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Intermezzo

Domingo fiz a primeira fase do Exame de Ordem. Hoje fiquei sabendo que passei com folga – o que não quer dizer nada; ainda preciso estudar bastante para a segunda fase. Quem sabe assim, uma vez ad(e)vogado, eu consiga ganhar dinheiro para me tornar o empreendedor que o mundo quer ver em mim? Tá, larga do meu pé, síndrome do post anterior!

Mesmo já tendo uma ideia de que teria passado, e mesmo sabendo que tenho ainda muito que estudar, ontem me permiti um intermezzo. Nas últimas semanas eu li mais de 5.000 artigos de lei em preparação para o Exame. Precisava de uma trégua, porque ninguém é de ferro – muito menos eu. Já cometi erros demais em termos de (falta de) literatura na minha vida. Quando entrei na Faculdade de Direito, prometi a mim mesmo que passaria o curso inteiro lendo livros de literatura por debaixo da classe, assim como escrevendo mais no tempo livre. Doce ilusão – meu cedefismo nunca me permitiu isso.

No intermezzo li “O menino do pijama listrado” (John Boyne), que fazia tempos que queria ler e que finalmente comprei na Livraria Cultura em Sampa. E hoje – mesmo já tendo terminado o intermezzo – resolvi não perder o pique e começar a ler “O Caçador de Pipas” (Khaled Hosseini), outro que fazia tempo que queria ler. (Aliás, queria ler ambos antes de ver os respectivos filmes… ver o filme antes de ler o livro simplesmente não dá.)

Interessante o paralelismo que notei até agora entre os protagonistas de um e de outro livro. Tanto o Bruno de Boyne quanto o Amir de Hosseini preferem literatura às outras matérias da escola. E as histórias tanto de um quanto de outro têm bastante a ver com seus relacionamentos com seus respectivos pais e melhores amigos. Os pais de ambos os protagonistas são figuras fortes, bastante temidas pelos filhos e radicalmente diferentes deles. E os melhores amigos dos protagonistas são unidos a eles por fortes laços de amizade, mas que não são muito explícitos ou confessados verbalmente.

Pronto, não escrevo mais, pra não estragar a leitura de quem ainda não leu, e até porque recém comecei “O caçador de pipas”. Quanto a “O menino do pijama listrado”, recomendo. Linda história (e sem detalhes de spoiler, porque mesmo a menor explicação pode entregar o jogo), além de perfeitamente possível de se ler de uma vez só – mais ou menos como foi escrito: de uma vez só, em apenas dois dias.

O poste não é de borracha

Maldito por isso em alguns círculos de discussão de Economia e em outros de Ecologia, eu tenho esse hábito lamentável de me dedicar a abordagens econômicas sobre problemas ambientais. A mais tradicional delas, sem aqui entrar nas críticas, é a da externalidade negativa, segundo a qual a degradação do meio ambiente aconteceria porque os agentes econômicos pensam apenas nos benefícios e custos privados e desconsideram os benefícios e custos (principalmente os custos) externos, que são aqueles causados por suas escolhas a outros agentes ou à sociedade como um todo.

Nessa boa e velha inspiração, o trânsito é tido como terreno fértil para a produção de externalidades negativas. Por exemplo, na opção pelo uso individual do automóvel (em oposição ao transporte coletivo e aos esquemas de caronas alternadas), os agentes econômicos descuidam dos efeitos negativos que sua opção traz ao meio ambiente, por causa da poluição atmosférica, e ao próprio fluxo de trânsito, por causa dos congestionamentos.

A fatal combinação de bebida alcoólica e trânsito pode muito bem ser interpretada como um terceiro caso de externalidade negativa. Num mundo ideal sem intervenção do Estado (e não que um mundo sem intervenção do Estado seja “perfeito”…), quem bebe antes de dirigir leva em conta apenas os custos privados de sua atitude, como o preço da bebida e o risco de sofrer danos físicos ou patrimoniais em caso de acidente. Seria preciso que fosse levado a pensar também nos custos externos, como o de causar esses danos a outras pessoas ou de pelo menos impor à sociedade o risco de causá-los. E foi isso que a Lei Seca fez.

(“O consumo de bebidas alcoólicas por motoristas, em economia, é um exemplo clássico de geração de externalidades negativas” – essa idéia já foi levantada na própria Câmara dos Deputados. Foi usada como argumento no substitutivo ao Projeto de Lei 2.997/2004, cujo objetivo era proibir a comercialização de bebidas alcoólicas em lojas de conveniência situadas em postos de gasolina.)

A bem da verdade, trata-se de uma externalidade que já era internalizada em certo grau na legislação brasileira. O Código de Trânsito Brasileiro já oferecia incentivos (sanções administrativas e penais) para que o motorista considerasse os efeitos externos de sua decisão de beber. O que a Lei Seca fez foi dar mais uma internalizadinha: tolerância zero ao ato de dirigir alcoolizado. Isso também veio com um aumento na fiscalização e na repressão. É punição exemplar; serve pra que o agente econômico perceba que o negócio não é brincadeira (“bah, multa de mil pila!”) e mude pra valer a sua conduta.

A nova lei vem ao encontro das conclusões de alguns economistas no tratamento das externalidades. Em alguns casos extremos, não há muito que se possa fazer para resolver o problema. Por exemplo, ninguém vai sugerir que o Estado se meta a tentar resolver o problema da perda de bem-estar social devida ao bafo etílico e às conversas de bêbado da gurizada. No outro extremo, há casos em que não resta alternativa à sociedade a não ser simplesmente proibir uma conduta. Talvez o caso da bebida no volante seja assim. Talvez tivesse bastado um simples aumento em todo o país no rigor da fiscalização, mesmo sob a lei antiga. Vai saber?

O certo é que a lei tem produzido efeitos positivos (e há de continuar a produzir, contanto que continue sendo cumprida). Existe pelo menos uma sensação de que os acidentes de trânsito diminuíram. Estatísticas oriundas dos hospitais de pronto socorro parecem sugerir que o primeiro mês da lei já foi um sucesso. Eu particularmente acho cedo pra esse tipo de conclusão. Seria preciso uma série mais longa para uma análise mais precisa.

Parte do efeito positivo é o espaço que se abre à criatividade dos agentes econômicos. Tomar todas e tomar um táxi de volta pra casa não é exatamente uma delas, porque já estava faz tempo na lista de soluções dos mais conscientes. Esquemas de rodízio entre as parcerias – do tipo “hoje eu não bebo pra poder dirigir, mas amanhã é tu” – são um pouco mais criativos (embora talvez um pouco enfadonhos pro abstinente da vez).

Alguns bares e restaurantes entraram na brincadeira e oficializaram o rodízio, colocando uma pulseira naquele que vai levar a galera pra casa, como forma de sinalizar ao garçom que não lhe sirva bebidas alcoólicas. Legal também a iniciativa de alguns estabelecimentos de oferecer condução para os clientes, pra que possam beber, e a criação de oportunidades econômicas como a dos motoristas de bêbado – o cara vem, pega teu carro e te dirige de volta pra tua casa. (Não quero dizer necessariamente tu, leitora ou leitor.)

“Legal coisa nenhuma,” podes estar pensando (agora sim: tu, leitora ou leitor), “porque tudo isso se reflete no preço da refeição no restaurante, da bebida no bar e do serviço do taxista ou do motorista de bêbado”. Sim, só que essa era justamente a idéia. Afinal, não existe nada mais devidamente internalizante que uma dorzinha no bolso.

É bem por isso que sou favorável à Lei Seca (e, como já disse e repito, ao seu fiel cumprimento). Uma hora ou outra e de uma forma ou outra seria preciso fazer o motorista assumir o custo externo associado aos riscos de dirigir bêbado. Em outras palavras, cai na real: o poste não é de borracha – FAZ DODÓI!

7 + 2 = 9

Os leitores que costumam (costumavam?) visitar o blog mesmo durante os períodos de postância nula podem ter entendido, com base no último post, que eu teria de fato desistido dos estudos de Direito para seguir uma carreira de músico. Mas não: infelizmente não foi isso.

Aliás, se é que foi alguma coisa, foi justamente o contrário disso. Digamos que, “de volta ao Brasil e à minha rotina universitária sem-graça”, fracassei no meu desafio, descrito neste post aqui (À propos, ¡disculpame, Vir!).

Se serve de consolo, estou vivo. Será mesmo? Depende da concepção de vida de cada um. No momento, minha vida anda um pouco em descompasso com o que eu gostaria de fazer dela, ou com o que eu gostaria que ela fosse, ou com o que eu acho que ela deveria (idealmente) ser.

Tudo é culpa do fenômeno 7+2=9. Não se trata de nenhuma fórmula matemática mágica: é só um esqueminha pra decorar que dia sete (7) de fevereiro (2) de 2009 (9) é a data da minha formatura em Direito.

E o fenômeno esse é culpado pelo meu estado descompassado porque se trata de um daqueles momentos que definem a história: a.F. e d.F., se é que me entendem. Muitas decisões importantes precisam ser tomadas até lá, ainda durante a pré-história, porque, quando começar a história, pode ser tarde.

Até aí, tudo bem. É natural que transição demande decisão. O problema é que a pré-história anda passando rápido demais e o que eu menos tenho é tempo para tomar essas decisões. Aliás, seria bom se tivesse pelo menos tempo para pensar a respeito delas! E a cada vez que sinto o tempo (escasso passar), tenho a impressão de que desperdicei a pré-história.

(Pra completar, ainda inventaram de dizer por aí que eu fiquei mais velho. Uma injúria, diga-se de passagem. Ou seria difamação?)

E era isso: postei. Voltei a postar? Sei lá. O dia de amanhã (ou depois de amanhã, enfim) é que o dirá. Até lá, sigo vivendo. Ou não?

Um pulinho no Palácio da Paz?

Quando cheguei ao Secretariado hoje de manhã o sistema estava fora do ar e fiquei sem Internet até a hora do meio-dia. Percebi (mais uma vez) como a humanidade se fez dependente de Internet, e como isso tem o seu lado triste!

Assim que voltou a conexão, continuei a seleção bibliográfica para o meu paper, tarefa que eu já vinha desenvolvendo mais ou menos desde o início do estágio. Eu precisava pedir o quanto antes os livros e artigos acadêmicos que pretendo utilizar na pesquisa (e que não estão na biblioteca do Secretariado), para para que o Secretariado peça emprestado a alguma biblioteca com a qual tenha convênio. Consegui terminar hoje uma seleção inicial, e mandei a lista para a bibliotecária. Ela deve ter ficado em choque diante do grande número de obras, tanto que nem me respondeu ainda, mas eu não tenho culpa de nada: foram instruções da minha supervisora! ;)

Um dos principais aspectos positivos deste estágio, do qual eu sentirei falta no primeiro dia de aulas na Faculdade de Direito assim que voltar ao Brasil, é o acesso à literatura. Tudo bem, a coleção da biblioteca do Secretariado é bastante rica na área de Direito Ambiental Internacional e, claro, mudança climática. Mas o que eu não consigo obter por aqui eu tenho pelo menos a chance de conseguir na biblioteca da Universidade de Bonn, ou na de Colônia…

E ontem me veio a melhor das idéias: onde no mundo haveria mais livros de Direito (Ambiental) Internacional que a biblioteca da Corte Internacional de Justiça, na Haia, Holanda? Não é assim tão perto daqui, mas tampouco tão longe; além do mais, a CIJ é um órgão da ONU, e como estagiário da UNFCCC eu poderia mais facilmente conseguir um empréstimo. Pra completar, minha irmã foi a trabalho para Rotterdam, na Holanda… hoje!

Cheguei a sugerir a idéia para minha supervisora hoje de manhã, e ela disse que talvez fosse possível dar um pulinho no Palácio da Paz (sede da CIJ) e retirar livros, desde que o Secretariado avisasse com uma certa antecedência sobre a visita do estagiário aqui. Não foi desta vez: não tive a antecedência necessária, e por isso não pude aproveitar a carona com minha irmã. Mas quem sabe até o fim de março…? ;)

Meu Dia

Ontem, 11 de agosto, foi o Dia do Advogado. Foi também o Dia do Pendura: segundo a tradição, os estudantes de Direito estão autorizados a ir em grupo a um restaurante e não pagar pelo que consomem. Duas observações importantes:

1) Digo que os estudantes estão autorizados a fazer isso porque, afinal, o costume também é fonte de Direito.

2) Muita gente, não entendendo muito bem essa história de costume e fonte de Direito, acha que o Pendura (sim, com letra maiúscula) é sinônimo de calote e que configuraria o crime de “Outras fraudes” (art. 176 do Código Penal). Não caiam nesse engano. O Pendura é um ritual erudito, com certa solenidade. Tomar uma refeição em restaurante sem ter os recursos para pagá-la – isso, sim, é crime.

Mas, de qualquer forma, este é meu quinto ano como estudante de Direito, e é o quinto ano em que não exercito meu direito de Pendura. Estou em crédito com os restaurantes de Pelotas. Um dia, essa dívida haverá de ser cobrada. Me aguardem.

Hoje, 12 de agosto, segundo domingo de agosto, é o Dia dos Pais.

Mas, embora seja biologicamente um pai em potencial, na realidade (ainda) não sou pai. Que eu saiba. [Risos!] Não, não, tô brincando: definitivamente não sou pai. Nem de um bichinho de estimação, que nunca tive.

Amanhã, 13 de agosto, é o Dia do Economista.

Mas, embora minha formatura em Economia tenha sido terça-feira passada, ainda não sou economista, porque ainda não tenho o registro no Conselho Regional de Economia. Enão, por favor, não me chamem de economista, pra não me arranjar confusão – dizer-se “economista” sem ter o registro é exercício ilegal da profissão.

Eu sou um quase-tudo: um quase-advogado, um quase-economista e um quase-pai. E como tanto faz dizer que o copo está meio cheio ou meio vazio, sou, ao mesmo tempo, um quase-nada. Eu protesto! Não quero ser um quase-nada, um infeliz, um sem-dia. Quero meu Dia.

Mas o calendário já contempla o meu triste caso: depois de amanhã, 14 de agosto, é o Dia do Protesto.

Sobrevivente

Desta vez eu me puxei na “paradinha de uma semana” desde a terça-feira de carnaval. Mas não vou pedir perdão, porque eu tenho suficientes desculpas para não ter postado ao longo de todo esse tempo. Por óbvio, a idéia de posts retroativos está rejeitadíssima, porque a essas alturas isso seria humanamente impossível. E, ao contrário do que alguns pensam, não sou alienígena. Mas pra justificar meu sumiço vou fazer uma breve retrospectiva. Breve. Prometo que consigo.

Neste meu último semestre no curso de Economia, a Universidade resolveu exigir cadeiras que, até então, diziam ser eletivas. E a exigência veio depois do período de matrículas, quando já não há muito o que fazer. Aí é pra enlouquecer qualquer um, né? E foi exatamente isso que aconteceu – enloquecemos, meus colegas e eu. (…) E essas reticências significam intermináveis MESES de sangue e suor e negociação com a coordenação do curso, a pró-reitoria de graduação, os registros acadêmicos, até a reitoria… em um processo administrativo que finalmente garantiu a oferta das disciplinas faltantes. Apesar dos percalços, tudo se resolveu.

Só que pra me formar, além das cadeiras, faltava a monografia. Primeiro, tive de traduzi-la (pra quem lembra, foi escrita originalmente em espanhol!) e finalizá-la. Tudo certo. Dia 30 de julho, fui aprovado (yay!), depois de uma banca de duas horas. Mas não foi uma tortura. Ao contrário – foi uma das minhas melhores experiências. Os professores elogiaram bastante o trabalho e eu não tive dúvidas de que valeu o sacrifício.

Mesmo enquanto ainda não tinha certeza de que as disciplinas faltantes seriam oferecidas e de que eu poderia me formar em 2007/1, eu me candidatei a uma pós-graduação: Especialização em Direito Ambiental, a área que eu pretendia seguir, desde que entrei no curso de Direito. E passei. Aí tive de pedir uma formatura interna às pressas (pra fazer pós-graduação, há quem diga que precisa ser graduado). Então tá, desde terça-feira sou Bacharel em Economia. E a matrícula na pós é hoje à tarde. Ufa…

Quando voltei supermegafeliz voltando da Argentina, nunca imaginei que tudo isso poderia acontecer em um só semestre, e um semestre tão decisivo. Nesse período eu li Hard Times, de Charles Dickens. E me parecia claramente que eu estava descendo a escadaria da Sra. Sparsit: a mighty Staircase, with a dark pit of shame and ruin at the bottom (“uma grandiosa Escadaria, com um escuro poço de desonra e ruína na sua base” – tradução livre).

Mas agora eu posso, finalmente, voltar a respirar tranqüilo. Nem acredito que consegui interromper a descida antes de chegar ao poço. Sobrevivi. E sou muito grato a Deus por isso – não teria sobrevivido não fosse pela força dEle. Por isso, quero reinaugurar a atividade de postagem neste blog-fênix com o meu LOUVOR reproduzindo um hino que a minha irmã Lu me apresentou um dia desses. É em inglês, mas já estamos trabalhando em resolver esse probleminha, né, Lu? ;) Fabi, vamos cantá-la quando eu voltar ao coro? :D (Quem tiver banda larga está FORTEMENTE aconselhado a ouvir aqui uma linda versão da música!)

In Christ Alone

Letra e Música: Keith Getty & Stuart Townend

Copyright © 2001 Kingsway Thankyou Music

In Christ alone my hope is found;
He is my light, my strength, my song;
This cornerstone, this solid ground,
Firm through the fiercest drought and storm.

What heights of love, what depths of peace,
When fears are stilled, when strivings cease!
My comforter, my all in all—
Here in the love of Christ I stand.

In Christ alone, Who took on flesh,
Fullness of God in helpless babe!
This gift of love and righteousness,
Scorned by the ones He came to save.

Till on that cross as Jesus died,
The wrath of God was satisfied;
For ev’ry sin on Him was laid—
Here in the death of Christ I live.

There in the ground His body lay,
Light of the world by darkness slain;
Then bursting forth in glorious day,
Up from the grave He rose again!

And as He stands in victory,
Sin’s curse has lost its grip on me;
For I am His and He is mine—
Bought with the precious blood of Christ.

No guilt in life, no fear in death—
This is the pow’r of Christ in me;
From life’s first cry to final breath,
Jesus commands my destiny.

No pow’r of hell, no scheme of man,
Can ever pluck me from His hand;
Till He returns or calls me home—
Here in the pow’r of Christ I’ll stand.

Acadêmico

Mais uma vez, devo agradecer pelas cobranças de atualização no blog. É bem provável que desta vez tenha batido o recorde de não-postância. Entretanto, muito embora eu funcione melhor sob pressão, ultimamente, no caso do blog, a pressão não tem sido eficaz (como se pode observar no histórico recente do arquivo de posts!). E existe um só e simples motivo: estou acadêmico. Muito tenho lido, estudado, pesquisado, escrito. E tenho tido prazer – como nunca, talvez – nessas atividades.

Com o fim das minhas pseudo-férias, deparei-me com o sétimo semestre da Economia. Além de ser o “último” (ao menos o último com aulas presenciais, porque no oitavo só restará redigir a monografia), o semestre promete ser interessante e, sobretudo, desafiante. Cadeiras difíceis, professores exigentes. Eu amo um desafio. E o Direito, embora com relativamente menos exigências, está pouco a pouco chegando ao fim. Esgotam-se paulatinamente minhas oportunidades de aproveitar meus cursos de graduação. Não que eu não tenha feito isso até agora – é que começa a bater um certo saudosismo precoce.

Então, este é um pedido de desculpas, mas não chega a ser um pedido de perdão, porque acredito que ninguém possa me acusar, dizendo que estou fazendo a coisa errada. Não estou encerrando o blog, nem me eximindo do compromisso de postar de vez em quando; estou prometendo postar menos. Um desestímulo ao leitor? Talvez. Mas eu sinto que isso (postar menos) é o que eu preciso fazer, pelo menos por enquanto. Existe uma certeza: quanto mais (academicamente) produtivo eu me sentir, mais vou ter vontade de postar aqui. Enquanto esse sentimento não vem, preciso resolver umas pendências, tirar uns atrasados.

[Este post REALMENTE precisa de comentários!]

Pra ver a banca passar: a primeira batalha

A banca de revisão daquela prova de Direito Civil que fiz há dez meses foi ontem à noite. Participaram da banca o professor que aplicou a prova com a questão controvertida e mais outros dois: um professor meu e outro com quem nunca tive aula.

No ano passado, quando da entrega da prova, tentei convencer o professor a anular a questão sem a necessidade de uma “discussão contenciosa”, mas não adiantou muito. Então decidi levar adiante: pedir vistas de prova, elaborar argumentação, sustentá-la perante a banca. Uma trabalheira.

Mas há a idéia da luta pelo Direito. Por mais que no fim das contas o benefício que se busca através do Direito seja inferior ao desgaste sofrido no caminho processual até a sua obtenção, não importa: a sensação de direito violado impele o lesado a buscar a justiça. “A Luta pelo Direito”, aliás, é título de um livro do jurista Jhering. E eu vim a ler esse livro justamente porque, no primeiro ano, fiz uma resenha a respeito dele, como requisito parcial de avaliação em disciplina do mesmo professor que me aplicou a prova que vim a discutir na banca de ontem! (Ironia na vida, pra que, mesmo?)

Contudo, é preciso deixar bem claro que, desde a origem eu já achava muito absurda a idéia de reunir uma banca de professores de Direito (como se ninguém tivesse nada mais útil a fazer – nem eles nem eu) para discutir uma questão tão elementar… de gramática. Toda a controvérsia estava em uma só palavra complicada, que cai por terra muito facilmente: “deve”. E a questão era objetiva, de falso ou verdadeiro. É bom lembrar, para o bem da lógica, que o verdadeiro (que pode ser enorme, de várias facetas, cheio de virtudes, lindo, maravilhoso e perfeito), se somado ao falso, não dá noutra – vira falso. O falso contamina todo o resto. Foi justamente isso que aconteceu na questão discutida, que o professor pretendia que fosse verdadeira. Para mim, não era.

E não era, mesmo. E os outros dois professores da banca apoiaram minha sustentação. Espero que o professor que elaborou a questão também tenha, no fim das contas, percebido o erro e concordado. Afinal, mesmo o sábio Aristóteles já reconhecia que herrar é umano.

Com isso tudo, junta-se à minha coleção mais uma história feliz pra contar aos netinhos que eu dificilmente virei a ter: a banca atribuiu à questão valor integral e, por isso, obtive nota máxima. (Sim, eu estava com 9,5 antes disso! Eu não disse que era mesmo uma questão de luta pelo Direito?)

Já me senti um pouco melhor com relação às tentativas de castração que o Direito me tem aplicado. Vou impor valor ao que eu tenho a dizer. Já garanti em post recente aqui no blog: quem vai vencer sou eu. De batalha em batalha.

Banca, eu?

Ao chegar em casa da aula no Direito, ontem, recebi o recado de que ligaram de lá mesmo, da Faculdade, chamando para uma banca. Que banca? Do trabalho de conclusão é que não pode ser – pra isso ainda faltam dois anos. Só podiam ter ligado para a pessoa errada… (Se bem que seria ótimo se eles decidissem me formar mais cedo!)

Fui à secretaria da Faculdade, hoje pela manhã, para tirar satisfações sobre a tal banca. Acontece que é comigo mesmo. Eu já nem me lembrava disso, mas em agosto do ano passado (!) pedi revisão da primeira prova de Direito Civil do ano – e agora, uns dez meses depois, fui chamado para fazer a defesa da minha argumentação perante uma banca. É uma ótima oportunidade para reestudar Direito Civil 2, especificamente sobre um conteúdo a respeito do qual fiz prova há cerca de um ano

Mas é também uma boa oportunidade de escrever acerca das manias e maneiras dos professores quanto à reavaliação de questões controversas nas provas. É nos períodos de publicação de notas (estou passando por um!) que se confirma (ou não) o profissionalismo do professor. Esse assunto renderá, sem dúvida, um post – e excelentes comentários complementares. ;)

Formatura e dilemas

Na manhã de ontem foi marcada a data: 23 de janeiro de 2009 (!!!) será minha formatura no curso de Direito. [A propósito, estão todos convidados!] Faz pouco que se iniciou a segunda metade do curso, mas até se pode dizer que a data não foi marcada tão cedo assim. Em geral, a primeira coisa que os bixos do Direito fazem é preparar as fotos para o quadro de formatura…

Brincadeiras (com sua boa dose de crítica) à parte, a discussão sobre a data e sobre o reajuste na mensalidade da associação da turma me deu até nó na garganta. Eu já fui, aliás, secretário da associação – felizmente hoje estou livre disso e consciente de nunca mais assumir esse tipo de obrigação! O que acontece hoje é que estou muito mais inclinado a uma formatura de gabinete do que a um megaevento do trinômio colação-recepção-baile.

Surpreendentemente, não estou muito disposto hoje a uma argumentação longa. Os argumentos são tão patentes que parece redundante apontá-los, mas vamos lá, de forma breve. Em primeiro lugar, não será minha única nem primeira formatura (a Economia vem antes). E por derradeiro lugar (aliás, só este argumento já basta!), juntar cerca de mil reais (em não-tão-suaves prestações mensais pagas à associação da turma), para gastar em uma só noite, é quase um absurdo sob o ponto de vista pessoal. Aliás, não só pessoal – também distributivo ou social. Eu preferiria empregar os sessenta mil reais (R$ 60.000,00, pra visualizar melhor) que a turma como um todo vai juntar para fazer o espetáculo na compra de uma casa para quem realmente precisa – ou qualquer outra coisa que não me pareça tão fútil e efêmero.

Por que as formaturas precisam ser megaeventos? Por que não fazer cerimônias mais modestas? Tudo bem, é ótimo para as produtoras e, por isso mesmo, para a economia. E é evidente que esse é um momento especial na vida das pessoas – na minha vida também será, por óbvio. Mas será inesquecível de qualquer forma… Todo esse circo vale a pena?