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Reflexões de um estrangeiro

Foi tal a freqüência de eventos sinistros, tristes ou difíceis (ou tudo isso ao mesmo tempo!) nos últimos dias que acabei relaxando na postagem. Acho que tudo começou com o acidente no sábado passado, mas continuou durante a semana passada com o suor para a finalização do meu paper (sim: mandei o último rascunho para a SUPERvisora na sexta-feira e agora só estou à espera dos comentários!). Vejamos se consigo pôr a postagem e as notícias em dia.

No domingo visitei com minha irmã e meu cunhado o campo de concentração de Dachau, que foi o primeiro a ser construído no regime nazista e persistiu até o fim da Segunda Guerra. Claro que não dá pra dizer que esse tipo de visita seja “legal”, mas é sem dúvida interessante, algo que todo o mundo deveria fazer (talvez só) uma vez. Tirei apenas quatro fotos. Não vale a pena postá-las aqui: o que vale, mesmo, é a mensagem. Numa parte do memorial, diz, em francês, inglês, alemão e russo: Que o exemplo daqueles que foram exterminados aqui entre 1933 e 1945 porque resistiram ao nazismo ajude a unir os vivos pela defesa da paz e da liberdade, em respeito pelo ser humano (tradução minha). Noutra parte diz simplesmente: Nunca mais (tradução minha), em hebraico, francês, inglês, alemão e russo. Claro que uma visita assim só podia me deixar pensativo…

Na segunda-feira, indo de bonde (Straßenbahn) do centro de Bonn para (a gloriosa) Kessenich, conversava com minha irmã pelo celular. No mesmo vagão, uns guris estavam brincando uns com os outros, mas naquelas brincadeiras meio violentas, que não dá pra saber direito se é carinho ou se é porrada. Se me lembro bem, a Ca me disse para ficar um pouco quieto no telefone, porque poderiam inventar de me incomodar. Eu achava que não tinha problema, porque eles estavam no lado oposto do trem.

Porém, depois que desceram, umas duas paradas antes da minha, e antes do bonde voltar a andar, um deles bateu com tudo no vidro da janela, bem onde eu estava sentado. E quando eu digo “bateu com tudo” quero dizer: com vontade de botar pra quebrar, mesmo. Engoli em seco e me concentrei em ficar na minha; não queria parecer assustado nem mudar de lugar, porque devia ser bem isso que eles queriam. Disfarcei o susto (estou bastante seguro de que consegui!) e segui conversando normalmente ao telefone. Em segundos, o trem fechou a porta e começou a se mover… e o cara veio de novo bater com tudo na janela do trem, bem onde eu estava!

Pelo telefone contei pra minha irmã o que tinha acontecido e brinquei que, a rigor, com essa cara de alemão que eu tenho, eu não deveria ter problemas com neonazis. Só com a resposta dela é que fui me dar conta: posso até ser “imune”… mas só enquanto não abro a boca e falo português!

Na noite do dia seguinte, terça-feira, fiquei trabalhando até mais tarde no Secretariado, e antes de sair troquei umas palavras com uma assistente administrativa do Legal Affairs, a única que também ainda estava por lá. Contei sobre o incidente da véspera e ela, que também é estrangeira (filipina), me disse que alguns bairros da cidade são desaconselhados para estrangeiros, por causa da xenofobia de alguns moradores locais. Disse também que uma vez gritaram para um conhecido dela algo em alemão do tipo: “volta pra casa!” (querendo dizer: pro teu país de origem).

Com duas amigas estagiárias, fui ao Langer Eugen na quarta-feira para uma sessão de cinema restrita para funcionários da ONU. (“Sessão de cinema”, aqui, quer dizer projeção de DVD em um datashow! ;) Mesmo assim, não se pode reclamar: a imagem e o som estavam excelentes!) O filme? Hotel Ruanda. E aí está, mais uma das minhas recomendações de cinema! Sei, mais um filme-de-catálogo, mas muito boa sugestão pra quem ainda não viu! Minhas duas amigas saíram chorando e, pra ser bem sincero, eu também estava quase lá! O filme é bastante pesado, triste, emocionante, e talvez ainda assim “adocicado” perto dos horrores que na realidade devem ter acontecido. E pensar que tudo ocorreu por causa de um ódio entre grupos étnicos inventados, cujas diferenças existiam apenas na sua imaginação, que nutria preconceitos infundados…

Finalmente, no sábado fomos a Berlim. O postálbum, incluindo o relato dos passeios tão interessantes que fizemos e até de um agradável reencontro de amigos, vai ficar para outra hora; por enquanto, só consigo pensar em algumas coisas que me entristeceram. Fiquei negativamente supreso com a quantidade de “gente estranha”, perdida na vida, que vi pelas ruas. Às vezes tinha a impressão de que nem estava na Alemanha. Foi a primeira vez que me senti verdadeiramente inseguro desde que estou por aqui. Na noite de sábado, a Ca ainda me contou que, anos atrás, soube de um estudante brasileiro que apanhou por um grupo de jovens furiosos por não saber falar alemão (direito). Aliás, bem no início do passeio, já no trajeto do aeroporto para o hotel, nazivandalismo no trem: quatro pequenas suásticas desenhadas num dos bancos. Minha irmã me disse que, para não ter qualquer problema, seria melhor não publicar a foto no blog enquanto estou na Alemanha.

Posso até não publicar foto nenhuma; aliás, acho nem depois de voltar ao Brasil. O que não consigo é esconder minha inquietação e deixar de expressá-la aqui, por meio de palavras. Eu simplesmente não entendo. Num um povo que já passou por uma história tão triste e que vive diariamente em meio a memoriais erguidos em homenagem a todos os que foram exterminados… A cidade de Berlim, por exemplo, é um grande monumento, e parece impossível que alguém, morando lá ou tendo ido pelo menos alguma vez para lá, seja capaz de esquecer-se das atrocidades do nefasto nacional-socialismo. Como pode que, nesse ambiente, alguns (ainda) não tenham aprendido a lição?

Ao escrever este post, tenho a especial preocupação de ser justo e de não deixar margem para que me entendam mal. Há tanta gente neste país que é “do bem” (a começar em grande estilo pelo meu cunhado) e que por isso não merece que essa gente “do mal” faça com que gente estrangeira como eu construa uma imagem negativa da Alemanha e um conceito perverso dos alemães. Enfim: o mal existe e temos de aprender a conviver com ele, mas isso de forma alguma significa aceitá-lo! O segredo (ou parte importante dele) veio no meu devocional da quarta-feira passada, que me surpreendeu com uma lição que não posso deixar de repassar aqui; um consolo que é ao mesmo tempo um desafio:

É no fogo dos insultos, grosseiros ou refinados, que o cristão se vai definindo, que ele vai sendo trabalhado e lapidado. Se ele retribuir na mesma moeda – dente por dente, e olho por olho – deixa de ser uma testemunha de Jesus. Antes deverá aprender a reagir como uma laranjeira carregada de frutas: ela responde com saborosas laranjas aos que atiram paus e pedras. Não é nenhuma reação natural de nossa parte. É a graça de Deus que nos capacita a amar até os que nos odeiam. (Orando em Família, 2008, p. 83)

Quem Deus põe ao nosso lado

Noite em Viena. O sábado que começou muito cedo e correu intensamente nos passeios pela cidade foi coroado com um concerto: peças de Mozart e Strauss executadas pela Salonorchester Alt Wien no Kursalon, sala de espetáculos onde a própria “dinastia Strauss” realizou apresentações no século XIX. Sozinho, estava um pouco entristecido porque minha irmã e meu cunhado resolveram voltar ao hotel, e um pouco desconfortável no meu traje simples de estudante-viajante perto de tanta gente vestida para concerto, “usando roupa de domingo”. Ainda assim, estava disposto a aproveitar ao máximo o ambiente e a música.

À minha esquerda sentou-se um casal, com uns 60 anos de idade. Lembrei-me dos meus pais – e era justamente a véspera do aniversário da minha mãe! Logo que chegaram, apenas trocamos sorrisos cordiais. Uns minutos depois, ela, que estava sentada bem ao meu lado, puxou assunto: “Do you speak English?“. A partir daí, enquanto esperávamos pelo início do concerto, travamos uma agradável prosa. O casal, vindo da Finlândia, estava de férias em Viena por quase uma semana. Ela, professora; ele, pastor! Logo fiz as devidas associações (Finlândia-Luteranismo) e tirei a dúvida: sim, como eu, eram luteranos! Acabamos conversando também no intervalo e depois do concerto, e no fim trocamos contatos.

Entardecer em Bonn. A segunda-feira que começou cedo e correu intensamente no estágio foi coroada com um acesso de produtividade no meu paper… tanto que, mesmo cansado, não conseguia parar de escrever e ir embora para casa! Até que parei para conversar com a estagiária-prima que conhecera algumas horas antes e com quem a partir de então passei a dividir o escritório. Depois de algumas amenidades, ela me contou sobre as dificuldades pelas quais vinha passando em conseguir um lugar onde se hospedar em Bonn, assim como das que enfrentara para ganhar o visto alemão.

Se até então eu já vinha me identificando com a história, o momento em que deixei mesmo o queixo cair foi quando ela me disse: “Quando fui entrevistada, não imaginava que seria selecionada para este estágio, nem que conseguiria o visto alemão, depois de tantas exigências e contratempos. Eu não teria conseguido se não tivesse colocado tudo nas mãos de Deus e confiado nEle. Me dá até arrepios!

A mim também…

Sobrevivente

Desta vez eu me puxei na “paradinha de uma semana” desde a terça-feira de carnaval. Mas não vou pedir perdão, porque eu tenho suficientes desculpas para não ter postado ao longo de todo esse tempo. Por óbvio, a idéia de posts retroativos está rejeitadíssima, porque a essas alturas isso seria humanamente impossível. E, ao contrário do que alguns pensam, não sou alienígena. Mas pra justificar meu sumiço vou fazer uma breve retrospectiva. Breve. Prometo que consigo.

Neste meu último semestre no curso de Economia, a Universidade resolveu exigir cadeiras que, até então, diziam ser eletivas. E a exigência veio depois do período de matrículas, quando já não há muito o que fazer. Aí é pra enlouquecer qualquer um, né? E foi exatamente isso que aconteceu – enloquecemos, meus colegas e eu. (…) E essas reticências significam intermináveis MESES de sangue e suor e negociação com a coordenação do curso, a pró-reitoria de graduação, os registros acadêmicos, até a reitoria… em um processo administrativo que finalmente garantiu a oferta das disciplinas faltantes. Apesar dos percalços, tudo se resolveu.

Só que pra me formar, além das cadeiras, faltava a monografia. Primeiro, tive de traduzi-la (pra quem lembra, foi escrita originalmente em espanhol!) e finalizá-la. Tudo certo. Dia 30 de julho, fui aprovado (yay!), depois de uma banca de duas horas. Mas não foi uma tortura. Ao contrário – foi uma das minhas melhores experiências. Os professores elogiaram bastante o trabalho e eu não tive dúvidas de que valeu o sacrifício.

Mesmo enquanto ainda não tinha certeza de que as disciplinas faltantes seriam oferecidas e de que eu poderia me formar em 2007/1, eu me candidatei a uma pós-graduação: Especialização em Direito Ambiental, a área que eu pretendia seguir, desde que entrei no curso de Direito. E passei. Aí tive de pedir uma formatura interna às pressas (pra fazer pós-graduação, há quem diga que precisa ser graduado). Então tá, desde terça-feira sou Bacharel em Economia. E a matrícula na pós é hoje à tarde. Ufa…

Quando voltei supermegafeliz voltando da Argentina, nunca imaginei que tudo isso poderia acontecer em um só semestre, e um semestre tão decisivo. Nesse período eu li Hard Times, de Charles Dickens. E me parecia claramente que eu estava descendo a escadaria da Sra. Sparsit: a mighty Staircase, with a dark pit of shame and ruin at the bottom (“uma grandiosa Escadaria, com um escuro poço de desonra e ruína na sua base” – tradução livre).

Mas agora eu posso, finalmente, voltar a respirar tranqüilo. Nem acredito que consegui interromper a descida antes de chegar ao poço. Sobrevivi. E sou muito grato a Deus por isso – não teria sobrevivido não fosse pela força dEle. Por isso, quero reinaugurar a atividade de postagem neste blog-fênix com o meu LOUVOR reproduzindo um hino que a minha irmã Lu me apresentou um dia desses. É em inglês, mas já estamos trabalhando em resolver esse probleminha, né, Lu? ;) Fabi, vamos cantá-la quando eu voltar ao coro? :D (Quem tiver banda larga está FORTEMENTE aconselhado a ouvir aqui uma linda versão da música!)

In Christ Alone

Letra e Música: Keith Getty & Stuart Townend

Copyright © 2001 Kingsway Thankyou Music

In Christ alone my hope is found;
He is my light, my strength, my song;
This cornerstone, this solid ground,
Firm through the fiercest drought and storm.

What heights of love, what depths of peace,
When fears are stilled, when strivings cease!
My comforter, my all in all—
Here in the love of Christ I stand.

In Christ alone, Who took on flesh,
Fullness of God in helpless babe!
This gift of love and righteousness,
Scorned by the ones He came to save.

Till on that cross as Jesus died,
The wrath of God was satisfied;
For ev’ry sin on Him was laid—
Here in the death of Christ I live.

There in the ground His body lay,
Light of the world by darkness slain;
Then bursting forth in glorious day,
Up from the grave He rose again!

And as He stands in victory,
Sin’s curse has lost its grip on me;
For I am His and He is mine—
Bought with the precious blood of Christ.

No guilt in life, no fear in death—
This is the pow’r of Christ in me;
From life’s first cry to final breath,
Jesus commands my destiny.

No pow’r of hell, no scheme of man,
Can ever pluck me from His hand;
Till He returns or calls me home—
Here in the pow’r of Christ I’ll stand.

Deus é fiel

Passou meu segundo domingo em La Plata e ainda não encontrei uma igreja. No primeiro domingo cheguei a procurar com Virginia (dona da hospedaria) uma igreja luterana aqui por perto. E encontramos uma, mas com todo o jeito de estar abandonada: bastante sujeira, grama por cortar, papeizinhos do mural de avisos em estado de esfarelamento e outros detalhes desse estilo. Nenhum sinal de vida. Escrevi para a ABUA (Asociación Bíblica Universitaria Argentina, a “hermana” da Aliança Bíblica Universitária do Brasil, da qual participo) e tampouco obtive resposta.

No entanto, por aí já vejo sinais de esperança. Faz uns dias Virginia disse que passou de novo pela igreja luterana abandonada e descobriu que o pastor está de férias. É bem provável que as atividades recomecem em fevereiro. De igual forma deve acontecer com a ABUA: as aulas na universidade aqui em La Plata começam esta semana; se começam as aulas, vêm os estudantes; se vêm os estudantes, reativa-se a ABU. Assim espero.

Ontem de manhã, caminhando para o terminal de ônibus para pegar o La Plata – Buenos Aires, ia pensando na falta que sentia de participar de um culto, de ler mais a Bíblia, de dedicar mais tempo à oração (antes de desmaiar de sono). Tenho certeza – como sempre tive – de que Deus sabe de tudo isso e conhece bem minhas inquietações. Acontece que Ele nunca se manifesta a mim de maneiras espetaculares, e sim em coisas tão pequenas de que nem sequer me dou conta a não ser que esteja procurando com muita atenção.

Um desses momentos aconteceu quando finalmente o La Plata – Buenos Aires chegou ao terminal de embarque. No vidro da porta do ônibus havia um adesivo, bastante singelo, em letras brancas que contrastavam com o colorado do veículo, que dizia: “Deus é fiel”. Não haveria nada de surpreendente ou extraordinário aí, exceto pelo fato de que dizia exatamente assim: “Deus é fiel”. Ipsis litteris. Em língua portuguesa. Não sei explicar direito o que senti; foi quase como ouvir o próprio Pai dizer que me amava.

Cristianismo, capitalismo, comunismo: dois “case studies” bíblicos

Eu sou capitalista. Isso não significa que eu seja materialista ou consumista. Meus anseios de consumo são, aliás, bastante modestos. Contudo, não me consigo imaginar vivendo sob outro sistema econômico. Por mais injusto que seja, o capitalismo ainda parece ser o sistema que mais responde às inclinações naturais do homem.

Talvez eu pense assim por não ter nenhuma experiência de vida senão a capitalista. Talvez, alternativamente, não pudesse ser diferente – afinal, eu estudo Economia, e nesse meio raros são os casos de quem simpatiza com outro sistema. Uma terceira e última hipótese que explicaria meu posicionamento é a própria observação da realidade. Mesmo o comunista mais ferrenho deve admitir que, por mais nobre que seja o ideal comunista, ele nunca se verificou – ou, se se verificou, não se afigurou tão nobre quanto a encomenda.

Estando ou não convencido por meus próprios argumentos pró-capitalismo, a verdade é que os relAtos (engraçadinho isso: os relatos do livro bíblico de Atos) sempre me causavam certo desconforto. Nesse livro, sobretudo em seus primeiros capítulos, conta-se que os primeiros cristãos “tinham tudo em comum. Vendendo suas propriedades e bens, distribuíam a cada um conforme a sua necessidade” (Atos 2:44-45). Eis o retrato do comunismo cristão. A pergunta é: cristianismo (puríssimo) pressupõe comunismo? Ou, em outras palavras: é possível ser cristão e capitalista? A prior, eu diria que não. Porém, depois de refletir um pocuo, é interessante organizar as idéias e sintetizar conclusões.

Pesquisando na Bíblia, cheguei à seleção de dois casos. O primeiro deles é de sucesso. Em Lucas 19, Zaqueu, chefe dos cobradores de impostos, humilha-se para ver Jesus e recebe-O em sua casa e também em seu coração. Acaba resolvendo doar a metade de seus bens aos pobres e devolver o quádruplo do dinheiro que tinha cobrado indevidamente. (Isso porque naquela época havia corrupção na cobrança de impostos!)

O segundo caso é de fracasso absoluto. Em Atos 5, o casal Ananias e Safira vendem uma propriedade e, em vez de entregarem o dinheiro todo aos apóstolos, retêm parte para si. Mas essa atitude foi percebida pelo apóstolo Pedro. Tanto Ananias quanto Safira, ao serem desmascarados, caíram mortos. Uma cena inimaginável, a não ser em filme de terror – mas na Bíblia é mesmo essa a forma com que os fatos são descritos: “[Pedro diz a Ananias]: ‘Você não mentiu aos homens, mas sim a Deus’. Ouvindo isso, Ananias caiu morto.” (Atos 5:4-5).

Ora, a diferença é clara. Zaqueu devia ser muito rico – era não só cobrador de impostos, mas chefe deles; talvez um dos homens mais abastados e importantes (e odiados) da cidade. Ao converter-se a Cristo, decidiu doar apenas metade dos bens. Mesmo depois disso e da restituição em quatro vezes do dinheiro extorquido, é provável que tenha continuado a ser bastante rico. Ananias e Safira, por sua vez, não deviam ser tão ricos quanto Zaqueu. Enquanto este pôde abrir mão do muito que possuía com magnanimidade, aqueles não tiveram verdadeira liberalidade nem mesmo para se desfazer do pouco de que dispunham. É claro que, além disso, tentaram ludibriar os apóstolos e o próprio Deus – o que, convenhamos, nunca é uma jogada muito esperta.

A posteriori, desconstruo minha impressão inicial e concluo que… ser capitalista (ou próspero) não é pecado. Ser avarento, ganancioso, mesquinho, sim – a Bíblia está cheia de advertências a respeito disso (Mateus 6:19-24, Marcos 10:17-23, Lucas 12:13-21). A vida é deve ser uma constante busca por Deus, e não por riqueza material. Nossas fortunas pessoais – das enormes às irrisórias – pertencem a Ele e, por isso, estão também a serviço do próximo, quando somos generosos. Afinal, o que os dois case studies demonstram é que, para Deus, não importa tanto o sistema econômico quanto os reais desígnios do coração humano.

Mas por que os sinos dobram?

Eu sou meio surdo – é só conviver um pouco comigo para perceber. Por outro lado, tenho uma curiosa hipersensibilidade a sons distantes. De onde moro, no Areal, comumente (e sem esforço algum) ouço a buzina do trem, que passa no Porto ou mais para as bandas do Fragata ou do Capão do Leão. Um conhecimento básico da geografia de Pelotas ajuda na compreensão do que isso significa, mas basta entender que o trem passa no outro lado da cidade. E eu ouço a buzina.

O que aconteceu ontem, no entanto, chegou a ser assustador. Estava em uma aula do curso de Economia, no ICH, que fica na região do Porto. O professor parou de falar e estava formulando o que dizer a seguir. A turma ficou sem fazer um mínimo ruído. Era um daqueles instantes raros e brevíssimos, quando aconteceu: ouvi os sinos da Igreja São João.

Eu não podia acreditar. A sala onde estudo é muito isolada, tanto que não pega nem celular (!) lá dentro. Não dá pra ouvir nem os carros que passam na rua. A Igreja, por sua vez, fica a uns dois quilômetros do ICH. E há mais o seguinte detalhe: entre os dois lugares está nada menos do que todo o centro da cidade de Pelotas – isto é, prédios, trânsito…

Queria ouvir um pouco mais, só pra ter certeza, mas não pude: acabou aquela fração de segundo de silêncio. No tempo, aquele instante foi um nada, mas pareceu que tinha se passado uma hora, de tão nitidamente que pude ouvir o som dos sinos. Olhei para os lados, tentando achar algum olhar de cumplicidade, mas não encontrei o que procurava. Tive certeza de ter sido o único a ouvir aquele som. Peguei o celular (que, mesmo sem sinal, serve de relógio): eram vinte horas. Só então me lembrei – quinta-feira é dia de culto na São João. Às vinte horas.

De casa, muitas vezes já ouvira os sinos da São João. A distância é um pouco menor: um quilômetro, talvez mais meio. Não que isso queira dizer muito, porque eu nunca ouvi os sinos da Catedral, que fica pertinho dali. A verdade é que os sinos da São João são, para mim, inconfundíveis; têm o badalar mais lindo que já ouvi. (Como bom pelotense, sou bairrista – ora, é a igreja onde fui criado e de que participo até hoje.)

É bom lembrar que o sino já foi muito importante, na história da sociedade ocidental. Era por meio do toque dos sinos que se anunciavam eventos festivos das comunidades, como nascimentos e casamentos, e também de pesar, como as mortes e os alarmes de guerra. Como ainda não havia relógio, as badaladas dos sinos é que marcavam as horas, regulando o despertar e a hora de se recolher. Já serviam para sua função que ainda hoje é marcante: anunciar os momentos de culto nas igrejas cristãs.

Hoje todos temos relógios de pulso – ou celulares – ou ainda olhamos para aqueles relógios-termômetros – ou, no último dos casos, perguntamos as horas para outra pessoa. Além disso, é mais fácil ouvir o ruído do stress do trânsito – motores, arrancadas, freadas… – e até mesmo as buzinas dos trens. Também é mais fácil ouvir a música em alto volume que um dos vizinhos deixou tocando, sem a menor consideração (vale lembrar que cada um de nós pode ser um desses vizinhos!). Pior ainda, pode ser que o som mais fácil de ouvir seja o de um tiroteio não muito distante de nós.

E, por essas e por outras, ninguém mais dá atenção aos sinos. Mas eles continuam por aí, nas igrejas, cumprindo sua função. Eles nos lembram de que podemos deixar nas mãos de Deus todos os nossos problemas quotidianos: a corrida atrás do tempo, o trânsito caótico, as dificuldades nos relacionamentos humanos, a assombrosa criminalidade… Que privilégio é ouvir, nesses dias conturbados, o chamado de Deus através dos sinos… Ouve!

O vigor da minha juventude

Sempre tive muito pique, iniciativa. Vivo envolvido em diversas atividades. No ano em que estudava para o vestibular, dava aulas de inglês, regia um coro de música sacra e participava de eventos sobre mudança climática – cheguei a ir ao Rio duas vezes para isso. Tudo era perfeitamente conciliável com os estudos.

Depois que passei no vestibular e (que sacrilégio!) fiz o supletivo, comecei a estudar Direito e Jornalismo. Mas como eu queria porque queria meu diploma do CEFET-RS, continuei fazendo o ensino médio lá. Sim: Direito todas as manhãs, ensino médio todas as noites e, um dia por semana, uma longa viagem a Porto Alegre para cursar Lingüística no Jornalismo da UFRGS (quatro horas pra ir, duas horas de aula, quatro horas pra voltar). Continuei “ativista”.

Entrei de cabeça na Academia. O primeiro ano no Direito serviu para o meu verdadeiro encontro com as ciências humanas – eu estava no lugar certo! Minhas aulas na UFRGS, especialmente nos primeiros semestres, foram um contato com uma realidade incrível! A conclusão simultânea do ensino médio não foi tão emocionante… mas, no fim, eu fiz um discurso de orador de turma que talvez tenha sido o mais polêmico da história do CEFET-RS!

Não me resta dúvida: a correria valeu a pena. Eu continuo cheio de atividades, mas, não sei por que, não é mais a mesma coisa. Talvez falte um pouco da emoção do início: a novidade dos cursos universitários, a aventura da viagem semanal a Porto Alegre, a ousadia de um discurso inesperado e surpreendente.

Hoje, eu me sinto com sono, por vezes desmotivado e cansado. É difícil levantar da cama, algumas vezes, para ir assistir a uma aula desmotivante. As tardes passam voando e nem sempre consigo fazer tudo o que gostaria de ter feito – muitas vezes fico restrito ao que preciso fazer. Em semana de prova, principalmente, fico preso aos estudos e não consigo fazer o que é importante para mim – ler a Bíblia, ver e falar com minha família e meus amigos, escrever no blog, tocar flauta…

Não, não passou o vigor da minha juventude. Eu ainda tenho o vigor; continuo envolvido em um sem número de atividades. O problema é que, às vezes, as situações que o mundo impõe não me são muito favoráveis, não me interessam tanto como no passado.

Concluo afirmando minha consciência de que essas angústias são passageiras, repousando minha confiança em Deus. “Ele dá força ao cansado” (Isaías 40:29). Por fim, é preciso aprender a deixar no passado as coisas que já não cabem mais ou que pertencem ao passado e não mais ao presente. Isso é entender de fato que há tempo para tudo (Eclesiastes 3:1-8 – sugiro fortemente a leitura da passagem completa!):

Para tudo há uma ocasião certa;

há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu:

Tempo de nascer e tempo de morrer,

tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou,

tempo de matar e tempo de curar,

tempo de derrubar e tempo de construir,

tempo de chorar e tempo de rir,

tempo de prantear e tempo de dançar,

tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las,

tempo de abraçar e tempo de se conter,

tempo de procurar e tempo de desistir,

tempo de guardar e tempo de jogar fora,

tempo de rasgar e tempo de costurar,

tempo de calar e tempo de falar,

tempo de amar e tempo de odiar,

tempo de lutar e tempo de viver em paz.

É isso mesmo que vocês querem?

Já comentei por aqui que participo de projeto de assistência no centro social do bairro onde moro. Duas colegas e eu compomos o trio de atendimento das terças-feiras.

Ontem finalmente reunimos os requisitos faltantes para propor duas das ações que até agora caíram em nossas mãos. Uma delas é a de separação judicial consensual de um casal que está separado de fato há alguns meses. “Todas as formalidades estão prontas; agora só precisamos das suas assinaturas”, disse, dirigindo-me aos dois, que estavam diante de mim. Mas engoli em seco: “Isto é, se é isso mesmo que vocês querem – não existe a possibilidade de reconciliação?”. Ambos responderam: “Não, tá tudo certo assim”.

A outra ação era de divórcio direto. O casamento, forçado, não dera certo. Tanto ele quanto ela já viviam com outros companheiros e famílias há quarenta anos (!). A pergunta, diante da situação, era até ridícula, mas não pude evitá-la: é isso mesmo que vocês querem? Dois sorrisos dizendo “é óbvio”, duas assinaturas, duas pessoas a menos na sala.

Não pude fugir ao desconforto que senti. Deus não apenas reprova (Mateus 5:32, 1 Coríntios 7:10-11) , mas francamente odeia o divórcio (Malaquias 2:16a). É óbvio que acabaria afogado em angústias se me culpasse por tomar parte nisso. Afinal, no projeto, esses são casos dos mais freqüentes.

Só fiz o que me solicitaram; separar-se ou divorciar-se é uma faculdade que a lei confere às pessoas casadas, em determinados casos. Poderia muito bem me esquivar assim. Mas a lei que me governa, o meu “estatuto pessoal”, é a Lei, que é muito superior a isso que por aqui na Terra se convencionou chamar de lei.

Enfim, estou disposto a fazer de boa-vontade o que me solicitam. Mas, nesses casos, faço contrariado. E não vou deixar de perguntar: é isso mesmo que vocês querem? não existe possibilidade de reconciliação?

Buscando orientações práticas sobre a virtude

O que significa agir virtuosamente? Ter uma conduta virtuosa e correta aos olhos de Deus é o objetivo de vida de todo cristão, mas de forma geral não é tarefa fácil. Todos valorizam a virtude; ninguém é capaz de dizer que deseja não ser virtuoso. O problema é que o próprio conceito de virtude encontra-se perdido em meio a idéias nebulosas, incertas. Para complicar, nosso mundo repleto de opiniões individualistas não parece ser ambiente muito fértil para discutir esse tema e encontrar uma solução satisfatória.

O recurso a entendimentos sólidos, frutos de sistemática reflexão, é uma das soluções viáveis para esse problema. Aristóteles, em obra sobre a ética, trata a respeito da virtude. Ao fim de longo desenvolvimento sobre o tema, o filósofo apresenta seu entendimento:

“A virtude é, então, uma disposição de caráter relacionada com a escolha de ações e paixões, e consistente numa mediania (…). É um meio-termo entre dois vícios, um por excesso e outro por falta, pois nos vícios ou há falta ou há excesso daquilo que é conveniente no que concerne às ações e às paixões, a passo que a virtude encontra e escolhe o meio-termo.” (Aristóteles, Ética a Nicômaco, Livro II, Capítulo 6).

Aristóteles não se contenta com essa definição de ordem geral e parte aos casos particulares. No Capítulo seguinte, discorre a respeito da virtude (o meio-termo) e dos vícios (a falta e o excesso) quanto a diversas ações e paixões. Sua exposição pode ser resumida no seguinte quadro:

Vício por falta

→ Virtude = Meio-Termo ←

 

Vício por excesso

 

Medo, covardia

Coragem

 

Temeridade
excesso de audácia

 

Insensibilidade (raridade)

Temperança

 

Intemperança

 

Avareza
(excesso no ganho, falta no gasto)

Liberalidade, generosidade

 

Prodigalidade
(excesso no gasto, falta no ganho)

 

Mesquinhez

Magnificência (somas grandes)

 

Vulgaridade, ostentação

 

Humildade inadequada

Justo orgulho

 

Pretensão

 

Apatia

Calma

 

Irascibilidade

 

Falsa modéstia

Veracidade

 

Jactância

 

Rusticidade

Espirituosidade (divertir)

 

Chocarrice, deboche

 

Misantropo, desagradável

Amabilidade (agradar)

 

Obsequioso (nenhum fim)

 

Adulador (para si mesmo)

 

Acanhamento

Recato

 

Despudor

 

Despeito

Justa indignação

 

Inveja

 

A Bíblia, por sua vez, cita poucas vezes a palavra virtude (apenas seis, desconsiderando-se aquelas em que figura na expressão “em virtude de”). No entanto, em todas elas, a virtude é destacada como algo a ser perseguido por aquele que quer seguir a Deus.
  1. Em 2 Crônicas 19:3, diz-se que Josafá, rei de Judá, apesar de seus defeitos, tinha alguma virtude (ou algo de bom, segundo a Nova Versão Internacional, NVI), por ter em seu coração a disposição de buscar a Deus e de haver derrubado postes de idolatria.
  2. É pela virtude de homens prudentes e entendidos que se mantêm as nações, apesar dos pecados delas, como ensina Provérbios 28:2.
  3. Conforme Filipenses 4:8, a virtude é uma das coisas que devemos buscar, em nosso agir.
  4. Quando Deus permitiu que Sara, mesmo em idade avançada, mas por causa de sua fé, tivesse um filho, ela recebeu uma virtude, de acordo com Hebreus 11:11.
  5. Deus nos chama para sua glória e virtude, como ensina 2 Pedro 1:3.
  6. Por fim, a partir de 2 Pedro 1:5, é recomendável o empenho para alcançar a virtude em nosso agir quotidiano, pois essa é uma qualidade que impede que sejamos inoperantes, improdutivos, cegos quanto ao nosso pecado.

Como se pode perceber, não só para nós, homens, mas também para Deus é muito importante a busca da virtude. Minha proposta, hoje, é compreender melhor as palavras que Aristóteles aponta como exemplos de virtude, à luz do que a Palavra de Deus diz a respeito desses meios-termos.

Coragem. Em Deuteronômio 31:6, o Senhor garante que sempre acompanhará Israel; é por isso que os israelitas deveriam ser corajosos diante dos outros povos. Já em Efésios 6:20, a coragem é um pedido de oração de Paulo: ele precisa dela para cumprir seu papel como discípulo de Cristo.

Temperança. Deus chama a atenção daqueles que estão insensíveis, duros de coração, em Isaías 46:12, pois cumpriria sua promessa de salvação. Novamente em Efésios 4:19, o Senhor adverte aqueles que perdem a sensibilidade e entregam-se à depravação.

Liberalidade e magnificência. Em várias passagens, a Bíblia diz que contribuições (para a Igreja, para os necessitados) devem ser feitas de modo generoso. A generosidade é tida como um dom da graça de Deus em Romanos 12:8. O Senhor promete riqueza (não só material) aos justos, não para benefício deles próprios, mas para que sejam generosos, como ação de graças a Deus (2 Coríntios 9:11).

Justo orgulho: São tantas as advertências contra o orgulho na Bíblia! Como exemplo, cabe citar a profecia de Isaías 2:17: no dia final, o orgulho do homem será abatido e só o Senhor será exaltado. É dos humildes o reino dos céus, conforme Mateus 5:3. A humildade pode, porém, ser inadequada, quando chega ao extremo da baixa auto-estima, da auto-depreciação, da insegurança. O cristão humilde não deve anular-se a ponto de esquecer que é templo do Espírito Santo e de que, mesmo indigno, conta com a graça salvadora de Cristo.

Calma. A Bíblia não nega ao homem o direito de irar-se, mas adverte para que, quando isso ocorrer, não caia em pecado, vindo a agredir o próximo (Salmo 4:4 e Efésios 4:24). A mansidão e o domínio próprio são tidos como fruto do Espírito, em Gálatas 5:23.

Veracidade. O apego à verdade é um mandamento de Deus (Efésios 4:25). O próprio Deus é caracterizado, no Salmo 31:5, como o Deus da verdade. Em Provérbios 12:17, a verdade é tida como a manifestação da justiça. No Salmo 119:163, o salmista abomina a falsidade e declara o amor pela Lei de Deus, que traduz a verdade de uma forma que permite o entendimento do homem.

Espirituosidade. Devemos viver com alegria, exteriorizando o amor que recebemos de Deus e cuidando para não nos tornarmos zombadores. Assim, servimos às necessidades do próximo e mostramos a ele a liberdade que temos em Cristo. O conselho de Efésios 4:29 é, nesse sentido, muito válido: não devem sair palavras torpes de nossa boca; apenas aquelas que sejam boas e necessárias para o crescimento dos que a ouvem.

Amabilidade. O propósito de nossa vida não é agradar os homens, mas a Deus, o que, sem fé, simplesmente não é possível (Hebreus 11:6). Mesmo assim, é importante buscarmos uma convivência agradável com os que estão à nossa volta, não para que nós mesmos vivamos de forma proveitosa entre nossos amigos, mas para que possamos passar adiante a mensagem do amor de Deus e da salvação dada por Ele através de Jesus (1 Coríntios 10:33).

Recato. Associo o recato e o pudor à idéia de pureza. Os conselhos bíblicos quanto à pureza tem grande importância para os jovens. Em Timóteo 4:12, Paulo não quer que a mocidade de Timóteo seja desprezada, mas que ele seja um exemplo de pureza, o que se demonstra através da conduta, da fala, da fé.

Justa indignação. O homem não precisa (nem deve) conformar-se ao ver o injusto prosperar. Porém, a Palavra de Deus recomenda que não inveje o pecador, mas que se conserve no temor do Senhor (Provérbios 23:17). O salmista em Salmo 73 admite quase ter caído por invejar a prosperidade dos ímpios, mas se alegra por ter permanecido fiel ao Senhor.

No presente estudo, decidimos pinçar apenas o que a Bíblia diz a respeito das virtudes incluídas no quadro geral apresentado por Aristóteles. Há, porém, muitas outras passagens na Bíblia que ensinam as verdadeiras virtudes recomendadas por Deus – em número suficiente para um estudo diário ao longo de um ano inteiro, ou até mais!

A palavra do homem, por mais que resulte de reflexão, sempre corre o risco de ser duvidosa ou inconclusa. É o caso da análise de Aristóteles, que clama por complementação. A Palavra de Deus, porém, não está sujeita a esses riscos: é clara, certa, completa. As orientações das Escrituras são as melhores possíveis para nossa conduta. São, sem dúvida, o recurso mais eficaz para nossos dilemas práticos quanto à virtude.