“This looks good.” Foi o que o professor (já) respondeu sobre a proposta de paper que eu mandei ontem. Pode parecer pouco emocionado e curtinho, mas, no contexto do e-mail (e considerando que foi enviado do celular), acho que foi um comentário positivo, pra compensar meu dia atrapalhado de ontem. Pronto, you may now take a picture. ;)
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Bad day: please don’t take a picture
Derramei um pouco de café na escrivaninha hoje de manhã. De fato, não foi muito (portanto, sem grandes estragos); mesmo assim, além da quantidade ótima (que é nada!). O mais grave foi um suave “collateral damage” a uns livros emprestados. (Glup.) Me senti muito mal com isso… nunca derramei café em coisas importantes. Mais do que isso, sempre achei absurdo que alguém tivesse a capacidade de derramar café em coisas importantes. Pronto, vivendo e aprendendo a não julgar ninguém em situação nenhuma.
Me apatralhei total e não consegui terminar as leituras para International Law (pela primeira vez no semestre!). “Tudo bem, pela primeira vez no semestre”, e era uma quantidade grande de leituras (cobrindo nada menos que a segunda Guerra do Golfo e o caso da Nicarágua na Corte Internacional de Justiça e os conflitos na República Democrática do Congo). O problema, mesmo, era não conseguir ler tudo justo no dia em que eu razoavelmente achava que seria chamado pelo professor. Na aula anterior ele tinha chamado alunos do fim da lista, por isso eu imaginava que hoje ele haveria de voltar ao início. E voltou. E chamou minha colega Fulaninha Bradley. E eu pensei, “putz, Bradley… Brauch… ai, hoje não, hoje não”. E ele não me chamou! Avançou pro meio da lista; chamou alguém de sobrenome com inicial “M”. Bah, acho que cheguei a suspirar de alívio.
Depois da aula comprei comida num restaurante (com desconto para alunos da NYU, yay) e, como o dia estava bonito, fui almoçar no Washington Square Park. (Aqui tem muito isso de comida “pra levar”, servida em recipientes descartáveis. Fico meio mal com o aspecto antiecológico… mas às vezes é demais remar contra a corrente, especialmente quando não se tem grana. Ai, será que estou indo contra os meus princípios? Pelo menos ainda penso neles!)
Já almocei outras vezes no Washington Square Park. Sempre é uma experiência interessante, mas a de hoje foi particularmente interessante. Primeiro, porque estava friozinho e com sol. Depois porque além dos esquilos frenéticos tinha várias pessoas passeando com seus cachorros, então a coisa estava mesmo um zoológico.
E por aí, claro, começam as bizarrices típicas de Washington Square Park. Um brasileiro (pelo menos acho que era, porque estava falando no telefone em português, com sotaque de brasileiro), estudante da NYU (disso eu tenho certeza porque vi que ele tinha na mão uma carteirinha da universidade), passou caminhando pela frente do banco onde eu estava sentado pelo menos umas três vezes em meia hora, sempre falando ao telefone. (Suponho que ele tenha a mesma mania que eu, de ficar caminhando de um lado para outro durante os telefonemas, só que um pouco turbinada – eu faço isso em casa, normalmente não em praça pública.)
Depois do brasileiro-falante-caminhante, apareceu um cara que me ofereceu drogas (nunca tinha me acontecido). Mas ele perguntou sutilmente, e eu respondi sutilmente (que não!), e ele foi embora sutilmente. Pronto. Muito Washington Square Park!
Ainda me apareceu um cara oferecendo uma cópia d’A Origem das Espécies, de Charles Darwin. De graça. “De graça?”. Pensei, “já não vou muito com essa teoria, e tenho tanta coisa pra ler pra faculdade que nem daria tempo mesmo, e sempre desconfio de presentes de estranhos, e já tô desconfiado por causa do carinha que veio oferecer drogas”, e recusei.
Por fim, fui à biblioteca da faculdade… e escrevi uma proposta de paper. Coisa meio maluca de se fazer a essas alturas do semestre, especialmente com tanto para estudar, e ainda mais num dia já meio de pé esquerdo como hoje… mas vamos ver o que o professor diz.
Coldplay foge de mim!
Claro. Agora que estou nos Estados Unidos, Coldplay planeja tour à America Latina (incluindo Brasil, claro) em fevereiro e março de 2010. Grrr…
Blue balloon
Que fique bem claro que eu nunca quis um celular com câmera. Pra que, se eu já tenho câmera (aliás bem melhor que qualquer câmera de celular)? Mas, já que ganhei um dos maninhos Ca e Volker, por que não usar todos os recursos à disposição – inclusive a câmera?
(A continuação do raciocínio é que, aos poucos, a câmera do celular vai deixando de ser apenas um recurso à disposição e se tornando indispensável a ponto de eu nunca mais sequer cogitar ter um celular sem câmera… Por essas e por outras é que resisto ao supérfluo.)
Acontece que agora reconheço que a câmera do celular até que pode ser útil. (“Sério mesmo?”, pergunta irônico o leitor que já usa a câmera do celular desde o início do século.) Só por preguiça. Eu carrego quase sempre comigo minha câmera-câmera, mas às vezes é tão mais fácil (e rápido) usar a câmera-celular.
Sábado passado, por exemplo, só graças à câmera-celular fui rápido o suficiente pra registrar o balão azul perdido no céu de Manhattan.
Hoje caminhei até o Rockefeller Center (uma boa caminhadinha: da West 3rd até a 50th, quase 50 quadras) e vi (acho que pela primeira vez) a pista de patinação aberta. Um dia desses vou lá e continuo a aprender a patinar no gelo. (Ou seja, muitos tombos. Depois de três anos não restou nada da pouca habilidade que eu tinha!)
Muita coisa
Tenho uma conclusão importante sobre a vida: muita coisa (boa e ruim) acontece na vida em pouco tempo. Isso tem repercussões relevantes na atividade bloguífera. Faz poucos dias que postei pela última vez – determinado a não postar tão logo! – e já tenho muito a relatar.
Sábado (31/10) correu tal como previsto, com o adendo de um probleminha básico. À tarde fui com alguns colegas da faculdade ao desfile de Halloween, que aconteceu na 6th Avenue pertinho daqui. Em busca de um lugar de onde pudéssemos ver melhor, atravessamos para o outro lado da avenida pelo túnel do metrô. O probleminha aconteceu quando eu quis voltar… e o túnel do metrô tinha sido fechado pela polícia (I ♥ NYPD). Encurtando a história: levei uma hora dando voltas e voltas para conseguir chegar em casa, estando a apenas dois quarteirões de distância! Para piorar um pouco, começou a chover torrencialmente – e eu, claro, sem guarda-chuva. Quando enfim cheguei em casa, estava como se tivesse ido nadar de jeans e camiseta.
Domingo (01/11), ganhei uma hora de sono (acabou o horário de verão aqui) e depois fui à igreja. À tarde, estudos… e chegada da Lu, que veio do Brasil (e daqui voltou para o Texas). Ficou aqui umas 12 horas, apenas, o suficiente para me trazer muambas e notícias do Brasil. Saímos para jantar com um casal de amigos da igreja, depois voltamos para casa e colocamos a conversa em dia, e um pouco de conversa também jogamos fora, claro.
Segunda (02/11) madrugamos (eu nem me lembrava que existia isso de ‘6h da manhã’) e fomos de trem até Newark, NJ. De lá, a Lu pegou um táxi para o aeroporto, e eu peguei o trem de volta a Manhattan para minha aulinha de Direito Internacional. Antes, porém, fiz uma escala de alguns minutinhos em Jersey City, ali do outro lado do Hudson. Pronto, agora posso dizer que estive em Jersey City.
Finalmente, hoje (03/11), coisinhas boas: acordar cedo, render bastante na redação do meu paper, ouvir “Samba de uma nota só” durante o almoço no Quantum Leap. (Ouvir e, admito, cantar junto também!)
Fim do mês de outubro
O fato de que outubro está acabando é um pouco assustador. Falta apenas um mês (o tipicamente conturbado novembro) para terminar o semestre… Tenho vários motivos para entrar em pânico. Mas todos os meus motivos para entrar em pânico são também motivos para não entrar em pânico (porque sei que, se entrar em pânico, não vou conseguir fazer tudo o que preciso). Ou seja, não posso entrar em pânico. Não vou entrar. Será que já entrei? Haha…
Outra coisa do fim de outubro é essa história de Halloween. Sempre tive certa má-vontade com Halloween. Primeiro, porque 31 de outubro, pra mim, nunca será dia de festa das bruxas. É Dia da Reforma, uma data importante para a Igreja Luterana (e, porque não dizer, para toda a Igreja Cristã). Segundo, porque transculturação, pra mim, tem limite. Halloween é um elemento estranho à cultura brasileira e, como eu já não sou muito simpático à ideia, não faço questão de que seja incorporado. Terceiro, não tenho dinheiro pra gastar com fantasias. :P
Essa minha casmurrice se refletiu nas (pseudo)fantasias que usei nas duas únicas festas de Halloween a que já fui. No ano passado (não acredito que já faz quase um ano desde a festa de Halloween da minha turma do Direito!), várias colegas foram vestidas de bruxas, com suas vassouras (típico), então antes de ir à festa passei no súper e comprei (acho que custou uns dois reais) uma pá de limpeza. Pronto: assessor de bruxa. (Muito pertinente: assessores são figuras importantes no mundo jurídico.)
Ontem teve festa de Halloween na NYU Law. Houve certa pressão de alguns colegas para que eu arranjasse uma fantasia, mas nem me esforcei, pelos motivos um e três acima – o dois não vale porque aqui Halloween é um elemento cultural bastante forte, e a galera se puxa muito na hora de se fantasiar! Já eu estava pronto pra ir fantasiado de mestrando…
Acontece que casualmente eu estava usando uma camisa polo com o emblema das Nações Unidas. Perfeito! Minha fantasia: Relator Especial das Nações Unidas sobre Festas de Halloween. Como observador neutro, não me diverti na festa. Tampouco estava autorizado a me envolver em qualquer confusão que eventualmente acontecesse – o máximo que eu poderia fazer era exortar às partes que, por favor, mantivessem uma conduta compatível com a paz internacional e o respeito aos direitos humanos. Minha missão era apenas tomar nota, com a maior imparcialidade possível, do que estava acontecendo.
Amanhã, 31 de outubro, Dia da Reforma, vou passar boa parte do dia no retiro do Alpha na City Grace Church. À noite, talvez assista por um tempinho à parada de Halloween de NYC, a qual obviamente será aqui em Greenwich Village (onde mais em NYC uma maluquice dessas poderia acontecer?). Um amigo meu disse que essa parada de Halloween está em terceiro lugar depois de Sodoma e Gomorra… que horror. Mas estou imune. Estarei lá no meu papel como UN Special Rapporteur.
(Carnaval, aliás, é outra coisa que desperta a minha casmurrice. Acabo de me lembrar do que aconteceu quando fui ao carnaval de Bonn, “só pela experiência cultural”. O que aconteceu? Voltei com a sensação de ter perdido tempo. Talvez o mesmo aconteça amanhã quanto à parada de Halloween.)
Este post também serve para avisar que novembro não será um mês de tanta postância. Lamento pelo balde de água fria no blog, mas três papers e duas provas adiante sugerem que preciso me concentrar.
Nueva York con ganas
Apesar da nhaca meteorológica (chuva e chuva), hoje foi um dia proveitoso pra mim. Começou com a aula de Direito Internacional, que normalmente é com o professor Philip Alston. Além de professor na NYU, ele é Relator Especial das Nações Unidas sobre Execuções Arbitrárias, Sumárias ou Extrajudiciais; visitou o Brasil em 2007.
Tá, mas a aula de hoje não foi com ele: foi com Richard Goldstone, que anda aparecendo nas notícias (no Brasil também?) pelo relatório que preparou com conclusões de uma investigação sobre violações de direitos humanos e do direito humanitário na faixa de Gaza (eu li o sumário executivo do relatório, ok, não todas as 575 páginas!). Bom, o relatório anda dando o que falar, mas sobre isso é melhor perguntar pro google notícias ou pra BBC notícias (do contrário esse post não vai pra frente!).
Depois da aula fui o mais rápido possível (o que no dia chuvoso que foi hoje quis dizer: nadando! brincadeira, fui de metrô) para a sede das Nações Unidas! Encontrei lá uma amiga da igreja que trabalha no escritório de liaison da União Europeia nas Nações Unidas. Almoçamos com ela na cantina da ONU (talvez o lugar mais barato para se fazer uma refeição boa em Manhattan!).
Em seguida minha amiga voltou ao trabalho, e passei a ser “escoltado” por um diplomata brasileiro que conheci aqui em NYC, para atingir finalmente o objetivo principal dessa ida à ONU: fui com ele (e só graças ao convite dele) como observador à reunião do Sexto Comitê, o Comitê Jurídico da Assembleia Geral! A discussão foi sobre o relatório desde ano da Comissão de Direito Internacional, particularmente envolvendo assuntos que muito me interessam academicamente.
Mais que uma oportunidade intelectualóide, porém, foi legal revisitar o prédio da sede da ONU – já tinha feito uma visita guiada lá em 2006, na primeira vez que vim a NYC. (Recentemente fiquei sabendo que o Niemeyer foi um dos que projetaram o prédio… o que afinal não me surpreende tanto. E hoje fiquei sabendo que uma reforma com gastos de muitas e muitas cifras vem aí.) A reunião foi na sala do agora desativado Conselho de Tutela (a foto da wikipedia é melhor que a minha; aí vai).
Ao fim da reunião – mais ou menos 18h – fui à Biblioteca Pública de Nova Iorque, que até então eu só tinha visto de fora. O interior é espetacular. (Lembram do filme “O dia depois de amanhã“?)
A matadinha de tempo na biblioteca tinha motivo: em seguida fui com um casal de amigos ao Carnegie Hall, uma casa de espetáculos, para assistir a um concerto com a Orquestra da Juilliard, uma das melhores escolas de música por aqui, além de alguns concertistas importantes – o mais pop deles, sem dúvida, Lang Lang, o pianista chinês que tocou na abertura das Olimpíadas de Beijing em 2008.
Fato engraçado da ida ao Carnegie Hall… Para as pessoas que estavam à minha frente na fila, entrando no auditório, o funcionário dizia, “suba um nível e dobre a esquerda”, ou “suba um nível e dobre à direita”. Na minha vez, ele disse: “all the way up, sir” (tipo assim, “suba até não ter mais pra onde subir, senhor”). Quatro andares depois… Meu ingresso, obviamente, era um desses baratex, para estudante. Digamos assim que eu tive uma “visão muito superior” do concerto. (!) Mas nem de longe isso prejudicou a experiência. A acústica do auditório é espetacular – assim como o visual, aliás.
As peças do concerto foram de inspiração oriental. Uma delas foi a première mundial de uma composição de Chen Qigang encomendada especialmente pelo Carnegie Hall para a apresentação de hoje. Vai dizer que isso não faz o público se achar o máximo?
A última parte foi Das Lied von der Erde, ou “A Canção da Terra”, de Gustav Mahler. As canções – em alemão – são inspiradas em poemas chineses, com algumas partes bem dramáticas de que eu gostei muito. Tanto que tenho de citar uma delas (no original em alemão e na tradução para inglês fornecida pelo programa do concerto… lamento, mas não tenho a mínima condição de traduzir poesia em alemão para português – haha!):
Ich weine viel in meinem Einsamkeiten.
Der Herbst in meinem Herzen währt zu lange.
Sonne der Liebe, willst du nie mehr scheinen,
Um meine bitter’n Tränen mild aufzutrocknen?I weep much in my solitude.
The autumn in my heart endures too long.
Sun of love, will you never shine again,
Tenderly to dry my bitter tears?Gustav Mahler, Das Lied von der Erde, II. Der Einsame im Herbst, Text: after Chang Tsi
Tudo igual mas de roupa nova
Ultimamente não tenho saído muito aqui da volta de casa, da volta da NYU (a zona de conforto Greenwich Village). Um dia vou um pouco uptown, outro dia vou um pouco downtown, mas não tenho caminhado por aí tanto quanto gostaria.
Após o culto e antes de voltar às leituras, resolvi dar uma volta rápida pelo Washington Square Park. Fica aqui pertinho, já passei por ali tantas vezes… mas nada isso significa mesmice. O outono está cada vez mais visível. Menos verde. Mais amarelo, laranja, marrom.
Saindo do parque, passei por um senhor, que estava sentado diante de uma mesa com um tabuleiro de xadrez pronto para uma partida, mas sem oponente. Ele estava disparando para todos os lados a pergunta, “chess player?“. Fiquei tentado a jogar, mas pensei, “it’s been so long since I last played chess” (sim, pensar em inglês é exercício, “faz tanto tempo que não jogo xadrez”). Cheguei a pensar no caso, mas fiz minha cara de “sinto muito” e segui rumo à biblioteca. Uns dez passos depois cheguei a parar e pensar em voltar… mas segui rumo à biblioteca. Depois me arrependi (típico). Um dia, quem sabe.
Ao sair da biblioteca, já noite, vi que a iluminação do Empire State está violeta, o que não é lá muito comum. Descobri (não é que o site do Empire State tem um calendário de iluminação?) que o violeta é pela Memory Walk 2009, uma caminhada promovida hoje pela Alzheimer’s Association aqui na cidade. Violeta, aliás, está por tudo aqui na volta, porque é a cor da NYU. Terminei o “tour pelos novos velhos lugares” no terraço aqui de casa.
Altos e baixos
Algumas semanas atrás vi no site do Ministério das Relações Exteriores que fiquei em primeiro lugar na pré-seleção do Governo Brasileiro para o programa de bolsas da Organização dos Estados Americanos (OEA). Não espalhei muito a notícia, seguindo os passos do meu sábio mestre (tá, ele é doutor, mas meu mestre!) Leo Monasterio: não espalhar antes que saia no Diário Oficial. Acontece que a OEA teria a palavra final, ou seja, ainda poderia mudar a ordem da pré-seleção brasileira. Claro que, estando em primeiro lugar na pré-seleção, fiquei bastante otimista quanto às minhas chances.
Ontem vi, não no Diário Oficial, mas no site da OEA, a lista final: o primeiro, o segundo, o terceiro, o quarto, o quinto e o sexto colocados da pré-seleção brasileira foram pulados, e a OEA resolveu dar bolsa para o sétimo, o oitavo e o nono. A decisão é final e não sujeita a recurso. Estou oficialmente fora.
O lado ruim é óbvio, mas também tem um lado bom: a bolsa me obrigaria a voltar ao Brasil por dois anos. Nada contra a ideia de voltar ao Brasil, mas nem tão nada contra a ideia de ser obrigado a restringir assim o início da minha carreira em Direito Internacional, pelo qual esperei tanto tempo (sete anos?!). Fazendo um balanço: mesmo entristecido por no final não ter sequer a chance de ver el color de la plata, conto a pré-seleção em primeiro lugar como uma vitória.
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Provavelmente um pouco fora da casinha por causa da notícia, ou simplesmente “porque sim” e nada a ver com a notícia, perdi meu par de óculos de natação preferido no Coles Sports Center ontem à noite. Hoje fui lá de novo e, antes de nadar, perguntei se o tinham encontrado (mesmo sem esperanças). Comecei pela portaria, depois fui para a “sala dos equipamentos” (onde tem um balcão de achados e perdidos), e finalmente, à beira da piscina, já pronto para nadar com o par de óculos de reserva, perguntei para a guria que estava no balcão administrativo do natatorium. E estava lá! Agradeci efusivamente à guria (sei lá se foi ela que achou, mas igual!), e todos se regozijaram. (Nada a ver, mas fica bonito terminar o relato assim.)
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Termino o post com um vídeo. Peço desculpas pela falta de tradução e/ou explicação detalhada na língua padrão do blog. Em síntese: o vídeo mostra um lorde inglês (ex-conselheiro de Margaret Thatcher na área de ciências – e além disso um notório cético quanto à mudança climática) dando uma palestra aqui nos EUA, dizendo que o novo tratado sobre mudança climática (a ser concluído em Copenhagen, em dezembro) vai criar um “governo mundial” e sugar a riqueza dos Estados Unidos, e que através dele Obama vai abrir mão da soberania dos Estados Unidos, e que o tratado vai ter precedência sobre a Constituição dos Estados Unidos, e que por isso os Estados Unidos, uma vez assinando o tratado, não vão poder abandoná-lo sem que os outros países (aqueles malvados) concordem.
Nunca vi tanta bobagem em um vídeo que se propõe a ser sério. Aliás, quando me deparei (nem me lembro como) com esse vídeo, por causa da figura britânica, da postura, do assunto… enfim, de toda a situação, achei que fosse “stand-up comedy” – esse tipo de monólogo cômico que é tão comum aqui nos EUA. Mas aí percebi que a plateia não estava rindo, e que a coisa era pra ser séria, mesmo! Ridiculamente inacreditável. Pior ainda foi googlar e ver as reações (principalmente de americanos): não é que tem gente por aqui que está preocupadíssima, achando que tudo o que o lorde inglês disse realmente vai acontecer?!
Tudo a ver com o tema de hoje – altos e baixos. O vídeo é uma ilustração de quão baixos podem ser os golpes dos anti-ambientalistas por aí (esse lorde inglês não pode acreditar sinceramente nos absurdos que disse!). Por sua vez, as reações ao vídeo são uma ilustração da ignorância (falta de conhecimento, se preferirem) de muita gente aqui nos EUA quanto a direito e política tanto no plano nacional quanto no internacional. (O vídeo já foi visto quase 500.000 vezes… e os comentários a ele na página do youtube são quase todos amplamente irrelevantes.)
Soterrado
A última semana foi silenciosa porque estive ocupadíssimo. Ou seja, agora que estou postando é porque estou totalmente de pernas pro ar, certo? Haha… yeah right! Isso aqui (leia-se: NYU) tá uma loucura cada vez mais enlouquecedora.
Semana passada passei muito tempo estudando em casa e na biblioteca (“soterrado” porque a biblioteca fica no subsolo), mas também fui a mais um evento na NYC Bar. Foi uma semana chuvosa e fria – entre 3 e 7 graus Celsius. O aquecimento no prédio, que até então só vinha me enervando, chegou a fazer sentido nesses dias (mas agora voltou a me enervar, porque os dias voltaram a ser ensolarados e com temperaturas altas o suficiente para deixar meu quarto demasiado quente).
Uma experiência curiosa nesses dias de claustro foi encontrar na biblioteca vestígios de alguém que parece ser, como eu, um editor compulsivo, mas que, diferentemente de mim, ultrapassou a fronteira do vandalismo. (Embora eu às vezes tenha vontades parecidas, tenho conseguido mantê-las sob controle.) Hoje voltei lá e tirei foto dos vestígios:
Não vale a pena traduzir, porque a moral da história não vai fazer muito sentido em português. O fato é que a edição faz toda a diferença. Quem não entender pode confiar em mim: depois das alterações do editor vândalo, a mensagem ficou muito mais clara.


