Arquivo da tag: Brasil

Ganhei uma madrinha mexicana

Uns dias atrás fiz minha inscrição no NYU School of Law match program, que tem por objetivo estabelecer contato entre recém-admitidos (como eu!) e alunos ou ex-alunos do Mestrado em Direito da NYU – em outras palavras, atribuir padrinhos veteranos para os bixos pobre-bichos.

Recebi há pouquinho um e-mail supersimpático de uma aluna mexicana matriculada no Mestrado em Direito Internacional! Pressinto que vai ser um contato bem legal e principalmente útil (pra mim, pelo menos). Coitada, eu tenho várias dúvidas… Só preciso cuidar pra não bombardeá-la com duzentas perguntas no primeiro e-mail. Afinal, ela não ganha nada com isso; só se dispôs a ajudar por boa-vontade!

Pra piorar, ando com uma tendência grave a escrever/falar demais – ainda mais que o normal… que horror! (Por exemplo, enchi os ouvidos da minha irmã Lucila por telefone no domingo de Páscoa – minha mãe, que ouviu de longe, depois me disse que falei feito uma metralhadora.) A culpa é do exílio… :P

Natação outdoors

Acho que me puxei: 13 de abril, nadando na Lagoa dos Patos? Claro que aguentei no osso, mas chega. Na saída da lagoa eu observei como as folhas já estão secando, e eu ali, o único banhista maluco… Outdoors, de novo, acho que só no veranico de maio.

Tudo bem, porque igual eu já pretendia me inscrever amanhã no pseudoclube de SLS que tem uma piscina térmica de 16 metros de comprimento. O maior desafio vai ser me acostumar a calcular a distância percorrida a nado em múltiplos de 16!

Freela em POA – e além

(Criança quando aprende palavra nova usa quando pode. Aprendi “freela” há um ou dois meses – “freelancer” eu já conhecia; “freela” é que, até então, não.)

Esta semana estive em Porto Alegre para um trabalho de freela (!) em finanças, por indicação e sob a orientação do professor Nelson, patrono da minha turma de Economia. Foi uma ótimo período prático pra relembrar e aprender um pouco mais de Economia.

No mais, conheci muita gente boa, revi meu professor e também meu ex-colega Felipe (que é colaborador da empresa onde trabalhei), e de quebra trouxe de volta um pouco de dindim pro meu so-called “NYU fund”. Claro que não fiquei milionário de um dia pro outro (isso só no sábado, quando a Nadia ganhar na Megassena), mas tudo o que entra vem bem!

Ah, claro, e após o trabalho nesses dias em POA eu assistia à CNN, o que eu não fazia há mais de um ano, desde o período do meu estágio em Bonn… haha! Foram boas recordações. Assisti a um programa ótimo, Talk Asia, com o Lang Lang – aquele pianista prodígio chinês. Mas o engraçado da CNN é que tem umas chamadas de programas que continuam as mesmas de um ano atrás, e como repetem quase a cada intervalo, grudam muito na cabeça. Uma dessas chamadas é a do programa da Christiane Amanpour, correspondente internacional (copiei daqui):

You have listened to the world leaders,
and leaders who want to rule the world;
You have heard from the men of God,
and men who kill in God’s name;
Gaze into eyes with hope,
and see hearts consumed with hopeless.
With CNN, you have followed the facts around the world.
Come with me and see where the stories take us next.

Enfim, voltei de POA a SLS ontem e por enquanto sigo aqui… até surgir outra boa oportunidade dessas. Volto pra passar o findi de Páscoa com meus pais, e hoje eles me inventam de sair a visitar amigos, pode?

Temos o prazer de informar que erramos

Recebi a notícia da Nalatos; eu já ia dormir (tenho que acordar cedão amanhã! – vide post anterior), mas simplesmente não dá pra não repassar essa!

As cartas de aceitação (ou rejeição) enviadas pelas universidades estadunidenses entregam o ouro (ou o latão) já nas primeiras linhas; aliás, nas primeiras palavras! Passei quatro vezes pela tensão de abrir uma dessas cartas… é muita adrenalina. A NYU avisou por um e-mail que começava assim:

I am very pleased to offer you admission to the Graduate Division of New York University School of Law…

Claro que, depois de ler “I am very pleased”, eu já estava nas nuvens. Tudo bem, ainda tinha esperança de encontrar ali uma oferta de bolsa (que não encontrei, infelizmente!), mas a principal boa notícia já estava comigo – tinha sido aceito. Imagina a taquicardia, a comemoração, os telefonemas pros amigos…?!

Agora, imagina se no dia seguinte a Universidade te manda um e-mail dizendo que o do dia anterior foi um engano? Foi isso que aconteceu com 28 mil candidatos à Universidade da Califórnia em San Diego, segundo noticiou o G1.

Eu pediria indenização por danos morais… certo que sim!

Duas lourencianices e uma justificativa antecipada

Cortei o cabelo pela primeira vez desde que me mudei. E não é pra rir, hein? Vai ter três (!) redemoinhos pra ver como é difícil que acertem teu corte de cabelo! :P Mas, depois de 50 minutos de cortes e recortes e picotes, aprovei; estou satisfeito.

Mais tarde, fui ao encontro de novos membros da Igreja Luterana. Vai ser um pouco difícil me integrar efetivamente na comunidade nos próximos quatro meses (assunto para um post gigantesco, com reflexões profundas sobre a vida, o qual não terei tempo para escrever agora), mas de qualquer forma fui ao encontro, até pra acompanhar meus pais. Aliás, é legal prestigiar o simpático esforço de dar as boas-vindas aos recém-chegados.

E amanhã vou sumir do blog – pelo que desde já peço desculpas! Quem quiser me ver, vá até a Festa do Mar, em Rio Grande. Estarei lá na companhia de ilustres amigos jurídicos: os doutores (todos OABitas) Nalatos, Rezita, Joe e seu Príncipe. Começo a jornada (SLS-Rio Grande, com escala em Pelotas) às 7:30 e volto só à noite. Por isso, o mais certo é que não haverá postagem.

Quem sabe a seguir não virá um postálbum, mostrando a Festa do Mar e meu novíssimo corte de cabelo? (Haha… como se fosse tão diferente assim!) Não prometo nada.

Revelando o negativo da fotografia digital

Pra liberar espaço no meu laptop, inventei de fazer uma daquelas organizações profundas nas minhas fotos digitais – reclassificar, editar (reenquadrar, tirar olhos vermelhos, melhorar contraste e cor – esses ajustes básicos!) e depois gravar em CD. Sabe aquilo que se deveria fazer cada vez que se baixam novas imagens da câmera? Pois é: resolvi fazer isso, só que nas fotos dos últimos três ou quatro anos!

Depois da trabalheira, fiquei satisfeito. Agora minhas fotos estão organizadas cronológica e temática e neuroticamente (não podia ser de outro modo) e tenho mais espaço no HD. Por outro lado, fiquei com um pouco de raiva da fotografia digital – ou de mim mesmo por ter abusado dela. Passarei a primar por mais qualidade e menos quantidade de fotos. Ou seja, ficarei ainda mais neurótico. (E isso é mudar pra melhor?!)

Nesse embalo, aproveitei pra selecionar no site da produtora as minhas fotos de formatura (que foi há quase dois meses), e fazer o pedido, e procurar álbuns… Em suma, foram dias muito fotográficos; cansei a visão. Quero ocupações mais auditivas. (Ou gustativas – mmm…)

Aniver100tenário

O que eu tinha pra contar ontem (o dia do boicote) é o seguinte: anteontem, 31/03, fui à festa de aniversário da Codi, minha tia-avó que fez 101 anos. Entende por que eu não queria dizer isso em 1º de abril?

A lucidez dela é o que mais me impressiona. Ela se lembra de toda a parentada, e mais os vizinhos e os amigos e a árvore genealógica de todos, inclusive de gente que não a visita há anos. (Não é o meu caso, ok; não sou nem tão assíduo nem tão relapso.) Sabe nomes de sobrinhos-netos ou sobrinhos-bisnetos (!) que ela nem conhece; sabe o que fazem da vida, onde moram, quais deles casaram e com quem. E a cada manhã ela se lembra de alguma data – “hoje é aniversário do fulano” – sem olhar na agenda, que ela nem deve ter.

Pra variar, quando a abracei e lhe dei os parabéns, ela veio com aquele papo de “este é o meu último aniversário…”. É assim. Cada vez que a gente a visita, ela diz que é a última. Não é que ela não dê valor à vida – talvez só ache que já viveu o bastante. Mesmo estando ansioso pela Vida Eterna, aos 23 anos acho difícil ter a mesma perspectiva. Mas, se tivesse 78 anos a mais, acho que pensaria bem assim.

De qualquer forma, é Ele quem decide. Bom mesmo é estar sempre preparado.

Boicote ao dia dos bobos (ou da mentira)

Sempre odiei o primeiro de abril, por várias razões.

Primeiro, porque mentir é do demo (o pai da mentira) – é feio e pronto.

Segundo, porque sou ingênuo – vítima fácil para as sacanagens típicas do dia.

Terceiro, porque não minto (mentir é do demo, lembram?) e, mais do que isso, prezo muito a minha credibilidade – fico de cara quando as pessoas não acreditam no que eu digo. Então postar pra quê? Pra depois ninguém acreditar no que eu contar? Nada disso. Hoje é dia de boicote no blog do Guri. Voltaremos amanhã (não é mentira; podem voltar pra conferir).

A vida em São Lourenço do Céu Sol Sul

Muitos dos amigos – em especial aqueles com quem não tinha tido muito contato ultimamente – não estão entendendo muito bem essa história de eu morar em São Lourenço do Sul. Na verdade, é simples: há algum tempo meus pais perceberam que a casa que tinham em Pelotas era muito grande, mesmo pra nós três, quanto mais para eles dois sozinhos quando eu saísse de casa. Depois da minha formatura, terminou a desculpa deles de que a casa não podia ser vendida antes da minha formatura… e então a casa foi vendida (e viva a simplificação).

Viemos para a casa de praia em São Lourenço do Sul. No meu caso, é temporário. Minha ideia era ir a Porto Alegre para fazer mestrado e/ou trabalhar; agora, com a aceitação pela NYU, o plano é New York City, baby. No caso dos meus pais, também é temporário – pelo menos nesta casa, porque querem construir outra aqui na praia.

E essa história toda me leva a pensar: o que mesmo existe, na vida nesta Terra, que não seja temporário? Algumas coisas são infelizmente mais temporárias (tipo um quadradinho de chocolate que se desmancha na boca) e outras são felizmente mais temporárias (tipo a dor de um beliscão). Há também coisas infelizmente menos temporárias (tipo a saudade de alguém que está longe e que não se vê faz tempo) e coisas felizmente menos temporárias (tipo uma grande amizade). Mas, no fim das contas, é tudo temporário.

E a vida em São Lourenço do Céu Sol Sul, é qual dos tipos de coisa temporária? Difícil saber ao certo, porque faz pouco tempo que me mudei pra cá, mas desconfio que pra mim seja do tipo “feliz” se durar pouco (pouco = curto prazo = até um ano) e “infeliz” se durar muito.

Noutras palavras, estou bem por estar aqui. (Feliz eu sou; bem eu estou com a situação.) Algumas coisas me incomodam (“saudade” e “a relativa precariedade do setor terciário” resumem bastante), mas o balanço é positivo. Ajudei meus pais na mudança, o que foi bom pra mim e pra eles. Estou conseguindo – talvez com um pouco mais de dificuldade do que se estivesse em Pelotas, mas igual conseguindo – fazer tudo o que preciso pra encaminhar pedidos de bolsa e viabilizar economicamente a NYU. Moro a 100 metros da praia e ontem mesmo fui nadar na lagoa – sim, 30 de abril. Neste outono que mais parece um verão que não quer acabar, dá perfeitamente pra nadar na lagoa. Hoje só não nadei porque parece que vai chover… :P

Já me sinto lourencianíssimo, talvez porque quase sempre veraneei aqui e porque meus pais são daqui e porque encontramos conhecidos em cada esquina. Hoje troteei no centro resolver detalhes pra concluir minha inscrição para a bolsa da Fundação Estudar (concluída!) e fiquei pensando que estou e me viro bem por aqui. Vamos ver até quando, porque é temporário.

O dia em que o Google e eu tivemos uma briga

É tão bom quando a gente sente que as coisas vão sendo encaminhadas! Venci uma das minhas diversas listas de tarefas encadeadas: (1) aprontar meu site anunciando serviços de tradução, (2) atualizar o blog do Guri e (3) comunicar aos amigos, por e-mail, o meu novo endereço, a atualização/reativação do meu blog e a minha aceitação pela NYU.

Isso demorou bem mais do que eu esperava, respectivamente porque: (1) eu não sou um gênio na produção de sites, (2) eu tinha muitas novidades pra sintetizar depois de tanto tempo sem postagem e (3) selecionar os e-mails dos amigos no meio de uma lista de 1.500 contatos no gmail não foi nada fácil.

Sim, a minha lista de contatos do gmail é gigantesca. Pior ainda, compõe-se basicamente de e-mails antigos que… não existem mais. Já estou resolvendo isso, mas o brabo foi que descobri o problema da pior maneira possível: depois de enviar o e-mail para umas 500 pessoas, quase 100 mensagens retornaram, e apareceu uma tela do Google em inglês (tradução minha para o português):

Esta conta foi bloqueada por causa de atividade não-usual. Pode demorar até 24 horas até que você ganhe acesso novamente. Atividade não-usual da conta inclui, entre outros: (…) Enviar um grande número de mensagens que não podem ser entregues (mensagens que retornam).

Trata-se de um “mecanismo de defesa” do Google para coibir o envio de spam através de uma conta do gmail. Em outras palavras: o Google me rotulou de spammer, así nomás. Fiquei meio de cara, porque no fundo “não foi culpa minha” – pô, eu mudei de endereço e tinha que avisar meus contatos! (Só não sabia que uma penca deles já nem existia…) Fiquei com vontade de escrever um e-mail desaforado pra equipe do Google dizendo: “mas eu me comportei tão bem este ano” (e na verdade desde que tenho o gmail, há uns quatro anos – nem sei… faz um bom tempo!).

Mas aí a revolta passou e a minha conta voltou a ser acessível e eu deixei pra lá. “Se o Google me perdoou”, pensei, “minha atitude mais correta deve ser também perdoar o Google”. Foi um lindo intercâmbio de perdões entre mim e o Google, e agora nosso relacionamento voltou à mais tranquila normalidade.

* * * * *

Tá, só que isso tudo foi ontem. Hoje foi dia de preparar a documentação para enviar à Fundação Estudar, a cuja bolsa de estudos estou concorrendo. Também foi dia de confirmar o fato de que Internet a rádio não resolve meus problemas e não vale a pena pela necessidade de alto investimento em equipamentos (vai que finalmente chega a ADSL daqui a alguns dias?). Por fim, foi dia de mandar (e pagar) a “intenção de matrícula” na NYU. :) Cada vez mais perto…