Findi 13–14 de novembro

Sábado dia 13 acordei decidido a passear, mas sem a mínima ideia de que passeio fazer. Tinha que ser “outdoors”, pra aproveitar o lindo dia. “Quem sabe o teleférico que sobe ate o Salève, a montanha que fica ‘atrás de casa, ali na França’?” Entrei no site do teleférico e, para meu alívio e ao mesmo tempo para minha maior urgência ainda em sair de casa, vi que era o último findi de funcionamento do teleférico, antes de fechar durante o inverno!


Guri no Salève


Genève vista do alto do Salève


Destaque para o Jet d’Eau


Os Alpes


Descendo de teleférico


Le Salève

Depois de descer da montanha, dei uma caminhada por Troinex. Em particular, visitei o centro (um microcentro), onde tem o salão comunitário, a mairie (prefeitura), a praça da prefeitura e… não muito mais que isso. Mas é bonitinho – Troinex, c’est joli.


Troinex-Mairie


Troinex-Mairie


Ali eu moro! Ao fundo, o Salève

No domingo encontrei Noriko e Valériane, duas amigas do mestrado. Nós três fomos colegas na aula de Solução de Controversias na Organização Mundial do Comércio, passamos no bar exam de Nova Iorque e estamos trabalhando na Suíça!


Em frente ao relógio florido


Em frente ao Jet d’Eau

Por fim, para matar tempo antes de irmos ao culto, a Noriko e eu fomos à orla do lago para tirar fotos noturnas, coisa que fazia tempo eu queria fazer. (Quem acompanha o blog ou o picasaweb do Guri sabe que tenho uma quedinha por fotografia noturna de longa exposição…)


Jet d’Eau iluminado


Geneva skyline! :P


Rolex, Patek Philippe, Cathédrale Saint-Pierre

Outra história daquelas

Daquelas tipo esta.

Um assunto sobre o qual não comentei muito (ou pelo menos não de forma sistemática) aqui no blog foi o bar exam – o exame de ordem do estado de Nova Iorque. No post aquele das 4.000 palavras eu comentei que, depois da minha formatura no mestrado, em meados de maio, tive miniférias e logo comecei o curso preparatório para o exame, no barbri. No início de junho, contei um pouco sobre a minha árdua rotina de preparação, que não mudou muito até o fim de julho, exceto no período em que fui para San Antonio visitar mana e cunha.

Quem acompanhou o blog na época vai se lembrar (e quem não acompanhou vai ficar sabendo agora): os meses de barbri, junho e julho, foram de posts curtos e poucos. Em geral, postei só pra compartilhar alguns de meus olhares fotográficos para a cidade de Nova Iorque, às vezes combinados com momentos esparsos de inspiração literária aleatória e incontrolável. Até que em agosto finalmente voltei à postância normal, mesmo antes de fazer a última prova relacionada ao bar exam – a de responsabilidade profissional.

Vale lembrar meu posicionamento oficial sobre a prova:

[…] não tenho nenhuma base para saber como fui – e nem quero ficar pensando a respeito, porque os resultados só saem daqui a alguns meses (nem estarei mais em Nova Iorque quando saírem). O que posso dizer de consciência limpa é que fiz o meu melhor considerando as circunstâncias. E seja o que Deus quiser [e digo isso da forma mais sincera possível – nada de “força de expressão”].

E então eu parei de pensar nisso. Aproveitei muito bem aproveitados meus últimos dois meses morando em Nova Iorque, e depois vim pra Genebra. Muitas transições. A vida aqui é bem diferente da vida lá. Outros projetos, outras coisas pra me manter ocupado. A ideia era mesmo nem ter muitas esperanças, e deixei isso bem claro para todos com quem falei sobre esse assunto. Claro que muitos amigos seguiram insistindo que tinham certeza de que eu tinha passado… o que, embora não seja mal-intencionado, não ajuda muito; só me coloca ainda mais na responsa, na necessidade (autoimposta) de sempre mostrar bons resultados e de corresponder às expectativas do mundo ao meu redor.

Como já expliquei no meu posicionamento oficial, fiz o meu melhor na prova. Passar seria ótimo, mas não passar não seria o fim do mundo – talvez apenas um sinal de que Papai do Céu não quisesse que eu fosse um big-shot New York lawyer (difícil traduzir isso!). Cheguei a dizer isso pra alguns amigos aqui e ali.

Aliás, saindo do escritório ao final do expediente na minha primeira sexta-feira de trabalho no IISD aqui em Genebra, a Jocelyn, uma colega de trabalho, perguntou sobre a prova da ordem (eu já tinha comentado que tinha feito a prova). Então eu expliquei essa minha postura – nas palavras que usei no parágrafo anterior, mesmo. Pra minha total surpresa, ela respondeu, “bom, se já colocaste essa questão diante do Senhor, talvez Ele possa mesmo responder dessa forma.” E foi assim que, na minha primeira interação com alguém do trabalho fora do ambiente de trabalho, ainda novo na cidade e sem igreja e sem amigos, descobri uma colega de trabalho cristã, e aparentemente a única do escritório. Coincidência?

Até que chegou novembro e comecei a pensar, “o resultado do exame de ordem deve sair em breve.” Semana passada comecei a olhar o site… todos os dias, na esperança de encontrar a lista de aprovados. Mas nada. Chegou um e-mail do barbri, dizendo que os resultados só sairiam a partir da semana que vem. E me determinei, “pronto, não adianta ficar olhando o site freneticamente; o negócio é ter paciência.”

É interessante como determinar-se não significa absolutamente nada. Semana passada, um dia sonhei que tinha olhado a lista e meu nome estava lá. Outro dia, também semana passada, sonhei que tinha olhado a lista e meu nome não estava lá. Sim: na semana passada, sonhei duas vezes com a lista dos aprovados. Por mais que não quisesse me importar com o resultado (“passar seria ótimo, mas não passar não seria o fim do mundo”), a simples determinação de não me importar com o resultado era um sinal de que já estava me importando.

Foi bem isso que me disse a Jocelyn no intervalo de almoço de sexta-feira. Eu tinha contado a ela que a história do bar exam vinha me atormentando… e que eu não queria mais me importar. Mais, ela enfatizou bastante o que eu já sabia: tinha apenas que deixar de lado essa preocupação e confiar em Deus. Pronto. Claro que eu já sabia disso. Mas é tão difícil pôr em prática… Os amigos cristãos  às vezes ajudam simplesmente nisso – lembrando o que já sabemos sobre Deus, mas que às vezes é difícil de aplicar no dia-a-dia. Ótimo. Mais uma vez, eu disse a Deus, “tá contigo… quero paz; não quero mais pensar nesse exame.”

Sábado acordei superdisposto e fui passear. Peguei um bonde até o Palais de Nations (sede das Nações Unidas aqui), de onde caminhei até o Jardim Botânico. De lá, caminhei na Pérola do Lago (um parque) e atravessei de barco até o outro lado do lago, em Genève Plage. Voltei pra casa, fiz um almocinho básico, e à tarde fui até a Piscine de Pervenches, em Carouge: fui nadar, o que não fazia desde abril, quando ainda tinha acesso ao centro esportivo da NYU. Comprei um passe para toda a temporada; pretendo ir regularmente! Cãimbras à parte (normal, depois de tanto tempo!), a primeira vez foi ótima. Eu amo natação. Ria sozinho no vestiário, me preparando pra entrar na piscina. “Não acredito – eu vou nadar!” Haha… Espero que ninguém tenha notado minha felicidade boba. Voltei pra casa a pé. O dia foi lindo – chegou a fazer 19 graus! E em nenhum momento do dia pensei no exame.


Jardim Botânico de Genebra


Jardim Botânico


Pérola do Lago, parque em Genebra.
Não parece a Pérola da Lagoa, São Lourenço do Sul? ;)


Ainda na Pérola do Lago


Cisne no Lago de Genebra


Mont Blanc


Jato d’Água


Jato d’Água e o Salève


Catedral e Jato d’Água


Jato d’Água e cisnes


Jato d’Água e arco-íris

Finalmente vim para o computador colocar os e-mails em dia. Também estava determinado a telefonar para alguns amigos de Nova Iorque (telefonemas pelo Google Voice para os EUA são de graça até o fim do ano – fica aqui a dica!). Então vi que tinha um e-mail do comitê de examinadores da ordem dos advogados de Nova Iorque na minha caixa de entrada. Não podia ser. Eu tinha olhado pela última vez o site da ordem na sexta-feira à noite e o resultado não tinha saído; no sábado é que não teria sido publicado! Mas tinha a diferença de horário… será? Não podia ser. Mas aí entrei no facebook e vi várias atualizações dos meus amigos, anunciando que tinham passado… Não podia ser. Mas era: tinha saído o resultado do exame de ordem.

Aí, o que se faz? Entra-se na caixa de entrada e abre-se o e-mail do comitê de examinadores, certo? Não. Surta-se primeiro. Catei minha prima Carol no Google Talk. “Carol, acontece o seguinte…”, e expliquei a história, acrescentando, “não quero abrir o e-mail. Tô com medo.” Acho que se não fosse a Carol me ordenar que abrisse o e-mail imediatamente (hahaha!), até agora estaria aqui, esperando… sei lá exatamente pelo quê. E então eu abri o e-mail. Diz assim:

The New York State Board of Law Examiners congratulates you on passing the New York State bar examination held on July 27-28, 2010.

Passei. No e-mail, o comitê me dá os parabéns. Só tenho a agradecer a Deus por tudo… pelo meu intelecto, sim, mas principalmente pela capacitação e pela paz de espírito que Ele me concedeu, desde o tempo de barbri, passando pelos os dias de prova, até a publicação do resultado (apesar do momento “low” da última semana). Também sou muito grato a minha família e aos meus amigos (no Brasil e em Nova Iorque), por torcer e orar por mim, e especialmente por me aturar (ou aturar minha ausência) durante os meses estressantes de estudos. O que essa aprovação significa em termos práticos eu ainda não sei; isso também está nas mãos de Deus. A única certeza, por enquanto, é que uma porta segue aberta. :)

Near Uruguay—wherever that is

Whenever I say I’m from Brazil, and people ask me where in Brazil… Well, first they put into question whether I’m really Brazilian, saying I don’t look stereotypically Brazilian and all that story. But eventually I convince them that I am indeed Brazilian (either by means of a short digression on the German immigration to Brazil in the 19th century or by simply showing them my passport), and then they ask me where in Brazil. I explain right away that I’m from the South, far from most of the Brazilian cities they’ve probably heard of—Rio de Janeiro, Sao Paulo…

To some extent, I feel bad about saying that, because I might be unfoundedly underestimating their knowledge of Brazilian geography, and this could be considered quite rude. But my experience has been that, more often than not, my approach is useful to give an idea where I’m from, since most people I meet abroad don’t know much about southern Brazil. I often get, “is it near Iguazu Falls or Curitiba?” Yes, those places are technically in the South, but still more than 1,000 Km away from my city. “No, farther south—way farther!” And sometimes I add, “near the border with Uruguay.”

I once told this to a Uruguayan friend of mine who has travelled a lot internationally, and she just laughed at me. “Oh, my poor friend, you’re so naïve! Do you think mentioning Uruguay helps? Most people don’t know where Uruguay is!” She could only be kidding. Brazil is larger than the 48 contiguous U.S. states; I can understand that some people might have no idea where a certain Brazilian state is. But Uruguay, a country—of course everyone knows where it is! Right? Right? Not according to my Uruguayan friend, and I have no reason to disbelieve her. Granted—I’m too naïve.

The other day I had a curious encounter at the UNEP cafeteria, where I usually have lunch. My colleague and I introduced ourselves to a young woman sitting at the table next to us. I noticed she had a bit of a Spanish accent, and asked her where she was from. “Uruguay.” That’s rare, to begin with (even in international cities like Geneva!), not to mention the coincidence of meeting an almost-neighbor so far from my home country, so I couldn’t avoid an expression of surprise. “Where in Uruguay?” It was her turn to be surprised. “Why, do you know Uruguay?”

She made the same assumption I tend to make—she assumed I had no clue about the geography of her country. I didn’t think she was rude, though; instead, I just thought… Fair enough, I know how that feels! “Actually, yes, I know a little bit of Uruguay; I’m Brazilian, from Rio Grande do Sul!” She replied she was from Montevideo, the capital. And then she said she would never have thought I was from Brazil, because I didn’t look stereotypically Brazilian and all that story…

De volta ao TPG

TPG é sigla de “Transports Publics Genevois”, mas podia muito bem ser de “tempo de postagem do Guri”. Meus últimos posts foram escritos durante minhas viagens de ônibus e bonde entre Genebra e Troinex. Por um tempinho acabei deixando de lado o TPG (a ambiguidade é intencional!). Agora, de volta ao TPG (de novo!), explico o que aconteceu nas ultimas duas semanas.

Sexta-feira 22 de outubro fui de trem à Alemanha. Mesmo trabalhando de lá durante a semana, passei bastante tempo com meus familiares (reunião de família a 77%) – e especialmente babei nos meus sobrinhos recém-nascidos, Isabel e Felipe.

Sábado 30 encontrei o Lev, um grande amigo de Nova Iorque que mora em Colônia. Ele veio ao meu encontro de trem e seguimos juntos, de carro, até Loreley, uma rocha à margem do Reno, no trecho mais estreito do rio entre a Suíça e o Mar do Norte. É um lugar bem folclórico, conhecido por causa da história da Loreley, uma sereia-moça que encantava os navegadores com sua voz e assim causava a morte deles (coisa típica de sereia).

Fato curioso é que a poucos quilômetros de Loreley fica Damscheid, onde nasceram meus antepassados maternos. A beleza fascinante de Loreley, sua voz encantadora, seus olhos verdes e seus cabelos loiros confirmam o que dizem na região e que na minha família sempre se soube: Loreley era Lolô de Damscheid, minha tataravó.

E que ninguém venha me criticar dizendo que estou aumentando a lenda, porque nem lenda é. Muitos (inclusive eu, até poucos dias atrás) acham, erroneamente, que a história da Loreley vem de uma lenda antiga. Na verdade, ela se originou de um poema de Clemens Brentano. Esse poema foi seguido de vários outros, sendo o mais famoso o poema de Heinrich Heine (1797-1856). Dizem que é tudo ficção, mas pode muito bem ser uma “história baseada em fatos reais”. Lolô de Damscheid viveu na mesma época em que Heinrich Heine. Pra mim, é evidente que foi sobre ela que ele escreveu.

Às 13h busquei o Lev na estação de trem de Montabaur e às 17h já o deixei na estação de Koblenz, porque ele tinha de voltar logo para Colônia. Em apenas quatro horas, almoçamos com tranquilidade, dirigimos mais de 100Km em terras desconhecidas (para ambos), conversamos como dois amigos que não se viam há meses (o que era verdade!), e ainda fizemos um lindo passeio turístico. Um rendimento inacreditável, mas não tão inacreditável quanto a beleza das paisagens outonais que vimos durante a viagem e do alto de Loreley.


Lev e eu, no alto de Loreley


Do alto de Loreley


Sankt Goar, do lado de lá do Reno


Sankt Goarshausen e Burg Katz, do lado de cá do Reno


Mais provas de que estivemos lá! Hehe!


Damscheid fica praqueles lados


Vista “sul”


Com a Loreley


Burg Rheinfels, no outro lado do Reno (Sankt Goar)


Mais Sankt Goar


Heinrich Heine, o autor do poema


Na volta pra casa, na Isselbacher Straße. Ainda bem que não tinha ninguém, porque eu tive que parar pra tirar uma foto!


De volta a Isselbach, onde meus pais moram (no térreo)

Domingo 31, Dia da Reforma (e não me venham com outros eventos para essa data), ironicamente deixei para trás o país da Reforma Luterana para voltar a Genebra, de onde foi propagada a Reforma Calvinista. Vim de carro com meus pais – dirigi todo o trecho dentro da Suíça, o que foi um quase prazer. Logo na chegada em Genebra, fiz com eles a caminhada típica de boas-vindas: da margem do lago até a Catedral de Saint Pierre. Por três dias eles passearam por aí, visitando vários museus que eu sugeri (inclusive alguns que nem eu vistei ainda), enquanto eu trabalhava, e à noite algum tempo juntos. Terça-feira, por exemplo, fizemos algo tipicamente suíço: jantamos fondue (para mim, segunda vez desde que moro em Genebra). Ontem eles seguiram viagem, para a Alemanha, via Berna.

E eu fiquei por aqui… tentando me acostumar à de novo à rotina. Nesses primeiros dias da semana, como meus pais estavam aí de carro, dirigimos até o meu trabalho todas as manhãs. (De lá, eles pegavam ônibus ou trem para fazer seus passeios sem se preocupar com estacionamento.) A nova experiência de direção em Genebra serviu para confirmar que fiz um excelente escolha ao decidir não ter carro aqui. O trânsito em hora de pico é lento e irritante. Ganho muito mais passando esse tempo no TPG e usando-o como TPG.

Autêntico genevois

As duas primeiras semanas em Genebra passaram rápido! Se por um lado parece que foi ontem que cheguei aqui, por outro, já me sinto um autêntico genevois. Até parece! Mas pelo menos não fico me perdendo por aí, não me sinto um alienígena no escritório, nem tenho a impressão de estar cercado de desconhecidos (mesmo quando de fato estou) – em suma, não tenho sofrido nenhuma dor de adaptação. Pode ser que esteja ocupado de mais com trabalho pra pensar na vida ou que esteja aprendendo a me adaptar mais facilmente. Também pode ser mais um sinal de que Deus é comigo sempre. Mas acho mesmo que é uma feliz combinação desses três fatores e talvez mais alguns.

Uma pergunta legítima do leitor deste blog poderia ser: “mas afinal de contas, o que esse Guri faz em Genebra?” Esse Guri ensaia uma resposta, então, e segue falando de si próprio em terceira pessoa, o que ele acha uma tolice qualificada, mas, obstinado do jeito que é, agora que começou não vai conseguir parar. Então lá vai.

O Guri participou, quando ainda mestrando em Direito Internacional, de um processo de seleção de cinco International Law Fellows da turma James Madison (2010) do Mestrado em Direito da New York University. Contemplado com uma das bolsas, veio fazer um estágio no escritório europeu do Programa de Investimento e Desenvolvimento Sustentável do International Institute for Sustainable Development (Instituto Internacional do Desenvolvimento Sustentavel), uma organização com sede em Winnipeg, Canadá.

E basta de terceira pessoa.

Nessas primeiras semanas, tenho lido e feito relatórios de laudos arbitrais de disputas internacionais entre investidores, de um lado, e Estados soberanos, de outro – em particular, Estados Membros da União Europeia. O trabalho é bem juridico e tem tudo a ver com Direito Internacional, o que me deixa bastante satisfeito e motivado. Ainda melhor, um dos relatórios que escrevi foi em formato menos jurídico e mais jornalístico (e portanto menos aburrido!). Também ajudei um colega de trabalho fazendo uma tradução para uma pesquisa em Economia. Direito, Economia, Jornalismo e Tradução – taí um mix que muito me agrada.

Mas, por fim, nem só para o trabalho vive o Guri (que por deslize volta para a terceira pessoa mas já a abandona de novo). No sábado caminhei pela Vielle Ville (o centro antigo de Genebra) e fui ao Museu Internacional da Reforma. No domingo fui ao culto na International Christian Fellowship, a continuar meu church shopping por aqui. E na terça-feira à noite ainda fiz algo digno de findi: jantei na Crêperie des Pâquis com a Sravya, uma ex-colega da NYU que veio a Genebra para um evento de direitos humanos.

A terra do relógio

Primeira semana em Genebra: alguns relatos sobre as primeiras impressões e infelizmente poucas fotos. A cidade é mais tranquila que Nova Iorque, mas meu dia-a-dia, ao contrário, é bastante mais conturbado: com 9h no trabalho mais 1h para ir até lá e outra para voltar, não tem sobrado muito tempo para blogar – e menos ainda para passear.

No sábado passado, quando cheguei à estação de Cornavin em Genebra, já estava à minha espera o Fernando, o senhor português que me aluga um quarto no sótão do seu apartamento. Havíamos combinado que ele levaria uma bandeira suíça e eu, uma brasileira, para nos reconhecermos, já que não nos conhecíamos pessoalmente. Deu tudo certo. Primeiro ele me levou ao apartamento, para deixarmos as malas que quase quebraram minhas costas. Fica em Troinex, um pequeno vilarejo ao sul de Genebra, a poucos minutos da fronteira com a França. A seguir, fomos até a região central de Genebra; caminhamos à beira do lago e subimos até a catedral de St. Pierre. Eram cenas conhecidas para mim, de quando visitei a cidade em 2008.


Brasão – Ville de Troinex

No domingo, acordamos cedo para ajudar a preparar um salão comunitário para um almoço que haveria depois do culto. Em seguida fomos ao culto, na Igreja Evangélica Livre de Genebra, e de lá de volta para o salão. À tardinha fomos novamente à beira do lago para aproveitar o dia lindo que todos diziam que eu tinha trazido do Brasil (sendo que eu estava na Alemanha, onde estava chuvoso e mais frio, mas tudo bem). No fim do dia, fomos ao apartamento da dona Madalena, uma senhora que eu conhecia indiretamente (longa história) e que me colocou em contato com o senhor Fernando, seu amigo.

Assim foi que passei um domingo muito social e agradável. Gostei muito da igreja, mas talvez não seja pra mim: há muitos jovens, adultos com mais de 35, e quase ninguém da minha faixa etária. Ainda terei de fazer um pouco de church shopping.


Lago de Genebra e o Mont Blanc (pico da Europa) ao fundo


Lago de Genebra e o Jet d’Eau (Jato d’Água), marca registrada da cidade

Segunda-feira foi o dia de explorar o território. Saí com o carro que o senhor Fernando se dispôs a me alugar e fui até a International Environment House, o local do meu estágio. Encontrei sem problemas (e sem GPS), embora tenha dobrado na esquina errada duas ou três vezes. Fiz algumas comprinhas básicas no Coop e no Migros, dois supermercados de preços bastante acessíveis, perfeitos para estudantes ou jovens profissionais recém-formados com um orçamento apertado (quem?). Achava que o custo de vida seria bem mais caro, mas já penso que não será tanto.

Menos caro ainda será o custo de vida aqui já que decidi, na terça-feira, passar a usar a tgp – “transports publics genevois”. Demora mais, é verdade, mas é bem mais econômico e sem stress. O trânsito em Genebra é surpreendentemente intenso para uma cidadezinha deste tamanhico e são poucas as vagas de estacionamento na rua sem parquímetro. Usando os ônibus e bondes, não preciso me preocupar nem com trânsito nem com estacionamento e posso usar o tempo de viagem para ler. Ou escrever, como estou fazendo neste instante. (E viva o BlackBerry Notepad!)


Alguém me diga se é possível: na casa que fica bem atrás da minha parada de ônibus (Saussac) aqui na minúscula Troinex moram brasileiros! Com um pouco de esforço se consegue ver as bandeiras suíça e brasileira num mastro (na foto, à direita).

Terça-feira foi o primeiro dia de trabalho no programa de investimento do IISD. Conheci boa parte da equipe e já comecei algumas tarefas. O trabalho é uma boa combinação de pesquisa em direito e política do investimento estrangeiro, o que me deixa bastante satisfeito. Os dias no escritório são longos e, ao chegar em casa, não sobra tempo pra muita coisa. Bem, nem teria muito que fazer na pequena Troinex. No findi (que promete ter bom tempo) é que terei algum tempo para um ou outro passeio.

A parte “what really grind my gears” deste post é dedicada a três aspectos de Genebra. Primeiro: os ônibus não são pontuais. Ok, a maior parte dos sistemas de transporte coletivo que já usei não é pontual. E tudo bem – aprende-se a viver com isso, e pronto. O que me irrita é essa pretensa pontualidade dos ônibus aqui no país do relógio. Segundo: a maioria das lojas fecha às 18h ou 18:30. Vai ver que fui mimado por Nova Iorque… Terceiro: a galera aqui fuma feito chaminé, mesmo (ou principalmente) em locais públicos. Neste ar puro de montanha, isso deveria até ser crime ambiental.

Mas preciso finalizar o post em um tom mais alegre, escrevendo um pouco sobre as coisas de que gostei muito já nesta primeira semana. Genebra é uma cidade linda, com o lago e as montanhas e o verde e as cores do outono. Troinex também – pequena, residencial mas com um ar rural, muito tranquila e silenciosa. Em todos os lugares a água é praticamente medicinal. Inodora, incolor e insípida, como água deve ser, segundo o que a gente aprende no primeiro grau (ou melhor, nem aprende mais no primeiro grau, que agora é ensino fundamental… coisa de velho).

Há queijos de muitos tipos e de muito boa qualidade e com preço acessível. Só pra ter uma ideia: com $1 a mais do que eu pagava em Nova Iorque por dez fatias de queijo mussarela da marca genérica do supermercado (a mais barata!), aqui compro uma peça de 250g de camembert e outra de 250g de brie. Parece mentira, e eu tenho uma tendência ao exagero, mas pode confiar que desta vez estou sendo bastante preciso. Outra coisa que se encontra com alta variedade e qualidade e baixo preço é… chocolate! Bah, não é bom nem pensar, que já fico com vontade de comer chocolate.

Em resumo, acho que a terra do relógio vai conseguir o que a terra do fast food não conseguiu: me fazer engordar.

The melting pot I’m living in

There will be no underground blogging from Geneva because there is no subway (and because I don’t spend that much time in tunnels, although they exist in great numbers in Switzerland). But there will be mass transit blogging. This is the first experiment—on my first days using the tpg system (tpg is for “transports publics genevois”). The punctuality of which the Swiss boast is not at all as advertised, I must say, and especially not when it comes to early morning buses in the town of Troinex, where I live. Instead of getting annoyed with the delays, I’ll just blog.

During this first week in Geneva, I’ve been having many new experiences, as expected—learning my way around, meeting people, adjusting to the job. Yet, one aspect of this transition has struck me as the most surprising. It’s not completely new to me; just something I didn’t realize I’d encounter here. I’m talking about the melting pot of languages and accents I’m in.

On the train from Germany to Switzerland, I had a smooth transition from German to French. And when I say “smooth” I’m being somewhat ironic. The woman sitting in front of me on the train from Basel to Geneva had forgotten her discount card (uh oh!) and was trying to communicate with the ticketing officer, who was about to charge her the full fare. Her first language was Spanish and her German was not very good, so she was Italianizing her Spanish, hoping the officer would understand it. Italian is one of the official languages here, together with French and German. The officer, however, didn’t speak Italian; he replied in either French or German. I offered to translate from Spanish into French, but they managed to communicate without any translation. I’m glad. It would have been a lot of work!

French is the language spoken in Geneva and region, so that’s the default language in the street: from transportation to shopping to dining. My church shall also be francophone, I’ve decided; it will be a good opportunity to practice and to get in touch with some locals.

English is the language spoken at my office, with a variety of accents: British, Canadian, French, Indian, Italian… But on my first lunch break at the UNEP cafeteria, two young women sitting beside me were chatting in German. At some point one of them asked me, in French (the “default language,” like I said), whether I spoke German, just to find out if I would understand the confidences they were sharing. I said I did understand some German—and she said she was joking. Was she? We’ll never know. I wasn’t paying attention to what they were talking.

(By the way, UNEP stands for “United Nations Environment Programme”—yes, “programme” with a British spelling. Go figure. And ah, yes, there is some UNEP presence in Geneva, but the main office is in Nairobi, like I said.)

Finally, at home, Portuguese—my flat mate is from Portugal. We communicate pretty well, in spite of some “divided by the same language” moments, when he uses a word I had never heard of, or smiles at some Brazil-specific expression I inadvertently use now and then. Those are fun moments. Sometimes I catch myself using a word you would use in Portugal but never in Brazil. It will be funny if I end up with traits of a European Portuguese accent!

Encontros e despedidas

Com um tantinho de tristeza, devo dizer que este é o último post da série NYC 2009-2010. Agora que estou (geograficamente, pelo menos) distante da minha realidade nova-iorquina dos últimos 14 meses, tenho uma perspectiva mais ampla da minha mais recente saga – resolver minha vida em Nova Iorque e vir para a Europa em menos de uma semana. Neste post, convido o leitor a acompanhar a versão sem cortes dessa história, que é um dos mais belos exemplos do quanto Deus me tem abençoado por toda a minha vida. Escrevo este texto para os amigos que, de uma forma ou de outra (com ajuda prática ou em oração), fizeram parte desta saga, bem como para mim mesmo – minha memória já é fraca e algum dia eu acabaria esquecendo os detalhes se não os escrevesse.

Se tivesse que escolher uma data, eu diria que o complicado e doloroso processo de dizer adeus a Nova Iorque iniciou-se no final de semana de 18 e 19 de setembro. Passei o sábado com a sogra da minha irmã, que chegou do norte do estado de Nova Iorque para visitar o Zoológico do Bronx e também para ver Roosevelt Island, onde morei por mais ou menos cinco meses. No domingo, foi o aniversário da minha Confirmação – sempre me lembro da data, e este ano teve um quê a mais de significado, porque foi num domingo, como há 11 anos. Fui ao culto na City Grace Church, como fiz quase todo domingo por mais de um ano, mas sem dúvida foi diferente do típico domingo de 2009‒2010, não só por causa do aniversário. Os pastores anunciaram que eu estava indo embora para Genebra, contaram histórias sobre minha participação na comunidade no último ano, e oraram por mim. Ganhei um CD especial de fotos, um bolo de despedida e agradecimento, e uma quantidade atipicamente grande (mas de forma alguma inapropriada) de abraços. À noite, minhas duas boas amigas Dana e Natasha fizeram uma janta de despedida, à qual muitos outros amigos foram. Cada um deles compartilhou uma lembrança curta mas cheia de sentimento sobre mim, e eu dei um discurso de despedida (prolixo e sem inspiração).

Então fui pra casa e suspirei profundamente – por que eu tinha dito a todos que aquele era muito provavelmente o meu último domingo em Nova Iorque? Sim, meu estágio em Genebra deveria começar em duas semanas, e aquele domingo devia de fato ser meu último domingo em Nova Iorque antes de ir a Genebra via Frankfurt. Ainda assim, não conseguia me imaginar partindo. Embora minha ONG na Suíça tivesse solicitado meu visto com permissão de trabalho havia bastante tempo, ela ainda não tinha recebido a carta final de aprovação do governo suíço. Eu teria de levar essa carta ao Consulado-Geral da Suíça em Nova Iorque, onde carimbariam o visto em meu passaporte. Poderia levar ainda um mês para a carta chegar – ou poderia ser que a carta nem viesse. Isso trancava tudo. Como eu não tinha visto, não podia fazer planos. Não queria comprar passagens aéreas sem saber por certo quando (ou mesmo se) o visto chegaria, e portanto nenhuma motivação de fazer as malas (empacotar a vida). O que era ainda pior para um control freak como eu, não tinha nenhum jeito de tornar mais rápido o processo do visto, e era difícil até acompanhar esse processo.

Felizmente, aprendi algumas lições sobre vistos. Já tinha tido problemas com processos de solicitação de visto enervantemente demorados – em 2008, quando solicitei um visto alemão, e em julho de 2010, quando estava esperando pela extensão do meu visto americano de estudante. Primeira lição: surtar não ajuda nem um pouco. Embora isso seja bastante óbvio, infelizmente não é tão fácil evitar um surto. Segunda lição: se é que há qualquer coisa que ajude, só pode ser acompanhar de perto o processo de solicitação de visto junto à organização solicitante e, na medida do possível, junto ao governo estrangeiro ao qual se pede o visto.

Além disso, através de experiências relacionadas ou não à obtenção de vistos, aprendi muitas lições sobre o meu Deus. Uma lição importante é: Ele nunca me deixa na mão. Mesmo em situações quando inicialmente pensava que Ele o tinha feito (por exemplo, quando algo que eu queria muito e por que tinha orado não acontecia nunca), cedo ou tarde eu acabava percebendo que Ele não tinha me deixado na mão – em vez disso, Ele tinha me dado algo que eu nem tinha pensado que poderia ter e que era muito melhor que o originalmente almejado. De certa forma, acho que posso dizer que sou mimado de verdade por Ele.

Como qualquer control freak, preciso ter um plano, mas tentei ser uma criatura melhor, tornando essas três lições o núcleo do meu plano, assim:

  1. Não surtarei por causa desse processo de pedido de visto.
  2. Acompanharei insistentemente o processo junto à organização solicitante e ao consulado.
  3. Para atingir (1) e além de realizar (2), confiarei essa questão do visto a Deus.

(3) + (2) = Agostinho: “Ora como se tudo dependesse de Deus. (= 3) Trabalha como se tudo dependesse de ti. (= 2)”

Por favor, não pense que eu sou um herói. Sou bastante novo nessa determinação e ainda tenho que lutar contra minhas neuroses para poder pensar assim. Não é um superpoder inato.

De acordo com meu plano, fui ao Consulado-Geral da Suíça em Nova Iorque na segunda-feira, 20 de setembro (e viva o Rio Grande!). A ideia era perguntar como eu poderia acompanhar o processo do visto junto ao governo suíço, por que estava demorando tanto para minha organização solicitante receber a carta final de Berna, quais eram minhas opções se eu não recebesse a carta e o visto antes que vencesse meu visto americano (o que aconteceria logo, em outubro). Não vou entrar nos detalhes de quão mal eu fui tratado inicialmente; vou dizer apenas que, em algum momento durante um intrincado diálogo com a oficial consular, ela disse, “seu nome está em nosso sistema e estamos autorizados a dar-lhe o visto”. Fiquei surpreso. Não fazia nenhum sentido – eu não tinha que trazer a carta que a organização solicitante receberia de Berna? Era um milagre inesperado que meu nome estivesse no sistema deles. Fui ao consulado novamente na terça-feira para deixar meu passaporte e ainda uma vez na quarta-feira para buscá-lo – com um visto suíço!

A notícia de que eu teria meu visto na quarta-feira desencadeou intensos preparativos para partir imediatamente. Na terça-feira, encontrei uma passagem aérea com preço decente para ir de Nova Iorque a Frankfurt no sábado. Depois de terminar um trabalho de tradução cujo prazo terminava na quarta-feira à tarde, comecei a fazer as malas, uma tarefa que eu só concluiria na sexta-feira à tarde. Após vender, doar, enviar pelo correio, ou jogar fora muitas de minhas coisas, consegui encher duas malas para despachar. Cada uma delas pesava o máximo que a companhia aérea aceitaria levar, mesmo pagando excesso de bagagem (o que eu teria de fazer, inevitavelmente). Minha bagagem de mão tinha o dobro do peso permitido. Então olhei à minha volta… e para o meu pavor ainda tinha um monte de coisa pra levar! Decidi simplesmente jogar tudo dentro das duas malas grandes e torcer que a companhia aérea não fosse muito rigorosa.

No meio da loucura de fazer malas, ainda tive a oportunidade de dar adeus individualmente a muitos amigos, inclusive alguns que não tinham ido à festa de despedida. Na terça-feira, tive um almoço italiano com a Maurizia da NYU, sobremesa-tardia (e uma sobremesa maravilhosa) com a gourmet Christine da City Grace, e um jantar memorável em um restaurante chique (para o qual eu tinha ganhado um vale-presente de $100!) com as irmãs Leslie e Stephanie da City Grace. Na quarta-feira, almoço e sorvete e conversa maravilhosa (como sempre) com o Kyle da City Grace. Na quinta-feira, a Isabela da NYU me ofereceu hospitalidade e comida típicas da Bahia, e mais tarde encontrei novamente a Leslie e a Stephanie em um evento beneficente que a Leslie ajudou a organizar. Na sexta-feira à tarde, a Natasha veio de Nova Jersey me visitar, o que foi um grande incentivo para eu terminar de empacotar (incluindo café, de que eu realmente precisava àquelas alturas). Na sexta-feira à noite, minha última noite em Nova Iorque, fui à festa de inauguração do loft de Kyle, Lee e Ryan, onde vi ainda uma vez muitos dos bons amigos que acabo de mencionar, bem como muitos outros (que não vou citar aqui, porque seria uma longa lista). Foi a forma perfeita de terminar um ano maravilhoso em Nova Iorque.

Em todos os momentos, mas especialmente quando as coisas não pareciam ir muito bem nos meus preparativos, era evidente que eu permanecia sob o cuidado de Deus.

  • Nunca tinha tido problemas para chegar a Roosevelt Island com o metrô F – exceto, é claro, no meu penúltimo dia em Nova Iorque, quando perdi algumas horas por causa de atrasos, acidentes e mudanças de rota inesperadas. Mas nem a MTA (Metropolitan Transit Authority, empresa de transporte público de Nova Iorque) podia me deter: apesar da perda de tempo, ainda consegui me aprontar em tempo.
  • No sábado, o táxi que deveria me levar de Roosevelt Island até a parada do ônibus expresso entre Midtown e o aeroporto de Newark não consegui chegar bem até a parada, por causa de ruas interrompidas em Manhattan. Felizmente, Deus enviou-me um dos Seus anjos, meu amigo Naoki, que me ajudou a carregar as malas até a parada de ônibus.
  • Quando cheguei ao aeroporto de Newark, fiquei em choque quando o ônibus parou e me largou na área de desembarque, não de embarque. Tão frustrante! Tinha que dar um passo adiante com uma das malas, então voltar para pegar as outras duas malas e trazê-las junto à primeira – e assim por diante. Era humanamente impossível carregá-las todas ao mesmo tempo e não havia carrinhos por perto. Aí, do nada, um funcionário do aeroporto se aproximou e me trouxe um carrinho!
  • Então, fui ao balcão da companhia aérea, fazer check-in. Ambas as malas grandes passaram – miraculosamente, até, porque eu sabia que ambas pesavam mais que o máximo permitido. Além disso, não só a moça nem me pediu pra pesar minha mala de mão, mas também ofereceu para despachá-la sem custos adicionais. Inacreditável! Finalmente, ela me ofereceu um assento de corredor (meu tipo preferido) na fila de uma saída de emergência (o espaço para minhas pernas era tão enorme que eu podia dançar valsa ali). E nem precisei pedir.

Tudo parecia estar preparado pra mim. Só Deus poderia ter feito isso dessa maneira. Ele cuidou de detalhes em que eu nem pensei.

Quando desembarquei em Frankfurt, Alemanha, meus pais já estavam esperando por mim no portão. Contei a eles toda esta saga enquanto dirigíamos a Limburg, bem a tempo do culto na igreja evangélica de que minha irmã e meu cunhado participam. À medida que eu me acalmava, sentado na igreja, finalmente percebia que tinha chegado. No domingo anterior, meu aniversário de Confirmação, estava eu em Nova Iorque, dizendo adeus à minha comunidade e aos meus amigos, mas não tinha nem ideia de que receberia o visto e partiria tão rápido. Apenas uma semana depois, estava eu na Europa, com meus pais. Minha irmã e meu cunhado, que eu estava tão feliz de poder ver de novo depois de um ano, em breve chegaria com minha sobrinha e meu sobrinho, que eu estava tão feliz de poder ver pela primeiríssima vez! Eu me sentia realizado, embora exausto da viagem. Não tinha conseguido dormir nada no voo. Além disso, tinha que conciliar a euforia de encontros e desencontros com a tristeza de deixar para trás uma realidade que eu verdadeiramente amava – não estava mais morando em Nova Iorque, aquela igreja não era a City Grace Church, e nenhum dos meus amigos estava ali.

Meu nível de alemão é iniciante (não estou sendo modesto), definitivamente não suficiente para entender um culto inteiro em alemão. Pego umas palavras aqui e ali, infiro algumas a partir do contexto, e isso me permite chegar a um entendimento de uns 65% do que está sendo dito. E não faço ideia de daonde tirei esses 65%, porque é provavelmente bem menos que isso. Ainda assim, por alguma razão divina, eu entendi bem claramente quando o pastor disse que o versículo bíblico da semana era I João 5:4:

“…porque tudo o que é nascido de Deus vence o mundo. E esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé.”

Fiquei paralisado. Imediatamente interpretei o versículo à luz dos eventos recentes na minha vida – vencer desafios terrenos através da fé e da confiança em Deus. Mas isso era apenas a ponta de um iceberg de significado. Lágrimas começaram a correr dos meus olhos no momento em que ouvi o versículo. Só consegui me virar para o meu pai, que estava sentado ao meu lado – “Pai, tu te lembras? É o meu versículo de Confirmação!”

Eu já tinha derramado algumas lágrimas em três ocasiões no processo de partida de Nova Iorque e já tinha falhado na minha determinação de chorar somente quando estivesse no avião para a Europa. Primeira vez: quando voltei a Roosevelt Island depois da festa de inauguração do apartamento dos meus amigos, minha última noite em Nova Iorque. Segunda vez: quando entrava no túnel Holland, saindo de Manhattan a caminho de Newark. Terceira vez: durante o voo, especialmente quando li os cartões de despedida que o Naoki e a Stephanie escreveram (bem, o Naoki intencionalmente escreveu o seu como um “auxílio para chorar”, para o caso de eu ter me esquecido de levar uma cebola para cortar, como ele mesmo colocou, e a Stephanie disse que o dela era muito “emotional and crap” [difícil traduzir!], nas palavras dela mesma, então não é surpresa que eles me fizeram chorar). Mas aqueles momentos foram diferentes. Eu tinha a situação sob controle e não deixei ninguém ver. Desta vez, em Limburg, eu simplesmente não conseguia parar. Acho que só consegui quando lembrei que conheceria logo minha sobrinha e meu sobrinho de dois meses de idade, e quando percebi que eles teriam se comportado melhor durante o culto do que o seu tio de 25 anos.

Falando bem sério, não sei exatamente por que eu estava chorando – talvez porque estivesse tão aliviado de ter chegado com segurança depois da minha saga, ou porque estivesse triste por sair de Nova Iorque, ou porque estivesse feliz de estar na Europa e de ver minha família de novo, ou por causa de um mix de todas essas razões. Sempre se pode racionalizar e pensar que eu estava exausto e particularmente sensível e sei-lá-o-quê, mas outra possibilidade é que eu tivesse sido movido pelo Espírito. É difícil explicar ou descrever. Foi muito intenso. Minha ousadia em compartilhar essa história só se explica pela minha imensa gratidão a Deus.

Pra deixar o blog perfeitamente atualizado, não bastam estas 2.500 palavras; faltam ainda algumas. Escrevi o post (até o parágrafo anterior) originalmente em inglês, para dar notícias aos amigos em Nova Iorque, mas resolvi traduzir porque os amigos brazucas também merecem a atenção e um relatório completo. Aliás, ainda mais completo, escrito à medida que a história acontece. Do domingo 26 de setembro até hoje (sábado 2 de outubro), fiquei com minha família na região do Westerwald, na Alemanha, babando um pouco nos sobrinhos Isabel e Felipe.

Hoje, às 9h da manhã, tomei um trem rumo a Genebra via Frankfurt e Basileia. Chego em Genebra por volta das 18h. Na estação, vai me esperar o senhor em cuja casa vou alugar um quarto durante esse meu período aqui (até meados ou fins de janeiro do ano que vem). Fica em Troinex, a sudeste de Genebra.

Escrevo durante a viagem de trem. Escrevendo, contemplando, ouvindo música. Destaques da minha playlist de viagem:

  • Empire State of Mind, do Jay-Z (porque sair do “empire state of mind” é uma tarefa difícil)
  • Sonatas de violino de Beethoven (porque achei apropriado para o trecho alemão da viagem)
  • Songs In and For Curious Times (uma coletânea – presente de despedida do amigo Kyle)
  • Zooropa (porque U2 é U2, ora; não precisa de justificativas)
  • Encontros e Despedidas, com Maria Rita (porque achei apropriado para o contexto ferroviário)

Agora que estou no último trecho (Basileia–Genebra), já em território suíço, posso fazer alguns comentários sobre as primeiras impressões da chegada. E só algumas, porque quero parar de escrever logo pra curtir a paisagem! Na Alemanha estava chuvoso, mas desde que entramos na Suíça tem feito um dia lindo de sol, que só faz destacar a beleza natural do lugar. O trem faz curvas por entre os morros e entra em longos túneis e passa por pequenas cidades encantadoras. O que se vê ao redor são morros cobertos de florestas já com sinais de outono, o lago cercado de villas simpáticas e pontilhado de veleiros, as montanhas brancas dos Alpes à distância… é deslumbrante. Tô chegando…

Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim chegar e partir
São só dois lados da mesma viagem

(Encontros e Despedidas)

Dois dias em Boston

Dias 15 e 16 de setembro (e lá vou eu de novo, tentar colocar o blog do Guri em dia!), passei dois dias em Boston, Charlestown e Cambridge. Muito satisfeito com meu passeio na Filadélfia, resolvi comprar um guia turístico da mesma coleção, o Boston Day by Day, da Frommer’s. Fiquei hospedado na casa da prima do cunha James, em Malden, pouco ao norte de Boston.

Boston é uma cidade de muitos encantos, desde o clima mais agradável (o outono estava longe de Nova Iorque, mas em Boston já fazia 10 graus Celsius de manhã cedo) até a arquitetura antiga e as calçadas de tijolos vermelhos. Resumindo os melhores momentos do passeio:

  1. O observatório da Prudential Tower, que é o segundo edifício mais alto de Boston e do estado de Massachusetts, oferece vistas espetaculares da cidade, a 50 andares de altura;
  2. O passeio de DUKW (ou “duck” = pato), um veículo anfíbio da Segunda Guerra adaptado para turistas, pelas ruas de Boston e pelo Charles River;
  3. A caminhada de Back Bay (bairro onde fica a Prudential Tower), que antes fazia parte do leito do Charles River, até o Boston Common, passando pelo Public Garden (parques);
  4. Seguir o Freedom Trail (Rota da Liberdade), que passa por diversos marcos históricos de Boston e Charlestown;
  5. No segundo dia, a visita guiada pelo campus da Universidade Harvard, em Cambridge. Dica: a visita é grátis e guiada por estudantes do Harvard College, que contam sobre a história da universidade e a vida no campus;
  6. A caminhada pelo Back Bay Fens (ou The Fens), um parque projetado por Frederick Law Olmsted, mesmo criador do Central Park e do Prospect Park de Nova Iorque. Dica: vale a pena passar pelo jardim de rosas de The Fens;
  7. A caminhada ladeiras acima e abaixo em Beacon Hill, bairro de classe alta, com construções antigas de tijolos vermelhos.

A escultura “Quest Eternal”, de Donald De Lue, me fez lembrar direto do Rocket Thrower, do mesmo escultor, no Flushing Meadows-Corona Park. Em segundo plano, o Prudential Tower.

Boston vista do alto dos 50 andares do Prudential Tower

Copley Square, onde ficam a Biblioteca Pública e a Trinity Church

Church of Christ Scientist e Symphony Hall

Back Bey Fens

Campus do MIT, em Cambridge, do lado de lá do Charles River

Marlborough Street, uma rua residencial tranquila em Back Bay

Public Garden

Public Garden

Cheers, o bar que inspirou a série de TV de mesmo nome

Boston Common

Freedom Trail: Massachusetts State House

Freedom Trail: Old State House

Freedom Trail: Faneuil Hall

Freedom Trail: USS Constitution, em Charlestown

Boston skyline, vista de dentro do USS Constitution

Detalhe do USS Constitution

Freedom Trail: Monumento Bunker Hill, em Charlestown

Boston City Hall

Entardecer em Boston; vista de Cambridge

Dia 2: chegada no campus de Harvard, em Cambridge

Harvard Memorial Hall

Interior do Memorial Hall

Em frente ao Langell Hall, Faculdade de Direito de Harvard

Arquitetura típica da Brattle Street, em Cambridge

Outra casa em Brattle Street, Cambridge

Vista do Charles River em Cambridge

Museu de Belas Artes

Jardim de rosas nos Back Bay Fens

Louisburg Square, em Beacon Hill, bairro de classe alta

Goodbye, New York: A One-Week Saga

I’ve written the previous post on my subway rides here and there in New York City last week. Now that I’m far from that reality (geographically, at least), I can see the big picture of my saga—moving out of there and getting to Europe in less than a week. I invite you to read here the editor’s cut of that story, which, to me, is one of the finest examples of how blessed I have been my whole life. I’m writing this especially for the friends that were part of this saga in one way or the other (helping me out, praying for me…), and to the future me—my memory is already weak, and at some point I would start to forget the details if I didn’t write them down.

If I have to pick a date, I’d say that the complicated and painful process of saying goodbye to New York started on the weekend of September 18‒19. I spent the Saturday with my sister’s mother-in-law, who came from upstate New York to visit the Bronx Zoo and to see Roosevelt Island, where I lived for five months or so. Sunday was my Confirmation anniversary—I always remember the date, and this year it had an extra bit of significance, because it happened to be a Sunday, just like 11 years ago. I attended worship service at City Grace Church like I did almost every Sunday for more than a year, but it was certainly different than the average 2009‒2010 Sunday for me, and not only because of the anniversary. The pastors announced I was leaving to Geneva, told stories about my year being part of the community, and prayed for me. I got a special photo CD, a farewell/thank-you cake, and an unusually large (but by no means inappropriate) amount of hugs. Later in the evening, my two good friends Dana and Natasha hosted a farewell party, which many other friends attended. Each of them shared a short but endearing memory about me, and I gave a (wordy and uninspired) farewell speech.

Then I went home and sighed—why did I tell everyone that that was most likely my last Sunday in New York? Yes, my internship in Geneva was supposed to begin in two weeks, and that Sunday was indeed supposed to be my last Sunday in New York before I left to Geneva via Frankfurt. Still, I could not picture myself leaving. Although my sponsoring organization had applied for my visa and work permit long before, it still hadn’t received the final letter of approval from the Swiss government. I would need to take this letter to the Swiss Consulate General in New York, which would stamp the visa on my passport. It could take an extra month for the letter to come—or it might even not come at all. This blocked everything. Since I had no visa, I couldn’t make any plans. I didn’t want to buy plane tickets without knowing for sure when (or even whether) the visa would come through, and hence had no motivation to pack my belongings. What is worse for a control freak like me, there was absolutely nothing I could do to expedite the visa process, and it was difficult to follow up on it, even.

Fortunately, I’ve learned a couple of lessons about visas. I had already had problems with nerve-wreckingly lengthy visa application processes—in 2008, when I applied for a German visa, and in July 2010, when I was waiting for the extension of my American student visa. First lesson: freaking out doesn’t help at all. Although that’s quite obvious, it’s unfortunately not that easy to avoid freaking out. Second lesson: if anything helps, it’s following up on the application process with the sponsoring organization and, to the extent possible, with the foreign government to which you’re applying for a visa.

In addition, through both visa-related and non-visa-related experiences, I’ve learned many lessons about my God. An important one is: He never lets me down. Even in instances when I initially thought He did, for example when something I really wanted and prayed for never happened, sooner or later I ended up realizing that He didn’t actually let me down—He gave me something that I hadn’t even thought I could have and that was much better than what I originally desired and prayed for. In a way, I think I can accurately say He spoils me.

Like any control freak, I need to have a plan, but I tried to be a better person by applying those three lessons and making them the core of my plan, like this:

  1. I shall not freak out about this visa application.
  2. I shall insistently follow up with my sponsoring organization.
  3. In order to accomplish (1) and to the extent that I will do (2), I shall trust this visa matter to God.

(3) + (2) = Augustine: “Pray as though everything depended on God. (= 3) Work as though everything depended on you. (= 2)”

Please don’t think I’m a hero. I’m still pretty new at this, and I have to struggle against my control-freakiness to be able to think like that. It’s not a superpower I was born with.

In line with my plan, I went to the Swiss Consulate General in New York on Monday, September 20. The idea was to ask how I could follow up with the Swiss government on my visa application process, why it was taking so long for my sponsoring organization to get the final letter from Bern, what my options were if I didn’t get the letter before my American visa expired (which would happen soon, in October). I won’t dwell on the details of how poorly I was treated initially, so I’ll just say that, at some point during the intricate dialogue with the consular officer, she said, “your name is in our system, and we’re authorized to issue you a visa.” That surprised me. It made absolutely no sense—wasn’t I supposed to bring the letter that my sponsoring organization would eventually receive from Bern? It was an unexpected miracle that my name was in their system. I went to the consulate again on Tuesday to drop off my passport and once again on Wednesday to pick it up—with a Swiss visa stamped on it!

The news that I would get my visa on Wednesday prompted intensive preparations for immediate departure. Tuesday I found a reasonably priced one-way ticket from New York to Frankfurt for Saturday. After I finished a translation work that was due Wednesday afternoon, I started packing, a task that I would only finish by Friday afternoon. After selling, donating, shipping, or throwing away many of my belongings, I managed to fill up two suitcases to check in. Each weighed the maximum the airline would accept to carry, even paying excess luggage (which I unavoidably would have to do). My carry-on bag had twice the allowed weight. Then I looked around… and there was still a lot of stuff to go! I decided simply to throw everything into the two large suitcases and hoped that the airline wouldn’t be too strict.

In the midst of all the packing craziness, I still had a chance to say private goodbyes to many friends, including some who I hadn’t seen at the farewell party. Tuesday, I had proper Italian lunch with Maurizia from NYU, late dessert (and what a wonderful dessert) with chef Christine from City Grace, and a memorably fancy dinner with Leslie and Stephanie from City Grace. Wednesday, I had dinner and ice cream and a wonderful chat as usual with Kyle from City Grace. Thursday, Isabela from NYU offered me Bahia-style food and hospitality, and later I met Leslie and Stephanie again at a fundraiser Leslie helped to organize. Friday afternoon, Natasha came to visit me from New Jersey, giving me a huge incentive to finish packing (including coffee, which I really needed at that point). Friday night, my last night in New York, I attended Kyle, Lee, and Ryan’s loft-warming party, where I got to see once again most of the good friends I just mentioned, as well as so many others (who I won’t name here because it would be a long list). It was the perfect way to end a wonderful year in New York.

At all times, but especially when things didn’t seem to go well in my preparations, it was evident that I remained under the care of God.

  • I had never had problems getting to Roosevelt Island with the F train—except, of course, on my second to last day in New York, when I wasted a couple of hours because of unexpected delays, accidents, and service changes. But even MTA couldn’t stop me: in spite of the waste of time, I was still able to get ready to go in time.
  • Saturday, the cab I took from Roosevelt Island to the stop of the Midtown-Newark shuttle bus couldn’t get quite there, because of temporary traffic changes in Midtown. Fortunately, God sent me one of His angels, my friend Naoki, who helped me to carry my luggage to the bus stop.
  • When I got to Newark airport, I was shocked when the shuttle bus stopped and dropped me off at arrivals, not departures. So frustrating! I had to move one step forward with one of the suitcases, then go back to get the other two suitcases and catch up with the first one—and so on and so forth. There was no humanly possible way I could carry all of them at once, and there were no carts nearby. Out of the blue, an airport staff member approached me and brought me a luggage cart!
  • Then I went to the airline counter to check in. Both my large suitcases went through—miraculously, even, since I knew both of them weighed more than the maximum allowance. Plus, not only they didn’t ask to weigh my carry-on bag, but they offered to check it in free of additional charges. Unbelievable! Finally, they offered me an aisle seat (my favorite) at the emergency exit row (the space for my legs was so huge I could waltz there). And I didn’t even have to ask.

Everything seemed to be prepared for me. Only God could have done it that way. He took care of details I didn’t even think of.

When I landed in Frankfurt, Germany, my parents were already waiting for me at the gate. I told them this whole saga as we drove to Limburg, just in time to attend worship service at the evangelical church to which my sister and brother-in-law belong. As I calmed down, I finally realized I had arrived. On the previous Sunday, my Confirmation anniversary, I was in New York, saying goodbye to my home community and to my friends, but I had no idea I’d get the visa and leave so quickly. Only one week later, I was in Europe, with my parents. My sister and my brother-in-law, who I was so excited to see again after one year, would arrive soon with my niece and my nephew, who I was so excited to see for the very first time! I felt accomplished, although exhausted from the trip. I had had no sleep on the plane. Plus, I had to reconcile the excitement of encounters and reencounters with the sadness of abandoning a reality that I truly loved—I was no longer living in New York, that church was not City Grace Church, and none of my friends were there.

I only have beginner’s German (not being modest here), definitely not enough to understand an entire sermon in German. I pick up some words here and there, infer some from the context, and that allows me to get to an understanding of 65% of what’s being said. And I have no idea how I’m coming up with those 65%, because it’s probably much less than that. Still, for some divine reason, I understood very clearly when the pastor said the Bible verse of the week was 1 John 5.4:

“…for everyone born of God overcomes the world. This is the victory that has overcome the world, even our faith.” (New International Version)

I was paralyzed. I immediately interpreted the verse in light of the recent events in my life—overcoming earthly challenges through faith and trust in God. But that’s just the tip of an iceberg of meaning. Tears instantly started to jump out of my eyes when I heard it. I only managed to turn to my dad, who was right beside me—”Dad, do you remember? That’s my Confirmation Bible verse!”

I had already dropped some tears in three occasions in the process of leaving New York, and I had already failed in my determination to weep only when I got on the plane to Europe. First time: when I went back to Roosevelt Island after the loft-warming party. Second time: as I entered the Holland Tunnel on my way to Newark. Third time: during the flight, especially when I read the farewell cards Naoki and Stephanie wrote me (well, Naoki intentionally drafted his as a “weeping aid,” in case I had forgotten an onion to chop, as he put it, and Stephanie said hers was very “emotional and crap,” in her own words, so no surprise they made me weep). But those times were different. I had control over the situation, and I didn’t let anyone see I was weeping. This time, in Limburg, I simply couldn’t stop. I guess I only did when I remembered I would meet my two-month-old niece and nephew afterwards, and when I realized that they would have behaved better during worship service than their 25-year-old uncle.

In all seriousness, I don’t know why exactly I was crying—maybe because I was so relieved that I had arrived safely here after my saga, or because I was sad to leave New York, or because I was happy to be in Europe and to see my family again, or because of a mix of all those reasons. You can always rationalize and think that I was exhausted and particularly sensitive and whatever, but another possibility is that I was moved by the Spirit. It’s hard to explain or describe. It was just very intense.

I never thought I’d post something this personal on this blog. On the other hand, I don’t think I had ever been this grateful to God! My gratitude explains my boldness. I simply needed to share this. Sorry it took me almost 2,500 words! :)