégio.

Todos fomos aprovados no supletivo (!) e tínhamos em mãos o certificado do ensino médio poucos dias antes da matrícula, mas a dor daquele janeiro será difícil apagar da memória. A solidariedade e a amizade persiste entre muitos dentre nós, os supletivados, até hoje, apesar da diferença entre os rumos acadêmicos.

Três dos supletivados, em recente e emocionante reencontro:
Luciana, a turista (Turismo); Renata e Martin (Direito, ambos na mesma turma).

De posse do certificado e abraçado na possibilidade da matrícula na universidade, não havia mais desculpa: E agora, José – Direito ou Jornalismo? A solução do dilema, garanto, virá no próximo post…

Razões por que o dia de hoje (não) é especial

  • Não conto mais com a circunstância atenuante da pena do artigo 65, inciso I, do Código Penal. Se ontem eu tivesse praticado um crime, receberia uma pena tal; se praticasse o mesmo crime hoje, ceteris paribus (tudo o mais constante!), a pena seria maior. Isso tem importância indiscutível!
  • Alcancei hoje a capacidade plena para os atos da vida civil segundo o critério do Código Civil revogado de 1916.
  • Hoje, pela primeira vez em 118 anos de história republicana, teríamos uma mulher no exercício do cargo político de mais alta hierarquia do país, porque o titular saiu em viagem. Mas no fim das contas o Presidente do Senado assumiu – e o dia de hoje passou a ser tido como importante pelo fato de ser mais um, em 118 anos de história republicana, em que uma criatura do sexo masculino governa o país.

  • Ganhei um presente de um grande professor, também orientador no serviço de assistência judiciária: uma prova de Direito Processual Civil.

  • Uma prova já foi, mas outras ainda virão – e por isso preciso estudar hoje.

Ironias à parte, há muitas razões para de fato comemorar:

  • Sobrevivi à prova de Processo Civil e pude voltar a escrever no blog!
  • Já recebi umas 50 mensagens de parabéns pelo meu aniversário – e, enquanto escrevo este post, não param de chegar.
  • Todos os que me encontram me dão parabéns simplesmente porque eu existo há 21 anos. Não existe nada melhor para a auto-estima de uma pessoa!

  • Tenho família e amigos com quem comemorar!
  • A mais importante: meu Deus me deu 21 anos de vida feliz, abençoada e com saúde! Eu posso morrer amanhã (nunca se sabe), mas terá valido a pena, porque conheci o Senhor Jesus Cristo, meu Salvador! (Aos leitores: Esse eu recomendo!)

A loteria vocacional

Tendo estabelecido que eu não sou o máximo, posso dar seguimento àquela que um dia foi a narrativa de ontem e que, como percebem os leitores mais assíduos desse blog, pode muito bem ser chamada de a narrativa de outrora… e sempre.

A partir da minha seleção para a primeira conferência da ONU sobre o clima com participação jovem, quando estava ainda no primeiro ano do Ensino Médio, tudo mudou drasticamente. O contato direto com a mídia européia durante a conferência me fez pensar sobre a qualidade (nem sempre muito boa) da informação que se publica(va) no Brasil a respeito das mudanças climáticas. Estudando cada vez mais o tema, passei a escrever artigos para alguns jornais. Minhas atividades de escrita deixaram de ter um fim em si mesmas; passei a escrever tendo por fim a conscientização ambiental.

No ano seguinte (2001) fui convidado para a continuação da mesma conferência. Nessa oportunidade, tive mais uma boa dose de mídia. E mais: estabeleci contato com o Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas (FBMC) e passei a atuar como uma espécie de consultor jovem. Escrevi uma cartilha jovem sobre o clima, participei como relator de vários eventos pelo FBMC… pensando sempre em como comunicar melhor a mensagem da mudança climática, que no Brasil não tem o mesmo eco que encontra em outros países.

Mergulhado de cabeça nesses ideais, o Jornalismo passou a despontar no meu leque de opções profissionais. No terceiro ano, minhas atividades climático-jornalísticas relaxaram um pouco (afinal, estudei para o vestibular!), mas não foram deixadas de lado. E a idéia de fazer Jornalismo, diante de tantas experiências, crescia dentro de mim… Por outro lado, eu pretendia cursar Direito, para aprofundar-me em Direito Ambiental, já que a ciência da mudança climática não era pra mim.

Fiz um teste vocacional que media a probabilidade de ser feliz por realizar determinada atividade profissional. Resultado: área de literárias (97% ou algo tão absurdamente elevado quanto isso) e área de persuasivas (90%). Cursos sugeridos: Direito e Jornalismo. O teste me reforçou a certeza que eu já tinha e me permitiu continuar com a dúvida que eu também já tinha. (Não é uma maravilha? Não esperava milagre de um teste vocacional; ele fez tudo o que tinha que fazer! Até hoje dou graças a Deus, de verdade, por ter feito esse teste.)

Não por uma questão de herança familiar, porque nenhum de meus ascendentes se formou bacharel em Direito, mas minha família tinha como certo que esse era o curso para o qual eu prestaria vestibular. Não havia preconceito negativo contra Jornalismo, mas já estava estabelecido para todos que eu prestaria vestibular para Direito na UFPel e na UFRGS – para todos, menos para mim. A dúvida ainda me inquietava. A vontade de escrever, de comunicar… O Direito Ambiental…

A inscrição para o vestibular da UFPel já estava feita: Direito. Mas eu ainda tinha de ir aos Correios para fazer a inscrição para o vestibular da UFRGS… Ah, como eu adiei aquela ida aos Correios! Uma conversa com um grande amigo me fez ter uma idéia. Fui aos Correios. Quando voltei, avisei minha mãe que tinha feito a inscrição também na UFRGS. Para Jornalismo.

Acho que até discussão em casa eu tive – “como assim, Jornalismo?”. Mas não tinha mais volta. Era a única forma que eu tinha de empurrar para mais tarde a decisão : “se passar, decido o curso – ou não, porque posso não ter opção”. Foi uma espécie de loteria vocacional. Ganhei um prêmio, mas a loteria não serviu para nada – passei nos dois vestibulares. E agora, José?!

Por favor: eu não sou o máximo!

Quem leu posts como o último e este aqui pode ter uma impressão errônea a meu respeito. Essa impressão, aliás, é bastante comum. A partir do momento em que eu comecei a participar de concursos de redação que me levaram a realizar atividades não muito típicas de alguém da minha idade, por assim dizer, foi incrível constatar o tratamento diferenciado que passei a receber de muitas pessoas, amigos ou não.

Diziam que eu era superdotado, ou que estudava absurdamente muito, ou que era competente ao extremo. Alguns passaram a torcer o nariz para mim, como se eu fosse esnobe… logo eu, que sempre fiz questão de ser reservado e humilde (e nem teria por que não ser). E aí vou eu de novo: posso garantir que não há pessoa mais normal que eu.

1) Primeiro: não sou um gênio. Qualquer teste de QI comprova isso! 😛

2) Além disso (chega a ser uma vergonha dizer isso), estudei por quase toda a vida em véspera de prova. Na universidade, claro, é diferente; estudar só na véspera e ser aprovado são coisas inconciliáveis (pelo menos para pessoas que, como eu, não são geniais!). Ainda que estude mais que no ensino fundamental e no médio, não sou dos mais estudiosos das minhas turmas universitárias.

3) Por fim, minha competência está no limite da minha dedicação. Eu levo a sério o que me proponho a fazer. Se para uns isso é competência extrema, para mim é a forma como todo o mundo se porta quanto àquilo que gosta de fazer. É ou não é? ( De novo, comentaristas, não é uma pergunta retórica!)

Se fui parar em uma conferência da ONU ou qualquer outra atividade não muito usual, foi porque gosto de escrever, e não por qualquer outra característica sobrenatural minha. E como se não bastasse toda essa argumentação (coisa de estudante de Direito!), vai no próximo post a prova cabal: a redação superbásica que garantiu minha seleção no concurso para a conferência do clima. Meu desafio é que alguém se atreva a dizer que há nela algo de extraordinário.

Que dureza! Até parece que eu estou furioso, né? Mas não estou! 😀

O primeiro ano: encanto e desencanto

Com o post de ontem acabei lembrando do texto que escrevi para a Revista da Faculdade de Direito (UFPEL), edição dos 85 anos do Centro Acadêmico Ferreira Viana. O artigo explica muito bem o que eu sentia no primeiro ano de curso (2003).

Para muitos que são ou foram estudantes de Direito, o primeiro ano é, de todo o curso, o tempo mais enfadonho e dispensável, em função de ser essencialmente teórico. A fim de ser justo, convém esclarecer que nem para todos o sentimento para com o primeiro ano é de não gostar; em alguns casos, é mais uma questão de não preferir. A respeito desse desinteresse pela teoria, os professores soem advertir que os estudos no campo das Ciências Sociais constituem base imprescindível para que o estudante compreenda o Direito em sua importância social como meio de normalização de comportamento. Esse argumento parece, entretanto, ser pouco convincente à maioria dos afoitos calouros, que mal podem esperar para manusear códigos e dominar tudo o mais que se relaciona à parte prática e técnica do Direito.

Embora crucial, esse não é o único aspecto que marca o primeiro ano na Faculdade de Direito. O ingresso em uma universidade pode ser desafiador para novatos que, no mesmo tempo em que deixam para trás o colegial, pouco sabem a respeito do que esperar de sua nascente vivência como universitário e como acadêmico de um curso de Direito. Por mais que o estudante creia ter vocação para o curso e provenha de uma boa escola de ensino médio, é quase inevitável a tensão no período anterior aos primeiros instrumentos de avaliação. Nesse período reina a dúvida: todos querem saber se estão preparando-se de maneira adequada e aprendendo, de fato, o que se supõe que aprendam. Nos meses iniciais, não há parâmetros ou indicadores, o que é desesperador para quem costuma saber mensurar o conhecimento adquirido. As disciplinas com as quais se tem contato, desde História até Introdução ao Direito, passando por Sociologia, Política e Economia, desenvolvem-se em colossais ramificações e abordagens, a cada uma das quais corresponde um cabedal literário tal que se tem a impressão de ser impossível ler todas as obras que se deveriam ler, para a melhor compreensão dos temas de estudo.

Na contramão dos que não se comovem por meio desse verdadeiro convite à erudição, posto ao calouro do curso de Direito, e que continuam impacientes, à espera das normas, há os que, como eu, ficam deslumbrados pelos estudos sociais. E não se pode pensar nesse deslumbramento senão como uma situação inquietante, porque acentua as já mencionadas incertezas que há no início do curso – há quem se coloque em uma gangorra de dúvida entre mudar para alguma das Ciências Sociais ou Humanas e seguir o Direito. Embora mais distante da tal gangorra, ainda não sei o rumo exato de minha vida, nem mesmo de minha vida acadêmica. Isso não é sequer minimamente frustrante, tendo em vista que sempre fui consciente de que é pretensão sem tamanho desejar saber tanto a respeito de si próprio, já aos dezoito anos. Porém, sem dúvida, o primeiro ano tem sido um primoroso quebra-gelos.

Para resolver, enfim, minhas incertezas com respeito ao funcionamento desse muito útil navio, tive acesso a uma ferramenta valiosa: li O primeiro ano (do original em inglês, One L), livro em que o advogado Scott Turow relata as experiências no seu primeiro ano na Harvard Law School, nos EUA. Lá o ensino jurídico se desenrola não como no Brasil, mas, desde o princípio, com atividades mais voltadas à prática, o que seria tão desejável por muitos dos afoitos calouros brasileiros. Apesar dessa divergência, constatei que, em geral, as inquietações de Turow como primeiranista eram semelhantes às minhas, com relação a aulas, estudos e leituras, bem como a respeito de minhas considerações sobre as atitudes de professores e colegas. Foi surpreendente verificar tais semelhanças entre esta Faculdade e o mais tradicional estabelecimento de ensino jurídico dos EUA. Não é prudente afirmar que essas semelhanças (ou coincidências?) se verificam em todas as faculdades de Direito, no Brasil e no exterior. Entretanto, os relatos de egressos e de estudantes do segundo ano em diante, além de minha parca mas nem por isso desprezível experiência, levam a acreditar numa universalidade: encanto e desencanto envolvem o primeiro ano dos cursos de Direito. E, mesmo no Brasil, onde os estudos iniciais são carregados de teoria, de minha parte pode-se dizer que Scott Turow tem razão: o primeiro ano é, de fato, um tempo para aprender a gostar do Direito.

Mudando (ou tentando mudar) de assunto…

Não, hoje não vou continuar a história de ontem e sempre – quem sabe amanhã? 😉

Comecei hoje o meu atendimento em projeto de assistência judiciária no bairro onde moro. É a primeira vez que me envolvo com o Direito de forma mais prática. O friozinho na barriga pouco antes do início deve ser normal, por dúvidas tanto de forma (petição inicial eu já redigi, mas só como tarefa de aula – e se eu não conseguir fazer?) quanto de conteúdo (e se eu não souber resolver o problema do assistido? que ação propor?).

Apesar desse impacto inicial, com a colaboração das colegas (atendemos em trio) e as dicas de estagiários mais experientes, da assistente social e do professor orientador, tudo parece fácil. Minha principal motivação é que eu gosto de pessoas e quero ajudá-las, na medida da minha capacidade. Além do mais, a aplicação do conhecimento jurídico possibilita uma perspectiva interessante sobre as diversas realidades que existem e para as quais muitas vezes fechamos os olhos.

Entrei no Direito com a idéia que a minha amiga Fernanda Joe defende (até em comunidade do orkut): se tudo der errado, serei advogado. Talvez seja um posicionamento radical demais; não quero desconsiderar possibilidades a priori. É bem possível e até provável que, ao longo da segunda metade do curso, venha a gostar cada vez mais da idéia de advogar, mas a verdade é que nunca fui um grande apaixonado pela prática do Direito.

Não nego a importância da prática, mas não faço como os estudantes afoitos por processos, que desprezam as matérias extra-jurídicas – Sociologia, Filosofia, Economia, História… Nunca quis ser apenas um bom técnico jurídico. Sempre quis pensar, posicionar-me, escrever.

(Parece que, mesmo querendo, não consigo interromper a história de ontem e sempre…)

O impulso e a inércia

No início havia apenas pretensão literária; depois, com intenso incentivo para escrever, resultaram também alguns frutos. Meus escritos e minha dedicação à atividade, no entanto, não passavam de um mundo só meu, de que ninguém mais participava. Faltava apenas uma oportunidade de tornar pública a minha pretensão.

E, com as portas da minha mente e do meu coração abertas, a oportunidade não tardou: Jornalista por um dia, 1997. O concurso do jornal gaúcho Zero Hora foi a primeira vez que eu, aos 12 anos de idade, tive coragem de encaminhar algum texto à publicação. Devo ter mandado duas ou três redações, mas a escolhida pelos editores do jornal foi a do post anterior.

Além da publicação do texto em edição de feriado (12 de outubro) de jornal de circulação estadual, tive a oportunidade de visitar as instalações da Zero Hora em Porto Alegre e ter um primeiro e único contato com os demais contemplados. Tendo a pensar nesse concurso como o impulso inicial para uma dedicação mais séria à redação. Um estado inercial diferente foi estabelecido.

Com um pouco mais de maturidade, surgiram outras oportunidades de publicação. Em 2000, com o estímulo de excelentes professoras do CEFET-RS, escrever para concursos de redação passou a ser corriqueiro. Com uma semana de antecedência, participei de um promovido pelo Rotary Club de Pelotas sobre a Independência do Brasil. Fui, escrevi e venci, um segundo lugar irresignado, mas ainda assim com dignidade: “tudo bem, pelo menos ganhei um Aurelião”. (Auto-exigente, eu?) Um mês depois, conquistei o primeiro lugar, com publicação em livro, em concurso de composições escolares para uma campanha da UNESCO.

Lamento não ter mantido contato com nenhum dos outros ganhadores do concurso Jornalista por um dia de 1997. Será que para eles o concurso foi tão importante como para mim, em considerações de longo prazo? Jornalismo, para mim, passou a ser uma opção, mesmo que eu nem suspeitasse disso naquele momento…

A tentação de apressar essa narração desconexa é persistente, mas não posso trair meu propósito ao contar minha história: ruminar cada detalhe, para chegar com um mínimo de certeza a entender por que e de que forma eu hoje sou quem sou. Pouco a pouco, chego lá. O impacto maior ainda estava para acontecer, no fim daquele mesmo ano…