UK Tour: Ingleborough-Ribblehead

Acordamos e logo o Shaun me convidou para fazer uma caminhada em um hill. A mãe dele bem que tentou me avisar: “essas loucuras do Shaun… fica à vontade pra recusar, viu?”. Montei uma cadeia de associações bastante ingênua, senão pobre (hill = coxilha = campanha gaúcha), e resolvi aceitar. Devidamente calçados e agasalhados, de Barlick fomos à cidadezinha de Ingleton (foto), que fica à beira do Parque Nacional dos Yorkshire Dales (Vales de Yorkshire).

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Depois de uma volta em Ingleton para comprar uma garrafa de água (para mim – bottled in England) e outra de suco de laranja (para o Shaun – made in Brazil), começamos a caminhada Ingleborough acima. Só mais tarde é que fui saber: o morro de Ingleborough é o segundo mais alto pico dos Yorkshire Dales, com 723 m de altitude. A caminhada até o topo, a partir de Ingleton, tem cerca de 12 Km ida e volta! Se eu soubesse, teria ao menos dado uma alongadinha antes… ;)

 

 

 

 

 

 

 

Shaun no começo da caminhada.
Paisagem típica de Yorkshire: campos e muros de pedras!

Paradinha inicial… mas ainda falta muito!
(Tá vendo o Ingleborough ali atrás? É pra lá que vamos!)

Ao longo da subida…

Acima da linha das nuvens!

No topo de Ingleborough!

Shaun vendo o que nos espera na descida (detalhe: pessoinhas lá em baixo!)
Pra baixo todo santo ajuda (ou seja: a gente sai rolando…)

No meio do caminho havia uma pedra…

Quase de volta à base do morro!

Um pouqinho exaustos, fomos até a Ribblehead Bridge, um viaduto ferroviário construído na era vitoriana. Surgiro fortemente a visita ao link, para ver as fotos da Wikipedia. Minhas fotos não ficaram muito boas porque havia bastante neblina! Além disso, ali tem uma foto bem interessante: Ingleborough visto através de um dos arcos do viaduto!

Ribblehead Bridge!

Pôr do sol entre os arcos

UK Tour: Ripon-Barlick

Acordamos, tomamos café e partimos… sem que eu tivesse conhecido os donos da casa, que já tinham saído para trabalhar!

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A primeira parada foi na Ripon Cathedral, uma igreja com 1300 anos de história! Entramos e participamos (por acidente, mas valeu a pena!) de um culto de uma escola da localidade; por isso não pudemos tirar nenhuma foto do interior da igreja. Ouvimos e cantamos algumas músicas de Natal e logo saímos.

De lá fomos até Fountains Abbey. A abadia foi fundada por 13 monges em 1132 e chegou a ser uma das mais ricas da Europa, mas foi destruída em 1539 quando Henry VIII (o rei inglês que em 1534 libertou a Igreja da Inglaterra da subordinação a Roma) dissolveu os monastérios.

Em seguida fomos até Barnoldswick (mas todo o mundo diz Barlick), cidade natal do Shaun e onde ainda moram os pais dele. Curiosidade (cultura inútil?) que ele me contou e que a Wikipedia também registra: “Barnoldswick” é o mais longo nome de localidade do Reino Unido sem nenhuma letra repetida. :P

Em Barlick fica uma fábrica da Rolls Royce, que emprega grande parte da população do lugar (12.000), inclusive o pai do Shaun. A fábrica foi comprada pela Rolls Royce durante a II Guerra Mundial para que os ingleses pudessem continuar a fabricar motores para as aeronaves da Royal Air Force longe da área que os bombardeios de Hitler podiam alcançar!

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À noite saímos com a irmã do Shaun para um pub e jogamos boliche. Tudo muito light até agora, mas para amanhã o Shaun tem planos muito… atléticos! Veremos…

The UK Tour 2007

Era uma vez, em 2000… Muita naftalina nessa hora! Fiz muitos amigos durante as conferência da ONU sobre mudança climática na Holanda (2000) e na Alemanha (2001). Aí vai uma fotografia daqueles tempos (quando nem sonhávamos com câmeras digitais). Estou sentado, de camisa azul e jaqueta bege. À minha direita (esquerda da foto!), em pé, está o Eissa (Irã). Aquele de camisa preta, sentado, é o Shaun (Inglaterra). Ficamos bem amigos – o trio Eissa-Martin-Shaun.

O Shaun e eu, sem dúvida mais Internet-freaks que o Eissa, nos mantivemos mais em contato. Numa conversa pelo MSN em 2006 sugeri a ele que tirasse férias no Rio Grande do Sul em janeiro de 2007. Ele gostou da idéia e comprou passagem! Pouco tempo depois, porém, veio a crise da Varig, que perdeu as rotas internacionais e cancelou os vôos… O Shaun não pôde vir e, talvez pior, perdeu temporariamente o dinheiro da passagem (mais tarde acabou vindo a receber uma indenização).

Como viria à Europa este ano nas férias, pensei em aproveitar para rever meu amigo e passar dez dias em Londres. Em setembro comprei as passagens numa companhia aérea européia baratex… e hoje vim da Alemanha para a Inglaterra! O vôo saiu atrasado, eu fui o último dos passageiros a passar pelo controle de passaporte, e a minha mala foi a última a aparecer na esteira… O Shaun, coitado, já estava me esperando há um bom tempo! Viemos do aeroporto de East Midlands até Newark-on-Trent, para ficarmos hospedados na casa de um casal de amigos do Shaun. (Não cheguei a conhecê-los hoje – já estavam dormindo quando chegamos!)

Ele então me mostrou o itinerário que tinha planejado: uma grande viagem de carro por toda a Grã-Bretanha! Eu tinha pensado em um programa bem mais tipicamente de turista (conhecer Londres e arredores), mas logo me dei conta de que isso eu poderia fazer em qualquer outra oportunidade. Resolvi confiar no meu amigo-guia e topar o tour pelo Reino Unido!

De East Midlands Airport a Newark-on-Trent:

O fim do quinto dos infernos

Desde o início do curso de Direito, os meses de novembro têm sido bastante conturbados para mim. Além das provas finais, parece que sempre acontece alguma coisa pra complicar. Por exemplo: em 2005, a seleção, os preparativos e a conferência do clima no Canadá; em 2006, o semestre mais difícil no curso de Economia e a cirurgia de remoção de um calo ósseo no pé (ninguém merece).

Este ano, novembro foi conturbado como sempre e marcou o fim do quinto dos infernos: o mais difícil (até agora) no curso de Direito, conjugado com o fim do primeiro semestre da pós em Direito Ambiental. Ainda assim, o encerramento foi em grande estilo. Já no primeiro dia do mês, fui chamado para um estágio de três meses no Departamento Jurídico do Secretariado da ONU para o Clima, em Bonn.

Vencida uma angustiante batalha (de toda a família!) por um visto de estagiário, cheguei à Alemanha hoje, 08/12. O atraso na emissão do visto fez com que eu perdesse uma semana de férias em La Plata, onde teria visitado meus amigos Enri y Virginia. Mas o resto dos planos não foi prejudicado:

12 a 22/12: viagem ao Reino Unido com o amigo Shaun, que conheci na conferência do clima de 2000;

Natal: com meus pais, irmã Ca e cunhado Volker, na cidade onde eles moram, em Untershausen;

Ano Novo: com toda a família em Lisboa, ora pois!

Sempre com algum atraso (como é típico, hehe), pretendo publicar relatos e fotos dos passeios, já que muitos amigos me pedem notícias. Por mais que eu gostaria de escrever a todos, infelizmente não há tempo suficiente… E assim também aproveito para resgatar meu blog do prolongado standby dos últimos tempos. O quinto dos infernos terminou, e 2008 promete. ;)

Diz-me quem fala e te direi se o que ele fala presta

Está confirmado: a Copa de 2014 será no Brasil. Vejo pontos positivos e negativos nisso, mas na real não tenho paciência para esse tipo de ponderação. Por isso, não pretendo discutir o mérito da decisão da FIFA. O que me chamou mais a atenção hoje foi a comitiva brasileira que apresentou a candidatura do Brasil à Copa; em particular, refiro-me ao discurso de um de seus membros: o imortal escritor (será que eu deveria usar aspas?) Paulo Coelho.

A emoção do futebol, ela é totalmente atípica. Eu já vi pessoas ficarem cinco horas discutindo sobre um jogo, e nunca vi ninguém ficar discutindo cinco horas sobre uma relação sexual. Conseqüentemente, pelo menos a emoção do futebol dura mais! […] (Não tô dizendo que seja melhor ou pior; digo que dura mais!)

Entenda cada um como quiser. Aliás, pesquisei algumas reações em sites com notícias esportivas. O Globo Esporte, na minha opinião, foi o mais objetivo e imparcial: Paulo Coelho teria comparado “isto” com “aquilo”, quer dizer, “paixão-do-brasileiro-pelo-futebol” com “sexo”. Outros foram bem mais dramáticos. Para o Estadão online, a comparação feita representaria a essência do espírito brasileiro tal como o escritor a percebe: futebol, para brasileiro, seria mais importante que sexo. A Lancepress foi mais ou menos pelo mesmo caminho: Paulo Coelho teria dito que “o brasileiro deve preferir o esporte ao ato sexual”.

Da platéia (autoridades políticas brasileiras em peso: Presidente da República, Governadores de Estado, Ministros de Estado, Chanceler), a comparação arrancou risadas. Já o Presidente da FIFA, Joseph Blatter, ficou impressionado com o senso de humor “apurado” ou “muito específico” ou “muito particular”. Os sites de notícias que eu consultei, independentemente da interpretação sobre a analogia entre futebol e sexo, classificaram o discurso como irreverente (me parece que num sentido positivo).

Quanto a mim, a reação foi de puro asco. Por vários motivos.

Antes mesmo de não gostar do discurso, não gostei da presença da figura ali, pelo que ela representa. E não me refiro ao que ela representa (será que caberia um “ou não”?) em geral, para a literatura de língua portuguesa, mas ao que ela representava naquele lugar, naquele instante. Autoridades políticas, ok, perfeitamente compreensível: trazer uma Copa do Mundo para o Brasil é um esforço com evidentes reflexos políticos e econômicos. Craques do futebol, ok também, obviamente. A presença deles ali é uma mensagem para o mundo: “só pra lembrar – o futebol brasileiro é tudo isso e muito mais, e merecemos sediar de novo uma Copa”. Agora… o escritor? Por acaso a idéia seria vender o peixe da cultura do povo brasileiro? (Ainda não entendi bem a história da propaganda ecológica ou ambientalista na Copa, mas também me cheira a golpe.) Aliás, a propósito de vender o peixe, a pergunta que não quer calar: por que Pelé não estava lá? Pelé é muito mais imortal do que qualquer imortal que se pudesse chamar para uma comitiva encarregada de tratar de futebol. Se nem mesmo Pelé estava lá, por que mesmo o escritor?

Já quanto a não gostar do discurso em si, em especial do trecho citado, digo de forma bem sincera: não achei graça. Talvez me diga o leitor que meu senso de humor não é apurado o suficiente. Acho improvável. (Posso discordar radicalmente da tua opinião, mas defenderei até a morte o teu direito de expressá-la!)

Mais do que sem graça, achei impertinente. E por quê? Sugiro, só para ilustrar meu ponto de vista, um exercício de imaginação: substitui a figura do Imortal pela do Excelentíssimo. Ele vai lá dar o discurso, compara futebol a sexo, dá uma risadinha, coça a barba com cara de sacanagem. Tudo igual. Mas pronto: a reação seria totalmente diferente. Todos os meios de comunicação divulgariam a imperdoável gafe, uma vergonha para a nação. Só teria faltado falar em samba e cachaça, porque futebol já era o tema principal do evento, e alguém deu um jeito de falar em sexo. Seria um prato cheio para todos os sites de frases não muito felizes do Presidente Lula. Experimenta só googlar as palavras “Lula” e “frases” pra ver o que aparece… Talvez me diga o mesmo leitor (aquele que criticou meu senso de humor) que eu estou enganado, que não seria assim. De novo, eu não mudaria de idéia por causa da crítica.

No Brasil, tudo depende mais da pessoa do orador que do conteúdo do discurso. Se é um imortal Dr. Fulano, vale a pena ser ouvido (mesmo que, no fundo, diga asneiras de início a fim, e as diga fora da norma culta, e de improviso). Se é um Zé Beltrano, só diz asneiras (mesmo que, no fundo, diga coisas que valem a pena ser ouvidas, embora não seja um orador irretocável). Pior ainda: se é um Excelentíssimo Zé Beltrano, só diz asneiras, de improviso, e além disso fala errado, e por isso vamos reparar apenas na forma como ele fala, dissecar suas frases, expor seus erros gramaticais publicamente e questionar como é possível que tenha chegado ao posto onde chegou, já que não tem um mínimo exigível de domínio sobre a língua culta, falada ou escrita.

Se a comparação entre futebol e sexo fosse de um Excelentíssimo Zé Beltrano, eu a dissecaria. Mas é de um imortal Dr. Fulano. Deixa assim. Ele tem licença poética.

Uma revolução redacional

Não pretendo em um só post recuperar o atraso do blog, mas desde já faço a advertência: isso pode muito bem acontecer. Este texto resulta de uma profunda reflexão que tenho feito desde que reli um livro realmente transformador: Economical Writing, da Dra. Deirdre McCloskey. Podes parar de bocejar: mesmo que Economia não seja tua praia, o livro tem muito mais de Writing que de Economical. Aliás, na minha opinião deveria chamar-se Academic Writing, ou, sem querer exagerar na abrangência, Writing.

A lição do livro serve para qualquer pessoa, já que escrever bem deveria ser o objetivo de qualquer pessoa. Tudo bem que o público-alvo é o escritor de língua inglesa, e que justamente por eu estar escrevendo um artigo em inglês ao ler o livro acabei aproveitando mais a lição, mas farei aqui apenas comentários que na minha opinião valem para qualquer idioma ou até, de novo sem querer exagerar na abrangência, em qualquer forma de comunicação.

“Escritores amadores acham que escrever é um traço de personalidade, e não uma habilidade.” (p. 1)

Já pensei assim, e talvez também penses. Mas vejamos: escrever não é simplesmente um dom que as pessoas têm. É muito mais transpiração (prática) do que inspiração (talento). É muito mais questão de ter conteúdo e vontade de exprimi-lo do que de ter uma capacidade extraordinária para expressar idéias por escrito. Todos somos falantes competentes da nossa língua. Às vezes o que nos falta para escrever bem é apenas um pouco de domínio sobre aspectos técnicos da língua escrita, e isso só a prática ensina.

“Escrever é pensar. Não aprendes os detalhes de um argumento até que o escrevas em detalhe, e em escrever os detalhes descobres falhas nos fundamentos.” (p. 7)

Fica até difícil comentar essa colocação, porque é auto-explicativa! Muito bem escrito e verdadeiro. Por esse e outros motivos eu digo que esse livro é o máximo!

“Diz o que que vais dizer; dize-o; e depois diz que o disseste.” (p. 11)

Enquanto McCloskey simplesmente abomina essa regra, nós a ouvimos até de professores de Língua Portuguesa ou Redação e de Metodologia da Pesquisa. Para constatar que muita gente leva essa regra a sério, basta ler alguns trabalhos científicos e até livros didáticos (mesmo de ensino superior). Há quem não se canse de repetir a mesma idéia expressa de outra forma. Alguns escritores têm prazer em dizer a mesma coisa em outras palavras. Só para garantir que o leitor entenda, reformulam frase após frase…

Pronto, pronto, já entendeste bem o que eu quero dizer: repetição cansa o leitor! Como é que tem gente que não se dá conta disso? Ah, se fosse só disso que não se dão conta… Tem tanto mais na escrita acadêmica que deveria ser repensado. Queres ver?

“Notas de rodapé são ninhos de pedantes. Uma nota de rotapé deveria ser subordinada. É por isso que está no pé da página.” (p. 48)

Tenho professores que amam tanto as notas de rodapé a ponto de dizer que é nelas que deve estar a contribuição principal do autor: no corpo do texto, caberia apenas fazer um “diálogo” com a literatura já existente sobre o tema. Isso não faz o menor sentido para mim. Notas desviam a atenção do autor, porque quebram a fluência da leitura, especialmente quando colocadas no meio de uma frase. Gosto da regra da McCloskey: “Notas de rodapé deveriam guiar o leitor às fontes. E só” (p. 48). Talvez seja uma opinião radical demais, porque às vezes também acho difícil evitar uma nota explicativa… De qualquer forma, se as notas começam a tomar volume, é porque não têm importância meramente “subordinada”; nesse caso, merecem ser “promovidas” para o corpo do texto.

“Usa verbos, na voz ativa” (p. 70)

McCloskey sugere o uso de verbos na voz ativa e do imperativo (“usa verbos na voz ativa”) como substituto para a voz passiva (“verbos na voz ativa devem ser usados”). A tal da voz passiva, que a autora (des)qualifica de “covardia”, é a recomendação de vários manuais de normas técnicas, redação acadêmica e metodologia da pesquisa, inclusive o da universidade onde estudo. Mas, pra falar a verdade, ninguém pensa na voz passiva e ninguém fala na voz passiva. Muitos dos manuais autorizam a voz ativa, mas ainda em nome da impessoalidade, recomendam o uso da terceira pessoa do plural: “nós”. Agora, convenhamos: se sou autor único do texto, por que diria que “nós” fizemos isto ou aquilo? Na busca pela impessoalidade, pela imparcialidade, pelo distanciamento do pesquisador e tudo o mais, a academia acabou tornando-se um lugar onde se escrevem esquisitices.

“Evitar a Variação Elegante” (p. 56)

Variação Elegante é o uso de várias palavras com o mesmo significado – que muitos escritores usam e muitos professores recomendam com o fim de evitar repetições. Exemplo: “o autor”, “o eminente jurista”, “o doutrinador”, “o discípulo de Beltrano” – sempre para substituir o nome da pessoa, Fulano de Tal. McCloskey, no extremo oposto, chega a recomenda a repetição moderada de palavras, para manter a coerência do texto, usando às vezes pronomes oblíquos “para aliviar a monotonia” (p. 50). É uma solução melhor do que o perigo de, no fim das contas, o leitor nem saber mais a respeito de que estamos escrevendo (p. 56).

Outras dicas de McCloskey válidas para a escrita acadêmica

Não começar um trabalho acadêmico com aquela clássica encheção de lingüiça da “imaginação falida”: “Este paper…”.

Evitar a seção de “background”, “aquele material que coletaste e que depois descobriste que estava além do objetivo do texto” (pp. 36-37). Em outras palavras: manter o foco do texto; não divagar; excluir informações irrelevantes.

Pular o parágrafo-índice: “O presente paper está estruturado da seguinte forma: o primeiro capítulo…”. Dependendo da forma como se escreve esse parágrafo (e aqui me refiro também a “recapitulações” no início de novos capítulos), pode ficar mais fácil para o leitor localizar-se e ter uma noção de unidade do texto. Por isso eu relativizo esta regra…

Nunca repetir sem pedir desculpas: se julgares preciso repetir para reforçar ou relembrar um argumento, cuidado para não insultar a inteligência e a memória do leitor!

As REGRAS DE OURO ensinadas por McCloskey no seu livro são as duas seguintes, na minha opinião:

1) “Clareza é uma questão social, não algo a ser decidido unilateralmente por quem escreve. O leitor, como o consumidor, é soberano. Se o leitor acha que o que tu escreveste não está claro, então não está, por definição. Desiste de discutir.” (p. 12)

Por não entendermos isso, às vezes somos hostis às críticas de nossos leitores (involuntários revisores!)… Pensamos que está bem escrito e ponto, que se o leitor não entendeu porque é “limitadinho” intelectualmente, que ele não respeita o nosso “estilo”. Não, não, não: clareza não tem nada a ver com inteligência ou estilo. Nosso texto tem clareza, como bem ensina McCloskey, quando tem objetividade e fluência, isto é, quando o leitor (a “sociedade”) compreende o que escrevemos sem embaralhar-se.

2a) Lê, relê, trelê…

A autora dá uma dica para contornar o problema da falta de clareza: “Ler o que escreveste com frieza, uma semana depois de ter feito o rascunho, vai evidenciar partes do texto que nem mesmo tu consegues ler com facilidade” (p. 13). Aliás, também recomenda a leitura do texto em voz alta, para não usar palavras pomposas demais: “Tu ouves uma frase quando a lês em alta voz. É uma boa regra não escrever nada que terias vergonha de falar ao teu público-alvo” (p. 30). Mais adiante, diz ainda o seguinte: “Ler em voz alta é uma técnica poderosa de revisão. Lendo em voz alta, tu ouves o teu texto como os outros o ouvem internamente, e se teu ouvido é bom vais detectar os pontos ruins” (p. 68).

2b) … e reescreve!

“Escrita fácil produz leitura difícil. O Dr. Johnson disse há dois séculos: ‘O que é escrito sem esforço é em geral lido sem prazer’.” (p. 58). Revisar e reescrever é imprescindível. É o resultado da primeira idéia que expus neste texto (lembrando: escrever é uma habilidade, e não um dom) e da primeira regra de ouro (de novo: clareza é uma questão social, e não de estilo). É, enfim, um sinal de respeito ao leitor.

Se eu já era perfeccionista e um revisor compulsivo (de escritos próprios e alheios!), a releitura de Economical Writing me fez ainda pior. Ou melhor. Isso quem há de decidir é o leitor, que é soberano. Agora, uma coisa é certa: a literatura acadêmica muito se beneficiaria da aplicação das regrinhas simples expostas pela Dra. McCloskey. Haveria mais qualidade e interesse na ciência e no ensino-aprendizagem se houvesse mais qualidade na escrita. Encerro como comecei, “sem querer exagerar na abrangência”: teríamos um mundo bem melhor (pelo menos mais agradável para todos nós, leitores!) depois de uma revolução redacional.

Meu Dia

Ontem, 11 de agosto, foi o Dia do Advogado. Foi também o Dia do Pendura: segundo a tradição, os estudantes de Direito estão autorizados a ir em grupo a um restaurante e não pagar pelo que consomem. Duas observações importantes:

1) Digo que os estudantes estão autorizados a fazer isso porque, afinal, o costume também é fonte de Direito.

2) Muita gente, não entendendo muito bem essa história de costume e fonte de Direito, acha que o Pendura (sim, com letra maiúscula) é sinônimo de calote e que configuraria o crime de “Outras fraudes” (art. 176 do Código Penal). Não caiam nesse engano. O Pendura é um ritual erudito, com certa solenidade. Tomar uma refeição em restaurante sem ter os recursos para pagá-la – isso, sim, é crime.

Mas, de qualquer forma, este é meu quinto ano como estudante de Direito, e é o quinto ano em que não exercito meu direito de Pendura. Estou em crédito com os restaurantes de Pelotas. Um dia, essa dívida haverá de ser cobrada. Me aguardem.

Hoje, 12 de agosto, segundo domingo de agosto, é o Dia dos Pais.

Mas, embora seja biologicamente um pai em potencial, na realidade (ainda) não sou pai. Que eu saiba. [Risos!] Não, não, tô brincando: definitivamente não sou pai. Nem de um bichinho de estimação, que nunca tive.

Amanhã, 13 de agosto, é o Dia do Economista.

Mas, embora minha formatura em Economia tenha sido terça-feira passada, ainda não sou economista, porque ainda não tenho o registro no Conselho Regional de Economia. Enão, por favor, não me chamem de economista, pra não me arranjar confusão – dizer-se “economista” sem ter o registro é exercício ilegal da profissão.

Eu sou um quase-tudo: um quase-advogado, um quase-economista e um quase-pai. E como tanto faz dizer que o copo está meio cheio ou meio vazio, sou, ao mesmo tempo, um quase-nada. Eu protesto! Não quero ser um quase-nada, um infeliz, um sem-dia. Quero meu Dia.

Mas o calendário já contempla o meu triste caso: depois de amanhã, 14 de agosto, é o Dia do Protesto.

Sobrevivente

Desta vez eu me puxei na “paradinha de uma semana” desde a terça-feira de carnaval. Mas não vou pedir perdão, porque eu tenho suficientes desculpas para não ter postado ao longo de todo esse tempo. Por óbvio, a idéia de posts retroativos está rejeitadíssima, porque a essas alturas isso seria humanamente impossível. E, ao contrário do que alguns pensam, não sou alienígena. Mas pra justificar meu sumiço vou fazer uma breve retrospectiva. Breve. Prometo que consigo.

Neste meu último semestre no curso de Economia, a Universidade resolveu exigir cadeiras que, até então, diziam ser eletivas. E a exigência veio depois do período de matrículas, quando já não há muito o que fazer. Aí é pra enlouquecer qualquer um, né? E foi exatamente isso que aconteceu – enloquecemos, meus colegas e eu. (…) E essas reticências significam intermináveis MESES de sangue e suor e negociação com a coordenação do curso, a pró-reitoria de graduação, os registros acadêmicos, até a reitoria… em um processo administrativo que finalmente garantiu a oferta das disciplinas faltantes. Apesar dos percalços, tudo se resolveu.

Só que pra me formar, além das cadeiras, faltava a monografia. Primeiro, tive de traduzi-la (pra quem lembra, foi escrita originalmente em espanhol!) e finalizá-la. Tudo certo. Dia 30 de julho, fui aprovado (yay!), depois de uma banca de duas horas. Mas não foi uma tortura. Ao contrário – foi uma das minhas melhores experiências. Os professores elogiaram bastante o trabalho e eu não tive dúvidas de que valeu o sacrifício.

Mesmo enquanto ainda não tinha certeza de que as disciplinas faltantes seriam oferecidas e de que eu poderia me formar em 2007/1, eu me candidatei a uma pós-graduação: Especialização em Direito Ambiental, a área que eu pretendia seguir, desde que entrei no curso de Direito. E passei. Aí tive de pedir uma formatura interna às pressas (pra fazer pós-graduação, há quem diga que precisa ser graduado). Então tá, desde terça-feira sou Bacharel em Economia. E a matrícula na pós é hoje à tarde. Ufa…

Quando voltei supermegafeliz voltando da Argentina, nunca imaginei que tudo isso poderia acontecer em um só semestre, e um semestre tão decisivo. Nesse período eu li Hard Times, de Charles Dickens. E me parecia claramente que eu estava descendo a escadaria da Sra. Sparsit: a mighty Staircase, with a dark pit of shame and ruin at the bottom (“uma grandiosa Escadaria, com um escuro poço de desonra e ruína na sua base” – tradução livre).

Mas agora eu posso, finalmente, voltar a respirar tranqüilo. Nem acredito que consegui interromper a descida antes de chegar ao poço. Sobrevivi. E sou muito grato a Deus por isso – não teria sobrevivido não fosse pela força dEle. Por isso, quero reinaugurar a atividade de postagem neste blog-fênix com o meu LOUVOR reproduzindo um hino que a minha irmã Lu me apresentou um dia desses. É em inglês, mas já estamos trabalhando em resolver esse probleminha, né, Lu? ;) Fabi, vamos cantá-la quando eu voltar ao coro? :D (Quem tiver banda larga está FORTEMENTE aconselhado a ouvir aqui uma linda versão da música!)

In Christ Alone

Letra e Música: Keith Getty & Stuart Townend

Copyright © 2001 Kingsway Thankyou Music

In Christ alone my hope is found;
He is my light, my strength, my song;
This cornerstone, this solid ground,
Firm through the fiercest drought and storm.

What heights of love, what depths of peace,
When fears are stilled, when strivings cease!
My comforter, my all in all—
Here in the love of Christ I stand.

In Christ alone, Who took on flesh,
Fullness of God in helpless babe!
This gift of love and righteousness,
Scorned by the ones He came to save.

Till on that cross as Jesus died,
The wrath of God was satisfied;
For ev’ry sin on Him was laid—
Here in the death of Christ I live.

There in the ground His body lay,
Light of the world by darkness slain;
Then bursting forth in glorious day,
Up from the grave He rose again!

And as He stands in victory,
Sin’s curse has lost its grip on me;
For I am His and He is mine—
Bought with the precious blood of Christ.

No guilt in life, no fear in death—
This is the pow’r of Christ in me;
From life’s first cry to final breath,
Jesus commands my destiny.

No pow’r of hell, no scheme of man,
Can ever pluck me from His hand;
Till He returns or calls me home—
Here in the pow’r of Christ I’ll stand.

Mardi Gras

Querido leitor,

O título do post não tem nada a ver com o que vou dizer, mas é que hoje é terça-feira de carnaval. Ou talvez tenha, sim, a ver com o que vou dizer… Muita gente diz que o Brasil inteiro pára no carnaval. (Há também quem diga que pára entre Natal e carnaval, mas isso pra mim já é exagero).

Este rápido post é para explicar que meu blog vai tirar não só uma “terça-feira gorda”, como também uma “semana gorda”. E isso não quer dizer que o blog vai estar gordo de cheio de posts, senão que vai estar gordo de tão preguiçoso.

Exatamente daqui a uma semana, estarei na Faculdade de Direito da UFPel realizando minha matrícula – ou seja, ¡adiós, Argentina! E ao mesmo tempo em que tenho muito (sem exagerar, quero dizer MUITO) para contar sobre minhas aventuras aqui (e também desventuras), se já estava atrasado na postagem, agora mesmo é que não vai dar mais. Há muito o que fazer e o tempo é curto.

Uma rápida exemplificação do que tenho pela frente… Saiu num jornal aqui de La Plata que vou dar uma palestra sobre meu projeto na quinta-feira e os interessados já começam a inscrever-se. Isso quer dizer que sim, vou dar uma palestra em castellano, e isso requer uma boa preparação. O jornal também pediu um artigo mais detalhado sobre meu projeto – e quem conhece os jornalistas sabe que eu é que tenho de escrevê-lo, senão dá rolo (ou senão simplesmente vão mudar de idéia). Meus pais chegaram ontem a Buenos Aires, porque sábado próximo é o aniversário da minha mãe e essa viagem é o presente dela. Pois bem, só ia vê-los na sexta-feira, depois do fim do meu estágio, mas acontece que uma prima minha que mora em São Paulo veio a Buenos Aires, e vou pra lá encontrá-la daqui a quatro horas.

Em suma: “semana gorda” (Semaine Gras) para o blog. Se o Papai do Céu permitir que eu sobreviva, el próximo martes ou terça-feira próxima será “terça-feira de começar o regime (de postagem intensiva no blogdoGuri!)”. E, paciência, continuarei com meus malucos posts retroativos.

Sei que admitir uma pausa de uma semana no blog é uma das piores coisas que poderia fazer com meus queridos leitores fiéis, mas espero sua compreensão. Tenho que disfrutar meus últimos momentos (snif) en la Argentina.

Saludos

Martin.

Turbilhão da penúltima semana

Não pode ser! Já estou mais pra cá do que pra lá, ou mais pra voltar do que pra ficar, ou estou há mais tempo aqui do que o tempo que ainda tenho para ficar. Ou, em suma: das cinco semanas de meu período na Argentina, só faltam duas. E já sinto por antecipação que voy a extrañar la Argentina…

Aparte disso, ainda tem toda a complexa questão do meu trabalho. Nas três primeiras semanas, redigi o projeto que tinha na cabeça, fiz as leituras que tinha de fazer (ou pelo menos as que me propus a fazer!) e desenvolvi três capítulos do texto. E, bem, estou feliz com minhas trinta e poucas páginas. Mas agora, na quarta semana, chega o momento em que, como digo de brincadeira, tenho que jogar tudo o que fiz até agora em uma panela, sacudir e ver se explode – ou seja, fazer a síntese, que é sem dúvida a parte mais difícil.

As fotos de hoje são do Parque Saavedra, por onde passo todos os dias no caminho entre a hospedaria e a fundação. Ali, à tardinha, uma galera se reúne para jogar futebol, outros vão caminhar ou correr, uns casaizinhos ficam a namorar, e alguns grupos de amigos se encontram para tomar mate ou jogar conversa fora. O lugar é uma tranqüilidade só. É a ilustração perfeitamente contrária ao turbilhão de idéias e preocupações em que está minha mente neste início de semana.