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Primeiro dia em Bratislava, Eslováquia

Da Expedição 2015 só faltou contar de quando fugimos de Budapeste e fomos de trem a Bratislava, passar dois dias na capital da Eslov… Para. Pensa. Eslovênia? Eslováquia.

Keleti Pályaudvar, bela estação de trem de Budapeste, de onde partimos

Desbravando Bratislava (Desbravatislavando?)

Na caminhada da Estação Central de Bratislava (Bratislava hlavná stanica, mapa) até o hotel, passamos pelo Palácio Grasalkovičov (mapa). Construído em 1760 em estilo Rococó ou Barroco Tardio para o Conde Grasalkovičov, um nobre húngaro, hoje é o palácio presidencial (Prezidentský Palác) da Eslováquia, servindo como residência oficial do Presidente da República. Em frente ao palácio fica a praça Hodžovo námestie, com a fonte Terra – Planeta de Paz.

Devidamente instalados no hotel, saímos por uma caminhada de reconhecimento dos arredores, descobrindo as ruelas estreitas da antiga Bratislava e encontrando verdades eternas pelo caminho, até chegar à Praça Principal (Hlavné námestie, mapa).

Uma das verdades eternas encontradas em Bratislava: “A vida é cheia de perguntas – Cupcakes são a resposta”

Igreja de Santa Clara (Kostol Klarisiek) e o Castelo (Hrad) ao fundo

Já na Praça Principal, a Antiga Prefeitura (Stará radnica), um complexo de edifícios construído a partir do século XIV

Na praça principal, o edifício do Banco Húngaro e Palácio Palugyay Palace, além da Fonte Roland (ou Fonte Maximiliano), de 1572

Estátuas de Bratislava

Na Praça Principal começamos a observar as estátuas espalhadas pelas ruas. São muitas estátuas – e todas bastante originais e curiosas! A primeira que vimos foi a estátua do Soldado do Exército Napoleônico, esculpida em bronze por Juraj Melis. A estátua lembra a invasão de Bratislava pelas tropas de Napoleão no início do século XIX. O chapéu é típico.

Do jeito que está parado, parece que o soldado está permanentemente bisbilhotando a conversa de quem sentar no banco… ou está apenas descansando e contemplando a vista dali. Na dúvida, a Lu foi conferir essa perspectiva.

Outra estátua muito famosa é a de Cumil, um operário dentro de um bueiro, com a cabeça e os braços para fora, olhando para a rua. Foi instalada em 1997 e é tida como a mais famosa estátua de Bratislava (aliás, difícil tirar uma foto ali em que não tenha alguém na volta, ou tirando foto ou esperando na fila para posar junto à estátua). Não é pra menos: Cumil é mesmo muito simpático! A estátua fica na esquinas das ruas Panská e Rybárska brána (mapa).

Ainda outra é a do Schöne Náci, em homenagem a Ignác Lamár. Esse gentleman ganhou fama por andar pelas ruas do centro de Bratislava no início do século XX, bem-vestido (embora com roupas velhas), cumprimentando as moças com sua cartola e oferecendo-lhes flores.

Ainda nos deparamos com outra estátua famosa… mas no dia seguinte.

Passeio de Prešporáčik

A partir da Praça Principal saímos para o Old Town Tour, um passeio pelo centro antigo no Prešporáčik, um pitoresco veículo conversível que é exclusivo de Bratislava. É o único tour motorizado que se pode fazer pelas ruas do centro antigo – ideal para o dia de chuvisco.

O Prešporáčik

Pelo centro de Bratislava, no Prešporáčik

Um dos meus prédios preferidos, perto da Catedral

Ruínas nas ruas estreitas do centro antigo

Ao fundo, o portão de São Miguel (Michalská bran), o único preservado entre os portões da fortificação medieval. Foi construído em 1300 e reformado em estilo Barroco em 1758.

Para o almoço, escolhemos um restaurante com vista privilegiada, bem em frente ao prédio histórico do Teatro Nacional Eslovaco (Slovenské národné divadlo, mapa, site oficial), inaugurado em 1886, em estilo Neo-Renascentista. (O prédio novo, inaugurado em 2007, fica aqui.)

Bratislavský hrad – o Castelo de Bratislava

Após o almoço, retomamos a segunda parte do tour: uma volta maior pela cidade (inclusive fora do centro antigo), com subida ao Castelo de Bratislava (Bratislavský hradmapa, site).

No século XV, o castelo foi construído em estilo Gótico e reconstruído no século XVI em estilo Renascentista. Por causa da da ocupação otomana do território atual da Hungria (1541–1699), Bratislava (também conhecida em alemão como Pressburg) tornou-se a capital do que restou do Reino Húngaro sob o poder dos Habsburgo. Por isso, de 1552 a 1784, foi no Castelo de Pressburg que permaneceram a coroa e as joias reais da Hungria.

A partir de 1740, para que a realeza tivesse uma residência tanto na Áustria tanto na Hungria, a rainha Maria Teresa da Áustria converteu o Castelo de Pressburg de fortaleza de defesa em residência real, em estilo Rococó.

Depois disso, em 1766, Alberto de Saxe-Teschen – Governador do Reino da Hungria designado pela senhora sua sogra, a rainha Maria Teresa! – e sua esposa Maria Cristina passaram a residir no castelo, expondo nele as muitas obras de arte que colecionavam.

Tudo ia muito bem para o Castelo de Pressburg, até que…

Em 1781 foi extinto o posto de Governador do Reino da Hungria. Alfredo foi para a Bélgica e levou consigo parte da coleção de arte; outra parte foi para a Viena (hoje, a Galeria Albertina). As joias da coroa húngara também foram para Viena. Um seminário funcionou no castelo por um tempo, mas logo os interiores rococó deram lugar a instalações militares. Em 1809 as tropas de Napoleão bombardearam o Castelo – e a cidade, também. E em 1811 sofreu um grande incêndio, por descuido dos soldados que o ocupavam.

Assim o castelo ficou em ruínas… até 1953. Outra grande reforma começou em 2008.

Os resquícios das janelas góticas estão entre meus detalhes preferidos!

Catedral de São Martin

Visitamos em seguida a Catedral de São Martin (Dóm sv. Martina, mapa). Foi originalmente construída em estilo Românico no século XIII, mas a catedral gótica hoje existente foi construída de 1311 a 1452. A torre tem 85 metros de altura – e no alto fica uma réplica da Coroa de Santo Estêvão (aquela que hoje está no Parlamento da Hungria), folhada com 8 Kg de ouro. A réplica  tem 1 metro de diâmetro e pesa 150 Kg!

A Catedral de São Martin – mal dá pra ver a coroa dourada de um metro de diâmetro no alto da torre!

Altar da Catedral de São Martin

Chama a atenção, no altar da catedral, a escultura equestre de São Martin, em estilo Barroco, instalada em 1744, obra do escultor Georg Rafael Donner. Ela mostra São Martin em trajes típicos húngaros, oferecendo parte de seu manto a um mendigo.

Em função da ocupação otomana de Budapeste, as coroações de onze reis e rainhas da Hungria, além de oito de seus consortes, aconteceram na Catedral de São Martin, entre 1563 e 1830. A lista dos reis e rainhas ali coroados está pintada no altar, em latim.

Na frente da Catedral de São Martin e em diversas ruas da cidade de Bratislava está indicado nas ruas, com pequenos “selos” metálicos presos às pedras do calçamento, o caminho por onde passava o cortejo das coroações. Ainda hoje se encenam, nas ruas de Bratislava, as festas de coroação.

Fim de tarde e ballet no Teatro Nacional

Para encerrar o primeiro dia, mais uma caminhada e um café no elegante Schokocafe Maximilian (mapa) antes do ballet La Bayadère, a que assistimos no prédio histórico do Teatro Nacional Eslovaco (Slovenské národné divadlo, mapa, site oficial).

Vitrine de uma padaria, com bonecos em movimento

Café musical pré-ballet no Schokocafe Maximilian

Dentro do prédio histórico do Teatro Nacional Eslovaco

Dentro do prédio histórico do Teatro Nacional Eslovaco

Após o ballet, vista noturna da Praça Principal (Hlavné námestie)

 

Bye Bye, Budapest: triatlo na Ilha Margit

O último dia da Expedição 2015 em Budapeste foi de arrancar lágrimas de nostalgia: céu perfeitamente azul, temperatura ideal e um passeio agradável e tranquilo.

Nada mais apropriado para se despedir de Budapeste – sem causar ciúme nem a Buda nem a Peste – que passar o dia na Ilha Margarete ou Margit (Margit-sziget), que fica no meio do Danúbio (mapa) e, portanto, não é propriamente nem Buda nem Peste!

A parte do triatlo, no título do post, é só brincadeira. Não fizemos triatlo nenhum. Mas quase: andamos de bicicleta, caminhamos bastante (mas não corremos…) e nadamos. 😀

Começamos o dia com um brunch húngaro reforçado no Művész Kávéház (mapa, website em Húngaro, facebook), na chiquérrima Avenida Andrássy, 29. Como (estranhamente) não tirei foto lá, o Művész acabou ficando de fora do post sobre cafés e restaurantes de Budapeste. Foi inaugurado em 1898, em estilo Neo-Renascentista, e restaurado em 2008. Quase em frente à Ópera, é mais um dos muitos cafés elegantes da época, como o New York Café e o BookCafé.

Depois do Művész, passamos um tanto de dificuldade e perdemos um tempinho tentando alugar uma segunda bicicleta do sistema de compartilhamento MOL Bubi usando o aplicativo de celular. Teria sido mais fácil e rápido ir logo até a máquina disponível na Déak Ferenc ter, como afinal fizemos – e em um minuto ambos tínhamos bicicletas alugadas!

Fomos pedalando pelo centro de Peste, passando pelo Parlamento, até a Ponte Margit (Margit híd). A ponte em T liga Buda e Peste, e também permite descer na Ilha Margit, no Danúbio.

Danúbio e o lado Buda da Ponte Margit

A partir do século XI a Ilha Margit foi ocupada por diferentes ordens religiosas. Vimos lá importantes ruínas medievais: da igreja e do convento dominicanos, do século XIII, e da igreja franciscana em estilo gótico, do século XIV. No convento dominicano viveu a Princesa Margit, filha do Rei Béla IV, na segunda metade do século XIII; a ilha acabou recebendo o nome da princesa. Os religiosos abandonaram a ilha em meados do século XVI, para fugir da ocupação dos turcos, que destruíram as construções. Só no século XIX as ruínas foram reencontradas.

A ilha foi aberta ao público em 1869 e hoje é um grande parque, com gramados, muita um jardim japonês, um roseiral, hotéis-spas, um complexo esportivo e, claro, banhos termais.

Na entrada sul da ilha, o chafariz e, ao fundo, o monumento ao centenário da unificação de Buda e Peste (comemorado em 1973)

Um dos belos jardins

Detalhe do roseiral

O grande gramado do centro da ilha – e nenhuma nuvem no céu espetacularmente azul!

Almoçamos no restaurante aos pés da Torre da Caixa d’Água e depois, subimos seus 57 metros. A torre foi construída em 1911 e hoje funciona como espaço para exibições artísticas, além de oferecer vistas incríveis da ilha e da cidade.

Não é uma foto panorâmica, mas ao longe se podem ver alguns marcos da cidade. Da esquerda para a direita, temos a cúpula da Basílica e outros prédios do centro de Peste, o Monumento à Libertação no alto de Gellért Hill, a cúpula do Parlamento e o Castelo de Buda.

Superzoom: o Parlamento, em Peste, e o Castelo, em Buda

Por fim, depois de andar de bicicleta e caminhar pela ilha, fomos nadar na Praia Palatinus (Palatinus Strandfürdő, mapa, website em inglês). Há 11 piscinas , todas externas, incluindo uma de ondas e outra com toboáguas. O movimento tranquilo no dia em que fomos (início de temporada) permitiu que aproveitássemos bastante. Desci os quatro toboáguas!

Deu um aperto no coração encerrar o agradável dia no Palatinus, mas, como se vê nas últimas fotos, a tarde estava caindo… Alugamos bicicletas para voltar a Peste, jantar pela última vez em alto estilo húngaro (no Callas, com música ao vivo), voltar ao apartamento e fechar as malas, para partir cedo da manhã no dia seguinte de volta para as Américas.

Voltamos com a bagagem cheia de nostalgia. A Expedição 2015 foi um sucesso absoluto.

Dia (intenso) em Buda

Neste post a Expedição 2015 atravessa o Danúbio para mudar de ares e mostrar um pouco de Buda, especialmente o bairro Víziváros (“cidade da água”), o distrito do Castelo de Buda e o morro Gellért. É possível ver todos esses lugares ao longo de um dia de caminhada intensa. Porém, para ir com calma a outras atrações de visitação mais demorada (por exemplo, a Galeria Nacional Húngara, que fica dentro do Castelo de Buda), um dia certamente não é suficiente.

Víziváros

Chegamos a Buda de metrô (linha M2), descendo na estação da praça Batthyány tér. Dali vale a pena descer às margens do Danúbio para ter a melhor vista geral do Parlamento Húngaro, que fica diretamente à frente, do outro lado do rio (a foto ficou no post sobre o Parlamento). Na Batthyány tér, chamam a atenção o Mercado construído entre 1900 e 1902 – hoje ocupado por um supermercado, um banco e outras lojas – e a Igreja de Santa Ana, um lindo monumento barroco, construído por padres jesuítas entre 1740 e 1762.

O Mercado da Batthyány tér

Torres da Igreja de Santa Ana

Seguindo ao sul pela Fő utca, a rua principal do Víziváros, logo se chega aos fundos da Igreja Calvinista, construída de 1893 a 1896. Foi a primeira igreja reformada em Buda. Chamam a atenção sua torre de 62 metros de altura, a mais alta do lado Buda, e os desenhos multicoloridos dos telhados, feitos de cerâmica Zsolnay. (Outros exemplares do uso dessa cerâmica virão… neste post e em outros!) Nos fundos da igreja, perto da Fő utca, fica uma estátua de Samu Pecz, o arquiteto da Igreja Calvinista – e também de outros importantes prédios de Budapeste, como o Grande Mercado da Fővám Square

Igreja Calvinista de Buda

Estátua de Samu Pecz

No encontro da Fő utca com a Lánchíd (Ponte de Correntes), fica a entrada imponente do túnel de 350 metros que corta o Morro do Castelo; foi construído entre 1853 e 1857, pelo engenheiro Adam Clark, que também construiu a Ponte de Correntes. A praça à frente do túnel é o centro oficial de Budapeste, a partir de onde são calculadas as distâncias rodoviárias.

A entrada do túnel

Distrito do Castelo de Buda

É possível ir a pé ou de ônibus até o alto do morro do Castelo de Buda, mas há também um meio mais turístico e cênico: o funicular (Budavári Sikló). A partir da praça Adam Clark (bem ao lado da entrada do túnel), o funicular percorre uma distância de 95 metros para subir os 51 metros de altura do morro. Foi inaugurado em 1870, mas foi destruído durante a Segunda Guerra; só foi reinaugurado em 1986.

A subida é rápida; o trem percorre 1.5 metro por segundo. Mais demorada é a espera na fila de quem não comprou ingresso antecipado! Enquanto se espera, pode-se ver no muro de contenção à esquerda uma pintura do brasão do Reino da Hungria pintada em 1880.

Esperando na fila do funicular

Brasão do Reino da Hungria

À medida que o funicular sobe, vai surgindo a bela vista que se tem do lado Peste, com destaque à Ponte de Correntes, ao Palácio Gresham (é o edifício Art Nouveau que fica bem de frente para a ponte; hoje abriga um hotel Four Seasons) e, um pouco mais ao fundo, a Basílica. E se subindo de funicular a vista já é linda, do alto do morro fica ainda melhor…

Peste, vista do funicular

Parlamento da Hungria, visto do alto do Morro do Castelo de Buda

Detalhe do Palácio Gresham, em Peste, visto de Buda

Visão panorâmica de Peste; à esquerda, o Parlamento; ao centro, a Ponte de Correntes

Dando as costas à bela vista de Peste, à direita se vê a fachada do Palácio Sándor (Sándor Palota), edifício neoclássico construído em 1806. Serviu originalmente como residência oficial do primeiro ministro até a Segunda Guerra, quando foi muito danificado. Hoje, restaurado, é a residência oficial do Presidente da Hungria (nas guaritas, guardas presidenciais à postos).

À esquerda há um portão ornamental, com escadarias que levam ao pátio do Palácio Real. Para nossa sorte, ali estava acontecendo uma festival de música e dança, com delícias húngaras à venda: sucos, geleias, pastéis, doces, marzipan…

Fachada do Palácio Sándor

O portão ornamental

O pátio do Palácio Real

Delícias húngaras!

Chás e diversos tipos de marzipan

No Palácio Real funcionam o Museu de História de Budapeste, a Galeria Nacional Húngara e a Biblioteca Nacional Széchenyi – atrações que não chegamos a visitar… é preciso mais tempo! Apenas caminhamos pela parte externa, desbravando os pátios do Palácio Real.

Fachada do Palácio Real, na entrada da Galeria Nacional Húngara, com destaque à cúpula neoclássica

Um dos destaques do pátio ocidental do Palácio Real é a Fonte Mátyás. Foi construída em 1904 e representa o Rei Mátyás Corvinus (bem no alto) em uma caçada, durante a qual se apaixonou por Szép Ilonka, também retratada na fonte.

Fonte Mátyás

Detalhe da Fonte Mátyás

Portão dos Leões, que leva a um pátio interno do palácio

No pátio interno

Saindo da área do Palácio Real rumo à parte histórica da cidade de Buda, ao lado do Palácio Sándor fica o Teatro da Corte de Buda (Várszínház), o primeiro teatro de Budapeste. O prédio foi construído como igreja e monastério carmelitas em 1763, mas convertido em teatro em 1787. Na parede, uma lembrança de que Beethoven deu um concerto ali em 7 de maio de 1800.

Ao longo da Uri urca ficam, lado a lado, casa que outrora pertenceram a aristocratas. Em muitas delas há um portão central que leva a um amplo pátio interno.

O grande destaque do centro histórico de Buda é, sem dúvida, a Igreja de Mátyás. Embora dedicada à Nossa Senhora, a igreja é conhecida pelo nome do Rei Mátyás Corvinus.

A igreja passou por diversas fases arquitetônicas. Foi originalmente construída em estilo românico no século X, pelo Rei Santo Estêvão, fundador da Hungria. Não há resquícios arqueológicos dessa construção original, destruída pelos mongóis em 1241. Foi reconstruída entre os séculos XIII e XV em estilo gótico tardio. Quando convertida em mesquita pelos turcos,  em 1541, perdeu muitos dos detalhes. No final do século XVII tentou-se reconstrui-la em estilo barroco. Mas foi no final do século XIX que a igreja ganhou o atual estilo neo-gótico, por obra do arquiteto Frigyes Schulek. Muito danificada durante a Segunda Guerra, foi restaurada de 1950 a 1970 e de 2006 a 2013.

A igreja abriga o Museu de Arte Eclesiástica, com muitas relíquias.

Igreja Mátyás

Detalhes das coloridas cerâmicas Zsolnay nos telhados da igreja

Portal principal da igreja

Interior da Igreja Mátyás

Interior da Igreja Mátyás

Vitrais do século XIX, de Frigyes Schulek, Bertalan Székely e Károly Lotz

Interior da Igreja Mátyás

Nave principal da Igreja Mátyás

Tumba do Rei Béla III e Anne de Châtillon

Se a Basílica tem a destra mumificada de Santo Estêvão, a Igreja Mátyás tem o pé direito mumificado de São János

Estátua da Imperatriz Sissi no interior da Igreja Mátyás

Também obra do arquiteto Frigyes Schulek (que restaurou a Igreja Mátyás ao estilo atual no final do século XIX) é o Bastião dos Pescadores (Halászbástya), um terraço (para fins estéticos, não de defesa) em estilo neo-românico e neo-gótico construído em 1895. Em frente ao bastião fica uma estátua equestre do Rei Santo Estêvão. Do bastião também se têm ótimas vistas de Peste, especialmente do Parlamento – com a Igreja Calvinista “atrapalhando” a vista.

Bastião dos Pescadores

Parlamento da Hungria (com a torre da Igreja Calvinista na frente!)

Réplica de um baixo relevo do século XV do Rei Mátyás

Torre barroca da Igreja de Santa Maria Madalena

A última atração sobre a qual comento da cidade antiga de Buda é imperdível Hospital na Rocha (Sziklakórház). Abaixo do morro do Castelo de Buda há um sistema natural de 10 Km de cavernas, formadas depois da era glacial. Desde a Idade Média, essas cavernas vinham sendo usadas pelos residentes (por exemplo, como excelentes adegas naturais). Porém, com a eclosão da Segunda Guerra, o governo resolveu dar-lhes nova utilização. Interligou as cavernas existentes e construiu um hospital de emergência para ataques aéreos, que funcionou de 1939 a 1945. Depois disso, até 1948, o local funcionou para a produção de vacinas. Em 1956, voltou a ser hospital, em meio à revolução que ocorria em Budapeste. De 1958 a 1962 foi ampliado e reconstruído no espírito da Guerra Fria, para funcionar como hospital e… bunker nuclear! O site oficial conta mais sobre a história do Hospital na Rocha.

Dentro dos corredores (de certa forma macabros) do hospital nas cavernas, há mobília e instrumentos cirúrgicos da época, bonecos de cera em reconstruções de cenas comuns do hospital, uma sirene de bunker que os visitantes podem ativar… e mais umas surpresas.

Quando eu disse que é imperdível, eu quis dizer que é imperdível, ok?

Entrada do Hospital na Rocha (dentro não é permitida a fotografia)

Morro Gellért

Como se a caminhada pela cidade antiga de Buda não tivesse sido suficiente, seguimos para um passeio mais esportivo: subir os 140 metros do Morro Gellért, para contemplar as mais amplas vistas de Budapeste.

Começamos a subida bem perto da Ponte Isabel (Erzsébet hid), pertinho dos banhos termais Rudas. A primeira parada para descanso (e foto) foi junto à estátua de São Gellért, que abençoa a cidade, levantando uma cruz.

Por fim, seguimos ao alto do morro, onde fica o Monumento à Libertação (Szabadság Szobor). A estátua de bronze tem 14 metros de altura e fica no alto de um pedestal de 26 metros. Foi erguida em 1947 para relembrar a liberação soviética da Hungria durante a Segunda Guerra. Por causa da sua posição privilegiada, pode ser vista de muitas partes da cidade; o formato sugestivo fez com que se tornasse conhecida como o “abridor de garrafa”.

Ponte Isabel (Erzsébet hid) e Peste, ao fundo

À esquerda, o Castelo de Buda; à direita, ao fundo, vê-se a cúpula do Parlamento, em Peste

Estátua de São Gellért

O Monumento à Libertação

Monumento à Libertação, do alto do pedestal

Uma das estátuas laterais representa a luta contra o mal

Vista panorâmica de Budapeste, do alto do Morro Gellért

Superzoom sobre a Basílica de Santo Estêvão (96 m) a Budapest Eye (roda gigante de 65 m de altura)

Caminhada pela Andrássy até o Parque da Cidade

A Avenida Andrássy (Andrássy út) está para Budapeste assim como a Champs-Élysées está para Paris: é a mais cara e elegante avenida da capital húngara.

A avenida de 2,5 Km foi construída entre 1872 e 1885, ligando o centro ao Parque da Cidade, para as comemorações do milênio da Hungria, em 1896. Ao longo da Andrássy foi surgindo um conjunto de palácios ecléticos de inspiração Neo-Renascentista, construídos por importantes arquitetos para receber residências e estabelecimentos comerciais da alta sociedade da época.

Na parte mais próxima ao Danúbio, ficam cafés, teatros e butiques de luxo; na parte mais próxima ao Parque dos Heróis (Hősök tere) e ao Parque da Cidade (Városliget), ficam belas residências e embaixadas. Ao longo da Andrássy ficam a Ópera e também a Praça Liszt (Liszt Ferenc tér), que será objeto de outro post especial.

Quando ficou pronta, a Andrássy foi considerada uma obra-prima de planejamento urbano, e até o transporte coletivo era proibido. Por isso em 1893 se começou a construir sob a avenida a primeira linha de trens subterrâneos da europa continental: o Metrô do Milênio. Foi inaugurado em 1896, por Franz Joseph e Sissi, e continua em uso; é a linha M1 ou amarela.

A UNESCO reconheceu a Andrássy como um símbolo do desenvolvimento de Budapeste como uma metrópole moderna, transformando a estrutura urbana de Peste. Em 2002, a avenida foi inscrita como Patrimônio Mundial, juntamente com o Distrito do Castelo de Buda, as margens do Danúbio, o Parlamento e as ruínas da cidade romana de Aquincum, inscritos em 1987.

O nome da avenida foi uma homenagem ao Conde Gyula Andrássy, estadista húngaro que no século XIX foi Primeiro Ministro da Hungria e Ministro das Relações Exteriores do Império Austro-Húngaro. É uma figura histórica tão importante para os húngaros que ganhou uma estátua equestre num local privilegiado: ao lado do Parlamento da Hungria.

Estátua equestre de Gyula Andrássy e, ao fundo, o lado sul do Parlamento

Bem no início da Andrássy está o Palácio Foncière, construído em 1882 para a subsidiária de uma seguradora belga. Hoje a estátua de Hermes continua lá, mas atrás dele havia uma cúpula, destruída durante a Segunda Guerra.

Parte superior do Palácio Foncière

Chamam a atenção no lado sul da avenida as estátuas na entrada de dois prédios: na loja do Empório Armani, dois guris; na loja da Gucci, duas gurias.

Os guris de Armani

As gurias de Gucci

No lado norte fica o Museu da Casa do Terror (Terror Háza Múzeum) (mapa e site oficial), com exposições e memoriais sobre as ocupações nazista e soviética.

Prédio do Museu da Casa do Terror

Também no lado norte fica o edifício da Universidade Húngara de Belas Artes (mapa e site oficial). A fachada superior está coberta de decoração em sgrafitto.

Detalhe da fachada da Universidade de Belas Artes

A Andrássy culmina na Praça dos Heróis (Hősök tere), que se vê de longe. O monumento também foi construído para comemorar o milênio da Hungria. Nos semi-círculos das laterais há estátuas de líderes húngaros, com estátuas equestres dos símbolos de guerra e paz, trabalho e bem-estar, conhecimento e glória. No alto da coluna coríntia de 36 metros de altura há uma estátua do Arcanjo Gabriel, que segura com a mão direita a coroa de Santo Estêvão e, com a esquerda, uma cruz dobrada. No centro da praça há o Monumento ao Soldado Desconhecido.

A Praça dos Heróis

No lado sul da Praça dos Heróis, fica o Palácio das Artes (Műcsarnok) (mapa e site oficial), com exposições de arte e design. No lado norte, fica ao Museu de Belas Artes (Szépművészeti Múzeum) (mapa e site oficial).

O Palácio das Artes

No Parque da Cidade, atrás da Praça dos Heróis, do Palácio das Artes e do rinque de patinação, fica o Castelo Vajdahunyad (mapa e site oficial). Parece mais antigo, mas foi construído em 1896 para as comemorações do milênio da Hungria. Originalmente era uma construção temporária, de madeira e papelão, apenas para as festividades, mas foi reconstruído em tijolo e pedra no início do século XX. As diferentes partes do castelo relembram os diferentes estilos que marcam a evolução arquitetônica da Hungria: Românico, Gótico, Renascentista e Barroco.

Entrada do castelo

Detalhes medievais góticos do castelo

Mais detalhes góticos

Réplica de Jaki Kapolna, a Capela de Jak, em estilo Românico, já com traços góticos; é a parte do castelo com o estilo mais antigo, dos séculos XI a XIII

O palácio com os estilos mais recentes (séculos XVI a XVIII) representa uma mescla dos estilos Renascentista e Barroco

Também no Parque da Cidade ficam as termas de Széchenyi.

Edifício Neo-Barroco das termas de Széchenyi

Esses são só alguns exemplos dos muitos lugares para ver e visitar ao longo da Andrássy. Uma caminhada pelos seus 2,5 Km é imperdível para quem visita Budapeste. Aqui e ali há caminhadas sugeridas para turistas, com informações interessantes.

Parlamento da Hungria e Memorial dos Sapatos

Visitar Budapeste e não ver o Parlamento (Országház) é mais ou menos como visitar Paris e não ver a Torre Eiffel nem de longe. É difícil perder de vista um edifício neogótico com 268 metros de comprimento, 123 metros de largura na parte mais larga e (tal como a Basílica) 96 metros de altura, às margens do Danúbio, em Peste. Obra do arquiteto húngaro Imre Steindl, foi construído de 1885 a 1902, usando materiais de procedência húngara sempre que possível.

Ao redor do Parlamento

A melhor visão geral do Parlamento é a que se tem a partir de Buda, do outro lado do Danúbio.

Mas as outras fotos de Buda ficam para outro outro post. Agora volto a Peste para dar uma volta ao redor do Parlamento e mostrar o prédio de diferentes ângulos.

Entrada principal, à Praça Kossuth Lajos

Indo para o lado norte do Parlamento; ao centro, a cúpula

Detalhe da fachada Norte

Mais um detalhe da fachada Norte

Já olhando para a fachada Oeste, que fica de frente para o Danúbio

Escadarias, torres e cúpula, vistas da margem do Danúbio

Memorial dos Sapatos

Perto do Parlamento fica o Memorial “Sapatos à Margem do Danúbio”, que presta homenagem aos judeus mortos por milícias do Partido da Cruz Flechada (Arrow Cross), semelhante ao Partido Nazi alemão, durante a Segunda Guerra Mundial. Os milicianos ordenavam que as vítimas tirassem seus calçados e executavam-nas à beira do Danúbio. Os corpos eram levados pelo rio – e os sapatos eram deixados para trás.

Shoes on the Danube Bank

O monumento Sapatos à Margem do Danúbio ao anoitecer; ao fundo, iluminados, a ponte Széchenyi e o castelo de Buda

Visita guiada ao Parlamento

Começando pelas desvantagens: a visita guiada é rápida (40 a 50 minutos, contando o tempo para passar por procedimentos de segurança tipo de aeroporto), a demanda é alta (e por isso há necessidade de comprar ingressos com antecedência, o que se pode fazer online, mas não evita a necessidade de esperar em fila) e o roteiro é bastante restrito. Mesmo assim, vale a pena. O prédio, além de importante política e historicamente, é rico em detalhes decorativos.

Nos corredores do Parlamento

Teto dourado de uma das 29 escadarias

Uma das partes mais deslumbrantes do Parlamento é a Grande Escadaria, com seus 96 degraus (novamente lembrando o ano de 896, quando as tribos húngaras se assentaram no atual território da Hungria), os tapetes vermelhos, os vitrais de Miksa Róth e, no teto, as pinturas de Károly Lotz.

A visita guiada passa pelo Salão de Entrada da Câmara Alta, com esculturas que lembram os antigos grupos de artesãos da Hungria. É também nesta sala que fica o maior tapete feito manualmente em toda a Europa. Eu fiquei tão horrorizado ao pensar no trânsito intenso de turistas (incluindo eu mesmo) sobre aquele rico tapete desprotegido que esqueci de fotografar.

O Salão de Entrada da Câmara Alta

E do Salão de Entrada se vai às galerias do antigo Salão da Câmara Alta, planejado para ter uma excelente acústica. O Parlamento Húngaro é hoje unicameral, por isso não há mais câmara alta ou baixa; o ambiente é usado para conferências e reuniões.

Por fim, a visita guiada também leva ao Salão da Cúpula, onde infelizmente não se permite fotografar. Tem uma cúpula interna de 27 metros de altura; acima dela é que fica cúpula externa de 96 metros, no centro geométrico do Parlamento. É ali que fica a antiga Coroa Real da Hungria. Há outras belíssimas na galeria oficial de fotos do Parlamento.

* Só para registrar: foi neste lindo edifício que, em julho de 2015, os parlamentares húngaros aprovaram a construção de uma cerca para barrar imigrantes e refugiados.

Banhos termais de Budapeste, a Cidade dos Spas

É histórica a fama de Budapeste por seus banhos termais. Há mais de 2000 anos, os romanos já haviam construído vários; vestígios de 14 foram encontrados até hoje. Durante a ocupação otomana da Hungria (1541–1699), a tradição foi reforçada com a abertura de dezenas de banhos turcos (hamam), alguns em funcionamento até hoje, quase 500 anos depois.

Hoje há em Budapeste 123 fontes e poços de águas termais, com temperaturas que variam entre 21 e 78 graus Celsius. E também há infraestrutura para quem quiser aproveitar essas águas, seja diversão, seja pelas propriedades medicinais. A empresa de spas de Budapeste (excelente site oficial) administra sete banhos termais e cinco praias.

Durante a Expedição 2015, visitamos três dos banhos termais (Széchenyi, Gellért e Rudas), que são o assunto deste post. Também visitamos uma das praias (Palatinus), que ficará para mais adiante, quando contar do passa-dia na Ilha Margaret (Margit-sziget).

Széchenyi

Um dos favoritos é o imperdível Széchenyi (site e mapa), um dos maiores spas termais da Europa. Situado no Parque da Cidade, é um dos banhos termais históricos de Budapeste: foi construído em 1913 e é o mais antigo de Peste. Há 3 grandes piscinas externas: uma de 50 metros para natação (26 a 28 graus), outra com correnteza (30 a 34 graus) e ainda outra piscina termal (38 graus). Na parte interna há 15 piscinas menores, com diferentes temperaturas, e mais 3 na parte interna reservada para fisioterapia. Também há saunas e câmaras de vapor. O site oficial descreve todas as piscinas e apresenta a planta-baixa. Vale conferir também as fotos.

Uma das portas laterais de Széchenyi, evidenciando o estilo Neo-Barroco

A piscina com correnteza, parte da piscina para natação e vista geral do edifício onde ficam as piscinas internas

Gellért

O Gellért fica em Buda, às margens do Danúbio e aos pés do morro Gellért; pra quem chega de Peste, fica ao lado esquerdo da Ponte de Liberdade (Szabadság híd). Bem em frente ao Gellért fica a Igreja na Rocha (Sziklatemplom), que é muito interessante – vale combinar as visitas! Começo por algumas fotos e relatos do Sziklatemplom.

De Buda: estátua do Rei Santo Estêvão; em segundo plano, a Ponte da Liberdade e o Danúbio; ao fundo, Peste

O Szikatemplum fica literalmente dentro do morro Gellért, em um sistema de cavernas formado por fontes termais (as mesmas que abastecem as termas de Gellért). A caverna pertence à Ordem Paulina da Hungria, que construiu a igreja em 1926 e continuou a expansão dentro da caverna ao longo dos anos 1930. Nesse período também construiu um monastério adjacente.

Depois de ter servido como hospital militar para os nazistas durante a Segunda Guerra, a igreja voltou a funcionar por seis anos, até ser tomada e destruída pela polícia secreta comunista em 1951, com o objetivo de enfraquecer a Igreja Católica. Em 1960, o Estado Húngaro lacrou a caverna com um impressionante muro de concreto de dois metros de largura. Somente em 1989, após a queda do regime comunista, o templo voltou aos monges e reabriu em 1991.

Entrada do Sziklatemplom

Resquício do muro de concreto que lacrava o templo

Interior da “nave principal” do Sziklatemplom

Vitral de Maria, Patrona da Hungria

Painéis de madeira talhada no monasterio adjacente à igreja

Painéis de madeira talhada no monasterio adjacente à igreja

Agora, sim, ao Gellért (site e mapa), outro dos banhos termais históricos de Budapeste. Foi inaugurado em 1918, em estilo Secessão – Art Nouveau. A parte interna tem 8 piscinas: 5 térmicas (entre 35 e 40 graus), 2 de imersão (19 graus) e uma de natação (26 graus). A parte externa tem mais 2: uma térmica (36 graus) e uma de ondas (26 graus). Também há saunas e câmaras de vapor de diferentes temperaturas. Mais detalhes e planta-baixa no site oficial, onde também vale conferir a galeria de fotos.

Piscina interna para natação

Vista geral da parte externa; piscina de ondas em primeiro plano

Piscina de ondas em funcionamento

Direto do túnel do tempo: como tomar banho sem estragar o penteado?

Um dos belos espaços internos do Gellért

Rudas

Rudas (site e mapa) é um dos banhos turcos de Budapeste. Também fica em Buda, às margens do Danúbio e aos pés do morro Gellért. A parte mais antiga foi construída no século XVI, durante a ocupação otomana: uma piscina octogonal sob uma cúpula de 10 metros de diâmetro, sustentada por oito pilares. Originalmente, somente homens podiam entrar nessa área. É um ambiente escuro, mas a cúpula tem furos com vitrais coloridos que permitem a passagem de um pouco de luz solar. O site oficial tem belas fotos.

No total, há seis piscinas termais (com temperaturas de 16, 28, 30, 33, 36 e 42 graus), uma piscina de natação (29 graus) e cinco piscinas na parte mais moderna do complexo.

Vista do restaurante do Rudas

Todos os prédios da foto pertencem ao complexo das termas de Rudas: bem à esquerda (onde se vê uma cúpula aramada), fica a parte nova do complexo, com a piscina ao ar livre; nos prédios do meio, o restaurante, o spa e as piscinas internas; bem à direita, a parte mais antiga, com a cúpula do banho turco do século XVI.

Complexo Rudas, às margens do Danúbio e aos pés do morro Gellért

Concertos e múmias na Basílica de Santo Estêvão

Um dos objetivos da Expedição 2015 a Budapeste foi aproveitar ao máximo a cena musical da cidade. Por exemplo, num dos últimos posts, já contei sobre Fausto e a visita guiada à Ópera do Estado Húngaro. Mas os primeiros ingressos comprados foram para o Concerto de Gala – com direito a órgão de tubos, orquestra sinfônica e coro – na Basílica de Santo Estêvão (Szent István Bazilika), já nos primeiros dias em Budapeste.

A Basílica (site em inglês) foi construída de 1851 a 1905 e dedicada ao Rei Estêvão (canonizado pela Igreja Católica como Santo Estêvão), fundador do Estado Húngaro. O primeiro arquiteto da Basílica, József Hild, faleceu durante a construção, que foi continuada por Miklós Ybl (o arquiteto da Ópera de Budapeste) e József Kauser. A cúpula original, do projeto de Hild, colapsou em 1868 devido a problemas de construção. Ybl teve de alterar o projeto original, Clássico, para o atual, Neo-Renascentista. Durante a Segunda Guerra, as torres e as paredes externas foram danificadas; toda a estrutura do telhado teve de ser substituída. Somente em 2003 a restauração foi concluída.

A praça em frente à Basílica é um agradável espaço de convivência, com diversos restaurantes e cafés (e turistas sempre circulando). O espaço aberto ressalta o caráter imponente do edifício. Segue um trio de vistas da Basílica – em dia nublado, à noite e em dia ensolarado.

Esperando para entrar pela primeira vez na Basílica, para assistir ao Concerto de Gala (8 de maio, às 20h), minha irmã Lucila e eu ficamos observando os detalhes externos.

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida.” João 14:6

Quase entrando

O programa do Concerto de Gala, regido por András Virágh, consistiu em obras conhecidas:

  1. Tocata e Fuga em Ré Menor, de Johann Sebastian Bach (BWV 565), com o organista András Gábor Virágh; e
  2. Requiem em Ré Menor, de Wolfgang Amadeus Mozart (K 626), com o Coro Jovem de Budapeste, o Coro Paroquial, a Orquestra Sinfônica Monarchia e solistas da Ópera do Estado Húngaro (soprano Ildikó Szakács, contralto Kornélia Bakos, tenor László Kálmán e baixo Lóránt Najbauer)

Assistimos à primeira récita, em 8 de maio – e ainda haverá mais duas, em 28 de agosto e 25 de setembro. A divulgação está no site www.organconcert.hu, onde é possível adquirir ingressos; os preços variam de 16 a 28 Euros.

Como o programa incluía parte com orquestra, coro e solistas (no altar) e parte com órgão de tubos (no coro, atrás), a Basílica virou uma grande sala de espetáculos com dois palcos.

Músicos no altar, durante a execução do Requiem

O grandioso órgão de tubos

Não só por causa dos dois palcos, mas fica difícil olhar para um lugar só, considerando a riqueza de detalhes da decoração interna da igreja, com muitas pinturas e esculturas.

Nas colunas centrais da Basílica, imagens de Math, Marc, Lvc e Joan, os escritores dos quatro Evangelhos

Também chama atenção a grandiosa cúpula no centro da Basílica, que atinge a altura de 96 metros. É uma referência a 896, o ano em que as tribos magiares (ou húngaras) vieram da região dos Montes Urais e assentaram-se na Bacia dos Cárpatos, para posteriormente dar origem ao Estado Húngaro. O Parlamento Húngaro (que será assunto de outro post!) tem uma cúpula de mesma altura, dando a ideia de que Igreja e Estado não se devem sobrepor um ao outro. Hoje, o plano diretor de Budapeste não permite a construção de edifícios mais altos que 96 metros, garantindo que a Basílica e o Parlamento continuem sendo os mais altos.

Por um valor acessível, é possível subir ao observatório da cúpula, de onde se têm vistas panorâmicas de Budapeste. Não chegamos a subir… mas deve valer a pena!

A cúpula da Basílica

Dias depois, arrastei comigo meu cunhado James para o concerto de órgão na Basílica, que acontece regularmente às segundas-feiras; o site www.organconcert.hu traz os horários e programas. No concerto a que fomos, dia 11 de maio, o organista András Gábor Virágh e a soprano ldikó Szakács apresentaram Albinoni (Adagio), Mozart (Aleluia), Bach (Prelúdio e Fuga, Ária, Tocata e Fuga – algumas delas, repetição do Concerto de Gala), Bizet (Agnus Dei), Liszt (Coral) e Gounod (Ave Maria).

 

Por fim, desde 1931, a Basílica guarda uma relíquia especialmente importante para os católicos húngaros: a Santa Destra – uma mão direita mumificada, que seria a do Rei Santo Estêvão e que teria poderes milagrosos (aqui, mais sobre a história da relíquia). Milhares de fiéis na Hungria fazem procissões no Dia de Santo Estêvão, anualmente em 20 de agosto, dia da morte do rei.

A urna onde é mantida, preservada, a Santa Destra