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Preparativos e um pouco de socialização

Instalei a impressora/scanner/copiadora (Epson Stylus NX 110) que comprei por absurdos 23 dólares: o que ela tem de barata também tem de barulhenta. Cheguei a dar um pulo pra trás quando ela começou a imprimir. Mas a qualidade de impressão é ótima, e já quebrou uns galhos hoje. O ruim mesmo é que agora tenho que desinstalá-la para a mudança de amanhã.

Cheguei há pouco de um encontro básico de “orientation”, que mais serviu para socialização entre os alunos, todos “internacionais” (os colegas estadunidenses não vão fazer a cadeira que começa amanhã, Introdução ao Direito dos EUA, por razões óbvias). Conheci mais brasileiros e brasileiras, um alemão que vai ser meu apartmentmate no apartamento definitivo, um mexicano, e conversei mais com minha apartmentmate temporária, que é chinesa, e com uma italiana que já tinha conhecido na livraria da NYU ontem. (Ela também já tinha visto a estátua do Garibaldi no Washington Square Park!) É muito divertido estar no meio dessa mistura de nacionalidades, culturas, sotaques. Amo muito tudo isso.

No mais, estou melhor do resfriadinho (não, não é gripe suína), continuo com olheiras e meio jet-lagged (e sem sono, o que agrava ambos), e ainda tenho que ler algumas coisas pra aula de amanhã… a primeira aula! Portanto, era wilson por hoje.

Dois modos de chegar a New York City

25/01/2006, 17:18. Muito frio. Depois de oito horas de viagem desde Newport News, Virginia, chego de trem a New York City.

Na ingenuidade dos meus 20 aninhos (e olha que eu nem era tão abobado assim), embarquei num táxi falcatrua (“gipsy taxicab”) que me cobrou da Penn Station até o hotel (menos de 3 milhas) uns 50 dólares, o que normalmente se cobraria do aeroporto JFK até o mesmo hotel (21 milhas).

Com viagem planejadinha e econômica (se eu tivesse dinheiro a defenestrar, por que teria viajado oito horas num trem?!), aquilo estragou a chegada.

* * * * *

07/08/2009, 23:40. Muito calor. Depois de oito horas de viagem desde Frankfurt, Alemanha, chego de avião a New York City.

Semelhanças? Algumas. Diferenças? Muitas. Com um pouco mais de experiência (e a dica da minha irmã Lu), peguei o SuperShuttle do JFK até Greenwich Village (umas 20 milhas), onde fica o campus da NYU (e, por consequência, D’Agostino Hall, o edifício de apartamentos estudantis onde vou morar pelos próximos 9-10 meses). Quanto? 26 dólares.

Do ponto de vista da economia, muito bom: resgatei meu crédito de 2006. Do ponto de vista da praticidade: nem tão bom assim. O shuttle parou em uns cinco hotéis para deixar passageiros antes de chegar a Greenwich Village. Foi praticamente um passeio turístico noturno por Manhattan; até por Times Square passamos. Plena madrugada de sexta-feira para sábado, um baita trânsito. Mas tudo bem. No meu caso particular, praticidade

Entrando em D’Agostino Hall, o porteiro olhou pra mim e disse, “let me guess… Martin?”. Uau, New York me dando as boas vindas, indicando que estava ansiosa pela minha chegada. Claro que o porteiro tinha que saber que eu estaria chegando naquele momento, mas vamos dizer que New York estava ansiosa pela minha chegada que é mais bonito.

Porém nada bonito foi o quilombo que eu tive que fazer para nas malas encontrar toalhas e roupa de cama, visando a meu tão merecido banho e a meu tão sonhado soninho. O quarto, que já é pequeno, ficou intransitável. Hoje consegui pôr tudo em ordem, até porque preciso das malas prontas pra me mudar de novo na segunda-feira (é que o quarto em que estou atualmente é provisório; o definitivo só será liberado na segunda-feira, dia 10). Quando fui dormir eram 3:30.

O soninho, que era sonhado porque não tinha conseguido pregar o olho no voo, acabou sendo involuntariamente curto. Eu até podia dormir até as 9:20 hora local, mas às 8h acordei e não me aguentei mais na cama. (I want to wake up in a city that doesn’t sleep…)

Atravessei o Washington Square Park e fui pela 5th Ave até a 23rd St, onde busquei o laptop e a impressora que eu tinha encomendado, e voltei pela 6th Ave pra casa. (“Casa”!). Fiz várias comprinhas essenciais, incluindo 12 litros d’água (por 3 dólares – estou orgulhoso das minhas barganhas de hoje), um telefone fixo (que aqui no prédio é necessário para a comunicação com a portaria) e… um travesseiro.

Pois é, na primeira noite meu travesseiro foi uma cobertinha dobrada. Precário. Mas agora me dei. A maioria das coisinhas eu comprei no K-Mart que tem na Broadway entre 8th St e 9th St (bem pertinho daqui; tem tudo que se possa imaginar e é muito barato). Quando comprei o travesseiro, o caixa do K-Mart disse, com a maior empolgação, “this is one of the softest pillows in the world”. Uau. Haha…

Outra parte importante do dia foi contato telefônico com papai, mamãe e manas. E uma parte difícil associada a essa parte importante foi sentir o cheiro de uma meia que foi lavada lá na Alemanha. Digo isso muito a sério! Aquele par de meias limpinhas e cheirosinhas quase me fez chorar, porque me fez lembrar do tempo muito bem aproveitado (embora curto) na companhia de Ca e Volker. Coloquei as meias num ziplock, pra ver se preservo o perfume; não vou usá-las, pelo menos por enquanto. Não riam.

No mais, reconheci o território aqui de Greenwich Village. Onde quer que se olhe há um prédio com a bandeira púrpura da NYU. Muitos estudantes chegando de vários lugares do mundo. Muitos idiomas falados pelas ruas.

Uma hora eu estava falando no telefone público da portaria do prédio e passou por mim um conhecido, que me cumprimentou. Bah! Gaúcho, ainda! Diego, um dos guris que concorreu comigo a uma bolsa de estudos. Sem ressentimentos, porque nem ele nem eu levamos a bolsa. Quando desliguei o telefone, caminhamos juntos para a NYU Professional Bookstores, onde comprei um livro jurídico – o primeiro de uns tantos -, leitura obrigatória para a disciplina que começa segunda-feira, “Introdução ao Direito dos EUA”.

Ah, e no Washington Square Park eu me deparei com uma estátua do Garibaldi. Ele mesmo, o Giuseppe. Já vou combinar com o amigo gaúcho que podemos fazer ali mesmo o Desfile Farroupilha em 20 de setembro.

No reconhecimento de território, percebi que Greenwich Village tem um número absurdamente incontável de opções de alimentação. Hoje comecei com o básico, pra quebrar o gelo: café da manhã no Starbucks e almoço no Subway (dando a volta na quadra tem uns cinco ou seis). Mas enquanto não me estabilizo no quarto definitivo, vou fazer outras experiências: já vi um lugar de falaffel na rua do lado, um restaurante vegetariano na rua da frente, um Dunkin’ Donuts logo ali…

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Enfim: entre minhas duas chegadas a New York City, fico com a de hoje, sem dúvida. Nem imaginava que estaria tão bem e tão rápido. Deu tudo muito certo, e sou muito grato a Deus por isso. Posso tranquilizar todos os que acompanham o blog: o Guri is doing fine. :)

Are human or are we blogger?

Que saudade do blog! Sim, eu gosto de postar, e até sinto saudade dessa atividade (embora às vezes isso não fique muito evidente ao leitor fiel).

Lá vou eu para meu clássico parágrafo de justificativa: bah, simplesmente não deu pra postar. Um turbilhão. Com meus pais em viagem, fiquei de caseiro ou dono-de-casa por umas semanas. E ainda viagens a Pelotas para as aulas finais na Especialização em Direito Ambiental (sim, acabou!). E preparativos para a viagem a New York. E mais muitas despedidas: tive pelo menos um bota-fora por grupo de convivência – amigos da igreja, colegas de uma e outra faculdade, famílias de tios e primos, dindos… Cheguei a ficar doente de despedidas por um tempo; agora estou melhor…zinho.

Resumindo uma história longa, sou ainda domiciliado, mas não mais residente em São Lourenço do Sul. (Era mesmo provisório!) Meu endereço oficial agora é em New York, NY.

Mas ainda não cheguei lá. Estou na Alemanha desde sábado, visitando minha irmã Carina e meu cunhado Volker. Como o tempo aqui é curto (seis dias) e a conversa é muita, este provavelmente será meu único post neste período. Talvez mais tarde venha algum post(álbum) retroativo, mas não posso garantir.

As duas primeiras semanas em NY também serão puxadas, por causa de uma disciplina intensiva (Intodução ao Direito dos EUA – especial para estudantes de formação estrangeira, como é o meu caso), vários encontros de orientação, além da própria adaptação e ambientação… “reconhecimento de território”. Prometo me esforçar para postar regularmente. Só não sei qual vai ser a periodicidade – isso, só depois de estabelecer minha rotina nova-iorquina.

Sei que estou devendo fotos e e-mails para várias pessoas… aos poucos eu me atualizo. Por favor, tenham paciência e compreensão com este pobre mestrando.

Mestrando! Agora já dá pra sentir o friozinho na barriga da proximidade do início das aulas. Começam dia 10 de agosto. Chego lá dia 7 à noite. Dia 8 já vou wake up in a city that doesn’t sleep… :)

* * * * *

Quanto à célebre pergunta deste post aqui, Are we human or are we lawyer?, posso dizer, não sem um pouquinho (saudável) de orgulho, que agora sou lawyer. Ou pelo menos posso ser, se quiser. E por ora não quero. Trocando em miúdos: fui aprovado na segunda fase do Exame de Ordem 2009.1, do que já sei desde 21 de julho, mas, como vou fazer mestrado na NYU, não vou fazer minha inscrição na OAB por enquanto.

Vive la France ! e outras aleatoriedades

Todo ano o 14 de julho me chama a atenção; não sei por quê. E em seguida me lembro de que 14 de julho é le quatorze juillet, a Fête Nationale da França, equivalente ao nosso sete de setembro. Já que este é o Ano da França no Brasil, só um lembretinho de que hoje, na França, é o Dia da França. Vive la France !

Ontem, dia que na França foi le treize juillet e que aqui foi treze de julho (tá, e daí?), recebi a notícia de que não fui aprovado na dinâmica de grupo da Seleção de bolsa número 2. E nem dei bola.

Incrível como uma notícia desagradável como essa (o fracasso – depois de investir tempo e dinheiro em inscrição, deslocamento até Porto Alegre etc.) pode simplesmente não ter tido impacto nenhum. Foi assim: abri meu gmail, li a mensagem, “tá”, e passei pra outra mensagem. Acho que a minha falta de reação se deveu a que, no fundo, eu já sabia.

A estrutura do e-mail veio no formato sanduíche (no qual eu ouvi falar pela primeira vez graças ao Leo Monasterio):

“Obrigado por participar no processo seletivo…”
[blablablá preambular, agradável, em tom de elogio]

“Infelizmente [preciso dizer mais?]…”
[conteúdo do sanduíche: a notícia ruim transmitida]

“Desejamos sucesso em seus projetos…”
[blablablá final em tom simpático]

Previsível. Quando se escreve só por educação, melhor a objetividade. Como na minha resposta:

“Obrigado pela sua mensagem e pelo seu desejo de sucesso.”

E que o Papai do Céu me ajude a ter sucesso sem bolsa.

You know what really grinds my gears? Essa gente (crianças, ou adultos abobados) que toca a campainha e sai correndo. Isso me dá muito nos nervos, especialmente quando eu estou sozinho em casa e tomando banho, como me aconteceu hoje.

Sabe essas brincadeiras de criança que quando criança a gente acha o máximo e que depois de adulto a gente reprova? Pois é: essa não é uma delas, porque nem quando criança eu gostava. Eu me lembro vividamente de um dia em que a gurizada da vizinhança queria fazer isso na casa de um dos vizinhos, e eu fui contra. Sempre eu, o certinho…

Talvez, se eu não fosse o certinho, teria um pouco de malícia, e com isso teria ganhado a bolsa, e teria passado o quatorze juillet comemorando. Ah!, se eu pudesse viver minha infância de novo, sem dúvida eu seria de novo o certinho da gurizada.

Faísca atrasada

Acabo de me dar conta que falta menos de um mês para minha chegada a NYC! Chego dia 7/8/9 (nada a ver com numerologia – aliás, também só agora é que me dei conta do que há de engraçadinho na data).

Muitos preparativos, ainda… melhor nem pensar… melhor fazer! E quem ainda quiser se despedir, é bom se agilizar, hein?

Por essa eu não esperava

Preliminarmente, devo um esclarecimento sobre minhas tentativas de bolsa. O esclarecimento é devido porque, na semana passada, conversando pessoalmente com leitores do blog, ouvi de muitos que não ficou claro que a dinâmica em São Paulo e a entrevista por telefone NÃO faziam parte da mesma seleção de bolsa. E, se o leitor diz que não está claro, é porque não está! Aí vamos:

  • Seleção A: eliminado depois da dinâmica de grupo em São Paulo;
  • Seleção B: entrevistado por telefone;
  • Seleção C: ainda na etapa inicial (documentação enviada); sem resultados parciais até agora.

Ok, melhor que fique tudo assim, desidentificado…

No mérito… fui chamado pra dinâmica de grupo da Seleção B! Por essa eu não esperava; não depois disto. Não é que eu tivesse perdido completamente a esperança – eu só não fiquei todo esse tempo naquela escravidão obsessivo-compulsiva do F5. Acho que, enfim, consegui relaxar, no melhor sentido da coisa – o que é bom, afinal de contas! Relaxei tanto que nem me lembrei da data provável de divulgação dos resultados parciais, e que recebi com total surpresa a comunicação de que fui selecionado.

Talvez seja um sinal de que estou progredindo na minha habilidade de confiar no Papai do Céu. (Mas melhor não “relaxar” muito quanto a essa habilidade; preciso continuar treinando!)

9 dias pra pensar em 9 meses

Nos nove últimos dias, depois de ter sido lançado ao topo da pilha do descarte, fiquei pensativo. Vendo as chances de bolsa escaparem uma a uma – bah, até agora escapou só uma das três a que estou concorrendo, mas, como bom pessimista, tendo a pensar que “uma” é apenas a primeira de “uma a uma”…

Enfim, depois de ver uma das chances de bolsa escapar, estive pensando nos desafios pelos quais tenho passado para chegar aos nove meses do mestrado na NYU (08/2009 a 05/2010), que eu tanto quero fazer. Claro que nessas reflexões pintou aquele tantinho básico de frustração, de sensação de fracasso; um “L” gigante na testa, o qual infelizmente não era de Law nem de Legum Magister.

Mas aí voltei à minha terra natal pra ser padrinho de casamento do casal Fê e Rafa, dos quais (como pessoas, como amigos meus e como casal!) sou um grande fã. Nessa oportunidade encontrei vários outros amigos preciosos, conversei com muitos e obviamente me aconselhei com eles sobre o assunto de ir ou não ir a NY. Tudo isso me fez muito bem. Aos que me aconselharam ou simplesmente conversaram comigo e que estão lendo este post – vocês sabem quem são! -, meu sincero obrigado.

(Foi praticamente uma maratona de conversas e aconselhamentos, e isso que nem era minha intenção atormentar a todos com o meu dilema. O assunto simplesmente surgia, uma hora ou outra, e aí perdurava por um bom tempo. Compreensível, claro, porque chega a ser um problema físico, de diferença de pressão: minha cabeça está tão cheia e inchada desse assunto que, quando abro a boca, ele escapa.)

Quando voltei pra casa, no início da semana, fiquei meio deprê, down, low (além de gripado). Assisti ao filme “O Pianista” (não, eu ainda não tinha visto) e chorei como nunca por causa de um filme. Outro dia inventei de assistir a Party of Five e, pelo mais puro acaso, peguei o episódio 14 da temporada 3, “Life’s Too Short” (na dúvida, *spoiler alert*, mesmo em se tratando de episódio que foi ao ar em 1997, de série que já terminou!). Nesse episódio, a Libby (em alguns aspectos intelectuais, uma versão minha de saias) comete suicídio depois de ser aceita pela Harvard University, alcançando o objetivo pelo qual tinha lutado tão arduamente, mas ao mesmo tempo enfrentando um invencível medo de fracassar, de não corresponder às expectativas de todos à sua volta, de “nunca ser como uma daquelas pessoas felizes, bem-sucedidas e populares que aparecem nas fotos do catálogo da universidade”, como ela escreveu no seu diário. É, sortear justo esse episódio não ajudou muito.

Felizmente, nos dias seguintes fui melhorando, porque minha gripe foi passando aos poucos (hoje estou quase curado), e também porque li um livro bom (“Dias Melhores Virão”, de Max Lucado; o título é sugestivo, mas não é autoajuda barata; é autoajuda com fundamento bíblico!), e finalmente porque passei a conversar mais com Deus a respeito de NY. Às vezes é difícil entender o que Ele quer de nós, porque as respostas dEle não são necessariamente bilhetinhos com a palavra “sim” trazidos por borboletas até o nosso travesseiro numa manhã de sol depois de uma noite de sono restaurador – nem trovoadas retumbantes que gritam “não” por semanas na nossa cabeça para garantia de que tenhamos entendido a mensagem. As respostas podem ser (e acho que geralmente são) bem mais sutis.

Não sei e não tenho muito como saber se entendi direito, mas o que entendi é que devo ir. Se fui aceito justo para o programa de mestrado que eu mais queria, e se tantas coisas até agora deram tão certo (tudo, aliás, deu certo até agora, à exceção das bolsas!), só posso interpretar que recebi um “sim”. Então estou “decidido” a ir, com ou sem bolsa.

Estar “decidido”, porém, não significa que eu tenha “aceitado” bem a ideia. Pedir um empréstimo tão grande para bancar estudos avançados pode assustar um pouco quem ainda está num clima de pós-formatura (vezes dois!), sem ter certeza de que aprendeu mesmo alguma coisa em todos esses anos de estudo nem de que um dia vai ter um salário razoável. Mais, é chocante para alguém que estudou a vida inteira em escola pública saltar para a maior instituição privada de ensino superior dos Estados Unidos, numa das cidades mais caras do mundo. Por outro lado, sei que empréstimos estudantis são bastante comuns por lá e não tenho dúvida de que valham a pena como investimento.

Não tenho o mesmo medo do fracasso que tinha a Libby de Party of Five. Posso não alcançar A+ em tudo nem sair do Mestrado como primeiro lugar da turma, mas sei que, com a dedicação que vou empregar aos estudos, vou conseguir me dar bem no curso e alavancar minha carreira através dele.

Já quanto ao medo de não conseguir saldar (ou pelo menos não tão cedo) os empréstimos, esse medão que sempre me faz engolir em seco, é isto: preciso aprender a administrá-lo. Talvez seja apenas uma enorme questão de depositar mais confiança em Deus. Racionalmente é bem fácil: reconheço que até hoje não tive motivos para não confiar nEle; por experiência e por fé, sei que no futuro, se eu fizer a minha parte (trabalho árduo e sacrifícios de consumo), Ele tampouco me deixará na mão. Na prática, claro, é mais difícil; assim mesmo, com o tempo, hei de conseguir.

(Esses posts epifânicos são superpropícios a comentários. Aliás, eles gritam desesperadamente por comentários. Prometo tentar não ficar triste se ninguém comentar; por outro lado, garanto que ficarei bem feliz se alguém comentar.)

No topo da pilha do descarte

Mais desagradável que ter maus pressentimentos é confirmá-los… Acabo de subir ao topo da pilha do descarte. Ou seja, estou fora de um dos processos seletivos de bolsa. Pior é que nem me refiro à entrevista de ontem, mas à dinâmica de 9/5/9, quanto à qual também estava inseguro. A resposta, que tanto tardou a vir, finalmente veio, e por ironia desejei que não tivesse vindo:

Você não foi selecionado para continuar participando do Processo Seletivo 2009. Agradecemos a sua participação e desejamos sucesso em seus objetivos pessoais e profissionais.

Tradução:

Você não passou no teste de quem-és; logo, você, subjetivamente, não presta. Agradecemos a sua participação e desejamos sucesso, o que dependerá de endividamento. Ou, se preferir, desista de ir pra NYU e arrependa-se pro resto da vida.

Dez minutos

Primeira entrevista em processo seletivo de bolsa de estudos. Foi informal, tranquila… só que durou dez minutos, sendo que deveria durar 30 ou 40. Tudo bem, disseram que os documentos que enviei na inscrição estavam bem claros e que por isso não restavam muitas dúvidas. Enfim, não foi péssimo nem fui eliminado preliminarmente, mas sinto que estou cada vez mais distante de receber dindim pra estudar na NYU.

Parece que sou o contrário do que se espera de um bolsista. “Perfil acadêmico, então?”, com certo tom depreciativo. “Recém te formou na faculdade e já quer uma pós-graduação?”, meio que rindo. “É, isso aí”, respondi, e pensei, “putz, isso não era uma coisa boa?”.

Aparentemente não. Aparentemente essa história de qualificação acadêmica está fora de moda – e eu que achava que graduação era apenas o mínimo da decência! Aparentemente eu teria que entrar no mercado logo após de me formar, ganhar experiência profissional, e só então tentar uma pós-graduação.

Afinal, o que importa é trabalhar (no meu caso, advogar ou “economizar” pra gente grande) e ganhar dinheiro, porque só assim se mostra empreendedorismo e competência e liderança. Excelência acadêmica em duas graduações, pesquisa e extensão, estágios no exterior, serviço público, preocupações ambientais… naaah.

Desculpa, Mundo, mas minha trajetória foi diferente. Aliás, acho que não teria sido aceito na NYU se não tivesse sido. Eu até poderia ter sido “empreendedor” em vez de CDF, mas acho que teria fracassado (em algum ou em ambos) se tivesse tentado ser ambos ao mesmo tempo. Ademais, agora a Inês é morta: desde sempre “optei” pelo cedefismo (“optei”, entre aspas, porque talvez não tenha tido opção). Se essa foi a “opção” errada pra quem viria a postular uma bolsa, acho que vou ter mesmo que me endividar pra bancar a NYU.

Ou desistir, e trabalhar pra ganhar muito dinheiro e “experiência profissional” e pra me tornar um líder empreendedor e competente. E talvez mais tarde tentar de novo um mestrado na NYU ou noutra universidade. E talvez fracassar, porque terei perdido o “perfil acadêmico” que eu tanto valorizei e que lutei pra construir e que agora desprezam. E talvez me arrepender de não ter feito o que eu queria (estudar na NYU, nestes tempos) pro resto da vida. Que é uma só. Que desperdício. É, acho que vou ter mesmo que me endividar.

Quero muito tudo isso

Depois de dois posts what really grinds my gears consecutivos, e em meio a uma fase atual de muitos incertezas e medos (principalmente quanto à NYU: bolsas, financiamentos, moradia etc.), li um texto que me fez muito bem:

Após a ressurreição, Jesus aparece aos seus discípulos, ainda assustados, para acalmá-los. […] Do mesmo modo que Jesus veio aos discípulos, Ele vem a nós, acalma-nos e nos deixa aliviados. Não apenas com palavras de paz, mas, principalmente, com o seu Espírito: “Depois soprou sobe eles e disse: ‘Recebam o Espírito Santo'” [João 20.22].

Jesus não disse “fiquem com Ele, segurem-nO, Eu vos deixo o Espírito Santo”, mas “recebam”. Receber significa abrir o coração e deixar entrar o poder de Deus. Calma, tranquilidade, sossego, são características de pessoas entregues aos cuidados do Senhor.

(Flávio L. Peiter, Castelo Forte 2009, mensagem de 19 de abril, Eds. Sinodal e Concórdia, 2009.)

Quero muito tudo isso. Que o Papai do Céu me ajude a deixar tudo nas mãos dEle. Um abençoado domingo a todos nós!