Hoje, pela crendice popular, começa o mês do desgosto, ou do mau agouro, ou de qualquer outra coisa negativa que não vale a pena nem googlar. Mas eu não acredito em crendice popular. Poderia dar até onze motivos pra isso, mas fico só com dois. O primeiro (e bastante!) é que sou cristão. O segundo é que as evidências comprovam o fato de que não é mês de desgosto, coisa nenhuma. É só perceber o mundo ao meu (e talvez ao teu) redor. Dias lindos (e enfim frios!) de inverno. Fotos de momentos felizes de viagem com amigos inaugurando a postagem do mês. Transbordamento de acontecimentos e (portanto) de assuntos sobre os quais blogar. Melhor impossível. Mentira: sempre pode melhorar. E se melhorar não estraga, nada!
Fotografar o mundo é preciso
Descida triunfal no Aeroporto Municipal de Arroio Grande
(Ora, é evidente que fui até lá de jatinho particular…)
E agora: pra onde será que fica?!
(Caminhei do aeroporto até o trevo, porque não tinha táxi)
O Arroio Grande e sua simpática ponte
Banho de arroio
(E o cachecol não estava no barro, não!)
Com a Renata, que, além de minha amigona,
é a arroio-grandense mais bairrista que já conheci
Ver o mundo é preciso
Tenho planejado viajar para a casa de praia dos meus pais, em São Lourenço. Mesmo quando não é temporada de praia, é o lugar ideal para descansar. Aliás, no inverno talvez seja até melhor: solidão, quietude e aquele vento gelado da lagoa que eu amo. Ambigüidade propositalíssima: amo a solidão e a quietude e o vento gelado e a lagoa!
A idéia era ir para lá com amigos e visitar amigos que moram lá. Fazer programações entre amigos é a melhor coisa… quando efetivamente se consegue chegar a uma combinação satisfatória para todos. Não encontramos data conveniente e a viagem não aconteceu – pelo menos por enquanto.
Mas eu precisava de um pouco de ar que não fosse o pelotense. Resolvi aproveitar o último dia de férias e ir para Arroio Grande, para visitar uma grande amiga e conhecer a cidade. Acordei muito cedo e saí de casa às sete horas da fria manhã de domingo.
O frio não nos impediu de caminhar até a exaustão por toda a cidade. De óculos escuros e câmera fotográfica a tiracolo, eu era o turista do dia (do mês? do ano?) em Arroio Grande. A praça central rodeada de prefeitura, igreja, casarões. O arroio. A ponte. A estação rodoviária. A Santa Casa. A esquina da sinaleira. Elementos essenciais a muitas pequenas cidades de interior, mas com charmosas particularidades arroio-grandenses.
Já fui a tantos lugares tão distantes… Quase caí Grand Canyon abaixo, mas nem cheguei perto do Itaimbezinho. Conheci Montreal, mas Montevidéu, não. Já entrei em catedrais góticas, mas nunca estive nas ruínas das Missões Jesuíticas… Se ver o mundo é preciso, também é preciso aprender a apreciar o que está próximo.
É óbvio que não me arrependo de ter visto o que vi, longe daqui. Só me arrependo de não ter visto o que eu não vi, perto daqui. Mas ainda há tempo. Comecei por Arroio Grande.
(Depois de muito tentar, desisto – por ora – de mandar fotos do passeio. Não quero maldizer a casa que gentil e gratuitamente cede meu cantinho na blogosfera, mas é tudo culpa da Blogger!)
E a crise chega ao fim
Chega de blogofobia. Chega de grafofobia! Obrigado aos comentaristas pelas mensagens de apoio, ou, melhor dito, de pressão. Estou voltando a postar, depois de mais uma semana conturbada.
De início, dias melancólicos. Ao olhar para as azaléias florescendo, minha revolta com a falta de inverno atingiu o auge. Isso passou, porque o inverno chegou hoje. Está fazendo 8 graus. Posso ouvir as rajadas fortes do minuano. O vento bate nas janelas e entra gelado pelas frestas do meu quarto. Aqui dentro, 11 graus. Viva!
No meio, crise espetacular (como nunca antes aconteceu!) com a minha Internet. Mas consegui resolver sozinho, sem gastar com assistência técnica. Download mais rápido – yay! Mais uma vez, o homem a serviço da tecnologia.
Por fim, estudos para a última prova de História Econômica. Acabou o sexto semestre da Economia. Felizmente. Depois da experiência do quinto semestre (isto é: o quinto dos infernos), com suas cadeiras superdifíceis e os preparativos da minha viagem ao Canadá, achei que não me importaria em ter um semestre mais folgado. Que nada. O sexto foi o período mais desestimulante do curso, ressalvadas as aulas de História Econômica. Quero mais é apagar esse semestre dos meus registros de memória…
Então, fiz a prova quinta-feira e entrei em férias ontem. Amanhã elas terminam: segunda-feira, às 8h, de volta ao Direito. C’est la vie. It’s just like the way it is. And I like it the way it is! (Uma superdosagem de chavões multilíngües – desculpem por isso! E não é overdose, não, porque overdose é anglicismo – então me deixem dizer superdosagem!)
Meu quase-livro? Estou muito feliz com seus dois primeiros e pequenos quase-capítulos. Virão muitos outros. Estou reaprendendo a escrever e, talvez, a gostar de escrever. Depois de tantos anos longe da prática dessa minha atividade-paixão, é difícil vencer a inércia. Afinal, como tudo, escrever é x% inspiração e (100 – x)% transpiração (as proporções eu nunca vou conseguir definir!).
Eu até tinha inspiração e assunto, mas andava com nojo de transpirar. Ficar suado, eca. Mas estou voltando a mim mesmo. Pouco a pouco, desaparece o bloqueio mental – a crise chega ao fim.
Colocando a vida em dia
Faz uma semana que estou em crise com o meu blog. Não pretendo me justificar, mas… é, talvez pretenda me justificar.
É forçoso admitir, com muito custo, que o meu recente abandono do blog tem a ver com uma desilusão recente. Participei, com um conto, do Literal, o concurso literário da Fabico. E não ganhei. Tudo bem, eu não preciso ganhar sempre. Mas não fiquei nem entre os cinco primeiros. Tudo bem, eu não preciso ficar sempre bem colocado. Mas a dor cotovelar é ainda pior quando não vi nada de extraordinário nos contos vencedores. Acho apenas que queria (precisava de?) um incentivo para alimentar minha fome de escritor.
Eu sou quase um economista e quase um quase-bacharel em Direito. E estou quase muito longe daquilo que eu imaginava para a minha vida. Maldita dedicação que não me permite assistir às aulas com um livro de literatura embaixo da classe, como originalmente pretendia. Preciso ler mais e escrever mais.
Ainda bem que as férias têm sido uma ótima oportunidade para pôr a vida em dia. Tirei um tempo para terminar assuntos mal-resolvidos, fazer uma arrumação profunda nas minhas coisas, passar mais tempo com pessoas queridas – e também sozinho, o que é muito importante! Tudo isso com uma vontade enorme, que nunca existiria durante o período normal de aulas. Incrível.
Parte da resolução dessas questões pendentes diz respeito a uma “fidelidade subjetiva” na minha atividade de escrita. Aqui no blog eu fico namorando diversos assuntos, sem muito compromisso com qualquer deles. Acontece que essa promiscuidade não é da minha natureza (dá pra notar, porque mesmo no blog, e mesmo querendo, eu não consigo fugir de a uma certa unidade temática).
Por isso é que resolvi dedicar-me a um trabalho mais demorado. Pretendo uma simples reflexão, uma organização de idéias até agora desconexas. Não prometo um livro – mas tampouco descarto possibilidades. O resultado dessa divagação é que dirá se isso será viável. Ou não.
Férias, sim; folga total, não!
O inverno de 2006 em Pelotas, com temperaturas persistentes acima dos 20 graus, chuva escassa a ponto de haver risco de racionamento de água e mosquitos que não morrem, é uma ilusão, pelo menos até agora.
Da mesma forma, minhas férias de inverno são uma ilusão. Primeiro: o calendário da UFPEL é tal que as férias na Economia começam no dia em que recomeçam as aulas do Direito, que começaram (oficialmente) hoje. Depois porque, mesmo já em férias parciais, a correria é tanta que o clima de fim de semestre parece não ter acabado com a última prova. Continuam trabalhos e pesquisas na Economia, provas de francês, envolvimento no projeto de assistência jurídica, leituras atrasadas.
Férias (naquela acepção estrita da palavra: folga total) não existem mais para mim desde o ensino fundamental, eu acho. Mas talvez isso se dê exclusivamente por culpa minha. A minha auto-exigência de produtividade não me permite parar. Segundo um amigo, eu seria um workaholic. Talvez eu seja um pouquinho hiperativo, mas workaholic, acho que não. E não penso em diminuir o ritmo antes de surgirem problemas cardíacos (improvável, conforme recentes exames médicos).
As idéias continuam fervilhando. Planos novos vão sendo feitos – e vou lembrando dos antigos. A vida segue no mesmo passo – e, enfim, não há mal nenhum nisso. As (pseudo-)férias demonstram a bobagem inequívoca daquela idéia de que o dia deveria ter mais de 24 horas. Não adianta: por mais que se desocupem muitas dessas horas, habitualmente destinadas a outras atividades, o dia continua curto para tudo o que gostaríamos de fazer. Ainda bem.
Tout le monde en parle!
(Todo o mundo fala disso!)
Esses dias reconheci a (evidente) superioridade do futebol de Zidane. Mas não dá mesmo pra elogiar. Não se retire todo o mérito dele por causa de um (único) erro (grave). Contudo, é forçoso reconhecer que seu gesto com a delicadeza digna de um touro (olé!) foi, em vários sentidos, uma cabeçada. Diante das ofensas de Materazzi, o francês perdeu a razão – e perdeu a razão. Um péssimo final para quem tinha de tudo para sair de campo deixando ao mundo apenas boas recordações. No fim das contas, não merecia o título de melhor jogador da Copa, na minha opinião.
Mas afinal, o que foi mesmo que o zagueiro italiano disse?
Corrente A: teria dito que Zidane é terrorista.
Corrente B: teria dito que a irmã de Zidane é prostituta.
Pois bem: terrorismo e prostituição são reprováveis. Terrorismo, ao menos no Brasil, é crime. Por outro lado, prostituição não é ilegal. No máximo, é imoral. Ainda. Veja-se este link, com uma descrição pormenorizada daquela que é tida como a mais antiga das profissões. Está no site do Ministério do Trabalho e Emprego. Não se culpem os economistas (?) que fizeram tal classificação de ocupações; trata-se de uma profissão que existe e que não pode ser ignorada.
Será que o blog de repente se tornou “impróprio para menores”? Não foi minha intenção!
Estou inquieto. Odeio terminar o post com uma pergunta, mas… será que a prostituição vai um dia deixar (tristemente) de ser tida como imoral? Ou já deixou de ser e não me contaram – nem a mim nem a Zizou?
Ostinato
A maratona de estudos desta semana não me impediu de ouvir online, uma hora ou outra, a Rádio Canadá Internacional. Como estou estudando francês (ouvir rádio em francês é útil), e como morro de saudades do Canadá (ouvir rádio em francês é agradável), ouvir rádio em francês une útil e agradável.
Só que uma música acabou tirando minha concentração: a Valse d’Amélie, da trilha sonora do prestigiado filme francês O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001). O filme, quem já viu sabe, é a coisa mais querida; mais do que isso, um alívio para os cansados da previsibilidade hollywoodiana. Uma fuga da rotina.
A trilha sonora, por sua vez, tem a delicadeza da própria Amélie. A orquestração (três instrumentos, basicamente: acordeon, piano, violão) e as melodias são simples, o que não quer dizer que sejam simplórias. Nessa simplicidade, aliás, é que está a riqueza da arte. O mérito do gênio (dependente, claro, do exercício de sua técnica) está não na realização do inimaginável e do complexo, mas na expressão do básico e do óbvio, de forma original, antes que qualquer outro o faça.
O francês (homenagem aux Bleus?) Yann Tiersen é o compositor de todas as músicas da trilha sonora de Amélie, bem como da de outro belo filme, o alemão Good Bye Lenin! (2003). Escutando mais de sua apaixonante obra, observei o uso recorrente do ostinato. Essa palavra vem do italiano (homenagem à Azurra?) e significa teimoso, obstinado.
Na música, ostinato é a repetição de motivo ou frase musical. De forma bastante peculiar na música de Tiersen, o ostinato produz um ritmo viciante (não vicioso!), marcado, impositivo; parece até que dita o pulso da vida. Conjugado a esse efeito, o jogo que o compositor faz com os mesmos acordes dá ao conjunto da obra um ar de “variações sobre um mesmo tema”. Nada mais adequado para traduzir em música a rotina de funcionamento do próprio mundo.
Também, nada mais adequado para traduzir a minha rotina (não só nos últimos dias): frenética e invariável. Obstinada, como Yann Tiersen – ou pelo menos como a sua música. Aliás, a própria trilha sonora que escolhi para este blog (Unwritten, de Natasha Bedingfield) tem um ostinato; persiste do início ao fim, com um violão que repete insistentemente a mesma linha melódica.
Felizmente, obstinação ou ostinato não implicam em chatice ou monotonia – nem na música (vide exemplos de Yann Tiersen e Natasha Bedingfield) nem na minha rotina. Basta viver com gosto pelo previsível, sem, porém, fechar-se ao inusitado, que sempre encontra suas oportunidades.
Agora que passou a parte dura da maratona de fim de semestre, minha rotina não se interrompeu (ainda tenho aulas, trabalhos, provas…), mas me abriu um espaço para o não-usual: eu vou compor. Não sou um compositor genial aos olhos do mundo – talvez apenas na minha própria concepção de genialidade, que expus acima! Ainda assim, será minha pequena transgressão à rotina. Não se descarte, entretanto, a possibilidade de que a composição contenha um ostinato.
Português, español, français, italiano: uma salada latina
A decisão da Copa já não me importava muito. Agora, ganhem Les Bleus (que, aliás, acho que nunca vi bleus, só blancs) ou a Squadra Azurra, não tem diferença: é tudo azul, mesmo. Alles blau. Parece até cachaça. Falando sério sobre a Argentina:
1) Assino embaixo do comentário da Sandrine ao último post: futebolisticamente nossa relação com los hermanos é a de uma saudável rivalidade latino-americana.
2) E assino embaixo do comentário do Bruno, também ao último post: culturalmente, não tem problema algum com eles. Também eu simpatizo muito com os argentinos, talvez mais do que com sudestinos ou nordestinos do Brasil.
Só preciso fazer uma ressalva quanto à afirmação do Bruno: não é que nós, gaúchos, sejamos mais argentinos que brasileiros; são eles, argentinos, que são mais gaúchos que argentinos. (Essa foi só pra não perder aquela implicanciazinha saudável!)
E este era pra ser um comentário, e não um post, e acabou se desnaturando no meio do caminho. Minha postância desta semana foi vergonhosa, admito, mas é de se dar um desconto, porque foi a semana das provas mais difíceis da temporada.
Cenas do próximo capítulo… Amanhã, livre da pressão da prova de Direito Penal com mais de dez crimes, sai um post sobre o tema que iluminou minha semana: ostinato. (Até parece, mas não é homenagem à Azurra; aliás, serviria mais como homenagem aux Bleus.) Amanhã, tudo isso será explicado em pormenores… não percam! :D
Futebol e estatística
Todos estão cansados de saber e por isso não vou perder tempo com comentários mais elaborados do que este: o Brasil jogou muito mal. Total bola fora. A França, com um futebol superior, mereceu a vitória. Bravo, Zidane !
Acho que falo por toda a nação quando digo que brasileiro sabe perder. A gente não perde a dignidade – até porque as cinco estrelas não permitem! – nem parte pra agressão física no fim do jogo, causando escândalo e maculando a festa mundial do futebol. Quem é vivo sabe que me refiro aos hermanos, é claro. A gente pode perder o jogo, mas nunca a oportunidade de ser superior a eles. :D
Com Brasil na Copa, era “que vença o Brasil”, por mais podre que estivesse a Seleção (e de fato estava). Agora que o Brasil caiu fora, é “que vença o gaúcho” – nosso Felipão e o seu time simpático. Mas, se não der, tudo bem. Não me importa mesmo essa Copa do Mundo. Até porque não é mais do Mundo – é só da Europa.
O que eu queria mesmo comentar hoje é que acaba sendo engraçado o emprego da estatística no futebol, como se fosse parâmetro pra qualquer coisa. A cada ano de Copa, as seleções mudam, os técnicos mudam, as táticas mudam, mas tem gente que faz comparações como se tudo fosse igual. Raciocínios espetaculares (pseudo-lógicos) são construídos… como este aqui:
1994: Brasil vence a Copa
1998: Brasil esbarra na França
2002: Brasil vence a Copa
2006: Brasil esbarra na França
2010… Brasil vence a Copa, é evidente!
(Ainda mais grave é constatar que tem quem faça esse tipo de constatação simplista mesmo em coisas infinitamente mais complexas – como a economia, por exemplo.)
Esqueça-se a estatística. O negócio é baixar o nariz empinado e jogar bola. Sem isso, a probabilidade de caírem estrelinhas do céu pra camisa canarinho… é nula!





