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Ah, é mesmo… eu tenho um blog!

É claro que não surtei de vez a ponto de esquecer que tenho um blog. Não. Tive duas provas horríveis e passei as duas últimas semanas estudando. Ainda vou ter de aprender a privilegiar o blog em detrimento dos estudos. Isso não significa me deitar nas cordas nas faculdades, mas me reservar no direito de também viver além dos estudos! Outra coisa é que outras manifestações artísticas que me têm servido de válvula de escape também atrapalham um pouco ou tendem a continuar atrapalhando.

A primeira delas, que já tem atrapalhado, é o fato de que estou cineasta. Tenho criado animações em vídeo a partir de fotografias digitais. Fiquei orgulhoso dos primeiros resultados, o que é bastante surpreendente, visto que eu sou, via de regra, o mais crítico quanto às minhas próprias realizações. Descobri que fazer vídeos é uma ótima forma de consolidar memórias e também de transmitir recordações aos queridos da volta, sem fazê-los adormecer…

A outra manifestação artística, que tende a atrapalhar esse blog, são minhas aulas de flauta. Voltar a estudar um instrumento musical é algo que invariavelmente tinha de ocorrer nessa fase de auto-reestruturação. Pode atrapalhar um pouco o blog, na medida em que vou precisar de tempo de prática de flauta, mas estou certo de que vale a pena. Fiquei feliz só de aspirar a atmosfera carregada do Conservatório, na minha primeira aula, ontem… Estou retomando o que importa na minha vida.

Até por isso é que, depois da correria de provas (que reinicia daqui a vinte dias…), retomo o blog. Peço desculpas pela inércia passageira. Por um lado, foi bom saber que tenho uns poucos leitores fiéis que vêm ao meu blog procurar algo novo – e até notariam se eu tivesse desaparecido da face da Terra. Obrigado! :)

De volta ao Conservatório

No início da tarde recebi uma notícia que – ao que tudo indica – será a melhor da semana: fui aceito como aluno do curso de extensão em flauta transversa do Conservatório de Música da UFPEL. Minhas aulas começam, na pior das hipóteses, semana que vem!

O Conservatório me traz excelentes lembranças. Foi lá que, ainda piá, tive minha iniciação musical. Eu já lia música, mesmo incipientemente, e tocava um pouco de órgão (minha irmã mais velha foi minha professora). Mas a iniciação no Conservatório tinha mesmo ênfase em flauta-doce. A partir de então é que me dediquei por anos a fio ao estudo da flauta-doce, estudando depois com professores particulares e, até uns anos atrás, com uma rotina bem disciplinada de estudo.

Já adolescente voltei ao Conservatório para estudar violino… um tempo inesquecível da minha vida. As aulas eram em grupo, nada produtivas, mas a minha paixão pelo violino (e pela novidade) me fizeram persistir, primeiro no Conservatório e depois com um professor particular. O sonho durou até que eu não agüentei mais as críticas do meu professor… ao meu violino. Era um instrumento pobre, que mais me limitava do que colaborava. O professor era excelente, e um ótimo amigo, mas espirituoso demais – e a precariedade do violino se prestava a piadinhas. E eu não tinha, à época, dinheiro para um Stradivarius… O professor, para piorar a situação, foi embora para o Mato Grosso do Sul… Desmotivado por essas e por outras, acabei deixando de lado o violino.

Participei ainda de coros, por bastante tempo. Cantei no coro da Igreja São João, e anos mais tarde vim até a reger o coro da Igreja São Lucas. Mas, quando comecei a estudar Economia à noite, precisei largar ambos. Também já compus algumas peças sacras para coro, mas isso requer muita inspiração e transpiração que minha agenda corrida não permite. Ó vida…

Resolvi não faz muito tempo retomar a paixão pela música na minha vida ( não digas que eu não avisei). A flauta-doce é um instrumento de sonoridade belíssima (opinião, claro), mas tem sido muito deixada em segundo plano (já essa constatação é bastante objetiva e difícil de negar). O grupo de música antiga do qual fui convidado a participar anos atrás continua apenas projeto… E os meus amigos pianistas-potenciais-acompanhadores se mudaram (um, para Porto; outro, para o Rio)… Sobram poucas oportunidades de tocar.

Foi percebendo isso que resolvi investir na flauta-transversa, na esperança de ter mais facilidade, mais tarde, para tocar em algum grupo, seja na Igreja ou no Conservatório. Por causa das greves na UFPEL, demorou a sair essa vaga no curso de extensão. Mas finalmente saiu. E, finalmente, estou voltando ao Conservatório…

Mas por que os sinos dobram?

Eu sou meio surdo – é só conviver um pouco comigo para perceber. Por outro lado, tenho uma curiosa hipersensibilidade a sons distantes. De onde moro, no Areal, comumente (e sem esforço algum) ouço a buzina do trem, que passa no Porto ou mais para as bandas do Fragata ou do Capão do Leão. Um conhecimento básico da geografia de Pelotas ajuda na compreensão do que isso significa, mas basta entender que o trem passa no outro lado da cidade. E eu ouço a buzina.

O que aconteceu ontem, no entanto, chegou a ser assustador. Estava em uma aula do curso de Economia, no ICH, que fica na região do Porto. O professor parou de falar e estava formulando o que dizer a seguir. A turma ficou sem fazer um mínimo ruído. Era um daqueles instantes raros e brevíssimos, quando aconteceu: ouvi os sinos da Igreja São João.

Eu não podia acreditar. A sala onde estudo é muito isolada, tanto que não pega nem celular (!) lá dentro. Não dá pra ouvir nem os carros que passam na rua. A Igreja, por sua vez, fica a uns dois quilômetros do ICH. E há mais o seguinte detalhe: entre os dois lugares está nada menos do que todo o centro da cidade de Pelotas – isto é, prédios, trânsito…

Queria ouvir um pouco mais, só pra ter certeza, mas não pude: acabou aquela fração de segundo de silêncio. No tempo, aquele instante foi um nada, mas pareceu que tinha se passado uma hora, de tão nitidamente que pude ouvir o som dos sinos. Olhei para os lados, tentando achar algum olhar de cumplicidade, mas não encontrei o que procurava. Tive certeza de ter sido o único a ouvir aquele som. Peguei o celular (que, mesmo sem sinal, serve de relógio): eram vinte horas. Só então me lembrei – quinta-feira é dia de culto na São João. Às vinte horas.

De casa, muitas vezes já ouvira os sinos da São João. A distância é um pouco menor: um quilômetro, talvez mais meio. Não que isso queira dizer muito, porque eu nunca ouvi os sinos da Catedral, que fica pertinho dali. A verdade é que os sinos da São João são, para mim, inconfundíveis; têm o badalar mais lindo que já ouvi. (Como bom pelotense, sou bairrista – ora, é a igreja onde fui criado e de que participo até hoje.)

É bom lembrar que o sino já foi muito importante, na história da sociedade ocidental. Era por meio do toque dos sinos que se anunciavam eventos festivos das comunidades, como nascimentos e casamentos, e também de pesar, como as mortes e os alarmes de guerra. Como ainda não havia relógio, as badaladas dos sinos é que marcavam as horas, regulando o despertar e a hora de se recolher. Já serviam para sua função que ainda hoje é marcante: anunciar os momentos de culto nas igrejas cristãs.

Hoje todos temos relógios de pulso – ou celulares – ou ainda olhamos para aqueles relógios-termômetros – ou, no último dos casos, perguntamos as horas para outra pessoa. Além disso, é mais fácil ouvir o ruído do stress do trânsito – motores, arrancadas, freadas… – e até mesmo as buzinas dos trens. Também é mais fácil ouvir a música em alto volume que um dos vizinhos deixou tocando, sem a menor consideração (vale lembrar que cada um de nós pode ser um desses vizinhos!). Pior ainda, pode ser que o som mais fácil de ouvir seja o de um tiroteio não muito distante de nós.

E, por essas e por outras, ninguém mais dá atenção aos sinos. Mas eles continuam por aí, nas igrejas, cumprindo sua função. Eles nos lembram de que podemos deixar nas mãos de Deus todos os nossos problemas quotidianos: a corrida atrás do tempo, o trânsito caótico, as dificuldades nos relacionamentos humanos, a assombrosa criminalidade… Que privilégio é ouvir, nesses dias conturbados, o chamado de Deus através dos sinos… Ouve!

A violação da regra zero

Em um de seus acessos criativos, o professor de Metodologia inventou três regras fundamentais para a elaboração de um projeto de pesquisa. A regra um é a de que “hipótese é tudo” – é o ponto de partida mais seguro. A regra dois, “faça a pesquisa para um marciano” – é preciso explicar tudo nos mínimos detalhes. E não há regra três. O que ele fez foi estabelecer uma regra-base tão primordial que veio a ser a regra zero: “não confunda projeto de pesquisa com projeto de vida”.

Há uma semana, tivemos uma aula tipo mesa-redonda para discutir as primeiras versões dos projetos de pesquisa. O meu pré-projeto foi aprovado sem ressalvas – o professor achou que é interessante e viável e que está corretamente elaborado. Fiquei feliz, é claro, mas uma coceirinha atrás da orelha persistiu…

Acho que violei a regra zero. Os colegas preocuparam-se em fazer projetos formalmente corretos, mesmo que não lhes despertem muito interesse. Quando não há envolvimento emocional, é fácil elaborar o projeto – é o que explica o professor. A coisa complica, segundo ele, quando colocamos no projeto muita paixão.

E é o meu caso. Meu projeto é sobre Direito Internacional, tema que já escolhi como provável alvo profissional desde meu ingresso no curso de Direito. Fiz o tal projeto com a disposição de levá-lo adiante, até mesmo para a monografia de conclusão de curso a ser escrita daqui a dois anos. Aliás, cheguei a fazer três projetos, todos de meu profundo interesse pessoal e profissional, e entreguei apenas um.

Será que fiz mal? Felizmente posso sair dessa enrascada potencial a qualquer tempo, porque estou livre para, se preciso, alterar o projeto de pesquisa. Seria, é claro, uma boa incomodação, acompanhada de perda de tempo. No fim das contas, é bem pra essas situações que servem as regras. Segui-las (neste caso, fazendo um trabalho sem grandes pretensões) ajuda a evitar incomodações. Vai ver que o meu problema está aí: parece que eu gosto mesmo é de me incomodar…

Vida sentimental passada a limpo

Tive (pretérito perfeito, concluído, com início e fim em momentos determinados no passado) um só verdadeiro caso de amor, ao longo dos meus 21 anos.

Eu a conheci no supletivo, embora já a tivesse visto no Cefet. No início, foi apenas uma identificação – o gosto pela música, risadas em comum, semelhança de pensamentos e reações. A identificação convivida (no supletivo, no Cefet, no Direito) gerou uma amizade bastante sólida. E não passava disso. Aliás, era uma tripla amizade, entre ela, uma colega e eu. Formamos um trio – uma panelinha de amigos.

Com o tempo, percebi que a amizade deixou de ser apenas uma amizade – por parte dela. Quanto a mim, não estava à procura de nada além de amizade. Não pretendia passar a limpo minha vida sentimental repetindo os erros do rascunho… O amor não é um contrato gratuito, em que só um dos contratantes assume obrigações. Depois do que fizera no rascunho, conhecia meu potencial lesivo: poderia causar grave mal ao declarar com dúvidas o meu amor.

Não estava à procura, mas tampouco fechado ao amor. E minha dúvida persistia por um só fato. Tínhamos gostos, jeitos e pensamentos parecidos – mas ela não era cristã. Não queria prender-me a jugo desigual. Era inadmissível pensar em fazer planos tão importantes com alguém que não tivesse a mesma fé que eu. Convidei-a para participar dos cultos na comunidade cristã onde cresci e até hoje estou. E ela aceitou.

Já não nos enganávamos mais – eu sabia que ela gostava de mim mais do que a um amigo, porque ela o tinha dito, com essas mesmas palavras (“gosto de ti mais do que a um amigo”), no baile de formatura do Cefet. Eu não podia, por causa da minha dúvida, comprometer-me, mas ela, sabendo da minha única restrição, podia comprometer-se a [tentar] mudar. E foi o que fez. Ela já ia aos cultos e passou a participar (eu a acompanhava) de um curso para novos membros. Ela estava mudando, não radicalmente, mas aos poucos, deixando-se transformar pelo agir de Deus.

E, em certo ponto, venci a dúvida, com a ajuda do meu melhor amigo. Depois de uma longa conversa, em que lhe expus todas as minhas angústias, ele me disse (nunca vou esquecer): “Se tens tanta certeza de que queres estar com ela, namorar com ela, apesar de todas essas angústias, não é comigo que deverias estar falando agora“.

Não descrevo, aqui, detalhes da linda história de amor que se iniciou dias mais tarde, em 10 de setembro de 2003. Construí com ela, ao longo de quase 2 anos de relacionamento, um namoro que, embora não perfeito (até porque isso não existe!), era tão sólido e feliz quanto eu podia imaginar…

…até que ela passou a ter dúvidas. A perspectiva de estar comigo para sempre passou a ser negativa. Para ela, o bebê, teria eu uma tendência a não levar uma vida dedicada a Deus. Aos poucos, a tendência que ela achava vislumbrar passou a servir de pretexto para que agisse com negligência quanto ao namoro – esqueceu de suas obrigações de carinho, dedicação, e mesmo consideração e respeito. Ela passou a achar que essa tendência era decisiva ou definitiva ou determinante. Meus erros – é claro que eu os tinha, assim como ela! – passaram a não mais ser tolerados. Nossos planos perderam validade. Não se tratava mais daquilo que nós queríamos e haveríamos de construir juntos, mas daquilo que ela queria para si e que haveria de construir – sozinha.

(Omite-se, aqui, apenas um “detalhe” desse rolo todo. Para mim, não é detalhe, mas circunstância determinante. Mesmo assim, a divulgação desse fato caberia tão-somente a ela – a mim até caberia, mas nunca publicamente.)

A ironia: eu outrora tivera dúvidas quanto a iniciar o namoro por ela não ser cristã; ela passou a ter dúvidas quanto a continuar o namoro por um motivo bem simples – ela era (ou antes se supunha, na sua imaturidade) mais cristã do que eu.

Eu acreditava que ela poderia superar isso. No fundo, ela sabia que me amava e que nosso amor valia a pena. Ela me pediu um tempo, não no relacionamento, mas para que ela pudesse resolver-se. Ao fim desse período, ela afirmou ter superado sua dúvida. Estaria salvo um relacionamento de 2 anos de vida, sadio e cheio de potencialidade.

Aí, eu parti por mês e meio para o Canadá, para uma conferência do clima. Aí, ela foi ao meu encontro nos Estados Unidos, para um mês de férias. Aí, voltamos juntos ao Canadá, para um mês de estágio que realizei em uma ONG ambiental do Quebec. Tempos maravilhosos, tempos de contos-de-fadas, tempos de mares intermináveis de rosas.

Aí, voltamos para o Brasil, para um mês e meio de sofrimento: ela voltou a ter dúvidas, e a negligenciar o namoro, e eu, a ser paciente. Um belo dia, oito meses depois daquela primeira crise de dúvida, esgotou minha paciência. Cansei de correr atrás de um amor que virou histórico, de executar um contrato repetidamente inadimplido. Em termos curtos e grossos, cansei de cobrar reciprocidade de alguém que já não estava muito aí. Cansei de proporcionar a ela aquele ambiente de segurança tudo-de-bom – “continua, aí, com tuas dúvidas e indecisões; estarei sempre aqui, à tua espera”. Paciência tem limite.

O rompimento foi doloroso, é claro, como deve ser o rompimento de um relacionamento tão estável. No primeiro dia, um pouco de raiva pelas memórias estraçalhadas. No segundo dia, um pouco de rancor pela negligência mascarada pelo que atribuía à vontade de Deus, e não ao próprio livre-arbítrio. No terceiro dia, indignação pela empáfia de agir como se a amizade pudesse continuar invariavelmente depois do ocorrido.

Mas, no quarto dia, veio o conforto, porque, desde logo, restabelecera eu minhas prioridades: Deus, família, amigos, nesta ordem. Só por ajuda de meu Salvador, meus parentes e meus amigos é que foi possível reconstruir meu coração degenerado pela frustração do investimento feito no relacionamento e pela sensação de confiança traída.

Além disso, a sensação de dever cumprido também ajudou. Ao longo dos 2 anos, 7 meses e 5 dias de namoro, fui carinhoso, amigo, respeitoso, [absurdamente] dedicado e fiel por 2 anos, 7 meses e 5 dias – se falhei, falhei como qualquer um falharia em uma ou outra circunstância atípica. Não é convencimento meu; ela mesma reconhece isso. Foi através de mim que ela ouviu falar de Cristo. Eu servi de instrumento pra melhor coisa que podia acontecer na vida dela. Se isso não é motivo de orgulho (mesmo velado…), então não há motivo de orgulho sobre a Terra. Fico de consciência limpa.

Curiosamente, é como se voltasse à mesma situação, subjetivamente falando, em que me encontrava antes do relacionamento. Faço sem demora a ressalva de que amadureci. Não quero fazer parecer que reduzo a participação dela na minha vida a um post de blog… Ela própria sabe da importância que teve para meu crescimento, em muitos aspectos. Ao final, ela avacalhou bastante, é verdade, aquilo que realizou – por exemplo, tinha feito com que eu desse mais crédito às pessoas, o que antes não conseguia (por trauma) fazer, e acabou por me causar novo trauma que me dificulta novamente a fazê-lo. Não é por isso, porém, que vou negar todo o benefício anterior.

Quero que fique bem clara a ressalva: a reconstrução da minha vida tal como era antes do namoro não significa que este só atrapalhou as atividades de antes e que agora busco retomar. Não estou dizendo: “viu só tudo o que eu deixei de fazer por causa do namoro?”. Não. Deixei de fazer tudo isso por opção – assim como agora retomo, também por opção.

Como dizia, com a ressalva de que amadureci, volto (quanto a mim mesmo, desconsiderando-se o contexto à minha volta) à situação em que estava três anos atrás; além disso, algumas revelações se fizeram possíveis…

  • Estou retomando minha paixão pela escrita. Se para alguns o amor funciona como uma espécie de catalisador para as atividades literárias, pode ser que para mim tenha um efeito negativo; talvez porque seja um escritor mais melancólico – o amor deve liberar substâncias alegriógenas que impedem essa atividade. Minha produção literária no período foi pouco significativa. Para estimular meu retorno, criei este blog para relatar minha(s) história(s), resolvi participar de concurso literário
  • Estou retomando (mais lentamente) minha paixão pela música. Quero estudar mais flauta-doce (meu instrumento musical há muito tempo!) e vou começar a estudar flauta transversa. Assim espero!
  • Percebi que preciso parar de me punir por gostar de atividades solitárias. Hoje eu reconheço que minha natureza se inclina a esse tipo de atividade, e não tenho porque me recriminar por isso, já que não implica em que eu seja anti-social. É por isso que tenho mais vontade de retomar a escrita, a música, a leitura, o estudo…
  • Estou resgatando, restabelecendo, revigorando minhas amizades. Mesmo depois de quase três anos de um relacionamento bastante possessivo, percebo que não as perdi, mas que fui no mínimo negligente quanto a elas.
  • Continuo sem estar à procura do amor, embora não fechado a ele…
  • Estou livre para perseguir ideais e planos a que renunciara em virtude da perspectiva de casar em breve. Quero concluir meus estudos sem essas preocupações, mas procurando aprimorar meu conhecimento sobre a Palavra de Deus e sobre o que ele quer que eu faça profissionalmente… Quero poder aceitar oportunidades que venham a surgir sem me prender ou sujeitar a vínculos… Quero investir na idéia de estudar no exterior…

Enfim, quero “mergulhar em palavras não ditas, viver de braços bem abertos; o livro da minha vida começa hoje e o resto está por escrever”… Não quero planejar nada: quero ver o que [não] acontece, conforme o que Deus [não] tem previsto para mim. À medida que faço minhas descobertas, vou perseguindo aquilo que Ele confirma. “[…] esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus” (Filipenses 2:13-14). Nesse prosseguir, cumpro a vontade dEle, servindo o próximo e também a Ele. Nada mais importa.

Não, não parei de postar!

Não só em resposta a comentário do último post, afirmo que não, não parei de postar. Quer dizer, de um ponto de vista temporário, por “motivos conjunturais” da minha vida, sim, mas não definitivamente. Hoje retorno ao blog, não sem antes explicar o meu afastamento dos últimos dias. Minha intenção não é justificar nada (até porque eu sei que leitor de blog não perdoa), mas acho que uma satisfaçãozinha eu devo, sim.

Resolvi me inscrever no Literal, o concurso literário da Fabico. Por isso, no fim da semana passada (até o sábado), fiquei bastante ocupado com o conto que escrevi. Nem precisava ser inédito – porém, só me dei conta disso ao efetivamente enviar o conto para fazer a inscrição. Então, de certa forma, meu afastamento já estava pré-justificado. Mas o afastamento teve outra causa: uma prova (sim…) de Direito Civil, da qual me livrei hoje de manhã. Um dia eu aprendo a estudar mais cedo para não precisar deixar de postar. (Que vergonha!)

Coincidência ou plano?

Em certos dias (ou anos), os acontecimentos são tão misteriosamente ligados uns aos outros que a gente chega a ficar desconfiado. Não sei se é assim que Deus nos comunica Seus planos, ou se se tratam de meras coincidências – ou se meras coincidências estão dentre as formas pelas quais Deus comunica Seus planos. O fato é que essas coisas acontecem e talvez tenham um significado além do francamente inteligível.

Hoje foi um dia desses. Pela manhã, conversava com uma colega do Direito sobre minhas aventuras e desventuras no Jornalismo da UFRGS. À tarde, recebi um convite para dar uma palestra na UFRGS sobre minha participação na última conferência do clima. Mal tinha respondido o convite, chegou e-mail avisando sobre o concurso literário da Fabico, a Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS.

E então? A palestra é irrecusável, por mais que seja difícil abrir espaço no meu horário. Mas e o concurso literário? Em tese ainda sou aluno da Fabico e posso participar. A idéia é tentadora e o prazo é apertadíssimo – até sábado. Mas afinal, voltar a escrever é tudo o que tenho desejado nesses últimos tempos. Talvez o aviso sobre o concurso tenha servido de incentivo para remover a ferrugem da minha imaginação e colocar meu sonho em dia. Quem sabe?

Rascunho de vida sentimental

Entendo que o amor (e não uma paixonite ou um impulso movido por desequilíbrios hormonais na puberdade!) é a razão única para começar a namorar. Para um namoro valer a pena, deveria haver ao menos a perspectiva do forever. Só o amor pode proporcionar essa perspectiva. E o amor simplesmente acontece – ou não acontece.

Nessa minha postura, mesmo sem saber, cumpri (com gosto) a sugestão de Paulo: “Está solteiro? Não procure esposa.” (I Coríntios 7.27b). Jamais estive à procura de alguém. Nunca me pus a “caçar”. Nunca “fiquei”.

Aos 15 anos, no primeiro ano do ensino médio, tinha um grupo ótimo de amigos e amigas na turma do Cefet-RS. Uma das gurias me tratava de um modo especial. Não é a mim que cabe afirmar isto, mas tudo indica que ela me amava. Todos os colegas sabiam disso e, com ela, alimentavam a idéia de que um dia ficássemos juntos. Eu, embora não estivesse indiferente ao que ela sentia, posso afirmar – sem ser frio – que não havia reciprocidade, até porque não estava à procura de um amor.

Ao mesmo tempo, não é que estivesse fechado ao amor. Ela era divertida, carinhosa e me admirava. Tímida, nunca admitiria. Não teria coragem de me olhar nos olhos e declarar seu amor. Mas passei a me sentir amado e a achar que poderia estar respondendo a esse sentimento. Surgiu a dúvida: amo ou não amo? Meu coração ficou inquieto.

Numa festa de aniversário, cedi às pressões (externas e também internas) e a pedi em namoro. Minha intenção era ter um compromisso sério, porque me parecia haver aquela perspectiva de vida futura a dois. Foi um momento de festa (ainda maior!) entre os nossos amigos que estavam por perto… Parecia a remoção da batata engasgante.

Eu, porém, continuava engasgado, inquieto, engolindo em seco. Só fui percebê-lo quando meu pai me buscou. (É claro que ele me buscou: eu tinha 15 aninhos!). Não contei nada a ele; voltei quieto para casa. Como? Deveria ser importante o meu primeiro namoro – por que não conseguia dizer nada? Sentia que tinha cometido um erro. Achava que não nos conhecíamos suficientemente bem… Não tinha certeza de que queria estar com ela, e sabia que deveria ter essa certeza…

Cheguei em casa e chorei de arrependimento. E chorei não só por uma noite, mas durante todo o fim-de-semana. Na segunda-feira, não tinha coragem de olhar para ela, porque tinha consciência do mal que lhe fizera. Ela, coitada, nem sabia ainda, mas tinha de saber. Então expliquei tudo – por carta. Sim! Eu, que gosto tanto de escrever, fui inventar de mandar uma carta. Ah, e eu nunca gostei de escrever a mão… então mandei uma carta impressa. Que monstruosidade! Não acredito que (1) fui capaz de fazer isso por carta e que (2) a carta não era sequer manuscrita.

Terminar esse relacionamento, antes mesmo que se pudesse dizer que tinha começado, foi uma das coisas mais difíceis que já fiz. Talvez isso pareça um exagero, tendo em vista que vários anos se passaram, que tanto eu quanto ela superamos isso (assim acredito e espero!) e que foi coisa de adolescente imaturo. Não importa. Carregarei sempre o peso de ter causado um mal horrível a uma pessoa que me amava profundamente. E a situação é ainda mais grave por poder ter sido facilmente evitada.

Poderia tentar me defender esclarecendo que não pretendia causar mal nenhum, mas esse argumento tampouco importa, porque a verdade é que agi culposamente (em sentido jurídico). Foi uma barbeiragem na minha vida sentimental; um péssimo rascunho, pra começar. Quando penso nisso, até hoje, fico envergonhado. No entanto, não tenho vergonha de relatar o ocorrido. Talvez ainda hoje, mesmo depois de tanto tempo, seja preciso um pouco de auto-humilhação.

Tomara que ela um dia leia este post e aceite meu pedido de perdão…

Revisão e previsão

Desde o início deste blog, a história que conto aqui tem sido a mesma, ressalvados eventuais desvios: o meu caso com a escrita. É uma história que se desenrola até hoje, confundindo-se, de certa forma, com a minha própria história de vida. Concursos de redação, interesse por mudanças climáticas e Direito Internacional, três (ou seriam 2,0784?) cursos universitários… O meu caso com a escrita, conforme procurei explicitar nos posts ao longo do último mês, é peça-chave para explicar o trajeto que me trouxe para as bandas onde ora me encontro.

Isso não significa, no entanto, que a explicação esteja completa. Feita essa breve revisão mensal (parabéns ao blog pelo seu primeiro mês de existência!), à previsão. Faltam ainda posts essenciais. Uma série deles, a ser escrita oportunamente, diz respeito ao meu caso com a música, que infelizmente anda um pouco apagado, mas que não por isso deixa de ser importante. Outra série de posts diz respeito a outro caso, no sentido mais estrito da palavra: meu caso de amor. Sim, único. Renderia um blog inteiro (um livro, quem sabe?), mas, sendo assunto concluso, vai levar só alguns posts. É disso, pois, que me ocuparei em seguida.

Só mais uma coisinha:

Um professor pode marcar muito a vida de uma pessoa. Comigo, isso aconteceu várias vezes; uma delas, aliás, já relatei por aqui.

Outro caso de professor marcante foi o de Direito e Economia, no primeiro ano do curso de Direito. Suas aulas me despertaram ainda mais o interesse pela Economia, para entender melhor o mundo. Foi então que comecei a cogitar a possibilidade de fazer algumas cadeiras de Economia em curso dois (ou três: já estava fazendo Jornalismo!).

Eu e meus meios pouco convencionais para a consecução dos fins pretendidos: em vez de fazer matrícula em uma ou outra cadeira do curso de Economia, resolvi fazer vestibular de inverno, meio ano depois da loteria vocacional. E passei. Comecei a fazer o curso, sem muita intenção de concluí-lo, na mesma idéia de ampliar horizontes, complementando a formação jurídica.

Só que não esperava gostar tanto. Então, só mais uma coisinha: Direito, uma pitada de Jornalismo e… Economia. Agora faltam apenas dois semestres para minha formatura. Vou acabar sendo economista antes que possa sonhar com a formatura em Direito, e muito antes de uma eventual (embora improvável) formatura em Jornalismo… Considero até me aprofundar em Desenvolvimento Econômico (Sustentável!) e trabalhar no ramo.

Não sei como cheguei a essa situação. Se algum tempo atrás alguém me dissesse que me formaria em Economia, minha reação mínima seria uma gostosa gargalhada. Poderia pensar em fazer Direito, Jornalismo, Letras, Música. Nunca estivera a Economia nessa lista de opções. Meus planos estavam em Direito Internacional Ambiental, Diplomacia Ambiental, Comunicação.

Daí se conclui que planejar demais não leva a nada, porque (1) today is where your book begins – the rest is still unwritten, mas principalmente porque (2) Quem está no comando da minha vida é meu Deus. Resulta inevitável lembrar, em face disso, que “muitos são os planos no coração do homem, mas o que prevalece é o propósito do Senhor” (Provérbios 19:21). Ainda bem!