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Caminhada única em Limburg

Como comentei num dos últimos textos, em 2013 passei a Páscoa com a família na Alemanha. Antes que chegue a Páscoa de 2014 (faltam dois meses!), vou contar da última.

Não foram férias, propriamente. Férias, no meu caso, costumam ser aquele tempo que eu reservo, não para descansar, mas para me cansar ainda mais, fazendo caminhadas de 20 quilômetros por dia (como em Montevidéu) ou turismo intensivo (como na Índia).

O diferente da Páscoa na Alemanha foi que eu descansei. Fiquei em casa com meus pais, minha irmã, meu cunhado e, principalmente, meus sobrinhos (de então quase três anos; hoje, quase quatro). Brincamos de Lego e de carrinho e de boneca e de avião e de tanta coisa mais que nem me lembro — a imaginação deles está sempre a mil.

Houve um dia — um só dia, em duas semanas — em que não resisti ao turista inquieto que há em mim e fui caminhar pela cidade e fazer algumas fotos. Limburg an der Lahn é uma cidade pequena (cerca de 33.000 habitantes) e bastante antiga (as primeiras menções a ela datam do ano 800), às margens do rio Lahn. No centro antigo, a presença das construções em enxaimel é marcante.

Kornmarkt, ou Mercado de Cereais

Mais casas em enxaimel

Dizeres em letras góticas: “Esta casa está nas mãos de Deus…”

Alte Lahnbrücke, ou Antiga Ponte do Lahn, construída em 1306; por aqui passava a Via Publica, uma estrada que, na Idade Média, ligava importantes cidades, como Bruxelas (Bélgica), Colônia (Alemanha), Frankfurt (Alemanha) e Praga (Boêmia, República Tcheca) 

Parte interna do Limburger Schloss, o castelo de Limburg

A Catedral de São Jorge (Sankt-Georgs-Dom ou Georgsdom) fica bem no alto de uma rocha às margens do rio Lahn e domina a vista da cidade; foi inaugurada em 1235

Nave central da Catedral

Calçadão no centro da cidade, com destaque à Prefeitura (Rathaus), construída em 1899

Mesmo quando não pode ser visto, Ele está lá

Faz tempo que não publico em A história da fotografia, a categoria de posts em que conto sobre a origem de cada uma das fotos (todas próprias) que uso no cabeçalho do site. Contei primeiro a história da fotografia do teto de biblioteca que um dia trarei para casa. Também contei de quando verifiquei que as nuvens são mesmo de algodão. E contei da viagem aos Campos de Cima da Serra, quando fiz a foto panorâmica do Cânion Fortaleza.

Em meio a minhas reflexões cariocas — depois de contar das reflexões de 2012, mas antes de passar às de 2013 —, vou contar da foto com vista para o Corcovado (morro onde fica a estátua do Cristo), tirada por mim na visita ao Pão de Açúcar (morro onde fica o bondinho) com o pessoal do Alpha em 2012. A foto do cabeçalho é um recorte da seguinte original:

O dia estava muito nublado; tirei a foto acima tirada num dos rápidos momentos em que a vista melhorou. Pouco antes disso, estava assim (foto em preto e branco):

Pippa Gumbel, esposa do Nicky Gumbel, poeticamente comentou: “Às vezes certas coisas ficam no caminho e não O enxergamos, mas devemos saber que Ele sempre está lá.”

Cambará do Sul: lembranças dos Yorkshire Dales

Ao cortar os Campos de Cima da Serra em direção a Cambará do Sul para conhecer os cânions Itaimbezinho e Fortaleza, constatei muitas semelhanças entre essa paisagem gaúcha e os Yorkshire Dales, que visitei em 2007: a vegetação rasteira com árvores aqui e ali, os morros com picos de pedra à mostra, os longos muros de pedras empilhadas.

 Yorkshire Dales, Inglaterra, 2007

Campos de Cima da Serra, Rio Grande do Sul, 2013

Cambará do Sul: Cânion Fortaleza

No texto anterior publiquei os primeiros relatos, dicas e fotos da viagem de final de semana a Cambará do Sul; comecei pelo cânion Itaimbezinho e a rápida passada por Praia Grande, Santa Catarina. Hoje continuo com os passeios pelo cânion Fortaleza.

Deixando para trás a Pousada João de Barro

Na estrada rumo ao cânion Fortaleza, a paisagem dos Campos (de Pinus e Eucaliptos) de Cima da Serra

Dentro do Parque Nacional da Serra Geral, um pouco da paisagem natural, sem o plantio de árvores exóticas

Campo, campo, campo e, de repente, uma senda profunda: o cânion Fortaleza

Primeiras vistas do cânion Fortaleza, de um lado a outro

Lá no alto da rocha que se vê à direita, o mirante, da Trilha do Mirante

Fazendo a Trilha do Mirante

Panorâmica do alto da Trilha do Mirante, olhando para o mar

Panorâmica do alto da Trilha do Mirante, olhando para o cânion Fortaleza

Os campos e as encostas do cânion, vistas do alto da Trilha do Mirante

Meditação na beira do penhasco

Não podia faltar uma clássica foto turística

No caminho de volta a Porto Alegre, visitei as Cascatas dos Venâncios

Cascatas dos Venâncios

Mais plantações de árvores exóticas ao redor das Cascatas dos Venâncios

Cambará do Sul: Itaimbezinho

Desde 2006 (senão antes) eu sonhava em conhecer o Itaimbezinho, conforme relatei aqui. Quase sete anos depois, finalmente realizei o sonho. Neste post e no próximo, conto e mostro fotos do passeio, que fiz em junho, no início do inverno gaúcho. (A viagem foi há quase quatro meses, mas precisava contar primeiro da viagem ao Grand Canyon.)

Cânion com neblina ou chuva é perda de tempo. Por isso, para quem está relativamente perto e tem alguma flexibilidade no planejamento, a primeira dica é conferir a previsão do tempo.

Foi o que fiz numa quarta-feira: a previsão para o final de semana era de céu limpo e risco quase nulo de chuva. (E frio, o que era importante. Eu queria curtir um friozinho.) Decidi ir.

O ponto negativo desta abordagem libera-o-findi-e-vai é que, com pouca antecedência, pode ser difícil conseguir companhia: acabei indo sozinho. Tudo bem. Tentar conciliar meteorologia com agenda própria com agenda de amigos poderia atrasar os planos em mais sete anos!

O próximo passo é reservar hospedagem. Para quem seguiu a primeira dica, boa sorte, porque não é nada fácil conseguir uma reserva assim, de última hora, no auge da temporada de inverno, quando todos os turistas querem vir aos dois estados do Brasil onde faz frio de verdade.

Depois de ligar para várias pousadas, consegui lugar na João de Barro, uma simpática casa de madeira, mantida pela família do proprietário (Sr. Julio Nery, que também é guia turístico na região), bem ao estilo bed and breakfast. Recomendo fortemente.

Saí de Porto Alegre no sábado de manhã cedo rumo a Cambará do Sul pela RS-020, passando por Cachoeirinha, Taquara, São Francisco de Paula. A estrada é razoável e não tem pedágios. A viagem foi tranquila e durou cerca de três horas.

A primeira parada em Cambará do Sul deve ser a Casa do Turista. Fica na via principal da cidade, a Av. Getúlio Vargas; para quem chega de Porto Alegre, no lado direito, após o campo de futebol. Há diversas agências de turismo, que oferecem pacotes com passeios e traslados de jipe aos cânions, às fazendas e às outras atrações. Prefiro começar pelas informações oficiais e gratuitas da Casa do Turista, que é da Prefeitura Municipal. Recebi excelentes orientações. Vi e fiz muito sem precisar comprar pacote de agência de turismo.

Enforquei o almoço (ah, claro: outra dica importante é levar água, frutas e outros lanches na mochila para aproveitar o tempo ao máximo) e fui direto ao Parque Nacional dos Aparados da Serra, onde fiz as trilhas do Cotovelo e do Vértice.

Começo do passeio pela Trilha do Cotovelo

 No início da Trilha do Cotovelo

 Araucárias estão por todos os lados

À direita, o primeiro mirante da Trilha do Cotovelo

No segundo mirante da Trilha do Cotovelo

 Vista do segundo mirante da Trilha do Cotovelo

 Na base do cânion, o Rio do Boi

A espetacular paisagem dos Campos de Cima da Serra

 Na Trilha do Vértice, novamente se veem o Rio do Boi e as cascatas

 Araucária

 Quem não quer sujar o carro deve desistir logo da ideia!

Saí do Parque Nacional de Aparados da Serra e desci o cânion pela RS-427 e pela sua continuação catarinense, a SC-450, até a cidade de Praia Grande, no Estado de Santa Catarina. A estrada é bem complicada (barro, cascalho, pedregulhos, asfaltamento em curso em raros trechos), mas as vistas espetaculares compensam!

 Descendo o cânion, avistei o Oceano Atlântico

 A cidade, se não me engano, é Torres

 Outros cânions na descida a Praia Grande, SC

 Outros cânions na descida a Praia Grande, SC

Em Praia Grande, cheguei perto do início da Trilha do Rio do Boi, que é a trilha que se pode fazer ao longo de um dia inteiro (oito horas), na base do cânion Itaimbezinho. Essa não se pode fazer sozinho (obrigatório o acompanhamento por um guia) e não é recomendável fazer no inverno. Retornarei um dia no verão!

Pertinho da Trilha do Rio do Boi

 Ainda pertinho da Trilha do Rio do Boi, antes de voltar a Cambará

Grand Canyon

Já fui a tantos lugares tão distantes… Quase caí Grand Canyon abaixo, mas nem cheguei perto do Itaimbezinho. Conheci Montreal, mas Montevidéu, não. Já entrei em catedrais góticas, mas nunca estive nas ruínas das Missões Jesuíticas… Se ver o mundo é preciso, também é preciso aprender a apreciar o que está próximo.

Foi o que escrevi por aqui em 2006. Continuo tendo a mesma percepção e o mesmo gosto por ver o mundo e viajar, para perto ou para longe. Poderia dizer que nos últimos sete anos aumentei um tanto a lista de lugares visitados (como evidencia a categoria viagens) – mas prefiro dizer, sob outra perspectiva, que risquei mais alguns nomes da lista dos lugares a visitar.

Há um ano, fui a Montevidéu, como contei aqui (com fotos aqui). Ao Itaimbezinho fui há três meses. Ainda não contei dessa viagem aqui, mas devo fazer isso em breve! Antes disso, pensava em contar da ida ao Grand Canyon em 2005 (antes de existirem blog do Guri e martinbrauch.com).

Ontem uma colega retornou de férias. Esteve no Grand Canyon, contou suas impressões, falou que se lembrou de mim (porque eu tinha comentado com ela sobre minhas impressões) e me deixou nostálgico. Era o gatilho que faltava para mostrar fotos e escrever sobre o Grand Canyon.

Começo pelas fotos, para dar uma ideia inicial da coisa. Um buraco bem grande. Nada mais. Será?

Como diria minha irmã, “se for pra cair, te atira”
(Créditos desta foto para minha irmã Lucila;
quanto às outras, não sei mais se são minhas ou dela)

Inverno no canyon: gelo pelas beiradas

Uma vista geral do canyon num bom momento do céu

Outra vista geral do canyon, céu ainda colaborando

Os rasgos do leito do Rio Colorado

Não resisti e recuperei meus e-mails de 2005 (viva o Gmail!) para ver o que escrevi a amigos por aqueles dias. A um, escrevi: “GRAND CANYON: em maiúsculas porque é muito GRAND mesmo; é incrível!”. E a outro: “É maravilhoso, fenomenal, indescritível. Parece que Deus o fez só pra ficarmos babando.” Ontem, por coincidência, minha colega que esteve por lá também falou em Deus: “Se eu tivesse dúvidas de que Ele existe, depois de ver o Grand Canyon não teria mais.”

Cheguei a lacrimejar de emoção ao ver o filme sobre o Grand Canyon no IMAX do próprio Grand Canyon. Disse isso à minha namorada à época e ela não entendeu; achou que era bobagem, exagero. Incompreensão total. (Depois dizem que homens são insensíveis. Beh.)

Depois da visita ao Grand Canyon, minha irmã e eu voltamos a San Diego, onde ela e o marido moravam. Lembro que reli o Evangelho de João (o mais poético) praticamente numa sentada. Minha irmã comentou comigo que meu cunhado tinha chegado a dizer a ela, todo preocupado, “acho que teu irmão está entediado”. Não consigo evitar o riso quando me lembro da história.

Nem exagero nem tédio. O esplendor da natureza do Grand Canyon não me fez pensar em erosão (!): me fez pensar em Deus. Nenhum outro lugar me fez sentir tão pequeno e tão dependente dEle. Foi uma experiência ou lição de humildade (a humbling experience) diante do divino.

Fato: nuvens são de algodão

Um dos motivos por que gosto de voar longas distâncias é que, durante o dia, por mais carregado que esteja o tempo, quando se perfura a camada de nuvens densas sempre se encontra um sol forte e um céu azul. Depois, o voo até parece seguir mais tranquilo enquanto o avião bate suas asas ligeiramente acima daquela cama fofa de algodão. Dá vontade de pular, mas logo se muda de ideia quando se lembra de que a temperatura externa é negativa.

Salvo em voos, só me lembro de ter visto as nuvens de cima em duas ocasiões. A primeira delas foi num passeio em família, acho que pela Serra do Rio do Rastro. Não sei ao certo quando foi, mas a imagem tenho na memória. Talvez meus pais tenham fotos; sem dúvida foi antes de minha família conhecer fotografia digital. A outra delas foi há inacreditáveis cinco anos, quase seis, numa caminhada de 12 Km com o amigo Shaun no morro de Ingleborough, nos Yorkshire Dales.

Uma das fotos que fiz nessa segunda ocasião virou foto para A história da fotografia:

Outras fotos daquele passeio não servem tão bem no cabeçalho do site, mas retratam ainda melhor a impressão de estar no nível acima das nuvens, como num voo:

Pra quem quiser saber mais: contei a história completa da caminhada por Ingleborough aqui, no contexto do tour que fiz com o Shaun na Inglaterra em 2007.

A história da fotografia

Quem visita o blog regularmente deve ter observado que ontem comecei a usar o espaço oferecido pelo tema do WordPress para inserir uma imagem de cabeçalho.

(Quem visita regularmente o blog e não observou que agora há uma imagem onde antes não havia pode até andar visitando bastante o blog, mas certamente não anda visitando seu oftalmologista, porque uma imagem de 960 por 250 pixels não é de se ignorar. Se for teu caso, recomendo que pares de ler este post, consultes teu oftalmologista e, claro, retornes de óculos para continuar lendo o blog. Se não tiveres oftalmologista, posso recomendar uma prima minha.)

A cada visita ao site, aparece uma imagem, aleatoriamente. Comecei incluindo quatro imagens, mas aos poucos vou acrescentando mais. Todas são e serão recortes de fotografias minhas, protegidas por direitos autorais morais e patrimoniais.

Além disso, tive a ideia de criar uma categoria de posts: A história da fotografia. Observa que não é A História [ciência] da Fotografia [arte ou técnica ou estilo de vida ou… bah, Fotografia com inicial maiúscula pode ser muita coisa]. É A história (narração de fatos sobre as origens de algo) da fotografia (retrato específico). Nos cabeçalhos do site vou usar fotografias que tenham uma história legal para contar.

Seria injusto começar a categoria só explicando como vai ser. Começando pra valer, segue a primeira foto que deu origem a uma das imagens de cabeçalho do site, uma foto do lugar cuja lembrança foi a origem da própria ideia de usar imagens no cabeçalho do site:

The ceilings I'll bring home someday

The ceilings I’ll bring home someday – O teto que um dia levarei para casa

[Atenção: nostalgia adiante.] Essa foto eu tirei na manhã de 15 de junho de 2011, durante minha mais recente temporada em NYC. Tristemente inacreditável e inacreditavelmente triste que já se tenham passado dois anos! A foto é do meu teto favorito, que é o teto de um dos meus lugares favoritos, a Biblioteca Pública de Nova Iorque, NYPL, na minha cidade favorita. Na NYPL sempre faz frio (+), tem Wi-Fi grátis (++), o prédio é antigo, majestoso e lindo (+++), o cheiro de cultura é inebriante (++++) e o teto eu um dia levarei para casa (+++++).

No dia da foto, eu olhei pra cima e fui atingido por um golpe forte de beleza: o teto de madeira, a pintura celeste emoldurada pelo teto de madeira, a luz do sol refletindo através do arco da janela sobre a pintura celeste emoldurada pelo teto de madeira. É uma das minhas imagens favoritas, que tenho guardada, mais que em uma fotografia, firme na memória.

Visitando há poucos dias o blog de Bryan A. Garner, vi que nele foi usada como imagem de cabeçalho uma foto de uma das (para mim, inconfundíveis) salas de leitura da NYPL; a mesma sala, aliás, onde tirei a foto do teto que um dia levarei para casa. “Se o fotógrafo tivesse olhado para o alto, essa foto seria ainda mais bonita.” Assim foi que surgiram as ideias de usar a fotografia acima (e outras) no cabeçalho do site e de começar A história da fotografia.

Délhi: último destino do tour pela Índia

Após visitar Mumbai, Jaisalmer, Jodhpur, Jaipur e Agra, terminei a viagem pela Índia na capital, Délhi. Lá fui muito bem recebido pela amiga Ranjitha, ex-colega de mestrado.

Por uma feliz coincidência, cheguei à capital indiana em um feriado nacional: o Dia da República, quando se comemora o aniversário da promulgação da Constituição da Índia (26 de janeiro de 1950). Depois de passear um pouco com a Ranjitha na vizinhança onde ela mora, visitando um templo hindu e provando doces indianos na doçaria Nathu’s, fomos ao centro de Nova Délhi, ver a iluminação dos edifícios do governo em comemoração ao Dia da República. (Ao tradicional desfile militar que ocorre na tarde do dia 26 de janeiro eu não tive a oportunidade de assistir.)

Rashtrapati Bhavan, complexo palaciano presidencial da Índia, iluminado para o dia nacional.

Detalhe do Rashtrapati Bhavan, decorado com luzes e a bandeira indiana.

Caminhando do palácio até o restaurante onde jantamos, passamos pelo India Gate, um monumento nacional em homenagem aos soldados indianos que lutaram na I Guerra Mundial e nas Guerras Anglo-Afegãs de meados do século XIX até as primeiras décadas do século XX. O monumento, como o palácio, estava decorado para a festa.

Índia Gate, iluminado com as cores da Índia

No dia seguinte, a Ranjitha voltou à advocacia — e eu voltei à minha intensa rotina de passeios com guia turístico! Logo de manhã cedo, a primeira parada foi em Old Delhi, a cidade antiga. O principal destaque foi a Jama Masjid, a maior e mais conhecida mesquita da Índia, construída em arenito e mármore em meados do século XVII, por ordem do imperador mogul Shah Jahan (o mesmo que determinou a construção do Taj Mahal para sua falecida esposa). Também fiz um passeio de rickshaw pelas ruas estreitas da cidade antiga.

Panorâmica de Jama Masjid

Jama Masjid

As próximas paradas foram o Raj Ghat, jardim memorial onde Mahatma Gandhi foi cremado, e o Mausoléu de Humayun. O túmulo foi construído em 1565 para o segundo imperador mogul e tem diversos elementos de inspiração para muitos outros edifícios de arquitetura mogul (inclusive o Taj Mahal): a simetria perfeita, a cúpula de mármore, as jalis (telas de treliça de pedra).

Chegando ao Mausoléu de Humayun

Também fui ao Parque Arqueológico Mehrauli, que se destaca pelo Qutb Minar, a mais alta torre isolada da Índia, de arenito e mármore. O minar de cinco andares começou a ser construído no ano 1192 como símbolo de poder do primeiro reino muçulmano (sultanato) no Norte indiano. Tem 379 degraus e 72,5 metros de altura, com diâmetro de 14,3 metros na base e 2,7 metros no topo.

Qutb Minar

Ao fim do dia intenso de passeios, jantei na companhia da Ranjitha e da Ruchira, também amiga indiana e ex-colega de mestrado, no Oh! Calcutta, restaurante com pratos da região de Bengala.

No dia seguinte, parece que comecei a sutil transição do mundo do turismo e da História para o mundo do trabalho e do Direito: assisti, por convite do pai da Ranjitha, a alguns minutos de uma sustentação oral na câmara do Tribunal de Délhi especializada em Direito da Energia. Pode parecer uma quebra de clima, balde de água fria nas férias, mas foi uma experiência muito legal!

Os julgadores eram um juiz-jurista e um juiz-engenheiro. Mesmo em poucos minutos, já pude começar a entender do assunto de que estavam tratando (embora, naturalmente, não conhecesse as normas indianas aplicáveis ao caso). Mas o que nunca me sairá da cabeça daquele dia, sobretudo pela insistência da advogada de defesa em repeti-la, é a expressão “Your Lordship“, correspondente ao “[Vossa] Excelência” usado no Judiciário brasileiro.

Ainda sobrou um tempinho para um passeio nos jardins Lodi, onde há túmulos construídos nos séculos XV e XVI — hoje, um parque amplo e bem-cuidado.

Sheesh Gumbad, um dos túmulos nos jardins Lodi.

Por fim, almoço, malas e aeroporto de Délhi, para começar a longa jornada de volta: primeiro a Mumbai, depois a Dubai, depois a São Paulo, e enfim a Porto Alegre. Uma longa viagem com direito a virose (nos últimos dias, parece que uma das temidas bactérias da água indiana enfim me encontrou!), mas essa parte vamos deixar pra lá.

Deixei a Índia com os olhos repletos de belas imagens, apesar dos fortes contrastes entre partes deslumbrantes e partes de extrema desesperança. Durante a viagem, reforcei minhas impressões positivas sobre o povo indiano e sobre a riqueza histórico-cultural do país. Espero ter a oportunidade de voltar lá um dia, para conhecer o Leste e o Sul.

Agra (4/4): Aurora no Taj Mahal

A ideia de uma visita ao Taj Mahal logo após o nascer do Sol foi uma das melhores da agência de viagem. A experiência é muito favorecida pela iluminação natural do alvorecer, com seus tons suaves de azul e rosa, e pela quantidade relativamente baixa de turistas (é um dos monumentos mais visitados do mundo, então sempre há um número significativo de turistas).

Depois da longa fila no ar gelado da manhã, avistar o Taj Mahal de longe já foi compensador.

Outra vantagem de visitar o Taj Mahal pela manhã é que, bem cedo, os jatos do espelho d’água ainda não foram ligados. Só assim (e num dia sem vento, como no da minha visita) é que se conseguem reflexos límpidos do mausoléu sobre o espelho d’água.

Olhando para trás, o portão de entrada e seu reflexo sobre o espelho d’água.

Turística foto, sentado no mesmo banco onde a Princesa Diana foi fotografada 21 anos antes, em 1992, quando viajou à Índia com o Príncipe Charles. Além da ironia de Diana ser fotografada sozinha em frente a um dos mais significativos monumentos ao amor, é irônico que tenha sido naquele mesmo ano, meses depois, que ela e Charles se separaram.

Fofocas da realeza à parte, sigo com as fotografias do meu passeio!

Impressiona a riqueza de detalhes do Taj Mahal, mesmo nas partes mais altas.

No detalhe, decorações florais e passagens do Alcorão, o livro sagrado do Islamismo. Essas textos também foram feitos com a técnica de pietre dure, com mármore preto incrustado no branco.

Nas paredes da entrada do mausoléu (dentro do qual a fotografia é proibida), há entalhes florais em placas de mármore, com uma moldura de padrões florais em pietre dure.

Vale ressaltar a dificuldade técnica desses entalhes. Enquanto outros tipos de mármore (como o de Carrara, muito usado para esculturas na Europa) são considerados mais macios, a dureza do mármore de Makrana torna-o mais propício à construção de estruturas, como o próprio Taj Mahal.

Detalhe dos arcos que há em cada corte dos vértices do mausoléu. Tudo perfeitamente simétrico.

A mesquita do Taj Mahal, ao Norte do mausoléu.

Uma foto do lado Sul do mausoléu, sem os minaretes. Resta pouco da iluminação do alvorecer.

Última foto: o Taj Mahal, inteiro e plenamente iluminado, no seu lado Sul.