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Sheep Meadow

Ontem à tardinha (depois de postar no blog e de criar outro blog!) fui ao Sheep Meadow, no Central Park, para ler. (Quisera eu ter ido até lá para caminhar, mas ah! o pé lesionado!) Estou lendo, não livros jurídicos (ahá!), mas um romance: O Perfume, de Patrick Süskind. O plano é terminar o livro e depois ver o filme.

Livro, cobertor, parque – precisa mais? (Um Blackberry?)

Olha pra cima, guri

Olhares aleatórios pelo Sheep Meadow

Por onde eu começo?

Fico um tempo sem postar e, quando volto ao blog (quase sempre com aquela coceira incontrolável de postar retroativamente), logo vem a sensação de que tenho tanto pra contar que não sei nem por onde começar. Enquanto estudava para o bar exam (exame de ordem, aqui no estado de Nova Iorque) não sobrou muito tempo para postar. Também tinha o fator “eu deveria estar estudando em vez de postando no blog”.

Agora o fator já não existe: finalmente prestei o bar exam nos dias 27 e 28 de julho. Foram 12,5 horas de prova. Não vou entrar nos detalhes da prova porque não tenho mais paciência pra isso. Sério, se mais alguém me perguntar “como foi a prova?”, sou capaz até de… responder educadamente, solicitando que o interlocutor leia este post. A resposta oficial:

Os candidatos não podem levar consigo os cadernos de prova, e os examinadores não liberam gabaritos da parte objetiva nem respostas-modelo das provas objetivas. Assim, não tenho nenhuma base para saber como fui – e nem quero ficar pensando a respeito, porque os resultados só saem daqui a alguns meses (nem estarei mais em Nova Iorque quando saírem). O que posso dizer de consciência limpa é que fiz o meu melhor considerando as circunstâncias. E seja o que Deus quiser [e digo isso da forma mais sincera possível – nada de “força de expressão”].

No final de semana depois das provas, fiquei tão leve e feliz que na sexta-feira fui a um concerto e open mic com leituras dramáticas e poesia na trans-hudsoniana Jersey City, NJ.

No sábado até fui à praia em Long Beach, NY, com um pessoal da City Grace Church. Foi a primeira vez que fui à praia desde a visita a Coney Island; aliás, foi a primeira vez que fui à praia “de verdade” (com direito a banho de mar) desde que vim para os EUA. O trajeto até lá, de trem, é uma divertida excursão pelos Estados Unidos – os Estados Unidos de verdade, que estão logo ali, fora de New York City. Nos Estados Unidos de verdade, há subúrbios com casas grandes e jardins bonitos, rodovias movimentadas, conglomerados de megalojas onde só se chega de carro (e “tudo bem” porque todo o mundo tem carro; aliás, toda família tem pelo menos dois carros – afinal, estamos falando de subúrbios nos Estados Unidos de verdade).

Custa $19 o trem (ida e volta) incluindo o ingresso – nunca tinha pagado ingresso pra entrar na praia. De certa forma, acho até que vale a pena, porque a praia é limpa, segura, bem cuidada. Valeu a pena. O dia foi perfeito: céu azul deslumbrante, calor na medida certa, umidade baixa. Água gelada… mas não dá pra reclamar – o que esperar do Atlântico Norte nessa latitude? No fim da tarde voltei pra City exausto (praia cansa, né?), mas bastante satisfeito. E não bronzeado, graças ao meu bloqueador com fator de proteção solar 70. Podem rir, mas sei que queimo com qualquer solzinho e não pretendo ter torrões (nem câncer de pele).

Dia perfeito em Long Beach

Mar verde!

A galera

O castelo da Christine, no comecinho

O castelo da Christine, quase pronto

Na segunda-feira e durante toda a semana, voltei aos estudos para o exame de hoje, de responsabilidade profissional. Oficialmente não faz parte do bar exam, mas é um dos requisitos de admissão exigidos pela ordem dos advogados do estado de Nova Iorque. E pronto. Sem mais provas e exames por enquanto.

Ainda na segunda-feira fiz algo genial: carregando uma cesta de roupa limpa bem cheia, falhei (acidentalmente) o último degrau ao descer a escada do apartamento, fui com vontade ao chão, torci o pé direito, comecei a ter cãibras abdominais… um horror. Tive que me arrastar até o freezer pra pegar gelo, porque não havia jeito de caminhar. Estou melhor, sem dor, mas mancando um pouco ainda. Tamanho estimado da lesão: 6 a 8cm de largura por 8 a 10cm de comprimento.

Parte significativa do dia de hoje, depois que voltei do exame, foi dedicada a pôr em dia a correspondência. A missão ainda não está bem completa, mas o sucesso já é grande: tenho apenas seis conversações na caixa de entrada do gmail, todas as quais serão adequadamente resolvidas amanhã de manhã. Yay!

Muitos detalhes para organizar meus dois últimos meses (este ano, pelo menos!) em Nova Iorque e nos EUA – e muitos detalhes para organizar o que vem depois desses dois meses… (Mal me livrei de uma coisa e já estou procurando outra! Se isso não é ativismo, não sei o que é. Só pode ser patológico.)

TX >> NY

Um blogueiro que no mesmo dia recebe duas “sugestões” de que deve atualizar seu blog fica obrigado a atualizar, não? Bom, na verdade, não. Mesmo assim, resolvi atualizar o blog, porque já fazia algum tempo que queria fazer isso.

Passei 13 dias mui (!) agradáveis na companhia de minha irmã Lu e cunha James em San Antonio, Texas. Quase paguei excesso de bagagem, porque obviamente levei todos os meus livros para seguir estudando lá.

Aliás, estudar foi o que eu mais fiz. Mesmo assim, assistimos a vários episódios de House e a alguns filmes. Também fizemos um passeio “fantasma” de segway (fantasma porque a guia contava histórias de assombrações e lendas da cidade… enfim).

Ainda me dei o luxo de ter três frustrações futebolísticas: torci para o Brasil até ele cair fora da Copa, então para a Argentina até ela cair fora da Copa (será que vou perder leitores com essa?), e por fim para o Uruguai até ele cair fora da Copa. Por essas e por outras é que eu, em regra, não quero nem saber de futebol. No fim das contas, só me dá nos nervos.

San Antonio vista de la Vistana: nuvens poderosas

Lu no Café Madhatters

Com Lu e James no Segway Ghost Tour

Em frente ao Álamo

Aventuras em longa exposição: San Antonio Riverwalk

Coffee smiley faces: Libório, Louquinho, Malévolo e Olheirão

*Aventuras em longa exposição: my laser dreams*

Então voltei pra NYC. Sobrevoar a cidade e ver de cima os arranha-céus e as luzes (big lights will inspire you…) e o estádio dos Yankees (onde me formei) foi de novo bem emocionante.

Depois, nenhuma grande aventura. Geladeira inicialmente vazia, muitos problemas burocráticos (um dia eu escrevo um post ou um livro! sobre todos eles) e principalmente um tanto de coisa pra estudar.

Um dia caminhei no riverwalk de Roosevelt Island: fiz a volta na ilha em 60 minutos. Outro dia, e aliás um dos pontos altos da semana, caminhei no Central Park: da 59th até o Reservoir pelo lado leste e de volta à 59th pelo lado oeste.

The Mall, Central Park, durante a caminhada

Eu adoraria fazer das caminhadas uma atividade diária, mas simplesmente não há tempo para isso por enquanto. Em agosto e setembro, espero que sim.

Astronomia

(Na verdade esta é mais uma aleatoriedade, em complementação ao post anterior, tanto que merece os cinco asteriscos. Aí vamos.)

* * * * *

Nas minhas aventuras fotográficas de longa exposição, tirei esta foto:

Lua minguante deslumbrante, certo? Foi o que pensei. Porém, no dia seguinte, observei que a Lua estava mais perto de cheia, e não de nova. No dia seguinte, ainda mais cheia.

Para tudo. Tem coisa errada. Lá nos meus tempos de antigamente (quando
“ensino fundamental” ainda era “primeiro grau”) me ensinaram que a parte iluminada da Lua faz um “C” quando a fase é crescente e um “D” quando é minguante. Era tão fácil de lembrar, aliás: “C” de Crescente, “D” de… “Decrescente”. Então como é que a Lua em D estava (e ainda está) crescente, cada vez mais cheia? Poderia ser mais uma das estranhices de Nova Iorque. Não me surpreenderia.

Durante a semana não tive tempo de investigar. Mas hoje finalmente liguei pra Lu, minha irmã e assessora para assuntos aleatórios, e perguntei se andaram mudando aí alguma dessas leis astronômicas. “Não que eu saiba.” Eu disse, “não pode ser que no hemisfério sul se veja a Lua de um jeito e, no norte, de cabeça pra baixo, né?” E ela disse, “claro, é assim mesmo.” E eu, “sério?” E ela, “não, né, tchê!”

Pois bem. Mesmo sendo domingo, cometi um terrível sacrilégio: depois do clássico almoço com o pessoal da igreja, entrei na biblioteca do Direito. NÃO, não pra estudar! Por favor! Eu tenho todo o resto da semana pra fazer isso (de forma inescapável). Entrei na biblioteca pra (1) blogar (o post anterior) e (2) corrigir essa história de Lua invertida:

Pronto: com uma inversão básica, a Lua crescente ficou em C na minha foto. “Ufa, bem melhor.” Isso me acalmou um pouco inicialmente. Mas continuei incomodado por ver Manhattan toda ao contrário, como se vista de um espelho. Consertei a Astronomia e estraguei a Geografia.

Então, aproveitando que estava mesmo na biblioteca, resolvi (3) googlar o mistério da fase lunar invertida. E descobri que a minha suspeita aquela estava certa: vista do hemisfério norte, a Lua faz um “D” na fase crescente e um “C” na fase minguante.

Meu mundo virou de cabeça pra baixo. (Bom, na verdade minha Lua virou de cabeça pra baixo.) Mais: essa coisa de ficar de cabeça pra baixo fez com que caíssem do meu bolso todos os butiá. Tenho que voltar ao Instituto (hoje: Instituto Estadual) de Educação Assis Brasil e achar minha professora de Geografia de sei-lá-que-série pra ter com ela uma conversa séria: “Me falaram da história do Cruzeiro do Sul e da Estrela Polar, mas como é que ninguém me disse que essa regra do ‘C de crescente’ não era universal?” Absurdo. Me sinto traído e enganado.

Empire State Brazil

Terminei a semana de estudos com uma noite muito feliz fotograficamente (modéstia à parte). Tá certo que me atrasei para a golden hour, mas fiquei satisfeito com minhas brincadeiras de longa exposição. Foi uma noite particularmente interessante para experiências fotográficas nova-iorquinas, porque o ESB estava vestido de Brasil! O motivo do azul-verde-amarelo nestes dias é a “Semana do Caribe”, segundo o site oficial do ESB, mas eu acho que no fundo eles querem dizer que torcem pelo Brasil na Copa do Mundo. ;)

Cena clássica do Washington Square Park

Washington Arch

Judson Memorial Church, Furman Hall ao fundo

Vista de Roosevelt Island (quase em casa!)
Queensborough Bridge e três dos arranha-céus mais altos de NYC:
Chrysler (terceiro), Empire State (primeiro), Citigroup Center (sétimo)

The Bobst Mysteries

Tô aqui na Bobst, pra variar; estudando, pra variar. Saio da sala por cinco minutos (para um intervalinho de barra de cereal) e já me destraio com um mistério.

Saboreando minha barra de cereal e caminhando de um lado pro outro no corredor, me deparo com um pedaço de papel com a frase: “We are PEOPLE not PROFIT.” = “Somos PESSOAS, não LUCRO.” Ok: alguma espécie de protesto (vai saber contra quem? a universidade, talvez?). O que me intriga, porém, é como o pedacinho de papel foi parar ali.

Pra quem não conhece a Bobst, talvez valha a pena descrever um pouco o lugar, porque a foto (tirada com o celular, através de um vidro e de um ângulo complicado!) não é lá muito clara. A parte central da Biblioteca Bobst é “oca” (uma palavra que eu cuidadosamente selecionei no meu imenso vocabulário técnico de arquitetura). Tirei a foto olhando do corredor-galeria do décimo andar para baixo. (O padrão em preto, branco e cinza que predomina na foto é o piso do térreo; os semicírculos pretos são bancos estofados no saguão central.) Em cada andar, há um vidro de mais de dois metros de altura na beirada da galeria, como medida de segurança. Além disso, do lado “de fora” do vidro há uma grade de um metro de altura. O pedaço de papel que vi está entre o vidro e a grade! Como? Intrigante.

Segundo fator intrigante: que lugar mais estranho para um protesto, não? Fico me perguntando quantas poucas pessoas já tiveram a feliz ideia de, durante um intervalinho de barra de cereal, perambular pelo corredor do décimo andar observando o espaço estreito entre o vidro e a grade pra ver se encontram algum pedaço de papel com um recadinho de significado obscuro.

Terceiro fator intrigante: as hastes das grades de proteção em formato de cruz. Por incrível que pareça, há quem consiga não se sentir suficientemente encorajado pelo vidro de mais de dois metros de altura e pelas grades a ficar com os pés firmes no corredor-galeria e a desistir da ideia de aprender a voar. (Infelizmente, é isso mesmo. Já aconteceu algumas vezes. Uma delas, em novembro do ano passado.) Seria coincidência o formato das hastes das grades?

Se eu fosse inventar de colocar um recado entre o vidro de dois metros de altura e as grades do corredor-galeria do décimo andar da Bobst (e soubesse uma forma segura de fazer isso!), minha mensagem seria diferente; algo mais no estilo: “Think twice. Jesus loves you.” = “Pensa bem. Jesus te ama.” Acho que é isso que um bom protestante (!) faria.

Bom dia, Roosevelt Island

Vista do meu quarto, 3 de junho, neblina de manhã cedo

The Bobst Dilemma

Nas últimas semanas, tenho me afundado na rotina de preparação para o bar exam. Acordo entre 6h e 6:30. Vou pra Bobst (a biblioteca central da NYU) o mais rápido possível para estudar. Depois da pausa de almoço, venho pra biblioteca do Direito da NYU e assisto a teleaulinha básica do curso preparatório (três horas e meia, mais ou menos). Depois da pausa do lanche/café, fico na biblioteca do Direito até às 21h, ou volto pra Bobst até as 22h. Então pego meu metrô (“the F: a mighty train“, como diz um amigo meu) para Roosevelt Island. Em casa, faço pilates (!) e tento ir dormir às 23h, pra recomeçar tudo no dia seguinte.

Perfeito.

Isto é, até eu colapsar de desânimo, o que não é bom, mas acontece às vezes; e aí no dia seguinte eu tenho que recuperar o atraso causado pelo desânimo da véspera, o que é ainda pior. Simples: só preciso aprender a não colapsar. Quem sabe se eu blogar de vez em quando? Talvez ajude. Meus dias sabáticos (domingos sem atividades acadêmico-jurídicas) sem dúvida ajudam: procuro acordar cedo (pra não perder o costume, claro) e vou tocar flauta das 8:30 até as 10:30 na sala de música da igreja. Almoço com amigos; faço passeios com amigos à tarde; durmo mais cedo à noite. São minhas tentativas legítimas (e acho que bem-sucedidas) para manter uma rotina minimamente saudável. Ou pelo menos não enlouquecedora.

Nessas primeiras semanas, já tenho 100 páginas de resumos em Times New Roman 11 espaço simples. Resumos esquemáticos, não puro texto. Francamente, não sei onde isso vai parar.

Termino com uma foto que tirei esses dias da Bobst. Não explico, porque a imagem e o título que dei a ela, interpretados pelo observador externo inteligente no contexto da minha rotina e do verão em Nova Iorque, fazem com que explicações adicionais sejam desnecessárias. Alguém me avise se eu estiver errado, por favor, que eu explico.

The Bobst Dilemma

Mais maio

Cá estou de novo, postando retroativamente. Não dá. Não consigo evitar. Essa história de “momentos inesquecíveis” infelizmente não funciona bem assim pra mim. Tenho memória fraca – e, como já disse em alguma outra oportunidade aí pelo blog, admitindo ser verdade o que minha irmã Lu disse uma vez –, o Blog do Guri meio que funciona como uma extensão da minha memória. É praticamente um diário online (ou, ultimamente, um quinzenário online!). Preciso escrever e fazer uma seleção adequada de fotos pra um dia voltar aqui e poder relembrar os eventos e as imagens que a minha mente conturbada (e prejudicada pelo bombardeio tecnológico da minha geração… haha) um dia vai acabar esquecendo.

Desta vez – talvez mais do que nunca! – as novidades são muitas. Portanto, advertência preliminar: o post vai ser longo. Muito. Mas, pra quem se importa com o que tem acontecido comigo nesta aventura nova-iorquina, eu garanto que vai valer a pena ler até o fim. Pra quem não se importa, melhor nem começar. (Bah, será que isso ficou grosseiro demais? Só quero poupar o tempo do leitor desinteressado.)

Nesses posts retroativos eu procuro evitar as listas cronológicas de eventos, mas, mais uma vez, aqui vai ser difícil evitar essa forma de organização. E não é por preguiça de fazer uma síntese decente, não: é que tanta coisa aconteceu! Cada dia destas últimas semanas foi cheio de atividades e coisas boas pra lembrar pro resto da vida. Paro pra pensar e não consigo listar um só momento que eu gostaria de esquecer, o que é bastante surpreendente – ainda mais pra alguém normalmente tão negativo como eu… Será que mudei um pouquinho? Pode ser, mas isso é discussão pra outro post (talvez ainda mais gigantesco que este – e eu nem comecei ainda e o negócio já tá tomando volume…). Vamos ao trabalho.

(Só pra manter meu estilo parentético e metadiscursivo, vejam só o que “9 anos compactos” de estudos jurídicos (especialmente o último aqui, no estilo norte-americano) fizeram comigo: preparei um esboço – tipo sumário – do post, dia por dia, com tudo o que aconteceu e sobre o que quero escrever aqui. Bah, acho que o estudo do Direito só agravou minhas neuroses.)

9 de maio

A última vez que escrevi foi na madrugada do dia 9 de maio, domingo, Dia das Mães! Assim que acordei, fui buscar um arranjo comestível que minha irmã encomendou para minha mãe (Dia das Mães, já disse) e me fui pro meu novo quarto em Roosevelt Island. Aluguei o quarto já a partir do início do mês de maio e, como fiquei até o dia 16 nos dormitórios da universidade, meus pais ficaram no meu novo apartamento durante os sete primeiros dias deles aqui em Nova Iorque (de 9 a 16). Uma boa economia de contas de hotel, podem acreditar!

Assim que pousaram no JFK, foram direto pra lá, onde eu os esperava com o arranjo comestível e uma ideia fixa: íamos ao culto. E pronto. Coitadinhos… preciso dizer que fiquei com um pouco de pena. Afinal, essa viagem do Brasil até aqui é cansativa. Com o trecho de avião e as esperas nos aeroportos e as 8 ou 9 horas de voo, a odisseia dura praticamente um dia inteiro. (Essa frase foi difícil de escrever, hein: o processador de texto insiste em pôr acento em “voo” e “odisseia”!) Acontece que eu vinha dizendo havia semanas para os meus amigos na igreja que meus pais chegariam no dia 9 e que eles iriam comigo ao culto. A pena pela viagem cansativa dos meus pais foi menor que a vontade de colocar em contato dois mundos até então completamente desconexos: meus pais, de um lado, e meus amigos da igreja, de outro!

Foi um contato explosivo. Pra começar, meus pais não falam inglês, e ninguém na minha igreja fala alemão ou português. Minha primeira tarefa, portanto, foi traduzir todo o culto – umas 10 ou 12 páginas de palavras-chave da mensagem principal do culto no caderninho de anotações da minha mãe. (O Pastor Steve, que deu a mensagem aquele diz, disse depois, “ah, então era isso que estavas fazendo… achei que estavas fazendo dever de casa durante o culto” – disse brincando, claro.) Depois, muitas apresentações e momentos ligeiramente incômodos, mas ainda assim divertidos – quando, por exemplo, eu tinha que traduzir alguns elogios que meus amigos queriam fazer a meu respeito para os meus pais. Fui um tradutor fiel, mesmo traduzindo em causa própria!

A diversão continuou quando saímos para almoçar no DoJo, um dos meus restaurantes preferidos de domingo – por causa da comida vegetariana e do preço razoável e principalmente das lembranças de almoços pós-culto. Meus pais, quatro amigos – Lydia, Kyle, Misako e Ryan – e eu. Fora a Misako, que se virou em espanhol com meus pais e em inglês com os demais, estava eu de tradutor simultâneo entre os anglófonos e os brazuca-lusófonos. O melhor, indubitavelmente melhor, foi quando o Kyle teve a brilhante ideia de sugerir um tópico para meus pais: histórias embaraçosas da minha infância. Todos acharam ótima a ideia, claro. E eu, “sim, né, e vocês querem que eu traduza isso?”

Mas não teve volta. A mãe e o pai contaram – e eu traduzi – de quando eu, ainda bebê, não parava de chorar e por isso ficava sem respirar (numa progressão de vermelho a roxo), até que o pai descobriu que me pôr no carro e dirigir pela cidade era o melhor remédio. Contaram de quando me perdi num evento da igreja, aos 4 ou 5 anos de idade, e por um tempo depois disso não queria mais ir ao culto infantil por causa do trauma. Contaram de quando, aos 7 ou 8 anos de idade, uma enfermeira de um consultório pediátrico não conseguia achar minha veia no braço para um exame de sangue e acabou tirando sangue de uma veia do meu pescoço (claro que ela teve que quase que me amarrar pra conseguir fazer isso!) – e um tempo depois, indo com o pai para uma agência bancária que ficava no mesmo prédio do consultório, eu estanquei o pé no meio do caminho e disse, “pensando bem, acho que não quero ir contigo ao banco, pai”. No fim das contas estava eu lá – “ah, lembram daquela vez…” –, lembrando meus pais de mais histórias bobas que eles podiam contar sobre mim.

Deu pra perceber que todos se comunicaram muito bem e se divertiram bastante juntos; um pouco às minhas custas, mas não me importei, mesmo! Quando saímos do restaurante e cada um foi para o seu lado, meus pais me diziam o quanto gostaram de conhecer meus amigos e de confirmar o meu bom gosto para amizades – e meus amigos me mandavam torpedos dizendo o quanto tinham gostado de conhecer meus pais e de indiretamente me conhecer ainda melhor através deles.

Almoçados e divertidos, meus pais e eu fomos do Village para Roosevelt Island, devorar – sobremesa! – o arranjo comestível (!) e instalar meus pais propriamente no quarto.

Mamis e papis na cozinha do apartamento em Roosevelt Island

Atacando o arranjo comestível

10 de maio

Na segunda-feira, mesmo com meus pais na City, tive que deixá-los um pouco de lado para trabalhar na minha última prova take-home Investment Disputes in International Law. Durante a manhã, procurei refúgio na biblioteca para preparar a prova; à tarde, um intervalinho de almoço de 3,5 horas (!) com meus pais e os amigos Danielle e Conrado no “Vegetariano” (Vegetarian’s Paradise). À tarde, fiz um plano de passeio para meus pais – uma caminhada pela Broadway sentido downtown – e segui trabalhando na prova o resto do dia…

11 de maio

… Até que, às 3h da madrugada, digitei as palavras mágicas “End of Exam” na minha prova de Investment Disputes e fui dormir. Acordei cedinho, porque pouco antes das 9h meus pais já estavam no D’Ag para irmos juntos a um café-da-manhã de formatura (Commencement Breakfast) oferecido pelo departamento de estudantes e pesquisadores estrangeiros da NYU, só para esses estudantes e seus convidados. Fomos uns dos primeiros a chegar lá, por volta das 9h. O dia estava maravilhoso e o evento foi no décimo andar do Kimmel Center (um centro de convivência e eventos da NYU), que tem uma vista particularmente especial do Washington Square Park e da cidade em geral. Foi uma das refeições mais decentes que a NYU já ofereceu (!): um café-da-manhã americano completinho, com frutas, ovos mexidos, cereais, café (óbvio), diversos tipos de sucos, pães, croissants e outros artigos de padaria… Além disso, claro, a vantagem de estarmos entre os primeiros: sentamos numa mesa com vista para o parque e pertinho do quarteto de jazz – ah, New York…

Washington Square Park + NYC skyline

À tarde, fiz o mesmo que na véspera: um plano de passeios para meus pais; desta vez, uma caminhada pelos parques próximos ao campus da NYU (Washington Square Park, Union Square, Gramercy Park, Madison Square Park) e terminando no Empire State Building. Enquanto isso, revisei e enviei definitiva e irreversivelmente (ótimo que seja irreversível, porque do contrário eu nunca terminaria de revisar e trevisar) minha prova de Investment Disputes. Pronto, menos um item na lista! Só ficou faltando, então, o meu “terço de paper” (trabalho em trio) para Climate Change Policy, que resolvi terminar na semana seguinte, depois das cerimônias de formatura. (Sim, porque aqui a gente se forma e depois ainda pode ter trabalhos, provas… vai entender.)

A estratégia funcionou perfeitamente, porque meus pais voltaram da caminhada às 16:30, quando eu já tinha conseguido terminar a prova, para podermos ir juntos ao Grad Alley da NYU. É uma espécie de carnaval ou festival de rua que a NYU oferece em homenagem aos formandos de toda a universidade, com músicas, jogos, malabaristas, além de banquinhas de lanches, sorvete, algodão doce, passeios de carruagem pelo Village – tudo com acesso liberado e gratuito para o formando e dois convidados.

Grad Alley

O dia foi longo e puxado. Meus pais, depois do Grad Alley, voltaram para Roosevelt Island. Eu voltei ao meu dormitório para, acreditem, passar (com steamer ou vaporizador) a toga de formatura para o dia seguinte. Palavra de honra: concluir o mestrado foi fichinha perto dessa tarefa.

12 de maio

Dia dos Commencement Exercises: a grandiosa cerimônia de formatura de toda a universidade no estádio dos Yankees, no Bronx. Fomos todos premiados pela meteorologia: uma chuva murrinha e temperatura em torno de 8 graus Celsius. Uma semana antes (5/5), estava comemorando meu aniversário com um piquenique primaveril no Central Park; de uma hora pra outra, parece que fomos transportados ao auge do outono pelotense! Azar do Valdemar: Commencement acontece faça chuva ou faça sol.

Acordei cedinho, vesti a toga e encontrei meus pais e a Misako na frente do prédio dos dormitórios. Fomos de metrô até o Bronx; mais ou menos meia hora no D. Lá, logo nos dividimos: meus pais e a Misako entraram por um portão e eu, por outro. Eles conseguiram entrar logo, mas eu tive que esperar, junto com vários outros formandos, numa fila bastante grande. Milhares de formandos. Só pra lembrar, a NYU é a maior universidade particular dos EUA, com 40.000 alunos. Formandos esperados na cerimônia: uns 5.000.

Agora, falando em acontecimentos aleatórios, o melhor do ano até agora – e posso dizer com segurança –, aconteceu na fila para entrar no Yankee Stadium. Estava ali, naquela murrinha frígida, de toga de doutor (os cursos jurídicos aqui se formam com a toga de doutorado) e guarda-chuva, sentindo as pontas dos pés gelarem dentro do sapato… e tão sozinho quanto é possível estar sozinho no meio de uma multidão. Como fui pra lá com meus pais e minha amiga, no fim das contas não fiquei na companhia de nenhum colega; acabaria encontrando-os só lá dentro, porque nossos lugares estavam, claro, reservados em uma mesma área do estádio.

Nisso se aproximou de mim alguém que eu não conhecia até então. Estava vestido também de toga de doutorado. E me disse (em inglês, claro), “vamos ver, chutando… és da Faculdade de Direito? Posso esperar na fila contigo?” E eu, “sou, sim; claro, entra aí!” (A fila, detalhe, não era do tipo que outras pessoas se importariam com “furos” – todos acabariam entrando, invariavelmente, assim que abrissem os portões. Então, sem problemas.)

Fomos conversando. Apresentou-se como Lev (um nome que não me era de todo estranho). Também da Faculdade de Direito. Também do mestrado. Também estudante estrangeiro. Também do programa de International Legal Studies… que não é tão grande assim; umas 100 pessoas, talvez. Peraí – como é que não nos conhecíamos? Descobrimos que fizemos umas três ou quatro disciplinas juntos (inclusive a de Investment Disputes, essa da prova que tinha terminado na véspera) – e nunca sequer nos vimos em aula ou nos corredores, nem trocamos uma palavra. Depois de nove meses de mestrado, fomos nos conhecer por pura coincidência no dia da formatura! Aproveitando a vantagem de estar (como narrador) umas semanas adiante, posso dizer: um dos meus melhores amigos aqui.

Vencida a fila, a cerimônia! Ficamos – o Lev e eu – na parte bem da frente da área reservada aos formandos da Faculdade de Direito, o que nos garantiu uma vista praticamente livre da cerimônia (não fosse pelo guarda que estava à minha esquerda… um pouco irritante, mas ok). Dali vimos “a banda passar” (com direito a tambores e gaitas de foles), mas também passaram professores das várias faculdades, estudantes carregando as insígnias das respectivas faculdades, convidados de honra (inclusive o nosso orador convidado, Alec Baldwin, ex-aluno de Teatro da NYU). A banda e o glee club da NYU interpretaram New York, New York (vídeo meu!) bem ali na frente… foi de arrepiar, no melhor sentido possível.

Yankee Stadium, NYU Commencement 2010

Lev e Guri

NYU Law!

Alec Baldwin

Terminada a cerimônia, metrô de volta para o Village. Recebi muitos cumprimentos andando pela rua – a sensação de andar pela cidade de toga tem o seu componente “mico”, mas também é uma experiência divertida e, por que não, de certo orgulho. Afinal, entrar na NYU não foi mole, sair dela também não: comemoração e “mico” conquistados e merecidos. Fomos almoçar na Otto Enoteca, um restaurante de que gosto muito (e que tem o endereço mais memorável da City, na minha opinião: 1 5th Ave – não tem como competir). Lá encontramos Sue e Tom, os pais do meu cunhado James, que vieram do norte do estado de Nova Iorque, se bem que não para a formatura em si, mas para comemorá-la comigo e com meus pais. Queríamos fazer passeios à tarde, mas o chuvisco e o tempo curto da Sue e do Tom na cidade acabaram forçando uma simplificação. Fomos à Biblioteca Pública e à Grand Central, de onde eles já pegaram o trem de volta pra casa.

Empire State visto da Biblioteca Pública

13 de maio

O dia intercerimônias (entre o Commencement de toda a NYU e a Convocation da Faculdade de Direito) foi o de maior rendimento, eu acho. Meus pais chegaram lá pelo meio da manhã ao meu prédio, de onde saímos e pegamos um metrô até City Hall. Dali, atravessamos a ponte do Brooklyn a pé e fomos até o passeio do rio (promenade) em Brooklyn Heights, de onde se tem uma vista muito bonita de Manhattan, especialmente do Distrito Financeiro.

Brooklyn Bridge

Brooklyn Heights Promenade

Enquanto caminhávamos no passeio do rio, o Ryan me mandou uma mensagem para combinar definitivamente o que já vínhamos alinhavando desde o domingo: uma visita “com desconto da casa” ao Radio City Music Hall, onde ele trabalha como guia turístico. Então meus pais e eu voltamos rápido ao Village para almoçar e, de lá, fomos ao Rockefeller Center, para fazer uma excelente visita guiada (não só porque o guia é um grande amigo… hehe).

Excelente e VIP. Seguindo a orientação do Ryan, cheguei lá e me identifiquei como amigo dele. A moça – colega de trabalho dele – nos chamou pra dentro, onde ele estava e começou a falar que a visita começaria em seguida – e eu, traduzindo sempre, claro. Então eu disse, “tá, mas peraí, onde compramos os ingressos?” E ele, “I think you’re good.” E eu, “Ryan, falando sério, onde compramos os ingressos?” E ele, rindo, de novo, “Uhm… I think you’re ok.” Ou seja: o “desconto da casa” era uma visita grátis, o que eu realmente nem suspeitava.

O Radio City é uma casa de espetáculos e, em si mesmo, um espetáculo. As fotos dão uma pista de quão majestoso é o teatro. Ver os bastidores, conhecer pessoalmente uma rockette, saber dos detalhes da história e da construção do teatro (e da alta tecnologia por trás do seu palco móvel) – tudo muito impressionante.

Radio City

Saindo dali e vendo aquele dia de céu azul espetacular (o extremo oposto do dia anterior), percebemos que era necessário aproveitar o tempo e a visibilidade para subir ao Top of the Rock, o observatório que fica no 70º andar do prédio mais alto do Rockefeller Center (que aparece na série 30 Rock, sabe?). Eu já tinha subido (em 2006) no Empire State. O Top of the Rock, porém, é uma experiência bem diferente e que vale a pena: de lá se veem o Empire State, o Chrysler, o Central Park… É “turístico”, sim, naquele sentido um pouco depreciativo. Mesmo assim, é de tirar o fôlego.

Visa norte (Central Park)

Vista nordeste: midtown, Upper East Side, Queens

Vista noroeste: midtown, Upper West Side

Vista sul

Vista sudeste

Eram 6h da tarde, mas o dia ainda estava longe de terminar! Depois do Top of the Rock, tomamos o Path até a Penn Station de Newark (New Jersey) para buscar a maninha Lu, recém chegada das longínquas terras texanas! Meia hora pra ir, meia hora pra voltar. Na volta, paramos no meio do trajeto do Path para tirar fotos noturnas de Manhattan desde Jersey… uma linda noite. Jantamos – sushi! – no Ritz Asia… e aí, sim, fechamos o dia. Desta vez, a Lu fez o trabalho de passar a toga… :P

Manhattan vista de New Jersey

World Financial Center

14 de maio

A cerimônia de Convocation da Faculdade de Direito foi no teatro do Madison Square Garden, em cima da Penn Station, bem mais perto de casa. Começou com a reunião de todos os formandos, muitas fotos, um lanche nos bastidores do teatro. A entrada foi segundo a ordem das especializações, não alfabética. Acho que a cerimônia em si foi ainda mais emocionante e significativa que a de Commencement: cada formando foi chamado ao palco (embora de forma muito rápida) para a formalidade do… bem… encapuzamento? Haha… Aqui o que se faz é colocar uma espécie de capuz ou capa sobre os ombros e ao redor do pescoço; o capelo (chapéu de formatura) se usa todo o tempo. E a oradora convidada foi Valerie Jarrett, uma conselheira do Presidente Obama.

Fotos de toga (mais “mico” e mais orgulho), recepção na Faculdade de Direito (um pouco frustrante… melhor nem comentar), almoço no Quantum Leap – e em seguida fomos a uma exposição de fotografia em que a minha amiga Misako expôs uma das suas. Por fim, a “janta oficial” de formatura foi no Gustorganics – um restaurante próximo de casa (6th Ave com 14th St, a dez quadras da NYU), argentino, de gerente brasileiro, com comida 100% orgânica, inclusive com certificação do “ministério da agricultura” dos EUA. A música de fundo foi electrotango quase toda a noite. Sobremesa: alfajores. No achado desse restaurante, falando sério, eu me superei.

Formando e familiares presentes ;)

No Washington Square Park

Janta de formatura

15 de maio

Dia de mudança! A Lu e eu acordamos cedinho, empacotamos duas malas com meus pertences e fomos da NYU até Roosevelt Island. Voltamos para a NYU, enchemos mais duas malas (e cacarecos acessórios), carregamos tudo num táxi e fomos até Roosevelt Island. Nossa praticidade e eficiência foram embasbacantes. À tarde já estávamos fazendo caminhadas turísticas no Distrito Financeiro.

Woolworth Building

Financial District

16 de maio

A Lu acordou cedão (tipo 6h da madrugada, quase um desaforo) pra ir ao aeroporto – e eu, claro, acordei pra tomar café da manhã com ela e me despedir dela. Fiz a última mala com os resquícios de coisas que tinham ficado no dormitório, fiz o check-out (¡hasta la vista, D’Ag!), fui a Roosevelt Island e voltei para o Village a tempo do culto. Minha mudança estava completa, só faltava… fazer a mudança dos meus pais para o hotel no Upper West Side. Enfim, um dia de muitas, muitas mudanças! Durante à noite, saí com meus pais para um passeio turístico imprescindível: Times Square.

Times Square

17 a 19 de maio (Roosevelt Islander)

Formado, casa nova, colchão novo… e o bendito paper por terminar, por isso fiquei mais isolado na segunda-feira e na terça-feira, enquanto meus pais passeavam no Upper West Side. Segunda-feira à noite, porém, fui com eles a um recital de jovens músicas na sala de recitais do Carnegie Hall. Terça-feira enfim terminei minha parte no artigo, ainda em tempo de ir ao hotel e me despedir dos meus pais… Eles passaram dez dias bastante intensivos aqui em Nova Iorque, é verdade, e curtiram muito. Fiquei satisfeito com a satisfação deles! :) Na quarta-feira 19 revisei e entreguei o paper. Pronto! Sem mais pendências com a NYU. (A partir de agora, posts com o marcador “NYU” não serão tão frequentes!)

Manhattan vista de Roosevelt Island

20 a 24 de maio (microférias)

Quinta-feira 20 oficialmente começaram minhas microférias. Na sexta 21 fiz a volta toda em Roosevelt Island, reconhecendo o meu novo território (fotos, muitas fotos). No sábado 22 fiz faxina (haha) e à noite saí para jantar com o novo amigo Lev: caminhamos desde o campus da NYU (W 4th), onde ele ainda mora, até Hell’s Kitchen (W 50th), passando pelo Highline, um espaço muito interessante que eu ainda não conhecia – uma linha ferroviária transformada em área de lazer. (Achei genial.) Infelizmente não tirei fotos, porque estávamos famintos e eu não queria interromper a caminhada… :P

Queensborough Bridge

Lighthouse (farol no norte de Roosevelt Island)

The Octagon: antes, o “asilo de lunáticos”

Queensborough Bridge, U.N. Headquarters

Queensborough Bridge, lado Queens

Ruínas do hospital de varíola (ponta sul da ilha)

Nações Unidas

Chrysler Building

No domingo 23 após o culto, estava mais disposto do que nunca a aproveitar as microférias. Fiquei um bom tempo com amigos da igreja no Washington Square Park – lagarteando, em bom gauchês –, bloguei no Starbucks da Astor Place (desde então estou escrevendo este post interminável) e concluí o domingo em uma pizzaria argentina buenísima no Upper East Side. Segunda 24 segui blogando (estabeleci uma parceria de blogagem com meu amigo Kyle, haha) noutro ambiente até então desconhecido – East Harlem Café, no bairro de mesmo nome.

25 a 27 de maio (barbri)

E acabaram-se as microférias. Terça-feira dia 25, às 14h, estava eu em plena Times Square para minha primeira teleaula (4h, com dois intervalos de 10 minutos) de barbri, o curso preparatório para o “exame de ordem” do estado de Nova Iorque. No segundo dia de aulas (26) já transgredi: não fui pra Times Square (onde estou matriculado). Em vez disso, fui pra biblioteca da NYU e fiz a teleaula de lá, à tarde. Terceiro dia (27) transgredi mais ainda: descobri que eles colocam as aulas no ar de véspera, o que me permite fazê-las já no turno da manhã, o que é infinitamente melhor. Portanto, fiz a aula de manhã. Observação: transgrido, mas faço as aulas. Três dias de aula, trinta páginas de anotações para revisar no findi-feriadão (por causa do Memorial Day – sexta a segunda).

Pra quem deveria estar estudando loucamente sem parar, sem querer tenho uma intensa vida social (o que não é, digamos, necessariamente ruim). Uma loucura isso, mas cada dia desta semana alguém me convidou pra jantar, e foram sempre convites irrecusáveis: segunda, aniversário; terça, sushi bom e barato (haha); quarta, encontro da igreja marcado há semanas num restaurante coreano… Até parece que sou popular.

Quinta (27, hoje – ou seja, o post está terminando!) foi a superação: tendo mui disciplinadamente assistido à teleaula de manhã, à tarde eu… fui à praia! Primeira vez que vou à praia desde que cheguei a Nova Iorque em agosto (portanto, verão) do ano passado. Fomos (Kyle, Ryan e eu) até Coney Island, uma região que ficou famosa no século XX por seus resorts e parques de diversões (hoje, um pouco decadentes, digamos). O passeio foi parte da “semana de despedida” do Ryan, que vai embora de Nova Iorque segunda-feira que vem.

Coney Island

Ryan congelando

Ryan e Kyle

O Atlântico…

Coney Island Boardwalk

Kyle, Ryan, Guri

Posfácio

Quatro mil palavras – o post acabou com o mesmo tamanho que a última prova que escrevi no mestrado (embora as provas do mestrado eu não ilustrasse com fotografias). Será que consegui escrever o post mais longo da história da humanidade, ou ainda não? Todos os que chegarem até aqui, por favor, deixem um comentário. No mínimo responderei pessoalmente para agradecer pela fidelidade, paciência, tolerância…

Enfim, eu precisava atualizar o blog com os acontecimentos das últimas semanas. A partir de agora, com a intensificação dos estudos (sim, eu já estudei bastante na vida, mas aparentemente o que é bastante nem sempre basta) e a desintensificação das atividades dignas de postagem, a tendência é que as postagens vão acabar sendo mais esparsas (mais ainda!), porque a minha vida vai se tornar menos interessante (menos ainda!). Mesmo assim, acho que ainda não é o momento de sepultar o blog do Guri. Vou segurar firme por enquanto – e quem sabe até aprender a postar com regularidade, para no futuro conseguir evitar o absurdo de publicar posts de 4.000 palavras…

Maio

Direto ao ponto. Ou aos vários pontos. Ou melhor: aos asteriscos.

*

Comecei o mês escrevendo ensandecidamente um artigo de Direito Internacional Ambiental, que enviei ao professor às 23:40 do dia primeiro de maio. Claro que o último dia do prazo era primeiro de maio. Uma das minhas resoluções de Ano Novo é “não procrastinar (tanto)”. Nota-se que estou fazendo progressos: enviei 20 minutos antes do fim do prazo! Incrível.

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Fico em Nova Iorque até fim de setembro! Depois de uma sofrida busca por moradia (as histórias renderiam um livro… ou filme de terror), consegui um lugar ótimo pra morar a partir de meados de maio. Fica em Roosevelt Island – teoricamente parte de Manhattan, geograficamente fora de Manhattan. O melhor de tudo é meu endereço novo: Main Street, New York, NY. Sim, “rua principal”. Outra hora escrevo mais sobre meu novo e adorável bairro. Por enquanto, publico umas fotos que fiz por lá no dia em que fui buscar minhas chaves.

Meu prédio é o alto atrás da igreja

Riverwalk. Manhattan do outro lado do East River.

Verde, verde, verde

Queensboro Bridge. Prédio bem do meio (“abaixo da ponte”): sede das Nações Unidas.

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Completei um quarto de século! A comemoração foi inesquecível. Primeiro: foi no dia errado. Propositalmente, claro. Por causa do amigo Kyle, que estava ocupadíssimo no dia meu aniversário, a comemoração ficou para o dia seguinte.

(Historinha parentética: o Kyle é professor de pré-escola. E daí? Acontece que é a segunda vez que festejo meu aniversário no dia seguinte por causa de um professor de pré-escola. No jardim de infância, tinha um colega – o Felipe – cujo aniversário é no mesmo dia que o meu. Por decisão da professora – tia Neuzeli –, o Felipe pôde fazer sua festa em aula no dia do aniversário, e eu tive que fazer a minha no dia seguinte. Não sei qual foi o critério que ela escolheu pra dar preferência ao Felipe. Desempenho acadêmico certamente não foi, porque eu já era nerd no jardim de infância. Uma injustiça sem tamanho. Aliás, deve ter sido naquele momento que a sementinha do Direito foi plantada em mim, para lutar contra injustiças e arbitrariedades. Agora sou praticamente Mestre em Direito e sigo sofrendo injustiças. Oh vida.)

Segundo: apesar da idade avançada do aniversariante, foi quase uma festa de criança. Fui à vendinha de produtos brasileiros em Astoria (US Brazil Deli), e comprei seis pacotes de pão de queijo e quatro garrafas de guaraná. Com tudo pronto, colocamos os pães de queijo numa cesta e fomos fazer um piquenique no Central Park. Outros amigos contribuíram para o piquenique também, com biscoitos, queijo brie, salgados, frutas. E ganhei um bolinho – cupcake, coisa muito tipicamente nova-iorquina.

Terceiro: fiz até discurso. Mas sobre o discurso não vou escrever. Só digo que foi um bonito discurso.

Quarto: depois do piquenique fomos à Yorkville Crêperie. Crêpes franceses… meus preferidos. Tudo de bom.

Risadas deliciosas

Olhando para a ponta da pirâmide na 5th Ave

O mais próximo que chegamos de uma foto com todo o grupo

Ryan e eu treinando expressões dramáticas

Na Crêperie!

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Minha formatura (Convocation) é no dia 14, sexta-feira que vem, no Madison Square Garden. Quarta-feira dia 12 também tem a cerimônia de Commencement de toda a NYU, no estádio dos Yankees. Até lá, ainda preciso terminar uma prova e um terço de artigo (trabalho em trio!).

Neste momento, meus pais estão num avião em algum lugar entre o Rio de Janeiro e Nova Iorque… Resolvi blogar antes que eles cheguem, porque, com a presença deles aqui, as últimas atividades na faculdade, a mudança para Roosevelt Island e as muitas festividades logo em seguida, não deverá sobrar muito tempo. Mais tarde, porém, desdobro este post para contar sobre a busca de moradia, a moradia nova, os últimos dias na faculdade, as cerimônias de formatura…

Só tem mais uma coisa.

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Em outubro vou pra Suíça. Pronto, falei.