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¡Cumpleaños feliz!

Aqui na hospedería também estão quatro estadunidenses (duas gurias e dois guris) que vieram a La Plata por intermédio uma ONG (que porém não é a Fundación Biosfera onde trabalho). São todos estudantes de ciência política; vão viver uns três meses em casas de família e fazer trabalho social.

Ontem foi o aniversário de Anna, uma das chicas. A “família adotiva” que vai receber um dos rapazes resolveu dar a ela uma festinha, com toda a simplicidade, mas muita alegria. Alegria, empanadas de verduras, uma deliciosa torta de dulce de leche e vinho nacional. No meu caso, foi um copo só, porque não sou de emborracharme, mas foi excelente – e bastou para me dar uma das melhores noites de sono desde que cheguei (aliás, já faz uma semana!).

Depois da comida, a dona da casa cantou lindas melodias tradicionais argentinas, acompanhada por seu marido ao violão. O estilo é encantador, muito parecido com o que ouvimos no Rio Grande! Lembrei direto da beleza das canções do Reponte, festival de música gaúcha da terrinha-adotada, São Lourenço do Sul.

Além da música tocada e cantada, a dona da casa, bem como algumas gurias que coordenam o trabalho social na ONG, acompanharam bailando. E quase faltou espaço na sala de estar da mui singela casa para o show de tango que deram Enrique e uma das gurias – ao som da voz e do violão dos anfitriões. Uma noitada inolvidável.

Proyecto de investigación

No sítio da Fundación Biosfera, veja um breve resumo do projeto de pesquisa que estou desenvolvendo como estagiário do Departamento de Mudança Climática da instituição, aqui em La Plata, Argentina.

Complemento do post de ontem…

… aí vai o link da Wikipedia en español sobre o voseo: http://es.wikipedia.org/wiki/Voseo.

Ótima leitura para entender como surgiu e como se usa essa forma de tratamento – e, claro está, para praticar a leitura de castellano.

Falando argentino

No Brasil muita gente insiste em dizer que fala brasileiro em vez de português brasileiro. E isso até se justifica, já que idioma é um conceito bastante arbitrário. O que se fala no Brasil, a meu ver (a meu ouvir?), está mais próximo do espanhol do que do português falado na terrinha dos nossos tataravôs Joaquim e Maria.

Se isso não é verdade quanto a todas as variedades lingüísticas brasileiras, pelo menos o é quanto à das cidades do sul do Rio Grande. Outra possibilidade é meu ouvido seja muito burro, mas a verdade é que me soa muito mais fácil de compreender o espanhol do que o português chiado e quase desprovido de vogais que se pode escutar na RTP, ora pois.

Voltando ao meu argumento: se o português brasileiro na sua modalidade gaudéria (1) está mais distante do português europeu (2) do que do espanhol argentino (3), por exemplo, por que (1) e (2) formam um idioma, e não (1) e (3)?

Porque o critério é arbitrário. Exagero meu, porque não se trata de pura e simples arbitrariedade: deve ser cultural ou histórico ou algo do estilo. Pois bem: por esse critério, todos nós – brasileiros, argentinos, italianos, franco-canadenses e romenos, para citar apenas alguns – deveríamos falar diferentes dialetos de latim.

Toda essa digressão boba sobre lingüística (e para quem estudou tão pouco de lingüística, melhor era ter ficado quieto, mas quis brincar um pouco!) era para dizer que, se existisse o idioma brasileiro, talvez também pudesse existir o argentino. De um lado, temos o latim; de outro, o idioma brasileiro, o argentino, o canadense… Onde fica o meio termo?

De qualquer forma, o idioma argentino certamente teria suas peculiaridades. Ao longo de meus primeiros dias aqui, já assimilei algumas delas, e sigo aprendendo. Vejamos…

  • não existe na Argentina. Aqui se usa o voseo – tratamento por vos em situações informais. Nas formais, usa-se o Usted. Então temos: yo, vos, él/Usted, nosotros, ellos/Ustedes. Aqui tampouco existe o vosotros: seja formal ou informalmente, o tratamento no plural é Ustedes.
  • A letra ll (que em espanhol é uma letra só) e a letra y, quando seguidas de vogal, são pronunciadas como algo entre j do espanhol e o x do português. Yo me llamo Yolanda se pronuncia como algo do tipo xô me xamo Xolanda. Um quadrinho.
  • Um aspecto que achei muito interessante é o do s em fim de sílabas ou palavras, que às vezes se pronuncia como um h aspirado: ¿cómo estás? = ¿cómo ehtah?
  • A distinção entre b e v não é muito clara. Para mim soam iguais; não como b nem como v, mas como um som intermediário.
  • Também notei que muitas pessoas dizem “esteee…” no meio do nada. E não é que encontrei na internet? Trata-se de uma muletilla coloquial, assim como temos, no português: assim… tipo assim… então…

Uma de minhas irmãs (como sei que ela vai ler isto, vou ter que dizer: não me refiro a minha irmã que mora na Alemanha, mas À OUTRA) queria que eu falasse espanhol… direito: tú, vosotros etc. E vim pra cá com essa intenção. Mas desisti rápido. É como pedir que eu fale português em vez de brasileiro; não faz sentido! Aqui, não falo espanhol – falo argentino!

Confesiones o confusiones de un tonto

Decididamente tenho que dormir mais cedo hoje. Deve ser por causa da exaustão que começo a fazer tonterías… Saí um pouco mais cedo da fundación para passar em um caixa automático e sacar plata para pagar à hospedería.

(Agora me dou conta que estou post após post aumentando a densidade de castellanismos, todos, aliás, dispensáveis porque perfeitamente conhecidos seus equivalentes em português. Daqui a uns dias estarei escrevendo tudo em espanhol, até parece. Me emborracho com esse idioma!)

Bueno (mas este é por conta do gauchês, mesmo!), como dizia: saí da fundação e atravessei a Diagonal 78, até chegar em casa. Tentei insistentemente abrir a porta, e nada. A chave não girava. Mas como?! Até que me dou conta – e nisso já estou enrubescido de vergonha – que estava tentando abrir a porta da casa ao lado. Em verdade, não é a casa ao lado, mas sim uma porta ao lado, idêntica à da hospedería, mas que dá para outra casa que fica na parte dos fundos.

Quase acabou chamando a polícia a vizinha Gabriela, pensando que alguém estava tentando arrombar a porta de sua casa. Chamou pelo interfone, a pobre, sem poder esconder do tom de voz o medo que sentia. Acho que de nervosa não me entendeu, e eu de vergonha tampouco pude explicar bem o que se passava.

Entrei em casa – na casa certa! – e ela logo telefonou, para ver se alguém daqui sabia o que estava acontecendo. Enrique atendeu e mandei através ele mil desculpas… Já tinha até decidido escrever uma carta e colocá-la por debaixo da porta – da porta errada, quer dizer, da porta da casa da vizinha.

Contei a Virginia o acontecido. Ela achou graça e me disse, para meu alívio, que isso já acontecera com outros hóspedes ou visitantes seus. Antes de sairmos a procurar um caixa automático, Virginia, a pedido meu, tocou o interfone da porta ao lado e lhe disse que estava eu ali para desculpar-me. A vizinha estava mais aliviada. Eu a ouvi dizer, em tom tranqüilo e tranqüilizador: ¡No pasa nada! Menos mal…

Depois do trabalho… ¡el tango!

Trabalhei muito no primeiro dia de pasantía (estágio) na Fundación Biosfera. Comecei às 8h e fiquei até as 19h, com pausa para almoço. Elaborei o projeto da pesquisa que vou desenvolver durante minha temporada em La Plata, para chegar a um paper científico sobre economia e mudança climática. Depois discuti o projeto com Horacio, el jefe, presidente da fundação.

É curioso que tenha arranjado tudo para um trabalho de pesquisa na Argentina e não tenha percebido que teria de escrever em espanhol. Só me dei conta desse detalhe depois de escrever o projeto. Nunca escrevi nada de muito sério em espanhol, embora tenha estudado o idioma por um ano. Vai ser no mínimo hilário!

Voltei tarde para a hospedería e estava bastante cansado. Além do trabalho ao longo de todo o dia, senti falta das horas de sono das duas últimas noites, que foram bastante curtas. Ademais, os passeios a pé dos dias anteriores – em La Plata e Buenos Aires – e a caminhada de 25 minutos da fundación até a hospedería em um dia de calor deixaram meus pés inchados e… bem, com algumas inevitáveis bolhas. Mas decidi que não dava nada e, além disso, que merecia lazer: pus calça comprida, sapato e fui à aula de tango com Enrique e três americanos que estão hospedados aqui por uns dias.

Fiz algumas aulas de tango no Brasil, anos atrás, mas nem de longe foram tão divertidas como a de hoje. No início fizemos alguns exercícios para aquecer, como caminhar ao ritmo da música e com a postura adequada. Em seguida, o instrutor nos ensinou (no meu caso, reensinou) o passo “básico” de tango.

Em mim não corre sangue argentino, tampouco tenho qualquer talento para a baila, mas o fato é que o tango me encanta de forma inexplicável. A música, o movimento, a paixão – tudo se concatena de forma perfeita e me desperta sensações singulares. Já está decidido que vou sempre que puder às aulas, pois assim na volta ao Brasil levarei comigo um pouco do que há de mais intenso na cultura argentina.

Capital Federal, por primera vez

Virginia, mãe de meu amigo Enrique e dona da hospedería, me ofereceu carona a Buenos Aires. Lá encontramos sua filha e sua mãe e almoçamos (três gerações de mulheres e eu!) no restaurante do Yacht Club Argentino. Às margens do Río de La Plata, o lugar é muito agradável. Fica em Porto Madero, uma zona portuária recentemente modernizada que se tornou o ponto mais cobiçado (e caro) do mercado imobiliário da Capital Federal. Ali há muitos apartamentos de luxo e a área é a mais segura da cidade.

Dali, Alejandra (a mais nova das três gerações!), que mora em Buenos Aires há alguns anos, me levou a um rápido passeio por alguns pontos turísticos da cidade. Vimos a arte na rua em San Telmo, passamos pelas lojas na Calle Florida e chegamos a ver a famosa Plaza de Mayo. A Casa Rosada estava em reformas, toda encoberta por andaimes. Nem fico indignado, porque já estou consciente de minha sorte de turista…

Atravessar a avenida mais larga do mundo (onde está o famoso Obelisco) em um só tempo de semáforo é uma tradição divertida, segundo me disse Alejandra. Tentamos, mas infelizmente não conseguimos. Por culpa minha, admito – ainda não posso correr muito, por causa de uma cirurgia no pé que fiz há mês e meio. Mas tudo bem, até o fim do meu estágio aqui haverá oportunidades para fazer outras tentativas. Ou então já tenho (mais) um motivo para vir à Argentina outras vezes.

Explorando o território

Hora de explorar meu novo território! Novo, sim, mas nem tanto: em alguns aspectos, La Plata se parece com Pelotas. É uma cidade bastante quente e úmida no verão. Tem porte médio (pouco mais de 600 mil habitantes) e conta com uma Universidad Nacional e muitos órgãos públicos. Os prédios mais antigos datam de fins do século XIX e são na maioria de estilo neoclássico. Muitas ruas ainda têm calçamento de pedra. A cidade tem a forma de um grande quadrado e os cruzamentos são perfeitíssimos ângulos retos.

A bem da verdade, nem todos: além de ruas paralelas e perpendiculares que formam um emaranhado, há algumas… diagonais. Quando vi o mapa, achei que me poria louco ou me perderia no primeiro passeio. Errado. As diagonais, logo se vê, fazem muito sentido, porque permitem atravessar a cidade-quadrado de um vértice ao oposto pelo caminho mais curto possível, o que poupa bastante tempo.

La Plata é muito arborizada. Além das praças a cada cinco ou seis quadras, há muitas árvores ao longo das ruas, de forma que se pode evitar facilmente o sol forte. Ao norte da cidade (a poucas quadras da hospedaria!) há um bosque urbano, perfeito para fazer caminhadas, praticar esportes ou descansar à sombra. (De dia, claro – tudo lindo e maravilhoso, mas ainda estamos falando de América Latina.) Em meio ao bosque há vários prédios da Universidad, o Museo de Ciencias Naturales, o Observatorio… além dos dois principais clubes de futebol – o Estudiantes e o Gimnasia y Esgrima.

As fotos são da Plaza Moreno, a praça central. Um de frente para o outro, a um e a outro lado da praça, estão os prédios da Municipalidad de La Plata e da Catedral, que é a maior igreja em estilo neogótico construída no século XX. É católica, claro, daquelas absurdamente deslumbrantes, que me fazem pensar que… bem, que às vezes os cristãos não pensam direito! Deixando de lado toda a extravagância, a igreja tem um conjunto de sinos que tocam diversas melodias. Tive a sorte de ouvi-los quando passava por ali, mas subir o elevador de uma das torres… vai ficar para outro dia!

Vida nueva

Nunca fiz listinha de “resoluções de Ano Novo” (ou pelo menos nunca as escrevi) e não acredito em promessa de campanha. Por essas e por outras, tampouco me digno a perder tempo e espaço no primeiro post de 2007 com compromissos de postar mais este ano. E isso simplesmente porque não sei (tudo) o que me aguarda.

Quando comecei o Blog do Guri, supunha que 2006 seria um ano acadêmico tranqüilo e que por isso não teria problemas para manter certa constância de postagem. Agora me pergunto se quem pensava assim era realmente eu ou se era alguém pensando por mim. Não acredito que tenha podido permitir a mim mesmo tamanha ingenuidade.

Após o Natal, quando finalmente pude relaxar a intensa dedicação aos estudos, senti como nunca que precisava de férias. E fugi. Passei semanas offline. Passei tempo com a família de perto e também com a de longe. Dormi como hibernasse, em pleno verão subtropical. Nadei em piscina, lagoa e mar. Tomei sol: até quebrei um pouco do gesso.

Mas agora basta. Paralelamente ao turbilhão de fim de ano, tratei de arranjar tudo com uma fundação argentina para fazer um estágio de 25 dias com o fim de (começar a) desenvolver meu trabalho final de graduação em Economia. Cheguei ontem a La Plata (capital da Província de Buenos Aires). Tive as conversas iniciais com o diretor da fundação e instalei-me na hospedaria mantida por meu amigo Enrique e sua mãe.

“Que vais fazer?”, hoje alguém me perguntou, aqui na pensão. E eu me surpreendi mudo. O estágio só começa na segunda-feira. À exceção do amigo e alguns conhecidos que fiz ao longo do dia, só vejo estranhos. Tampouco conheço a cidade. E digamos que minha desenvoltura no castellano não é impressionante, ao contrário do que meu gentil amigo insiste em afirmar – assim que também o idioma é pura novidade. Todos os aspectos do que já se passou nessas 24 horas desde que aqui cheguei merecem um post próprio!

O que ia fazer hoje? Devolvi uma simples cara de ponto de interrogação… ¡Vida nueva!

Fotografar o mundo é preciso

Descida triunfal no Aeroporto Municipal de Arroio Grande
(Ora, é evidente que fui até lá de jatinho particular…)

E agora: pra onde será que fica?!
(Caminhei do aeroporto até o trevo, porque não tinha táxi)

O Arroio Grande e sua simpática ponte

Banho de arroio
(E o cachecol não estava no barro, não!)

Com a Renata, que, além de minha amigona,
é a arroio-grandense mais bairrista que já conheci