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Noche de milonga: um autêntico baile de tango

Minha viagem a Buenos Aires incluiu uma experiência deslumbrante: ir a uma autêntica milonga (baile de tango), numa imersão no tango, sua beleza, sua paixão e sua riqueza cultural, o que inclui seu código de etiqueta mui particular e romântico. (Foi muito além do trabalho e dos passeios-repeteco relatados no post anterior.)

Minha amiga Joe e eu entramos em contato com meu hermano Enrique e sua novia Lucrecia (que eu ainda não conhecia pessoalmente) para combinar um encontro em algum momento. Minha sugestão, por WhatsApp: “Podemos ir a un sitio de tango que elijan ustedes, porque nos gustaría verlos bailar tango. Ver a ustedes. No bailaríamos nosotros, por motivos obvios.” (Para quem não acha que os motivos sejam tão óbvios assim: infelizmente não sei dançar tango!)

Então eles nos levaram a El Beso, a milonga onde se conheceram e (também por isso) gostam de voltar às vezes. Antigamente, no mesmo local funcionava um cabaret.

InstaBeso: El Beso, Milonga de Los Domingos.
Domingo 22 Hs.
Riobamba 416, 1er Piso, Bs. As.
Reservas: 4953 2794.

Chegamos pouco antes das 22h, ainda cedo para padrões argentinos (não era tarde, mesmo, mas a Joe e eu estávamos cansados de caminhar todo o dia!). A gerente da milonga, conhecida de meus amigos, explicou que estava terminando uma aula de tango no salão. Ficamos conversando (e espiando um pouco a aula) enquanto esperávamos e, assim que terminou, buscamos uma mesa para quatro.

Aos poucos o salão foi ficando mais cheio. Os homens se sentavam de um lado e as mulheres, de outro — quer dizer, isso entre os indivíduos avulsos, porque os casais que foram juntos, para dançar sempre um com o outro, sentavam também juntos.

E então começou o ritual, detalhadamente explicado a cada etapa por Enrique e Lucrecia. Ele dança tango há bastante tempo e, quando viajou pelo exterior, chegou a dar aulas para ajudar no orçamento. Ela, além de ser muy amable e ter uma didática excelente, é bailarina profissional. A especialidade dela é dança contemporânea; para ela, tango é diversão, válvula de escape, e não trabalho. Ambos archi-requete-contra argentinos.

Os homens, sentados de um lado, observam o ambiente e silenciosamente metralham olhares para as mulheres, sentadas de outro lado. Quando a luz dos olhos de um deles encontra a luz dos olhos de uma delas, o homem convida a mulher para dançar, com um simples gesto, inclinando cordialmente a cabeça: é o cabeceo. Para aceitar o convite, a mulher também faz o cabeceo olhando para o homem; para rejeitar, simplesmente desvia o olhar. Tudo muito discreto, sem constrangimentos. Somente se a mulher aceita o convite é que homem pode ir buscá-la para bailar — e pode confiar que não será rejeitado.

Uma pareja assim formada dança não só uma música, mas toda uma tanda, que normalmente se compõe de três ou quatro músicas tocadas em sequência. Numa mesma tanda, o estilo das músicas é um só: ou tango (mais lento, dramático, passional), ou milonga (mais rápido e animado, normalmente em 2/4) ou vals (mais lento, em três tempos, como a valsa).

Não se começa a dançar logo no início de cada música: há uns 15 ou 20 segundinhos de conversa entre as parejas. “Essas parcelas de minuto são todo o tempo que el varón tem para conhecer la mujer, dar-se a conhecer e, afinal… conseguir o número de telefone dela,” explicou o Enrique, rindo.

Deu certo no caso de Enrique e Lucrecia. Eles se conheceram ali, no El Beso, uns quatro anos atrás. Claro que depois veio o tempo de fortalecer o relacionamento, conviver, conhecer família e amigos de um e de outro… Mesmo assim, foi na milonga que surgiu a primeira faísca. Hoje estão noivos, de casamento marcado para 2015!

O convite do homem é para toda uma tanda, não só para uma música. A mulher que não honra o convite e abandona o homem na pista no meio de uma tanda comete uma ofensa bastante grave, que só se justifica se o homem dança muito mal (pisou no pé dela ou não soube llevarla, conduzi-la) — ou se ele se comportou mal, por exemplo, colocando a mão onde não deveria!

Créditos da foto: Joe (Fernanda Botelho dos Santos)

Entre uma tanda e outra, há a cortina: toca-se uma música nada a ver, de outro estilo (nem tango nem milonga nem vals). É o intervalo para que as parejas saiam da pista e voltem às suas posições iniciais: homens metralhando olhares silenciosos em direção às mulheres… é lindo.

Antes de irmos embora, ainda fomos brindados com uma apresentação de tango escenario, que é aquele mais coreográfico (e às vezes até acrobático!) que se vê nos shows mais turísticos.

Créditos da foto: Joe (Fernanda Botelho dos Santos), com edição minha

Mi Buenos Aires querido

Mi Buenos Aires querido,
cuando yo te vuelva a ver,
no habrá más penas ni olvido.

Demorou uns sete anos, mas enfim volvi a ver mi Buenos Aires querido na semana passada. Tudo começou com um seminário sobre Direito Internacional do Investimento Estrangeiro realizado pela Fundação Friedrich Ebert. Minha chefe não pôde ir, então fui eu, com direito a apresentar uma corajosa palestra sobre arbitragem investidor-Estado — em castellano!

Vista do NH City & Tower Hotel

Foram dois dias de trabalho e dois de passeio que pareceram duas semanas de cada. Além do proveito profissional, extraí da viagem um proveito social impressionante para tão pouco tempo. Conheci pessoalmente um professor, o Bira, e uma colega de trabalho canadense, a Sabrina, com os quais só tinha tido contato virtualmente. Revi meu hermano argentino, Enrique, e conheci sua querida noiva, Lucrecia (em breve, mais uma viagem matrimonial internacional!). Tive uma inesperada reunion do Mestrado na NYU com uma ex-colega argentina, Veronica, e uma ex-colega grega, Theano.

E no sábado chegou minha amiga Joe para nossos passeios intensivos pela cidade! Claro que, sendo a primeira visita dela a Buenos Aires, fizemos diversas atividades turísticas que para mim foram repetecos:

  • Caminhar pela Avenida de Mayo, observando a arquitetura e passando por (e parando em) livrarias, cafés, galerias

Buenos Aires ou Paris?

  • Atravessar a Avenida 9 de Julio, em um só sinal aberto (ou seja, correndo muito)

Lado norte do edifício do Ministério de Obras Públicas, com o retrato de Evita Perón (vista do meio da Avenida 9 de Julio)

  • Entrar na Catedral Metropolitana e visitar o mausoléu de San Martín

O mausoléu do General José Francisco de San Martín

  • Ir à Plaza de Mayo e pedir a um estranho que tire a clássica foto com a Casa Rosada

A foto não teria como ficar boa, porque, enfim, estranhos não tiram fotos boas

  • Caminhar pela Calle Florida e entrar nas Galerías Pacífico para tirar foto do teto e comer um sorvete de doce de leite Freddo

Uma foto das Galerías Pacífico, mas que não seja do teto!

  • Seguir da Florida até a Torre de Los Ingleses e a Estación Retiro Mitre

Estación Retiro + Joe Carmen Miranda + Torre de los Ingleses

  • Caminhar pela Feria de San Telmo e [cogitar] comprar souvenirs para meio mundo

A Feria de San Telmo parece que não termina nunca

  • Ir até La Boca só para ver uma ruela colorida, a Calle Caminito

Uma foto de Caminito que não seja de casas multicoloridas

  • Ir a Puerto Madero e tirar uma foto da Puente de la Mujer

Puerto Madero e Puente de la Mujer

  • Ir até o Obelisco e depois afastar-se o suficiente para conseguir tirar uma foto dele

Soy el falo mayor de Buenos Aires,
puedo ser tierno, engañador o arisco,
vivo de amor y por amor me muero
soy un amigo gamba: El Obelisco.

  • Visitar o Jardín Japonés

Jardín Japonés de Buenos Aires

Repetecos, mas não desagradáveis, porque (1) pessoas nostálgicas gostam de reviver experiências e porque (2) tudo fica bem em boa companhia. (Não tem como não se divertir com a Joe. Depois da clássica selfie na frente da Casa Rosada, o pedido dela foi: “Tá, antes de postar no Instagram, coloca um filtro aí que me deixe parecida com a Shakira.”)

Num próximo post, conto sobre as atividades turísticas que não foram repeteco… #suspense

O tal do passaporte bralemão

Comprando sei-lá-o-quê com minha irmã em uma livraria na Alemanha, vimos na prateleira uma capinha para passaporte que imitava a aparência exterior de um passaporte alemão: vermelha, com o brasão e os dizeres típicos.

image

“Não seria engraçado colocar nossos passaportes [brasileiros] em capinhas dessas?” Por pura diversão, e também por eu estar sem capinha de passaporte desde a época daquelas da Embratel (elas ainda existem?), minha irmã comprou uma para mim.

Só mais tarde pensei que talvez não conviesse usá-la. Alguém do controle de imigração na Alemanha poderia achar ofensivo. Talvez um policial federal brasileiro mal-humorado pudesse encrencar. Ou então talvez eu tivesse problemas em outros países da Europa, se erroneamente achassem que minha intenção era fazer-me passar por cidadão europeu. Poderia ter problemas semelhantes também nos Estados Unidos, onde turista europeu tem dispensa de visto em visitas de até 90 dias, uma vantagem que brasileiro não tem.

Afinal, resolvi (num desses momentos raros para mim) permitir que a inclinação à comédia fosse mais forte que a precaução contra a tragédia. A diversão potencial que o passaporte bralemão oferecia era muito boa para ser desperdiçada. Para evitar maiores problemas, bastava entrar na fila certa (a de brasileiros ou a de não europeus, conforme o caso) e apresentar às autoridades o passaporte já aberto na página de identificação.

Após um ano e meio de uso constante da capinha (e algumas viagens, inclusive à Europa, aos Estados Unidos e a países do Mercosul), ela gerou repercussão apenas duas vezes, ambas na minha atual viagem à Argentina. (Ah, pois é: estou na Argentina.)

Na primeira, um funcionário da companhia aérea percebeu e comentou. “Passaporte alemão? Ah, não, é uma capinha…” Nada mais.

A segunda gerou alguma tensão. Um policial federal brasileiro, no controle de saída, viu o passaporte aparentemente alemão e logo pediu que eu devolvesse a ele o formulário de entrada (que só estrangeiros recebem; brasileiros, não). Expliquei que não tinha o tal formulário porque não era o caso. “Sou brasileiro; é só uma capinha.” Ele sorriu. Pensei em complementar: “é uma analogia à minha irônica realidade: aparência alemã, mas nacionalidade brasileira”. Mas só sorri de volta, agradeci e dei lugar ao próximo da fila.

Morro Gaúcho: no alto do Vale do Taquari

Tenho muitos posts de viagem represados – convém começar a tirar o atraso! No último sábado de manhã fui a Coqueiros do Sul (311 Km) e a Carazinho (mais 30 Km) para o aniversário de uma priminha; à noite, voltei a Lajeado (mais 177 Km!) para visitar um amigo.

No domingo de manhã, fomos a Arroio do Meio (13 Km de Lajeado, 125 Km de Porto Alegre) para ver o Vale do Taquari do alto do Morro Gaúcho, uma elevação basáltica de 559 metros de altitude. De alto se veem o Rio Taquari e as cidades de Lajeado, Roca Sales e Colinas.

De bobeira, esqueci de levar a câmera… mas mesmo as fotos que tirei com o celular já dão uma boa ideia da beleza do lugar!

Caminhada única em Limburg

Como comentei num dos últimos textos, em 2013 passei a Páscoa com a família na Alemanha. Antes que chegue a Páscoa de 2014 (faltam dois meses!), vou contar da última.

Não foram férias, propriamente. Férias, no meu caso, costumam ser aquele tempo que eu reservo, não para descansar, mas para me cansar ainda mais, fazendo caminhadas de 20 quilômetros por dia (como em Montevidéu) ou turismo intensivo (como na Índia).

O diferente da Páscoa na Alemanha foi que eu descansei. Fiquei em casa com meus pais, minha irmã, meu cunhado e, principalmente, meus sobrinhos (de então quase três anos; hoje, quase quatro). Brincamos de Lego e de carrinho e de boneca e de avião e de tanta coisa mais que nem me lembro — a imaginação deles está sempre a mil.

Houve um dia — um só dia, em duas semanas — em que não resisti ao turista inquieto que há em mim e fui caminhar pela cidade e fazer algumas fotos. Limburg an der Lahn é uma cidade pequena (cerca de 33.000 habitantes) e bastante antiga (as primeiras menções a ela datam do ano 800), às margens do rio Lahn. No centro antigo, a presença das construções em enxaimel é marcante.

Kornmarkt, ou Mercado de Cereais

Mais casas em enxaimel

Dizeres em letras góticas: “Esta casa está nas mãos de Deus…”

Alte Lahnbrücke, ou Antiga Ponte do Lahn, construída em 1306; por aqui passava a Via Publica, uma estrada que, na Idade Média, ligava importantes cidades, como Bruxelas (Bélgica), Colônia (Alemanha), Frankfurt (Alemanha) e Praga (Boêmia, República Tcheca) 

Parte interna do Limburger Schloss, o castelo de Limburg

A Catedral de São Jorge (Sankt-Georgs-Dom ou Georgsdom) fica bem no alto de uma rocha às margens do rio Lahn e domina a vista da cidade; foi inaugurada em 1235

Nave central da Catedral

Calçadão no centro da cidade, com destaque à Prefeitura (Rathaus), construída em 1899

100.000 quilômetros

Foram 100.000 quilômetros percorridos ao longo do último ano. Se em vez de pipocar de um lado para outro até chegar a tanto eu tivesse percorrido essa distância em linha reta, poderia ter dado a volta ao mundo. Duas vezes e meia.

Comecei 2013 indo a Mumbai para o casamento de uma amiga (relato exaustivo aqui).
Terminei 2013 indo a Seattle para o casamento de um amigo (relatos em breve!).

Entre os casamentos, muitos outros acontecimentos, relatados aqui ou não. Páscoa com a família na Alemanha. Natal com a família na Virgínia. Fins de semana (tradicionais ou prolongados) no Rio de Janeiro e em diferentes cidades do Rio Grande do Sul: Cambará do Sul, Coqueiros do Sul, São Lourenço do Sul. Viagens de trabalho a Brasília e São Paulo.

Mais impressionante que o tremendo impacto dessas andanças nas minhas finanças (ha!) é que não foi um ano sabático: eu trabalhei muito. Aliás, só para isso, percorri 4.000 quilômetros de casa ao trabalho e do trabalho para casa. E mesmo assim consegui viajar muito a lazer também.

Momento retrospectivo que vai parecer fora de contexto – mas garanto que não é:

O ano anterior, 2012, tinha sido um ano bastante ruim para mim – sem exagero, o pior. Por isso, minha única expectativa para 2013 era ter um ano melhorzinho. É uma estratégia recomendável: o risco de frustração é diretamente proporcional à magnitude das expectativas.

Em 2013, voltei a cantar num coro, o Grupo Cantabile, depois de um ano inteiro (o tal 2012) sem coro. Cresci profissionalmente e fui de um emprego muito bom a outro com potencial ainda maior. Fiz mais de 5.000 fotos. Escrevi 96 textos aqui no site.

Tudo isso foi importante para mim e me faz concluir que, embora ainda precise fazer alguns autoajustes, estou mais próximo do balanço positivo que costumava manter e que perdi em algum momento nos últimos anos. Perceber o quanto viajei no último ano foi a cereja que faltava no bolo.

Reflexões cariocas 2012

Muito de importante aconteceu na minha vida recentemente por causa do Alpha.

Em 2009, começava a frequentar a City Grace Church em NYC. Quando comentei com o pastor que eu tinha feito o Alpha em 2003, ele me convidou para ajudar na primeira edição do Alpha naquela comunidade. Foi aí que, num exemplo arrepiante de como o mundo é pequeno, ganhei “pais nova-iorquinos”, a pastora Nancy e seu esposo Ali. Em 2011, logo depois que voltei ao Brasil, vi-os novamente, em mais um exemplo arrepiante de como o mundo é pequeno: eles vieram ministrar em Pelotas um treinamento Alpha, em que servi de intérprete. Em novembro de 2012, como comentei, uma conferência Alpha me levou ao Rio de Janeiro. E agora, início de novembro de 2013, outro evento Alpha me levou de novo ao Rio.

Mas vou com calma, porque hoje quero contar da viagem Alpha ao Rio em 2012. Foi bem fraca fotográfica e turisticamente, mas me enriqueceu muito em outros aspectos.

Relacionalmente, o enriquecedor do tempo no Rio foi rever e passar tempo de qualidade com pessoas queridas que eu não via fazia algum tempo, além de conhecer outras que viriam a ser importantes para mim. (Não vou citar ninguém, para não cometer injustiças.)

Espiritualmente, o enriquecedor foi algo que aconteceu comigo na igreja anglicana Christ Church, em Botafogo, no domingo, 25 de novembro de 2012. Para ter mais fidelidade aos detalhes, vou recorrer ao texto de um e-mail que escrevi a um amigo na época:

Espiritualmente: algo incrível aconteceu. No domingo, durante um tempo de oração após a mensagem do Nicky Gumbel, ele falou que o Espírito Santo lhe dizia que um jovem ali presente estava se sentindo frustrado, cansado e ansioso, e que esse jovem tinha um chamado a servir ao Senhor. E convidou esse jovem a subir ao altar, para orar por ele.

Eu quase caí de joelhos. Eu sabia que aquela pessoa era eu. Se fosse resumir a forma como me sentia ao longo de 2012, eu só poderia usar as mesmas palavras que ele tinha usado. E eu nunca tinha me sentido mais chamado a servir ao Senhor.

Parte de mim se opôs fortemente a ir para o altar. “Ele pode estar me chamando, mas como é que eu conseguiria fazer isso dar certo?” Sou um Martin que (diferentemente do Luther) não tem coragem de desistir do Direito e um Dietrich que (diferentemente do Bonhoeffer) não tem coragem de estudar Teologia!

Mas parte de mim me impulsionava a ir ao altar. “Como posso resistir se Ele está me chamando? Talvez eu não possa fazer isso dar certo por mim mesmo, mas Ele certamente pode. Tenho de ir.” Então fui, e oraram por mim e me abençoaram.

Não tenho dúvidas da presença do Espírito Santo naquele momento. Senti um calor dentro do peito, como de uma chama, algo de que até então só tinha ouvido falar. Depois fiquei forte e ao mesmo tempo fraco, como escrevi no dia seguinte:

Eu me sinto renovado, fortalecido. Ao mesmo tempo, estou sensibilizado e reflexivo todo o dia de hoje. Preciso fazer algo a respeito do que aconteceu, mas não sei exatamente o que — acho que por enquanto só me resta orar a respeito e pedir a meus amigos cristãos que façam o mesmo por mim. Gostaria de não ter de voltar logo para Porto Alegre e para o trabalho… precisaria de mais tempo para refletir e orar sobre o que aconteceu.

Refletir e orar foi o que me esforcei em fazer, mas o que eu temia se realizou, como escrevi a um amigo já no início de 2013 (um tempo de bastante silêncio aqui neste site):

A experiência espiritual que tive no Rio de Janeiro foi memorável, mas não teve grandes desenvolvimentos posteriores. De volta para casa, para a realidade, o trabalho continua tomando a maior parte do meu tempo, e não tenho energia, e não consigo encontrar uma igreja onde tenha vontade de me envolver, e fico desanimado para orar e meditar e ler a Palavra, e peco, e acabo concluindo que sou um péssimo cristão.

(Continua…)

Minhas havaianas cariocas indianas

Tenho escrito com alguma regularidade em 2013, mas em 2012 a coisa andava bem incerta por aqui. Faltou energia, disciplina, assunto, tempo, ou de cada uma dessas coisas um pouco. O ano de 2012 foi, nesse como em outros sentidos, um ano aquém.

Acabou passando quase em branco que eu fui ao Rio de Janeiro em novembro de 2012. Antes de ir, comentei brevemente que iria, para um evento do Alpha. Enquanto estava lá, comentei brevemente que estava lá, e prometi retornar com as reclamações (Reclamar: Vício ou Virtude? era a série de textos que eu estava escrevendo aqui no site naquela época — uma antecipação dos protestos de 2013?), além de relatos e reflexões cariocas.

Retornei a reclamar, mas os relatos e reflexões cariocas nunca se realizaram. Por exemplo, nunca contei que fui ao Rio de Janeiro de tênis e não levei sandálias. “Vou a um evento do Alpha; nem vai dar tempo de ir à praia.” Depois que cheguei à casa da minha amiga e anfitriã Barbara, no Leblon, na véspera do evento, é claro que logo saímos para ir à praia. No caminho, paramos numa banca de revista, onde troquei os tênis por um par de recém-compradas havaianas.

Contei bastante sobre a viagem que fiz no início de 2013 à Índia, onde muito usei minhas havaianas cariocas (que até hoje ficaram com uma cor alaranjada do pó das ruas indianas), mas sem ter antes contado sobre os passeios inaugurais delas no Rio de Janeiro, quando meus pés muito caminharam sobre as calçadas e areias do Leblon, de Ipanema e de Copacabana — e quando mergulhei num oceano de reflexões importantes, mas inconclusas.

No último final de semana, quase um ano depois, voltei ao Rio por alguns dias com minhas havaianas cariocas. Novamente o motivo foi o Alpha e novamente a consequência foram reflexões, em continuação às do ano passado. Desta vez, pretendo concluí-las.

Cambará do Sul: lembranças dos Yorkshire Dales

Ao cortar os Campos de Cima da Serra em direção a Cambará do Sul para conhecer os cânions Itaimbezinho e Fortaleza, constatei muitas semelhanças entre essa paisagem gaúcha e os Yorkshire Dales, que visitei em 2007: a vegetação rasteira com árvores aqui e ali, os morros com picos de pedra à mostra, os longos muros de pedras empilhadas.

 Yorkshire Dales, Inglaterra, 2007

Campos de Cima da Serra, Rio Grande do Sul, 2013

Cambará do Sul: Cânion Fortaleza

No texto anterior publiquei os primeiros relatos, dicas e fotos da viagem de final de semana a Cambará do Sul; comecei pelo cânion Itaimbezinho e a rápida passada por Praia Grande, Santa Catarina. Hoje continuo com os passeios pelo cânion Fortaleza.

Deixando para trás a Pousada João de Barro

Na estrada rumo ao cânion Fortaleza, a paisagem dos Campos (de Pinus e Eucaliptos) de Cima da Serra

Dentro do Parque Nacional da Serra Geral, um pouco da paisagem natural, sem o plantio de árvores exóticas

Campo, campo, campo e, de repente, uma senda profunda: o cânion Fortaleza

Primeiras vistas do cânion Fortaleza, de um lado a outro

Lá no alto da rocha que se vê à direita, o mirante, da Trilha do Mirante

Fazendo a Trilha do Mirante

Panorâmica do alto da Trilha do Mirante, olhando para o mar

Panorâmica do alto da Trilha do Mirante, olhando para o cânion Fortaleza

Os campos e as encostas do cânion, vistas do alto da Trilha do Mirante

Meditação na beira do penhasco

Não podia faltar uma clássica foto turística

No caminho de volta a Porto Alegre, visitei as Cascatas dos Venâncios

Cascatas dos Venâncios

Mais plantações de árvores exóticas ao redor das Cascatas dos Venâncios